|
FOLHA DE S.PAULO
Bernardo Ajzenberg
"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br/ombudsman)
"10/01/2003
Não entro no mérito da relevância macroeconômica da informação em si, mas me parece incompreensível para o leitor o alcance do conteúdo de uma manchete como a da Folha de hoje (‘Setor público gasta R$ 110 bi em juros’). O que isso significa? É bom ou é ruim? A dívida pública ter crescido 27%, como está na chamada, é muito ou é pouco? O tema da Previdência, manchete no caso do ‘Globo’ e do ‘Estado’, além de ‘quente’ na agenda, me soa bem mais palpável, mas o jornal, apesar de ter dentro duas retrancas (em Brasil e em Dinheiro), não traz, na capa, nem mesmo uma chamada a respeito dele. Ponto para a Folha com a publicação do especial sobre o novo Código Civil (ver nota específica).
Primeira Página
A reportagem da contracapa de Dinheiro, sobre o polêmico fechamento do comércio aos domingos em São Paulo, merecia uma chamada de destaque, creio, na Primeira.
Campanha
A nota ‘A quatro mãos’, do Painel, registra que custou ao governo R$ 800 mil a campanha publicitária veiculada na CNN em dez países para atrair investimentos. Pelo texto, entendo que esse valor se refere à criação e à produção. Não contaria, portanto, a veiculação. É isso mesmo? O ideal teria sido deixar isso mais claro.
Inversão
A meia-pizza do ‘Pior cenário para Lula’ na arte sobre as possíveis bancadas governistas na Câmara (Brasil, pág. A4) está com os números invertidos, segundo o texto da reportagem. Seriam, ali, 248 deputados pró-Lula e 258 de oposição.
E a biblioteca?
É esquisito o texto ‘Em Paris, FHC lê e faz compras no mercado’ (Brasil, pág. A5) registrar que o ex-presidente esteve com o bibliófilo Pedro Corrêa do Lago sem mencionar que este acaba de ser indicado para dirigir a Biblioteca Nacional. Passa ao leitor atento a impressão de que parte do jornal ignora essa informação, quando a própria Ilustrada traz, hoje, na pág. E5, reportagem sobre o fato.
Padrão
O texto ‘Cúpula do PMDB já admite fracasso do acordo com PT’ (pág. A5) chama o senador Renan Calheiros de Renan, quando deveria chamá-lo de Calheiros. O último parágrafo do mesmo texto usa o verbo garantir como sinônimo de dizer, afirmar, declarar, contrariando orientação do ‘Manual’.
Assessores
Quantos assessores especiais a Presidência da República pode ter? Há algum limite númérico e/ou de custos? Quantos FHC tinha? Quantos Lula tem/terá? Tais dúvidas surgem a partir da retranca ‘Frei Betto será assessor especial da Presidência’ (pág. A7), que noticia, além desta, outras nomeações para esse tipo de cargo.
Sísifo
1) Nos perfis alinhavados em ‘Favoritos para lugar de Brindeiro são críticos do estilo do procurador’ (pág. A7), faltaram as respectivas idades;
2) O mesmo acontece com Roger Noriega em ‘Bush nomeia conservadores para AL’ (Mundo, pág. A11).
Relações exteriores
1) Registro para manchete da ‘Gazeta Mercantil’, que traz de modo mais concreto do que o que tem sido divulgado até agora qual deve ser a ‘intervenção’ da diplomacia brasileira na crise venezuelana. A Folha aborda o tema de modo apenas superficial, ao pé da página A11;
2) Idem para notícia da indicação do novo embaixador do Brasil em Cuba, o petista Tilden Santiago, segundo o ‘Estado’.
Relações interiores
1) Registro para críticas de Zilda Arns, no ‘Globo’, sobre o Fome Zero. Não são posições inéditas, mas elas ganham importância à véspera da caravana ao NE e da implantação do projeto;
2) Também no jornal carioca, reportagem sobre suposta extorsão de US$ 30 milhões envolvendo altos funcionários ligados ao governo Garotinho.
E a prefeita?
A retranca ‘Ex-subprefeito de Maluf assume defendendo indicações políticas’ (Cotidiano, pág. C4) realça, corretamente, embora com atraso de um dia, o fato inusitado que essa nomeação, por uma administração petista, representa. Faltou ouvir, porém, a própria prefeita ou alguém que falasse em nome do governo municipal para justificar a estranha escolha.
