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ASPAS

BAIXARIA & VIOLÊNCIA
Luiz Caversan

"Uma câmera dentro do peito", copyright Folha de S. Paulo, 24/06/01

"Quais são os limites que devem ser respeitados por uma câmera de TV?

Essa não é uma questão nova, já foi aventada inúmeras vezes, na maioria delas quando o que estava em questão era a invasão da privacidade. Ou então a polêmica utilização de equipamento camuflado para realizar flagrantes policialescos de supostos envolvidos em alguma falcatrua ou irregularidade.

Aqui a pergunta é formulada com o intuito de estender a discussão para o campo da coloração emocional exagerada, perigosamente próxima ao sensacionalismo, que é às vezes aplicada ao jornalismo sério.

Foi o que aconteceu no ‘Jornal Nacional’ levado ao ar no dia em que morreu o músico Marcelo Fromer, vítima de atropelamento, e o que se repetiu, talvez com pequenas, alterações, no programa ‘Fantástico’ de domingo passado.

Foram momentos em que se optou por quase espetacularizar a tragédia e abusar da emotividade do telespectador. Que outro objetivo haveria na decisão de mostrar em horário nobre um peito humano aberto e ensanguentado, com um coração pulsando em close, cena acompanhada da seguinte locução: ‘À meia-noite, o coração de Marcelo Fromer já batia no peito de Mário’?

Mário é o metalúrgico que recebeu o órgão, isso os telespectadores já sabiam, porque tudo o que fora dito antes se referia ao drama de quem vive na expectativa de um transplante para continuar vivo.

A reportagem, da maneira como enalteceu a resolução da família de doar os órgãos do rapaz morto, adotou tom de campanha aberta para motivar futuros doadores. Embora a decisão de doar ou não um órgão, próprio ou de um ente querido, seja uma questão reservada, de foro íntimo e que deve ser respeitada (seja ela, inclusive, pela não-retirada de qualquer parte do corpo), nada contra que se estimule esse tipo de atitude; ao contrário.

O ponto, aqui, é a maneira invasiva como a coisa se deu no vídeo, culminando com a cena descrita acima, a meu ver apelativa e desnecessária.

Não faço idéia de que tipo de impacto possa causar a visão do coração vivo do recém-morto aos familiares e amigos daquele que não mais vive; essa seria, também, uma outra questão a ser discutida.

Mas o que me preocupa é o rompimento de conceitos concernentes ao bom senso (e ao bom gosto) em nome de uma ‘causa nobre’, no caso a doação do órgão para salvar uma vida.

Segue-se a caixa térmica contendo o coração, entra-se no hospital, na sala de cirurgia, no peito escancarado do receptor. Enfim, mostra-se o coração, novamente pulsante, em rede nacional.

Note bem: câmera, microfone e supostamente o repórter estavam ali, junto à mesa de cirurgia, enquanto o coração era transplantado em uma situação de emergência.

Num dado momento, ao mesmo tempo em que a movimentação em torno do doente continuava ao fundo, um médico não identificado se volta para a câmera e tece comentários a respeito das ‘qualidades’ do órgão com o qual a equipe trabalhava.

Tudo bem? Não há regras que delimitem o que se pode e o que não se pode fazer, mostrar, expor a milhões de telespectadores diretamente de uma sala de operações, diretamente de um peito aberto e cheio de sangue?

Do ponto de vista médico, a palavra fica com as entidades que estabelecem os limites éticos da profissão.

Do ponto de vista jornalístico, não há dúvida de que exageros foram cometidos, ainda que em nome de uma boa causa.

* Ok, tradicionalmente o papel de megera ajuda a performance das atrizes, tanto na telinha quanto no cinema. Mas algumas delas conseguem superar as dimensões de seus personagens, explorando nuances, desenvolvendo peculiaridades e detalhes que às vezes nem mesmo o próprio autor do texto imaginou que fosse possível.

Certamente esse é o caso de Christiane Torloni. Na maturidade tanto de sua beleza quanto de seus predicados dramáticos, ela tem dado um show à parte em suas aparições como a maldosa-histriônica Laila na comédia-bobagem ‘Um Anjo que Caiu do Céu’. Vale a pena conferir.

