09/12/2003 3/6

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Bernardo Ajzenberg

"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br/ombudsman)

"8/12/2003

O caso Santo André voltou de vez, e voltou com tudo. A Folha, me parece, foi bem quanto a isso no fim de semana, mas é inegável que, tal como na Operação Anaconda, a concorrência também está ligada. A propósito de um megaevento ocorrido ontem na avenida Paulista, o ‘Agora’ fala em 30 mil pessoas, o ‘Estado’, em 40 mil. Não vi nada sobre isso na Folha, a semanas do aniversário de 450 anos da cidade...

Edição de segunda-feira, 8 de dezembro

Primeira Página

1) A foto da árvore de Natal do Ibirapuera aparece sem remissão para a pág. C4 (na edição SP fechada às 23h). É um detalhe. De todo modo, o que mais chama a atenção, nesse caso, é que as duas fotos (interna e da capa) são quase idênticas, o que sugere desperdício de espaço e falta de criatividade;

2) A chamada ‘Rodada final vai definir os 2 rebaixados’ não diz quando será essa rodada (do campeonato Brasileiro); 3) Sinceramente, não acredito que o convite do PMDB para que Heloisa Helena se filie ao partido merecesse uma chamada na capa. Mesmo um abre de página (pág. A6) já me parece excessivo para aquilo que mais parece uma ‘provocação’ ou uma ‘brincadeira’ do que algo a ser levado a sério como notícia de destaque.

PT/PSB

1) O lide do abre ‘PMDB convida Helena para integrar sigla’ (Brasil, pág. A6) menciona ‘a reunião do próximo final de semana’ do PT... Qual reunião? Reunião de quê?

2) O ministro Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia) não tem seu nome nem sequer mencionado da retranca ‘PSB cobra mudanças na política econômica’ (pág. A6). Ele não participou do congresso de seu partido (objeto do texto), do qual é um expoente? Nada se comentou ali sobre sua gestão, reforma ministerial etc? Faltou algum registro a respeito dele.

Anaconda

Afirma o texto ‘Rocha Mattos investigou 4 juízes’ (pág. A8) que o juiz federal foi preso ‘no último dia 30...’. Faz bem mais tempo do que isso, não?

Caso Santo André

Registro para declaração de Geraldo Alckmin, no ‘Estado’, considerando ‘oportuna’ a reabertura do caso. A afirmação, segundo o jornal, foi dada durante evento no parque Villa-Lobos. A Folha não estava lá?

Edição

1) O texto ‘Atentado mata soldado americano, e general dos EUA prevê mais ataques’ (Mundo, pág. A9) não faz nenhuma referência ao atentado (sem vítimas) registrado na foto da reportagem. Como num houve uma morte e no outro nenhuma vítima, o conjunto cria confusão na cabeça do leitor;

2) A foto de ‘Filipinas prende um dos líderes do Abu Sayyaf’ (pág. A9) mostra esse líder sorrindo ao lado de outras pessoas e afirma que a imagem foi tirado no momento de sua prisão. É isso mesmo? Posso estar enganado, mas não é o que parece. A verificar;

3) O abre ‘Juro baixo e dólar alto impulsionam países’ (Dinheiro, pág. B3) faz referência, ao final, às ‘grandes modificações estruturais a partir do desdobramento (sic) da URSS’. O correto não seria desmembramento da URSS? A verificar;

4) Merecia mais do que uma Panorâmica, a meu ver, a notícia ‘Indignação marca enterro de estudante’ (pág. C4), sobre atropelamento, cometido por um manobrista, que matou menina de 16 anos em frente a uma casa noturna na avenida Henrique Schaumann.

Sendas/Pão de Açúcar

‘Estado’ e ‘Globo’ recuperam hoje notícia dada no ‘Radar’ da ‘Veja’, sobre fusão entre os dois supermercados, com o do grupo Diniz abocanhando fatia ainda maior do mercado. Senti falta dessa informação na Folha.

Sísifo

1) O texto ‘Relatório do BIS aponta sinais de recuperação’ (Dinheiro, pág. B3), menciona a prisão do empresário Mikhail Khodorkovsky sem informar de que país ele é (Rússia, certo?);

2) A sub ‘Governismo marca abertura de conferência’ (capa de Cotidiano) menciona o governo FHC sem informar o período em que ele existiu (1995-2002);

3) Faltou a idade do meia do Santos, em ‘Diego diz que é prematuro deixar o Brasil’ (Esporte, pág. D2).