Quer mesmo?
O abre da página C6 é ‘DAC quer reduzir os vôos em Congonhas’. Logo abaixo, uma retranca tem como título ‘Ministro das Cidades quer fazer 43 mil cisternas na região Nordeste’. Além da inadequada repetição de verbo em títulos próximos, parece-me sempre imprudente o uso do ‘quer’, em especial no segundo caso. Não temos como saber se o ministro quer mesmo fazer as tais cisternas... O correto teria sido fazer caber no título a idéia de que ele anunciou a intenção da fazê-las.
São
Um provável erro de digitação na retranca ‘Geninho deixa MG sob críticas’ (Esporte, pág. D2) fez com que o Parque São Jorge aparecesse no texto apenas como Parque São.
Centenário?
A Panorâmica ‘Artes Plásticas’ (Ilustrada, pág. E5) trata como sendo ‘centenário’ o Centro Georges Pompidou, de Paris. Ora, a instituição não completou nem 40 anos...
Código Civil
Creio que o caderno especial tem boa solução visual (é leve, o que ajuda a facilitar o ingresso em textos sobre assuntos nem sempre leves) e aborda, até onde sei, os itens mais relevantes das mudanças no Código Civil, especialmente do ponto de vista individual/familiar.
Algumas observações:
1) O lidão da capa menciona que o texto traz novas regras para funcionamento de empresas e que isso gerou protestos e tentativas de adiamento. Salvo isolada e pequena referência no alto da contracapa, não há, porém, nenhuma reportagem sobre esse aspecto (formação e funcionamento das empresas) no caderno. Reportagem na ‘GM’ mostra que as novas regras são significativas;
2) O caderno não menciona alteração referente a adultério, tema que atrai curiosidade. Há, segundo o ‘Estado’, pequena alteração: os considerados adúlteros, ao contrário de antes, agora podem casar;
3) Faltou crédito para as ilustrações, em especial na capa;
4) Sobre ilustrações, aliás, parecem invertidas, na pág. 2, a da Família e do Fim do Pátrio Poder. A verificar;
5) Afirma-se, na pág. 5, que, no caso de condomínios, o novo código reduz o teto da multa por atraso de pagamento de 20% para 2% e, ao mesmo tempo, acaba com o limite de 6% para os juros de mora. Aqui fica uma dúvida: o quanto essa dupla decisão deve favorecer, ou não, na prática, os condôminos eventualmente inadimplentes?
Aviso
Em decorrência de férias, que tirarei a partir do próximo dia 13, a crítica interna volta a circular no dia 18 de fevereiro.
09/01/2003
Os dois principais diários de SP dão manchete para as intricadas negociações entre PT e PMDB em torno das eleições para as presidências no Congresso. A Folha enfatiza o lado ‘fisiológico’ das conversações; o ‘Estado’ aponta para um fracasso do acordo, em tom contrastante com reportagem do ‘Valor’ sobre o tema, para a qual o horizonte, quanto a essas negociações, é menos pessimista. A manchete do ‘Globo’ (‘Proposta de previdência do PT atinge servidores da ativa’) não traz novidade.
Primeira Página
O título da chamada ‘Fórum Social critica a ida de Lula a Davos’ contém uma imprecisão ao denotar que essa ida já está decidida. Como mostram o texto e a reportagem interna (pág. A8), a decisão ainda não foi tomada -ou, pelo menos, não foi anunciada.
Fome Zero
1) Arte e reportagem na pág. A7 mostram quem comporá a comitiva do governo federal que fará as visitas ‘à miséria e à fome’ no NE. Fiquei com uma dúvida que, acho, o jornal deveria responder: e o vice Alencar? Por que ele não vai junto?
2) Acabamento: pelas características do texto, a retranca ‘Projeto segue sem orçamento definido e sem consenso’ (pág. A6), sobre as indefinições existentes em relação ao projeto Fome Zero, merecia ser editada, creio, como análise, não como ‘Saiba mais’.
Prona
A Panorâmica ‘Procuradoria pede a cassação de Havanir, Enéas e mais 4 deputados do Prona’ (pág. A8) informa os motivos específicos das acusações à deputada (venda de candidaturas) e aos deputados eleitos (falso domicílio eleitoral), mas não deixa claro o motivo da acusação a Enéas Carneiro.