* Semana passada, por volta de 11h, os aparelhos de TV estão ligados em uma academia de ginástica. Saudáveis frequentadores, concentrados em seus exercícios, mantêm, como sempre ocorre, os olhos fixos no que rola no vídeo. O canal sintonizado era o Telecine Premium. Em cartaz, ‘Medo e Delírio’, de Terry Gilliam, com Johnny Deep e Benício Del Toro. Apesar de ser uma comédia, trata-se de um dos filmes mais barra-pesada dos últimos tempos. Os dois protagonistas se drogam literalmente o tempo todo (com LSD, mescalina, heroína, cocaína, maconha...), há variadas cenas de sexo e muita, mas muita violência. Ou seja, programa totalmente apropriado para manhãs de ginástica..."

esfriar a cuca por quinze dias. Viajou com a avó.

Como sua família reagiu?

MS - Uma tristeza, evidentemente. Pensamos que fosse só um entrevero, mas parece que não. Mas ela vai ser sempre a nossa filha.

Marina foi a responsável pela organização da festa do ‘Casamento do Ano’, no Jockey Club de São Paulo, em 27 de janeiro. Era para ser para 300 convidados, com salada de lagosta, risoto de açafrão e champanhe. Acabaram entrando 500, quase metade disso jornalistas. A sala com telão ao vivo, reservada para os repórteres, chegou a ser invadida pelos convidados, já que ninguém conseguia ver os noivos através do batalhão de fotógrafos.

Você lamenta que o casamento tenha acontecido?

MS - Não lamento. Não me arrependo jamais do que eu fiz. A felicidade de minha filha no dia do casamento foi uma coisa jamais vista. E foram cinco meses... ahnn, quatro meses... de absoluta felicidade!

Quanto ao noivo, casado e separado cinco vezes, falou em duas ocasiões. Primeiro, por intermédio de sua assessoria de imprensa: ‘Gosto muito dela. É uma garota legal, mas, infelizmente, não deu certo’. E ontem, na abertura de seu programa na Rede Record, pediu discrição à imprensa. Nesse momento, o programa atingiu seu pico, com seis pontos de audiência. Vale lembrar o veneno que a atriz Guilhermina Guinle, sua ex-mulher (a quarta), soltou na época do casamento (o quinto) à revista ‘Isto É Gente’: ‘Quando Fábio acredita ter encontrado a mulher da vida dele, faz uma música para ela e quinze minutos depois já enjoou’.

O que você pensa do Fábio Jr. hoje?

MS - Não consigo desgostar. Talvez eu tenha um sentimento errado, acho ele fascinante, sedutor, agradável. Preferia que ele fosse marido da minha filha... No fundo, acho que o problema é ele mesmo. Ele é realmente um poeta, tem um lado difícil. Não é um sujeito comum, e por causa disso talvez não consiga ter uma vida normal com minha filha.

É como diz o ‘poeta’ , em um de seus maiores sucessos: ‘o amor não tem que ser uma história com princípio, meio e fim’. No caso, foi. E rapidinho."



Daniel Castro

"Primeiro namoro na TV gay vai ao ar em agosto", copyright Folha de S. Paulo, 21/06/01

"A MTV deve exibir em 6 de agosto o primeiro programa da TV brasileira a promover namoro entre homossexuais masculinos. No ar desde setembro do ano passado, o ‘Fica Comigo’ até agora só teve edições dedicadas a personagens heterossexuais. Até o final do ano, deve exibir também uma versão com lésbicas.

A emissora teve dificuldades para encontrar um ‘querido’ gay e contou com a ajuda de dois sites GLS. O ‘querido’ é a pessoa que, no final do programa, escolhe um dos quatro pretendentes.

Desde o começo do mês, o site da MTV (www.mtv.com.br) exibe foto e ficha de Conrado, 29, o ‘querido’ gay. Na Parada Gay, no último domingo, a MTV distribuiu folhetos procurando interessados em Conrado.

Até ontem às 12h, a emissora havia recebido inscrições de 430 pretendentes. O número ainda é baixo. A média de interessados em candidatos heterossexuais é de 2.000 pessoas. As inscrições para o ‘Fica Comigo’ gay vão até 10 de julho.

Segundo Zico Goes, diretor de programação da MTV, a edição gay do ‘Fica Comigo’ será ‘normal, como os outros programas’. Ou seja, se rolar namoro, vai ter beijo no final."