Educação

A reportagem ‘FGV-SP tem prova de matemática difícil; exame da PUC foi criativo’ (Cotidiano, pág. C3) não traz um único número ou dado concreto sobre esses dois vestibulares (quantos estudantes participaram, por exemplo?) nem indicação sobre onde encontrar gabaritos. Registra apenas opiniões de alguns professores de cursinho sobre o grau de dificuldade e a qualidade das questões. É muito pouco...

Por e-mail...

Continuo sem entender - como já observei em crítica e na coluna dominical- o sentido de se acoplar ao nome do missivista a informação ‘por e-mail’, como está em duas cartas da seção ‘Cartas’ do Folhateen de hoje. Qual é a lógica ou a utilidade?

Edição de domingo, 7 de dezembro

Foto errada

A foto que ilustra a reportagem ‘IPI menor atende a ‘berço político’ de Lula’ (Dinheiro, pág. B6) é boa, mas não tem a ver com o texto. Ela é, aparentemente, de um depósito de ferro-velho ou de carros sinistrados, e não do pátio lotado de automóveis de alguma montadora, como o material sugere. O que ocorreu?

Vermelho?

O sétimo parágrafo de ‘Com atraso, Fome Zero vai a índios’ (Brasil, pág. A14) registra que as mortes de crianças desnutridas na aldeia de Geripancó acenderam em Brasília um sinal vermelho para a urgência de encontrar uma solução...’. O correto seria sinal amarelo, não? No sentido de chamar a atenção para alguma coisa...

Chato...

Faltaram os formatos específicos de intertítulo em dois momentos na coluna Janio de Freitas (‘No ar’ e ‘Risco’). O resultado é esquisito e pode confundir o leitor menos avisado.

Sísifo

Faltou a idade do ministro-chefe da Casa Civil em ‘Dirceu passa por exames no Incor de SP’ (pág. A11).

Resultados

Observações de um leitor atento de Esporte:

1) Texto na página D4 afirma que o Real Madrid bateu o Barcelona por 2 a 1. Já o Placar, na pág. D6, fala que o jogo foi 1 a 1;

2) No Placar, o Leicester aparece como o mandante do jogo contra o Arsenal (1 a 1). Em Panorâmica na pág. D4, ele aparece como visitante;

3) No Placar, o Ituano aparece com 7 pontos ganhos na Série C do Brasileiro. Segundo o leitor, a equipe já está, na verdade, com 10 pontos, única forma de estar também com o acesso já garantido, como informa Panorâmica na pág. D4. A verificar.

Esclarecimentos

‘Na crítica de terça (2/12), observei a diferença de informação sobre o risco-país entre os jornais. Em esclarecimento reproduzido na crítica de quinta (4), a editoria de Dinheiro afirmava, entre outras coisas, que o JP Morgan, que calcula o risco, ‘não fornece (por meio de sua assessoria) o risco-país para a imprensa, pois o serviço é vendido por eles para outras instituições financeiras e consultorias’.

No mesmo dia, recebi o seguinte a seguinte mensagem da jornalista Neuza Sanches, responsável pela Comunicação Corporativa e Marketing do JPMorgan no Brasil:

‘A informação de que o JP Morgan não fornece e ainda cobra a divulgação do Embi+ Brasil, o chamado Risco País, da Imprensa não é verdadeira. Pelo contrário. Diariamente, o índice é enviado a jornalistas de vários veículos brasileiros, através de uma lista. Os que estão fora dela, quando nos procuram, também são atendidos rapidamente e incluídos imediatamente nessa relação, se for do desejo do profissional. O JP Morgan está, e sempre esteve, à disposição para quaisquer esclarecimentos pedidos pela Imprensa’.

A partir dessa mensagem, Dinheiro envia, por intermédio da SR, as seguintes observações, com as quais, acredito, o caso fica esclarecido:

‘O esclarecimento fornecido pela editoria ao ombudsman estava impreciso e parcialmente errado. O JP Morgan não se nega a fornecer as informações do risco-país à imprensa. O que eles se negam a fornecer são informações em tempo real do risco-país, serviço que permitiria à Folha checar os dados com facilidade e em tempo hábil para o horário de fechamento do jornal.

Esse produto (risco-país em tempo real) é fornecido pelo JP Morgan com exclusividade para seletas agências de notícias estrangeiras e para clientes do banco. Essa informação pode ser confirmada com Gloria Kim, chefe da equipe do JP Morgan que calcula o índice em Nova York. Como não conhecemos (e o banco não informa) as condições do contrato entre o JP Morgan e seus ‘canais de distribuição’ (expressão que a instituição usa para designar as agências noticiosas com as quais mantêm exclusividade), não poderíamos ter dito, como fizemos, que o serviço é cobrado.