Sem padrão
O texto ‘Acidente de avião mata 75; 5 sobrevivem’ (Mundo, pág. A12) utiliza a expressão ‘risco de vida’, quando o jornal tem adotado ‘risco de morte’.
Inversão
Afirma o texto ‘Coréia do Norte quer que Coréia do Sul a ajude a evitar a ‘guerra nuclear dos EUA’ (pág. A12) que o objetivo da proposta norte-coreana é, com isso, ‘...evitar que o ‘desejo americano’ de dar início a uma guerra nuclear na península coreana NÃO se concretize’. O ‘não’, aqui, complica e inverte o sentido da frase. A verificar.
Novo governo
1) Registro para reportagem do ‘Estado’ sobre o estilo madrugador da nova rotina do Planalto. O assunto já tinha sido abordado antes, mas esse texto, creio, ‘amarra’ vários itens concretos (faxina, agendamento de reuniões e horários de briefings à imprensa etc);
2) Registro também para coluna de despedida de Eugênio Bucci, novo presidente da Radiobrás, no ‘JB’. Suponho que haverá algo semelhante na Folha, da qual o jornalista também é colunista...
3) Pedro Corrêa do Lago foi convidado para presidir a Biblioteca Nacional, segundo o ‘Globo’. A Folha, até o momento, registrava a possibilidade, apenas, de José Mindlin.
Sai Reich, entra Noriega
Não vi na Folha notícia, dada pelo ‘Estado’, de que Bush nomeou o ultraconservador Roger Noriega para o posto de secretário-adjunto de Estado para América Latina, no lugar do polêmico e também ultraconservador Otto Reich. É um posto importante no relacionamento dos EUA com o Brasil.
Outro lado
Faltou o da coordenadoria estadual do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) no texto ‘Presidente de Conseg reclama da coordenação’ (pág. C4), sobre acusações de um dirigente local da instituição.
Ainda a crise Marta
1) A Folha registra apenas no fim da sub ‘Aliados ganham subprefeituras’ (pág. C6), e de modo apenas descritivo, o fato de que a prefeita nomeou como subprefeito da Freguesia do Ó um homem que ocupou a mesma função (administrador regional) na gestão Maluf. Não é um pequeno escândalo, sendo esta uma gestão petista? Caberia uma edição mais crítica;
2) Da mesma forma, nenhum elemento de contextualização crítica aparece no texto ‘Falcão aposta em ‘visibilidade’’, na mesma página, sobre o argumento do secretário de Governo de que as obras municipais a serem realizadas, como os tais CEUs, devem estar sediadas em regiões importantes, com grande densidade populacional etc, como ‘maneira de dar visibilidade’. Ora, não foi essa uma das críticas à localização ‘marqueteira’ dos Cingapura de Maluf e de Pitta?
3) É certamente muito difícil apurar os bastidores das mudanças de secretários. A saída do da Educação, Nélio Bizzo, após seis dias no cargo, conforme abre da pág. C6, é mais um desafio que a Folha ainda precisa, na investigação, enfrentar.
08/01/2003
Não chega a ser novidade, mas os jornais estão hoje particularmente semelhantes em seu noticiário, com evidente predomínio, em todos, de material sobre o novo governo. É em grande parte natural e incontornável essa quase absoluta ‘estatização’ da pauta (a posse foi há apenas uma semana), mas não custa chamar a atenção para o cuidado que deve ser tomado a fim de evitar que ela não seja maior ou mais extensa, no tempo, do que deveria.
Primeira Página
Creio que a notícia que abre a página B3 (Dinheiro), sobre retomada de captação de bancos no mercado internacional, merecia referência na capa do jornal, em especial a captação surpreendente -e de certo modo simbólica, por ser a primeira sob o novo governo-- de US$ 250 milhões pelo Bradesco.
Já?
O petista Aloizio Mercadante é chamado de senador e de líder do governo no Senado na reportagem ‘PT já admite dispensar apoio do PMDB’ (Brasil, pág. A5). O mesmo faz a retranca ‘Nova queda leva dólar a R$ 3,30’, na pág. B3 (Dinheiro). Mas ele nem foi ‘empossado ainda. O termo correto seria senador eleito, não?
Dívidas dos Estados
1) O texto ‘Pelo menos oito Estados enfrentam dificuldades’ (Brasil, pág. A6) afirma que o novo governo do Espírito Santo herdou um caixa negativo em R$ 1,2 milhão. Não seria R$ 1,2 bilhão, como indica a retranca específica sobre esse Estado na mesma página?
