SAÍDAS PARA A MÍDIA HORA DE AVANÇAR
O Post não dorme no ponto

Alberto Dines

O Washington Post - o jornalão que iniciou o Caso Watergate - anunciou na semana passada que em agosto vai lançar um tablóide gratuito, vespertino, a ser distribuído no metrô da capital americana. Dirigido ao público jovem, vai chamar-se Express e circulará de segunda a sexta.

A idéia não é nova: um grupo sueco lançou há poucos anos em diversas capitais européias uma experiência parecida e chegou a procurar parceiros para o mercado brasileiro. A discussão sobre a legitimidade de uma publicação gratuita é, hoje, secundária. Há jornais irresponsáveis que são vendidos como se tivessem credibilidade. Não é o preço que fideliza o leitor, é a confiança na informação, mesmo entregue de graça.

Tablóides existem desde o fim do século 19, quando começaram a funcionar os transportes de massa. A imprensa vespertina é tão antiga quanto a matutina e, ultimamente, começou a ser recuperada, inclusive em grandes centros como Nova York.

Jornais que não circulam nos fins de semana não são novidade: o Times de Londres é um deles. Em compensação, a mesma empresa edita o Sunday Times, semanário broadsheet (em grande formato), como o seu concorrente, o Observer. Com isso evita-se a fraude de fechar as edições de domingo dos jornais diários na quinta ou sexta-feira.

O que importa nesta questão é a disposição de luta do empresariado de mídia dos EUA. A crise lá não chega a alcançar as dimensões apocalípticas da nossa, mas é séria, sobretudo no tocante às projeções para o futuro.

A opção do Post mostra que lá não se brinca em serviço. As decisões não são ousadas - são rigorosamente profissionais. Consultores não dão palpites; jornalistas, sim.

Das dez mais desastrosas decisões dos últimos anos na mídia brasileira, nove foram inventadas por "executivos", consultores picaretas e empresários que jamais sentaram numa redação para dirigir um jornal ou revista. A décima foi copiada ou mal copiada.

Há dezenas de novas oportunidades no mercado brasileiro, a crise ajuda a desvendá-las. De cabeça baixa, ânimo no pé e braços cruzados, não podem ser agarradas. Ou sequer vistas.

Antes de fechar a loja, convém verificar se não há fregueses na calçada.


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