Nos parece, no entanto, que, além dos erros que admitimos acima, há um mal-entendido entre a resposta de Dinheiro e a carta enviada pelo JP Morgan. A editoria referiu-se ao serviço em tempo real fornecido com exclusividade pelo banco para seus ‘canais de distribuição’. Já o banco parece ter feito alusão ao fato de informar, por telefone e gratuitamente, o índice do risco-país em momentos específicos do dia, conforme a disponibilidade de seus funcionários. De fato, o banco fornece essas informações, mas como uma cortesia não obrigatória sem a garantia de regularidade.

O único serviço gratuito e regular fornecido pelo banco refere-se à posição do índice no horário de fechamento do mercado americano, que, em vários meses do ano, ocorre depois de concluída a edição nacional da Folha - o que obriga o jornal a buscar fontes alternativas, porém confiáveis, para obter o risco-país em tempo satisfatório.’

05/12/2003

Mais uma vez, em caso atípico, nenhuma coincidência nas notícias destacadas pelas manchetes, salvo a presença do ministro-chefe da Casa Civil na da Folha (‘Governo quer juro real de 6% a 8%, diz Dirceu’) e na do ‘Globo’ (‘Dirceu diz que universidade terá revolução como a da Previdência’). Quanto à imagem de Lula assistindo a apresentação em mesquita de Damasco, a foto da capa do ‘Estado’ (reproduzida no ‘Globo’), realçando a figura de um dançarino, me parece mais rica, esteticamente, do que a da Folha.

Assalto no Bandeirantes

Algo estranho acontece na cobertura do caso da senhora que teria sido assaltada em agência bancária dentro do Bandeirantes. Ontem o jornal revelou apenas as suas iniciais, sem explicar o motivo. Hoje, a nota ‘Sem paliativo’, do Painel, revela que a senhora em questão é funcionária da viúva de Mario Covas e traz versão da filha do ex-governador segundo a qual o que houve foi um sequestro-relâmpago. Já a reportagem na pág. C3 (‘Idosa muda versão e diz que caiu em golpe’), além de trazer o nome completo, sustenta, na boca da funcionária, a versão oposta (caiu em golpe de estelionatário). Além disso, omite que se trata de funcionária da viúva de Covas. O pessoal dos Covas precisa se acertar, mas também a Folha precisa coordenar melhor a publicação do material sobre o caso.

Lula no OM

1) Na crítica de ontem, comentei o desequilíbrio que via, no noticiário, entre o aspecto comercial e o aspecto (geo)político da viagem de Lula ao Oriente Médio, em detrimento deste último. Hoje, o primeiro aspecto simplesmente desapareceu do jornal, ficando apenas o político, num conjunto, a meu ver, de novo desequilibrado. O que houve de avanço nessa área (empresarial) na Síria? O que se espera para hoje no aspecto comercial?

2) Parece-me excessivo atribuir em título como sendo posição dos EUA a declaração de um ‘funcionário do departamento de Estado dos Estados Unidos que não quis ser identificado’, como faz o abre ‘Posição de Lula ‘não ajuda’, dizem EUA’ (pág. A5);

3) A retranca ‘Lula faz interferência indevida, afirma Sobel’ (pág. A5) menciona duas vezes a declaração do presidente de que o Brasil ‘vai votar na ONU’ a favor da resolução que exige a devolução das colinas de Golã à Síria. Ora, conforme deixa claro o abre da pág. A4 (‘Lula e ditador sírio pedem fim da ocupação do Iraque’), essa votação já aconteceu. Foi - não por acaso - no mesmo dia em que Lula deu a polêmica declaração.

Para reflexão

Parece-me particularmente ‘engajada’ a edição sobre o programa do PT na TV (pág. A6). O tom irônico, predominante, começa no chapéu (‘Mais uma chance’), passa pelo título (‘Empresários animam o ‘feliz 2004’ do PT’) e se expõe com nitidez em todo o texto da reportagem. Uma coisa é fazer jornalismo crítico - princípio que não está em questão aqui- , outra é usar, em texto jornalístico, noticioso, instrumentos de retórica, como a ironia, típicos de um linguajar posicionado, no caso, de oposição ao PT. Teria sido mais interessante para o leitor, acredito, no texto noticioso, expor, por exemplo, eventuais erros de informação ou exageros em dados divulgados pelo programa, deixando eventuais ironias para algum texto à parte (análise, comentário, por exemplo).

Barbieri

Registro para notícia divulgada hoje no ‘Globo’ de que o ex-deputado Marcelo Barbieri, ligado a Orestes Quércia, já não é mais assessor especial de José Dirceu nas negociações com parlamentares. O que ocorreu? Aparentemente, teria havido forte atrito entre ele e congressistas. A conferir.