2) Há, ainda, outra discrepância entre essas duas retrancas no caso do ES. Quanto o governador Paulo Hartung está pedindo como forma de ajuda do governo federal: R$ 300 milhões ou R$ 282 milhões?
Davos
O texto ‘Lula e ministros vão ao Fórum Social Mundial’ (Brasil, pág. A7) menciona o nome Davos, sem nenhuma explicação a respeito do que é esse fórum, onde fica a cidade etc. Faltaram, aqui, didatismo e contextualização.
Bacha... UBES
1) Legenda e foto na capa de Dinheiro ‘falam’ de Edmar Bacha. O texto da reportagem (‘Intervenção será maior, diz Mantega’), porém, nem sequer menciona o nome do economista. A própria legenda também não informa nada a respeito dele;
2) Foto na página C4 (Cotidiano) mostra o ministro da Educação, Cristovam Buarque, com uma bandeira da UBES no colo. Nem o texto da reportagem nem a legenda, porém, mencionam essa entidade de secundaristas. Falam apenas da UNE. O que aconteceu?
Nomes
Na segunda vez em que é citado no texto ‘Bancos voltam a captar no mercado internacional’ (Dinheiro, pág. B3), o diretor do Itaú Paulo Soares é chamado de Sampaio. Qual é o nome correto? Ou esse Sampaio é uma outra pessoa que aparece de repente, assim, só com o sobrenome?
Lessa e o PMDB
O jornal informou semanas atrás que o novo presidente do BNDES, na ocasião ainda apenas indicado, Carlos Lessa, iria se desfiliar do PMDB. Hoje, na pág. B4, ele é apresentado (no quadro) como integrante do partido. Como ficou esse assunto? Valeria a pena, creio, atualizar a informação.
Desvios na Varig
Panorâmica na pág. B8 (‘Dívida da Varig cresce 35% com ajustes da CVM’) noticia que a Comissão de Valores Mobiliários ‘identificou nada menos que 19 desvios nos balanços da Varig desde dezembro de 2001’. Ôpa! Será que o lide não seria esse, em vez do aumento da dívida daí decorrente? O que são esses desvios? Será que, na verdade, essa informação não merecia ser, no mínimo, um abre de página?
Nepotismo?
A nota ‘Emissária’, no Painel FC (Esporte, pág. D2), informa que Flora Gil procurou o jogador Ronaldo em nome do governo Lula para que ele ajude a divulgar programas sociais, especialmente o Fome Zero. Nada contra essa nota, ao contrário. Mas ela coloca uma interrogação: desde quando a mulher do ministro da Cultura fala em nome do governo? Que cargo ela ocupa? Quem a contratou? É esquisito...
Cartórios
Registro para a manchete do ‘Jornal da Tarde’, sobre aumentos inacreditáveis nos preços dos serviços prestados pelos cartórios. Reconhecimento de firma, por exemplo, teria saltado de R$ 1,96 para R$ 8,82!
Quem é Carrera?
A capa da Ilustrada entrevista o cineasta mexicano Carlos Carrera a propósito de seu filme ‘O Crime do Padre Amaro’ sem informar ao leitor nada sobre o perfil desse diretor, sua carreira, experiências anteriores, idade etc.
07/01/2003
Foi grande a repercussão da entrevista com o ministro do Trabalho, manchete de ontem na Folha. Ponto para o jornal. Tenho dúvidas, porém, se o assunto (revisão da multa dos 40%) era a melhor opção para manchete ainda hoje, já que a posição das centrais sindicais, contra essa possibilidade, é bastante previsível. Os dados de uma continuidade expressiva, ao menos ontem, de queda do dólar e do risco-país, com alta na Bolsa e nos C-Bonds -manchetes na concorrência-, me parecem informação mais quente e mais relevante.
A Folha apurou
O jornal tem utilizado com frequência essa fórmula (prevista no verbete ‘off the record’ do ‘Manual’, pág. 90), mas, a meu ver, de modo distorcido. No abre da página A4 de hoje, por exemplo, está escrito ‘...segundo a Folha apurou’. Ontem, havia algo do tipo ‘...de acordo com o que a Folha apurou’.