Ricardo Bairos

"Humilhação é nova ‘arma’ da TV americana", copyright Agência Estado, 22/06/01

"A TV americana parece estar em uma nova fase: a da programação ‘espírito-de porco’. São atrações para todos os gostos e em todos os canais. De pegadinhas a privações, de exploração a humilhação, a tendência geral é de um certo sadismo na telinha, em game shows e competições. Novas (e duvidosas) idéias capitalizam em cima da exploração e da ridicularização de pessoas normais. O público, por sua vez, é cada vez mais infantilizado pelas emissoras, porque sensacionalismo barato é sinônimo de audiência fácil. Quem pode, tem TV a cabo - e mais opções de fugir da ‘realidade’.

A estréia da semana é Spy TV, da NBC. O novo programa é uma espécie de Pegadinhas do Faustão, mas com ainda mais maldade. O programa apresentado por Michael Ian Black (do seriado Ed) tem uma câmera escondida que filma pessoas comuns em situações constrangedoras. No episódio de estréia, um sujeito sai para um test-drive com um vendedor (na verdade, um dublê) da concessionária. O empregado quase atropela um ciclista e foge em alta velocidade de um carro (falso) da polícia. O passageiro não pára de gritar, em pânico total. A explicação é a de que ele é um motorista irresponsável e precisava de um susto.

Fear Factor (NBC), que entrou no ar no início do mês, dá prêmios semanais de US$ 50 mil para os competidores que conseguirem cumprir tarefas como passar um determinado tempo em uma vala cheia de ratos. Em uma hora, um grupo de três homens e três mulheres tem de superar testes como ser arrastado por um cavalo ou pular de um caminhão em movimento. Críticos de TV ficaram assustados com o nível das tarefas. Adjetivos como ‘humilhante’ e ‘revoltante’ já foram dados ao show, que tem tido bons índices de audiência.

Também é da NBC outro show que aposta na humilhação dos candidatos. Em Weakest Link, a afronta é intelectual. O sucesso do programa está ligado, principalmente, à britânica Anne Robinson, que virou celebridade rapidamente nos Estados Unidos. A jornalista, que também apresenta a versão da BBC, chegou a ser capa do jornal New York Post, que chamava a apresentadora de ‘esnobe, arrogante, insuportável’ e, para concluir, ‘a mulher mais odiada da América’.

O show, que já foi chamado de uma mistura de Who Wants to Be a Millionaire com Survivor, começa com oito competidores, que respondem a rounds de perguntas de conhecimento geral. No final de cada round, os participantes têm de colocar para fora um de seus concorrentes. Há apenas um vencedor, que leva todo o dinheiro ganho pelo grupo. Para os outros, restam apenas bordões como ‘Você é o elo mais fraco, adeus!’, ‘Você vai embora com nada!’ e por aí vai.

A Fox corre por fora com um dos programas mais criticados da TV americana. Temptation Island, que causou polêmica no início deste ano, volta em breve ao ar. A emissora procura atualmente os casais de namorados que vão querer testar a fidelidade de seus parceiros. Os ‘casados’ vão passar uma temporada em algum resort com solteiros bonitões (homens e mulheres) que têm como objetivo seduzi-los e acabar com seus relacionamentos. Não vale gente casada de verdade, nem com filhos. Pois até a baixaria na TV tem seus limites.

Do gênero sadismo no amor, a emissora UPN tem um dos programas mais absurdos. É Chains of Love, em que uma pessoa é acorrentada a quatro pretendentes do sexo oposto, que querem você e o eventual prêmio final em dinheiro. Juntos, os cinco fazem de tudo: cozinham, tomam banho, passeiam e até dormem (em uma cama feita por encomenda). Com o contato tão ‘próximo’, você conhece rapidamente seus pretendentes. A cada dia, tem de se livrar de um deles, com direito a um discurso. Quanto mais cruel, melhor.

Na MTV, faz bastante sucesso o programa que pode ter ajudado no desenvolvimento de todos os outros. Jackass tem pessoas ‘normais’ vomitando, promovendo ‘pegadinhas’ ou fazendo idiotices perigosas. A série, apresentada por um VJ/dublê chamado Johnny Knoxville, mostra cenas variadas que desafiam o bom gosto e a segurança dos envolvidos. Cenas já apresentadas: rapaz mergulha em uma piscina de esterco; homem em restaurante coloca cocô de cachorro na comida e reclama para o garçom; menino engole peixe dourado, coloca o dedo na garganta e vomita o bicho ainda vivo; etc."



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