Outro lado

1) Faltou registro da versão do economista Wagner Ramos, coordenador da dívida pública da Prefeitura nas gestões de Maluf e de Pitta, objeto de um dos documentos citados no ‘Sentenças de juiz estavam com empresário’, sobre o c aso Anaconda (pág. A10). No presente contexto, essa inclusão significa uma acusação indireta de que a absolvição do economista (em caso de sonegação fiscal) foi fruto de conluio com o juiz Rocha Mattos;

2) Está sintético demais, e com pouco destaque, o ‘outro lado’ da Secretaria da Segurança estadual na capa de Cotidiano (‘Promotoria denuncia 53 PMs por homicídio’). Ele não passa de uma frase, ao pé do texto. O caso é extremamente relevante, histórico (não por acaso está, corretamente, na capa), com possíveis consequências, inclusive, eleitorais (exploração em disputa de campanha). O ‘outro lado’, no mínimo por esse motivo, tinha de ganhar mais espaço.

Sísifo

Faltaram os parênteses com os anos de duração do governo de FHC, mencionado no abre ‘Para Dirceu, deve haver ‘revolução’ na universidade pública’ (Cotidiano, pág. C7).

Para especialistas

1) A retranca ‘Meirelles descarta meta para taxa’ (capa de Dinheiro) menciona, no pé, a eventual criação de uma lei para a ‘nova central de risco de crédito que o BC deve lançar. Há muitas pessoas indo à Justiça questionando a validade da central de risco’. Não dá para entender quase nada. O que é uma central de risco?

2) O vasto material sobre a comparação entre o risco-país do Brasil e a média do dos países emergentes (abre da pág. B4, Dinheiro) não informa, nem mesmo no ‘Saiba mais’, o que é e como é calculado o risco-país.

Detalhe

O lide de ‘Projeções do Ipea pioram para 2003, mas melhoram para o próximo ano’ (Dinheiro, pág. B4) ‘traduz’ a sigla como Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (sic). É Aplicada, certo?

E depois?

Não fica claro o que os ativistas do Greenpeace fizeram, depois de seu protesto, com as mercadorias que tiraram das prateleiras e colocaram em carrinhos durante manifestação num supermercado na zona oeste de São Paulo (texto-legenda na contracapa de Dinheiro). Levaram embora? Devolveram para as gôndolas? Deixaram nos carrinhos?

04/12/2003

Cada jornal ‘atira’ para um lado nas manchetes de hoje, mas me parece que o principal assunto, em termos políticos, são as declarações do presidente Lula durante a visita à Síria, primeiro dia de uma viagem que já confirma as previsões de ser explosiva e delicada. E, nesse quesito, creio que a Folha não se saiu bem (ver nota específica). Ponto para o jornal pelo jogo de fotos da Primeira Página, com conflitos em diferentes níveis, dos sem-terra ao futebol, passando pela polícia.

Lula na Síria

1) Entendo que a Folha tenha optado por priorizar também o aspecto comercial/econômico da viagem de Lula ao Oriente Médio. Acho que o jornal está certo nisso. Mas a edição de hoje, creio, subestima as declarações políticas de Lula, o outro lado da moeda do novo ‘tour’. O abre ‘Lula ‘vende’ Brasil na Síria e defende Estado palestino’ (pág. A4) menciona a frase do presidente contra a ocupação israelense de territórios palestinos, mas não traz nada sobre o anúncio, registrado nos outros jornais, de que o Brasil irá votar na ONU resolução pela devolução, por Israel, das colinas do Golã, território sírio ocupado em 1967. Novidade ou não, importa que se trata de uma declaração ‘ousada’ e incômoda no xadrez político interno e externo;

2) Ficou sem sentido a frase de Lula reproduzida no Multimídia (pág. A5) sobre reportagem do ‘Financial Times’: ‘Por muitos anos, o Brasil não pôde nem sequer conversar com a Líbia, porque os americanos não gostavam dos libaneses (sic)’. Seriam líbios, certo?

3) Estranho o lide do side ‘Saia justa’ (na pág. A4): ‘Cansados depois de quase um dia inteiro viajando, as (sic) quase 60 pessoas que acompanham Lula pelos países árabes demonstravam cansaço (sic)...’;

4) Faltaram intertítulos no longo texto do abre da pág. A4. O seu uso ajudaria graficamente, mas também para realçar alguns itens do texto que mereciam mais destaque (por exemplo, o acordo para construção de uma refinaria de açúcar na Síria).

Polêmica

A ausência da opinião em ‘on’ dos institutos de pesquisa, a começar pelo Datafolha, e dos próprios representantes de meios de comunicação na reportagem ‘TSE limita uso de pesquisa eleitoral’ (Brasil, pág. A7) dificulta ao leitor formar uma opinião a respeito das medidas restritivas adotadas por resolução do TSE. Não seria o caso de o jornal ir mais fundo, estimulando um debate aberto sobre o assunto?