Ora, se é informação que o jornal obteve em ‘off’ e banca para seus leitores, por que escrever ‘de acordo com...’ ou ‘segundo a Folha apurou...’, formulações que, a rigor, não bancam a informação e lançam, sem querer, a possibilidade de que o jornal tenha, afinal, apurado equivocadamente? Entendo que não é por acaso que, no verbete do ‘Manual’, a formulação indicada é direta e sem condicionantes: ‘A Folha apurou que...’ e ponto.
Vale a pena refletir, também, se não há um excesso no uso dessa fórmula, algo que o ‘Manual’ recomenda evitar.
Viagem à pobreza
1) O abre da pág. A6 (‘Lula tira marco da fome de viagem à miséria’) atribui apenas à questão do elevado custo a mudança no itinerário da ida de Lula e ministros ao semi-árido nordestino. Segundo o ‘Estado’, por exemplo, pesaram na mudança também aspectos de logística e de segurança. A verificar;
2) A arte ‘A caravana de Lula’ traz no alto um errinho chato de digitação: ‘O itininerário’.
Outro lado
Faltou o das novas autoridades federais na retranca ‘Movimento negro cobra governo Lula’ (pág. A7), sobre promessas não-cumpridas de criação de uma secretaria específica para promoção da igualdade racial.
BNDES
O texto ‘Itaipu fica com deputado eleito do PT, e BNDES vai para reitor da UFRJ’ (pág. A9) traz, corretamente, perfil de Jorge Samek (Itaipu), nome pouco conhecido nacionalmente. Nada se diz, porém, sobre Carlos Lessa (BNDES), a não ser que é reitor da UFRJ. Deveria ter havido ao menos uma remissão para reportagem em Dinheiro (abre da pág. B 5) na qual o assunto principal são Lessa e o BNDES.
Sobre o fim dos 40%
É estranha a redação da parte final do segundo parágrafo de ‘Centrais são contra fim de multa do FGTS’ (pág. B4): ‘Os sindicatos prometem fazer uma grande mobilização para defender esse direito, garantido na Constituição de 1988, caso o ministério tome a decisão sem antes debater o tema’. Ora, se é um direito constitucional, como é que o ministério poderia tomar a decisão? Parece-me claro, inclusive a partir de outra retranca na mesma página, que o assunto só teria como avançar se fosse incluído nas discussões do tal Fórum Nacional do Trabalho, a ser criado, algo que o próprio ministro afirma.
Cesta básica
1) A reportagem ‘Dólar fez cesta básica subir até 31% em 2002’ (pág. B5) detalha, corretamente, em arte e texto, os aumentos na cesta básica por capital. Deixa de informar, porém, qual foi o aumento médio (22,7%, segundo a concorrência);
2) Ainda sobre esse tema, senti falta alguma explicação que justificasse ao menos o comportamento desses preços nos dois casos extremos (Salvador, a maior alta; e Rio, a menor).
Crise de Marta
‘Stela Goldenstein deixa pasta do Meio Ambiente’ (Cotidiano, pág. C3) retrata novas mudanças no secretariado de Marta Suplicy. Registra que a demissionária do título nega estar saindo por causa de uma suposta má avaliação por parte da prefeita sobre a sua gestão na pasta e cita frase da secretária segundo a qual o motivo da saída é que ela está em busca de ‘novos desafios...’. Dessa forma, corretamente, o jornal indica ao leitor que algo mais profundo pode estar por trás da demissão.
Creio, porém, que a Folha deveria, justamente, aprofundar mais a apuração, nos bastidores, a respeito dos motivos dessa e de outras mudanças de secretaria --além das razões óbvias de transferências para o governo Lula e da grave crise de imagem revelada pela pesquisa Datafolha. Salvo engano, o conjunto dessas mudanças sinaliza ao menos uma pequena crise na administração, cujos motivos reais parecem, ainda, obscuros. Para reflexão.
Tetra e tetra
Logo no começo, o texto ‘Parreira e Oliveira calam, e clubes já vêem o prejuízo’ (capa de Esporte) trata o técnico do Corinthians (Parreira) como tetracampeão. Mais adiante, ao se referir a Zagallo, o mesmo texto o chama de ‘o único tetracampeão mundial’.
Sabemos que, no primeiro caso (Parreira), o jornal se refere ao título de 94 nos EUA e que, no segundo (Zagallo), lembra os de 1958, 1962, 1970 e 1994. De todo modo, há uma contradição aparente ou, ao menos, uma falta de padronização no uso do termo ‘tetracampeão’. Afinal, Zagallo é ou não o único tetra? Parreira é tetra ou não?
