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SPECULUM O prazer da reflexγo SELEÇÃO BRASILEIRA instante futebolístico do país Carlos Vogt O futebol no Brasil vai mal? Não, quem vai mal é o futebol da seleção brasileira. Então, o futebol brasileiro vai bem e o selecionado, o escrete canarinho vai mal? É mais ou menos isso. O pessoal que joga bem continua, nos seus clubes, aqui ou no exterior, jogando o que sabe. Basta vestir o uniforme, que antes era reverenciado em toda parte, que a coisa não pega, o time não engata e a bola não entra, isto é, só entra no seu próprio gol. Mas como é possível que os caras joguem bem nos seus clubes e sejam medíocres na seleção? É um problema de técnico, de esquema tático, de mau posicionamento em campo, de falta de comunicação entre os dirigentes e os dirigidos? Que diabos, enfim, está acontecendo com o Brasil? Esse é o problema. É o que está acontecendo com o Brasil que está acontecendo com o futebol da seleção. Quer dizer, como o Brasil vai sendo passado a limpo, para usar a expressão do Boris Casoy, ou, pelo menos, vai sendo trazido à luz mais clara da depuração institucional, os velhos esquemas clientelistas, paternalistas, corporativistas e outras obscuridades a perder de vista, já não têm a mesma força e, ao perdê-la, fazem também perder o que dela se alimentava e nutria, só pelos resultados e pelo populismo resultante. Mas o que é que o futebol tem a ver com isso? Tudo, ou quase tudo. Muito, com certeza. As CPIs, as maracutaias expostas, os cartolas flagrados, as tramóias nacionais e internacionais, a falsificação de documentos, o amadorismo maroto e a sacanagem profissional, tudo estampado, a cada dia, nos jornais, nas revistas, nos rádios, nas telas de TVs, a panela do escuso destampada para o julgamento claro do torcedor, para a clareza do juízo do cidadão indignado. Não há cenário que resista às lavas dessa erupção. É a turma do "Meu Mundo Caiu"? É isso mesmo, como no samba-canção eternizado na voz de ressaca aveludada da querida e saudosa Maysa! E não tem volta? Duvido. É um cenário em ruínas. Vai levar um tempo para montar um outro. Enquanto isso não acontece e enquanto o que aí estava ainda resiste e se desmancha, não há muito o que esperar do escrete, seja canarinho ou azulão. O Brasil, então, vai continuar apanhando? Apanha aqui, ganha ali, mas não será vitorioso, nessa fase de desmanche da confraria e de reconstrução da instituição. E não há perigo de desmilingüir de uma vez? Há, mas não tem volta. Agora, ou vai ou racha. E é melhor que vá, sem rachar. Para isso é preciso urgentemente por a população em campo e com ela definir as táticas de nosso efetivo regresso à saga das vitórias. | ||