Sísifo

Senti falta dos parênteses informando anos de nascimento e de morte do sociólogo em ‘Fome Zero vira concorrente de ONG de Betinho (Brasil, pág. A6). Como está, qualquer leitor tem o direito de achar que Betinho ainda vive.

Descompasso

Há um descompasso entre título e lide no texto ‘Stedile ataca universidades e governo Lula’ (pág. A8). A declaração do representante do MST aparece apenas no terceiro parágrafo. O lide e o sub-lide, por sua vez, dizem respeito a interessantes dados sobre o aumento das violações aos direitos humanos neste ano no Brasil. O título, a meu ver, deveria ser para isso e não para as (nada originais) declarações de Stedile contra o governo.

Gafanhotos

A Folha registra apenas num texto-legenda (pág. A13, edição SP) bastante burocrático o encontro entre o governador Flamarion Portela (RR) e o presidente do PT, José Genoino. O que ocorreu ali? Genoino mantém sua posição de apoio ao governador, seu colega de partido? Não há informação a respeito disso no jornal.

Anaconda

Dá sinais de retomada, nas edições de hoje, a corrida por novas revelações sobre a quadrilha desbaratada pela Operação Anaconda. A Folha destaca a possível participação de mais um delegado no esquema. O ‘Estado’ enfatiza a suspeita de que o juiz Rocha Mattos teria ganho uma casa no Uruguai em troca de uma sentença de absolvição. A conferir.

Mídia do ódio

Não fica claro, a partir do material de capa de Mundo (‘Jornalistas são condenados por genocídio’, pág. A14), o que deve ocorrer, a partir de agora, com esses jornalistas de Ruanda. Qual poder concreto de execução tem o Tribunal Penal Internacional, que proferiu a sentença? Eles ficarão mesmo presos? Onde? Falta responder...

Romeu e Julieta

A Folha recupera hoje (pág. A15) furo levado ontem sobre o desligamento de um militar do Exército dos EUA que casou com uma iraquiana. A fonte é o advogado do militar. No ‘Estado’, porém, que dera ontem a mesma notícia, já há hoje um desmentido de um porta-voz do Exército, segundo o qual , embora repreendido, o militar em questão não foi desligado da corporação. A Folha está atrasada neste caso. Mas cabe, também, conferir a notícia dada pelo concorrente.

Energia

O abre ‘Consumo de energia sobe mais no Nordeste’ (Dinheiro, pág. B4) informa que o aumento ocorreu principalmente nos gastos residenciais e comerciais. Mas não explica o motivo. O que aconteceu para ocorrer esse aumento?

Desarmamento

Seria manchete, como faz o ‘Globo’? Parece-me um exagero. Mas merecia bem mais do que uma Panorâmica (pág. C4) a aprovação do Estatuto do Desarmamento em comissão ontem do Senado. Ainda mais pelo fato de recolocar em discussão o polêmico plebiscito que fora derrubado pela Câmara para outubro de 2005.

JB/GM

Parece-me um pouco obscuro o acordo de licenciamento firmado entre ‘Gazeta Mercantil’ e ‘Jornal do Brasil’, conforme registro ao pé da pág. B7. O ‘JB’ vai tocar toda a operação de produção da GM? Creio que, pelo inusitado da negociação, caberia mais esclarecimento.

Obviedade

Afirma um olho na capa do Fovest: ‘Quem teve rendimento abaixo do esperado na primeira fase do processo seletivo da Fuvest deve intensificar preparação para conseguir alcançar os demais candidatos’. Não parece algo elementar? O mesmo ocorre com o título do abre da pág. 3: ‘Momento é de avaliar desempenho e traçar estratégia’. Também não é um bom exemplo de criatividade.

Esclarecimentos

Reproduzo, a seguir, observações da editoria de Dinheiro, via SR, a respeito das notas ‘Risco-país’ e ‘Bizarro’, das críticas de terça (2) e de ontem, respectivamente:

1. Nós pegamos o risco-país com a CMA, consultoria financeira da qual a Folha compra os serviços. Além do risco, a consultoria nos fornece cotações de dólar e C-bond diariamente, há anos. 499 pontos foi o fechamento do risco-país dado pela CMA. O mesmo valor nos foi confirmado pela consultoria Global Invest. O JP Morgan, que calcula o risco, não fornece (por meio de sua assessoria) o risco-país para a imprensa, pois o serviço é vendido por eles para outras instituições financeiras e consultorias. Os números da Folha, porém, sempre batem com os do JP Morgan, quando eles são divulgados. Não sabemos a fonte do risco que é obtida por outros jornais.