Esclarecimento
A seguir, esclarecimento, pelo qual agradeço, de Daniel Bramatti, editor-adjunto de Cotidiano, a respeito da nota ‘Nomes’ da crítica interna de 23/12, a qual apontava sobrenomes diferentes para duas crianças em diferentes retrancas:
‘Houve falta de padronização na maneira de escrever os nomes dos irmãos mortos no deslizamento em Teresópolis, causando o problema detectado pelo ombudsman. Os nomes completos são: Thaís de Jesus Barbosa e Rian de Jesus Barbosa.’
06/01/2003
O noticiário do fim de semana mostra que, de forma mais rápida e abrangente do que se previa, o novo governo, instado pela mídia ou por iniciativa própria, já colocou em pauta inúmeros itens polêmicos. As revistas foram obrigadas a registrar a posse, mas nos jornais abundaram declarações e propostas nas áreas do trabalho, educação, habitação, Previdência, cultura, transportes... Isso constitui, creio, um desafio para o jornalismo: captar essa agenda, defini-la, contextualizá-la, checar o que é dito pelo novo governo e refletir o conteúdo disso tudo nas páginas do jornal. Não é pouco, e já começou.
Edição de segunda-feira, 6 de janeiro
Primeira Página
1) O texto-legenda ‘Perigo no ar’ registra como sendo Cessna o nome do avião sequestrado na Alemanha. Um leitor afirma, porém, que se trata de um Katana DV-20, de fabricação austríaca. O erro estaria também na reportagem interna. A verificar;
2) Merecia chamada na capa, a meu ver, a reportagem de capa de Cotidiano, sobre a qualidade da comida servida em sistema de self-service.
Transportes
O texto do abre da pág. A5 (‘Ministro ameaça ‘degola’ nos Transportes’) assume como fato que as 60 licitações suspensas pelo governo somam cerca de R$ 5 bilhões, como na edição de ontem. A nota ‘Conta para cima’, do Painel, informa, no entanto, que, segundo o DNIT, seriam 52 licitações, no valor de R$ 752 mi. É preciso esclarecer.
Acabamento
O governador de MG, Aécio Neves, assim como qualquer outro, merece na Folha uma foto de melhor qualidade técnica e estética do que a que está ao pé da pág. A8, ainda mais em se tratando de ‘boneco’.
Comida
As tabelas que acompanham a interessante reportagem ‘Pesquisa reprova self-service após as 14h’ (capa de Cotidiano) mostram que o melhor horário, em tese, para comer nesses lugares é das 13h às 14h. Os textos, corretamente, se dedicam mais aos problemas existentes a partir das 14h.
Como leitor/usuário, porém, senti falta de explicação sobre por que o horário das 11h45 às 13h é também pior do que o intermediário, embora não tanto quanto o das 14h às 15h.
Quem errou?
A sub-retranca ‘Meta é combater quadro endêmico do analfabetismo’ (Cotidiano, pág. C4) informa que o ministro Cristovam Buarque (Educação) nega que a deputada Esther Grossi esteja confirmada para a Secretaria de Alfabetização. Ora, embora a sub de hoje não o diga, foi o próprio jornal que, ontem, tratou essa informação como fato consumado. Quem errou? A Folha ou o ministro? Cabe alguma explicação ao leitor.
Palmeiras
Ao retratar a disputa pela presidência do Palmeiras, o texto que abre a página D1 (Esporte) registra, ao pé, que a ‘agitada’ torcida Manche Verde ‘optou estranhamente pelo silêncio’ em relação às duas candidaturas em jogo (Contursi e Belluzzo). Não contesto a informação, pelo contrário. Mas pergunto: por que este silêncio estranho? A organizada está dividida internamente? Acredito que a Folha tinha a obrigação de ir mais fundo nessa apuração, relevante para quem acompanha e se interessa pelo assunto.
Risco-país
‘Investidor fica de olho na ameaça de guerra’ (Dinheiro, pág. B7) registra que, nos dois últimos dias úteis, o risco-país recuou 8%. Não informa, porém, o quanto isso significa, quer dizer, qual é o índice em termos de pontos. O dado faz falta para os leitores que aprenderam com o jornal a importância de acompanhar a evolução desse indicador.
Folhateen
1) A começar pelo título, parece-me um tanto confuso o texto ‘O preconceito sobre o preconceito contra jovens homossexuais’, na página 8 do Folhateen.
