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TERROR & HORROR GAVETA 11 DE SETEMBRO Das trapalhadas da Casa Branca Alberto Dines A mídia brasileira deu mais destaque aos apelos da Casa Branca para que televisões e jornais ajam com "discernimento" na divulgação de declarações de líderes terroristas do que às tentativas dos bioterroristas de intimidar a imprensa via antraz. A Folha e seus colunistas-legionários saíram berrando que o apelo do governo americano equivalia à implantação da censura. Logo a Folha, a mais empenhada defensora da autocensura absoluta no episódio do seqüestro da filha de Silvio Santos. As duas manifestações do governo americano às TVs e jornais são pueris, primárias e disparatadas. Revelam perigosos índices de insegurança na cúpula de uma superpotência. Mas, convenhamos, não podem ser classificadas como censura simplesmente porque a censura, para ser efetiva, deve ser aplicada secreta e silenciosamente. Tony Blair, mais hábil, convocou a imprensa britânica para discutir a cobertura da campanha militar no Afeganistão. Reportar guerras na linha de frente continua sendo um dos problemas irresolvidos da atividade jornalística e da liberdade de informação. O que nos leva à outra questão: o correspondente deve ter amplo acesso ao campo de batalha e plena liberdade de movimentação? Quem já cobriu alguma campanha militar sabe que isso é impossível, impraticável, ineficaz. E extremamente perigoso porque jornalista não é soldado. Um dos elementos fundamentais em qualquer ação militar é a surpresa. Se os jornalistas são avisados previamente do que vai acontecer, acabou-se a surpresa. E se o jornalista não é soldado e está impedido de portar armas, como defender-se se o deixarem solto na linha de frente? O leitor quer o jornalista numa cova rasa, silenciado para sempre, ou quer vê-lo e ouvi-lo sobre o que conseguiu ver? Guerras são situações excepcionais nas quais o homem despoja-se da sua humanidade e admite coisas horríveis. Intervalos de civilização. Isto deve ser narrado. Com detalhes – sobretudo para desestimular repetições. Mas não deve converter-se em espetáculo. Circo tem limites. | ||