2. Em relação ao item ‘Bizarro’: o ombudsman parte do pressuposto que as duas matérias foram feitas pelo mesmo repórter, ao mesmo tempo. Não há erro. Para fazer uma reportagem, a AES não quis se pronunciar, quando procurada pela Folha. Para fazer a outra, que surgiu em um tempo distinto, não conseguimos mais estabelecer o contato com a empresa. Errado e impreciso seria dizer que a AES não quis se pronunciar sobre a matéria da Cemig se não havíamos conseguido falar com ela sobre esta questão. Também não há falta de coordenação na Redação como insinua o ombudsman.’

03/12/2003

Dia ingrato, em que a manchete dos principais jornais paulistas é uma notícia que não muda nada (a manutenção da alíquota de 27,5% do IR), enquanto os do Rio repisam assunto ligado à segurança pública (rebelião na prisão e conluio entre presos e policiais). O material mais forte hoje está, a meu ver, não num ‘hard news’, mas nos impressionantes números do IBGE sobre a formação escolar. Por que não manchetar com isso mesmo na edição SP, como está na nacional?

Obscuro

O último parágrafo do texto do ‘outro lado’ na retranca ‘Empresa pode ter sonegado CPMF’ (Brasil, pág. A4), no caso dos ‘gafanhotos’, afirma que ‘o motivo pelo qual a empresa (NSAP) teria usado os cheques para o pagamento de lojas de eletrodomésticos seria justificado pelo fato de os bancos de Boa Vista não disporem dos valores para honrar os salários’. Sinceramente, não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra...

PDT versus governo

A Panorâmica ‘Brizola anuncia que PDT vai oficializar saída do governo no próximo dia 12’ (Brasil, pág. A6) não traz nenhuma informação sobre a reação das bancadas do partido no Senado e na Câmara às declarações de seu chefe. Há unanimidade? Os senadores do PDT estão de acordo com essa posição de Brizola? Creio que o jornal deveria ir atrás disso, pois não me parece ser essa a situação.

Judiciário

Senti falta, no material de hoje apresentando a eleições (de hoje) do novo presidente do TJ paulista (Brasil, pág. A7), de explicações sobre como será o pleito. Quem vota? Quando o resultado será conhecido? Os dados constavam, registre-se, na edição de ontem.

Coordenação

Faltaram remissões recíprocas entre a sub ‘Presidente diz apoiar plano de paz alternativo’ (Brasil, pág. A8) e o abre sobre o conflito israelo-palestino em Mundo (pág. A13, ‘Elogio de Powell a acordo irrita Israel’), no qual, inclusive, menciona-se a posição expressa ontem por Lula sobre o Acordo de Genebra.

Para especialistas

1) O abre ‘Impasse sobre guerra fiscal impede acordo da tributária’ (Brasil, pág. A10) fala da Cide sem dizer do que se trata. Essa contribuição é bem menos conhecida do que siglas como ICMS ou CPMF, ainda mais quando usada em noticiário de Brasil. Certo está , por exemplo, o texto ‘Imposto pode subir para bebida e cigarro’ (Dinheiro, pág. B6), que explicita o que quer dizer Cide;

2) O abre ‘Chávez acusa OEA de favorecer oposição’ (Mundo, pág. A12) cita a France Presse sem dizer o que é isso. Uma empresa? Uma consultoria?

3) Ao tentar explicar o que são os piqueteiros argentinos, o texto ‘Kirchner subsidia vaga a piqueteiros’ (Mundo, pág. A12) afirma que são ‘grupos de desempregados mobilizados que protestam por trabalho e subsídios’. Só? Por que são chamados de piqueteiros? Que tipo de piquetes e onde eles os realizam? Não há explicação.

Bizarro

O abre ‘Auditoria faz BNDES rever acordo firmado com a AES’ (Dinheiro, pág. B3) afirma, a certa altura, que ‘procuradas pela Folha, a AES e a Eletropaulo preferiram não se pronunciar’. OK. Já a retranca ‘Cemig pode não pagar dividendo’ (mesma página) registra: ‘A Folha tentou ouvir ontem a AES. Entretanto, nenhum representante da empresa foi localizado para comentar a questão’. Para o leitor, as duas informações não batem: ou uma delas está errada ou há evidente falta de comunicação/coordenação entre os jornalistas de uma mesma Redação.

Etc etc...