Tive dificuldade, sinceramente, para entender onde estaria esse ‘preconceito sobre o preconceito’;
2) Ponto para o suplemento ao destacar, na pág. 3, a mudança no Código Civil, que entra em vigor dia 11, em especial quanto à questão da maioridade. Entendo que essa pauta, aliás, deveria ampliar-se ainda mais, já que não interessa apenas aos jovens.
Edição de domingo, 5 de janeiro
Para reflexão
Parece-me que a reportagem sobre transportes e estradas que abre a pág. A7 e é manchete do jornal, sobre o congelamento das licitações para rodovias, deveria estar em Cotidiano, não em Brasil.
Idade
Faltou a do presidente da República em ‘Lula faz fisioterapia para tratar de bursite’ (pág. A6), ainda mais que o próprio texto informa ser esta dor (‘síndrome do impacto’) ‘associada principalmente ao envelhecimento’.
TV
Na legenda da foto da pág. 10 do TV Folha, o filme que passa hoje às 21h50 na Globo é ‘Em Busca do Soldado Ryan’. Na programação, é ‘O Resgate do Soldado Ryan’. Qual é a informação correta?
Quanto é?
A reportagem ‘Financiamento para habitação vai mudar’ (Cotidiano, pág. C3) informa que o ministro Olívio Dutra (Cidades) pretende ‘elevar para R$ 6 bilhões o total a ser gasto com habitações populares e saneamento básico’ ao longo dos próximos quatro anos. Tudo bem, mas o que isso significa?
Quanto o governo FHC gastou com esse item? A única comparação é com o orçamento de 2003, que ninguém sabe se será ou não implementado. Faltou, creio, contextualização.
Favelas
Por falar em habitação, senti falta, na Folha, de informação que foi manchete no ‘Globo’, no ‘DSP’ e no ‘Agora’ (com dados da agência Globo) sobre a proposta de regularização de moradias em favela. Por que o ‘Agora’, do mesmo grupo que a Folha, tem a notícia, e a Folha não? Aliás, o que o ministro da Justiça tem a ver com esse assunto?
Imóveis
O texto do abre ‘Lula herda duas empresas ‘mortas vivas’’ (capa de Dinheiro) diz que, para concluir sua liquidação, a Rede Ferroviária Federal precisa se desfazer de 29 mil imóveis. Na arte, esse número cai para 19 mil. Qual é a informação correta?
Legenda
1) A legenda da foto da pág. 4 do Mais! usa como referência para localizar Getúlio Vargas na imagem um ‘homem com chapéu na cabeça’. Ora, trata-se de Gregório Fortunato, uma das figuras mais conhecidas e curiosas da história recente do país. Caberia, sem dúvida, mencionar o seu nome, sem que isso implicasse deixar de usá-lo também como referência para localizar o personagem central (GV). Esse tratamento (‘homem com chapéu...’) passa ao leitor a idéia de que o jornal, na verdade, ignora a figura de Fortunato;
2) Afirma a legenda, ainda, que a cena em questão se deu no estádio de São Januário, no Rio. Salvo engano, ela ocorreu no Pacaembu. A verificar.
Avião
A reportagem ‘Jato derrapa e cai em rua ao lado de Congonhas’ (pág. C5) afirma que se chama ‘Cication 525’ o jato em questão, que levava o deputado Valdemar Costa Neto. Um leitor afirma que o correto seria ‘Cessna Citation’. Outros jornais falam num Bombardier Learjet. Qual é a informação correta? A verificar.
Edição de sábado, 4 de janeiro
Fretado ou não?
A coluna Mônica Bergamo (Ilustrada) informa (‘Cinto apertado’) que o empresário Daniel Feffer foi à posse de Lula num jato fretado junto com outros empresários, e que todos, depois, voltaram em avião de carreira.
Não bate com informação da própria coluna do dia anterior (3/1), segundo a qual Feffer viajara em seu jato particular. A verificar.
Errei
Errei no item 8 da nota ‘Observações’ da crítica de sexta-feira ao escrever que Abreu Sodré deveria ser chamado de ex-governador, não de governador.
Contrariei, ali, a orientação do verbete da página 68 do ‘Manual’, segundo o qual quem morreu já não deve ser tratado como ‘ex’.
Nesses casos, seria aconselhável registrar sempre o período em que a pessoa exerceu o cargo, para não deixar margem a dúvidas."
|