O último parágrafo de ‘Empresa anuncia a compra da 2a maior cervejaria equatoriana’ (Dinheiro, pág. B4) termina afirmando que, nos últimos quatro anos, a Ambev comprou fabricantes de bebidas ou iniciou a produção ‘no Uruguai, Peru, Argentina etc.’. Como etc? Ou o jornal tem a informação ou não tem. Como diz verbete específico sobre o tema, na pág. 67 do ‘Manual’, essa abreviatura deve ser evitada em texto jornalístico, ‘porque sugere incompletude, imprecisão’.

Tom oficioso

O abre ‘Ensino fundamental não atinge 1,4 milhão’ (Cotidiano, pág. C3) ficaria melhor se invertesse o primeiro e o segundo parágrafos, ou seja: se trouxesse como lide a informação mais importante (que é a que está, corretamente, no título) em vez do anúncio do lançamento, pelo ministro da Educação, do chamado ‘Mapa da Exclusão Educacional’. Nesse sentido vai a ponderação sobre lides de tom oficioso existente na pág. 29 do ‘Manual’.

Cargos

1) Merecia maior aprofundamento o assunto relatado em ‘Câmara aprova a criação de quase 400 cargos nas subprefeituras de SP’ (Panorâmica à pág. C4, Cotidiano). Como diz o próprio texto, ‘esse projeto altera profundamente a estrutura das subprefeituras, porque transfere para elas uma série de atribuições que cabiam às secretarias’. Quais atribuições?

Como é feita a transferência? Acho que o jornal deveria retomar o tema;

2) Segundo o ‘Estado’, o número de novas vagas, que seriam 383 no projeto inicial, subiu para ‘perto de 400’ nas últimas horas antes da votação. A Folha não traz nada a respeito disso. Fala nos ‘quase 400’ e nos 383 como se fossem a mesma coisa. Sobre mudanças em relação ao original, registra apenas que a oposição afirma não conseguido analisar o texto final e que o líder do governo declara que ‘mudou muito pouco’. A verificar.

Sísifo

1) Faltou informar a idade de Nelsinho Piquet na Panorâmica ‘Na estréia com F1, Nelsinho roda e acha fácil’ (Esporte, pág. D1). É um dado relevante tratando-se de um jovem piloto, no seu primeiro teste em F-1;

2) Senti falta da mesma informação no caso de Alfons Hug, o curador protagonista do abre ‘Pintura volta a ser destaque da Bienal’ (Ilustrada, pág. E3).

Para reflexão

Parece-me inadequado dedicar a capa da Ilustrada, mais uma página interna, a um espetáculo que já estreou no Public Theater (no último domingo) - presumo que seja em Nova York, embora o texto, do próprio ‘NYT’, não o informe - e a um espetáculo do mesmo autor que estréia no próximo domingo na HBO, ‘só nos EUA’.Não defendo nenhum tipo de privilégio obrigatório ao Brasil ou enfoques nacionalistas, mas não há, nesse caso específico, distância demais entre a ‘notícia’ e o leitor do caderno?

Defasado

Afirma a Panorâmica ‘Marcelo Rubens Paiva participa de debate’ (Ilustrada, pág. E12) que ‘outros cinco livro de Paiva serão relançados pela editora Arx com novo projeto gráfico’. A informação está defasada demais para um jornal diário. Eu mesmo, por coincidência, já vi esse novo pacote de reedições na estante de uma livraria.

Acabamento

Ao menos nos exemplares a que tive acesso, algum erro de montagem ‘comeu’ o crédito das fotos de computadores no alto da capa de Informática.

Mídia

Chama a atenção o comunicado oficial na capa da ‘Gazeta Mercantil’ sobre sua ‘fusão’ com o ‘JB’. Merece um registro noticioso, não?

02/12/2003

Os dois principais diários paulistas dão manchete para a queda do risco-país, abaixo do patamar dos 500 pontos; há divergências, porém, com relação ao índice atingido (ver nota específica). Já os dois principais do Rio priorizam a nova estimativa do IBGE de expectativa de vida do brasileiro. Nas imagens, unanimidade no uso de fotos do Dia Mundial de Luta Contra a Aids nas capas de todos os jornais.

Primeira Página

O título da chamada ‘PT ignora apelos e decide expulsar Heloísa Helena’ sustenta-se apenas precariamente no texto da própria chamada. Este último não informa a que apelos o título se refere.

Risco-país

Apesar do destaque quase unânime dado à queda do risco-país (só a ‘Gazeta Mercantil’, dentre os principais jornais, não reservou, estranhamente, uma chamada para o assunto na capa), há divergências entre os números apresentados. Folha e ‘Globo’ trabalham com 499 pontos. ‘Valor’, com 493. ‘Estado’, com 494. Qual será a origem dessas diferenças, significativas quando se fala em recorde ou em ‘marca dos 500 pontos’? Qual é a informação correta? A verificar.

Lula

Parece-me excessivo reservar um abre de página para as declarações do presidente da República ontem em seu programa de rádio (‘Lula agora afirma que país voltará a crescer em 2004’, pág. A4). O que há de novo aí? Mesmo o suposto ‘desmentido’ em relação à promessa do ‘espetáculo do crescimento’ feita no primeiro semestre não é novidade. Temo que o jornal estabeleça uma ‘tradição’ de destacar em alto de página ou espaço nobre toda declaração do presidente em seu programa de rádio. Nem sempre merece. Para reflexão.

Caso Santo André

O jornal recupera o atraso, hoje, na cobertura sobre a reabertura do caso Santo André (pág. A6). Uma observação: merecia ao menos remissão, nessa página, a nota ‘Testemunha 1’, na coluna Mônica Bergamo, na qual o senador Suplicy dá declarações entre aspas considerando o novo rumo do caso bastante ‘consistente com o testemunho que me foi dado por um pastor que diz ter visto o sequestro’. A rigor, na minha opinião, essa polêmica declaração, nada confortável para o Planalto, deveria ter sido acoplada ao noticiário da página A6.

Quando?

Não fica claro, na reportagem ‘Flamarion pode responder por desvio de verba’ (abre da pág. A7), quando ocorreram as compras irregulares de veículos pelo governo de RR com superfaturamento e verbas que seriam destinadas à segurança pública. ‘Neste ano’, como se informa no terceiro parágrafo, é muito vago.

PT/governo

Um registro para reportagem do ‘Globo’ sobre uma suposta promiscuidade entre PT, movimentos populares e governo na organização do evento que marcou mo Dia Mundial de Luta contra a Aids ontem em Brasília. O caso envolve, inclusive, um funcionário do gabinete de João Paulo, presidente da Câmara, que teria emitido um cheque do PT para pagar ônibus que levaram estudantes ao evento. A conferir.

Venezuela

Parece-me inadequado que o jornal, já no lide, quando se refere ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, qualifique-o de ‘polêmico’ (abre da pág. A9, ‘Oposição canta vitória; chavista vê golpe’, em Mundo). O termo, nesse caso, denota certo viés. Qual presidente, afinal, não é polêmico?

Até mesmo Kirchner, o argentino, que aparece com 90% de aprovação, não deixa de ser polêmico, como mostra reportagem na pág. A 10. Também não é polêmica, nesse sentido, a própria atuação da oposição venezuelana (tentativas de golpe etc)? Para reflexão.

Edição

O leitor que leia a análise publicada no pé da página B2, com crédito do ‘Financial Times’, não fica sabendo que se trata de um editorial do prestigiado jornal inglês, não de um artigo de opinião qualquer divulgado por ele. Além do conteúdo da análise, é notícia o fato de que ela seja um editorial, posição institucional do veículo. Faltou a referência, que só aparece no pé do abre da outra página (B3).

PPP

O somatório dos totais de cada projeto apresentado na arte da retranca ‘Governo anuncia projetos para iniciar parceria com setor privado’ (Dinheiro, pág. B5) não bate com o valor total de R$ 13,685 bilhões registrado na própria arte e no texto. Ele é muito mais do que isso. O que aconteceu? A verificar.

Mortalidade

No 14o parágrafo do abre de Cotidiano (‘Brasileiro vive mais e terá de trabalhar mais’), um especialista afirma que o fato de a mulher ter menos filhos puxa para baixo a taxa de mortalidade infantil... Como assim? Não deu para entender essa relação. A taxa de mortalidade infantil não é uma relação entre os óbitos e os bebês nascidos vivos? Caberia, creio, mais esforço para explicar o raciocínio.

Sísifo

Faltou informar a idade da adolescente Luana Raquel, que fez um discurso para Lula durante evento que discutiu, entre outros pontos, a questão da maioridade penal ontem em Brasília (abre da pág. C3). Informação interessante, obviamente, dado o tema em pauta.

Ditadura militar?

Como fica, em termos legais, a atitude do governador do PR, que mandou tropas da PM para impedir aumento de pedágio numa rodovia estadual (reportagem ao pé da pág. C4)? É legal essa atitude? Creio que o jornal deveria, digamos, ‘polemizar’ mais o caso. Achei, sinceramente, bastante esdrúxula a atitude de Requião.

Fasano

Panorâmica ao pé da pág. C5 (Cotidiano) chama de hotel a Casa Fasano, assaltada ontem, na rua Haddock Lobo. Há um erro aí. O hotel do mesmo nome e do mesmo grupo fica em outra rua, ao lado. A Casa Fasano, em questão, não é hotel. O ‘Estado’, nesse caso, me parece ter dado a informação correta."

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