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Bernardo Ajzenberg
"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br)
"15/07/2002Mesmo sem notícias bombásticas, os principais jornais utilizaram o fim de semana para exibir os primeiros sinais (chapéus, rubricas, seções, diagramação) de como deve ser a ‘cara’ da cobertura que farão a respeito da campanha eleitoral. A impressão é de que nenhum deles estreou seu formato definitivo, preferindo, ainda, ‘treinar’, tatear o terreno. É cedo para fazer uma avaliação. Pelo que se pode ver até agora, preliminarmente, a Folha vai (con) correr numa faixa mais próxima à do ‘Globo’, algo que parece se evidenciar também no conteúdo propriamente dito, como mostra a pesquisa do Iuperj divulgada pelo jornal em reportagem de ontem.
Edição de segunda-feira, 15 de julho
Sucessão
1) Das 13 notas de hoje do Painel (pág. A4), oito (62%) são nitidamente negativas para José Serra (incluindo uma ilustração em que o candidato governista recebe uma sapatada no palanque). Não é exatamente um sinal de imparcialidade;
2) Achei exagerado o espaço dedicado pelo jornal ao projeto de lei de FHC para política habitacional (pág. A6). A própria reportagem deixa claro que são mínimas as chances de aprovação ainda neste ano, que há vários pontos polêmicos inclusive dentro do governo etc. Uma reportagem sobre o projeto certamente se justifica, mas não com todo esse ‘barulho’;
3) Uma questão (política) de padronização: dois textos da pág. A7 escrevem ‘...o candidato José Serra (PSDB-PMDB)...’. Claramente, indicam uma vontade de caracterizar a candidatura como sendo de uma coligação, para além da filiação individual do candidato. Como ficaria no caso de Lula? ‘...(PT-PL-PC do B etc)’? E no de Ciro? Por enquanto o jornal adota fórmulas diferenciadas.
14 de julho
Faltou, na cobertura sobre o atentado contra Jacques Chirac, um mapa que ilustrasse com mais precisão o local de onde o atirador agiu.
Fotos
1) A foto publicada nas capas do ‘Estado’ e do ‘JT’ de hoje da rebelião em unidade da Febem é bem mais expressiva do que a trazida pela Folha (em página interna, Cotidiano, pág. C4);
2) Na mesma página, logo abaixo, há a foto de um automóvel apreendido com homens presos com cartões clonados. A imagem do veículo, isolado, sem marcas especiais, não diz absolutamente nada.
Pane no ar
Há uma diferença de informações entre o que a Folha publica e o que o concorrente local publica sobre a origem da pane no sistema de controle de tráfego aéreo que gerou atrasos grandes em aeroportos importantes ontem. De acordo com a Folha, o problema aconteceu no radar localizado em Vitória (ES). Já no concorrente a Infraero diz que a causa foi um problema técnico com o radar do aeroporto de Brasília. O dólar não vai subir nem cair por causa disso, mas se trata de uma questão de precisão informativa. A verificar.
Como foi o gol?
Por falar em imprecisão, não encontrei na reportagem ‘Palmeiras mantém SP na competição que priorizou’ (capa de Esporte) a descrição do gol de Arce (foi um chute de fora da área? Foi de cabeça?), o segundo da equipe paulista contra o Atlético-MG.
Batida e superficial
A pauta da capa do Folhateen (uso de celular por adolescentes) não tem nada de original. Há anos os adolescentes de classe média estão pendurados em celulares. Mas o problema maior, na sua execução, não foi esse. Foi que o jornal não conseguiu trazer nada de novo sobre o assunto, seja do ponto de vista pedagógico-comportamental, seja do ponto de vista psicológico ou do econômico.
O maior negócio...
Não vi na Folha a notícia (publicada pelo ‘WSJ’ e reproduzida no ‘Estado’ hoje) de que a Pfizer acertou a compra de Pharmacia, num negócio monstruoso de US$ 60 bilhões. O resultado da fusão, segundo o jornal, cria a maior farmacêutica em todos os principais mercados do mundo.
Edição de domingo, 14 de julho
Campinas, 228
Saiu na Folha Campinas um caderno especial com 12 páginas sobre o aniversário da cidade (228 anos). Pode ter sido uma excelente oportunidade comercial. Editorialmente, porém, produziu-se, a meu ver, algo bastante aquém do Projeto Folha:
1) Não há eixo editorial, a não ser uma idéia, vaga, de destacar ‘símbolos’ da cidade, a começar pelo subtítulo da capa: ‘Da educação ao esporte, passando pelos direitos dos homossexuais. São setores cujos avanços tornaram-se símbolos da cidade, que faz hoje 228 anos’;
2) É inegável a importância da questão dos direitos das minorias, mas não consigo entender por que a Folha ABRE o caderno comemorativo com o assunto (‘Gays campineiros vão à luta por direitos’), conferindo-lhe toda a página 3, que é, depois da capa, o espaço mais importante, já que a contracapa é só anúncio. Ocupa-se um quarto de página com uma entrevista com uma das integrantes do Movimento Lésbico de Campinas sem mencionar sua profissão, sua formação, o que esse grupo faz concretamente;
3) Na página 2, sobre a Unicamp, não dá para entender a troco de quê (e quando) o então presidente Castelo Branco comprou o terreno em que hoje fica a universidade (estadual); a última informação sobre número de professores (2.146) é de 2000; não há nada sobre o número de alunos; não se mencionam nomes de intelectuais célebres vinculados à universidade;
4) Na pág. 4, sobre imigração, utiliza-se o termo ‘raças’ para falar, na verdade de etnias ou simplesmente de pessoas de origens diversas (alemães, espanhóis, entre outros);
5) Texto de abre da página 5 (‘Geração campineira brigou pela República’) traça um paralelo duvidoso (no mínimo ligeiro demais) entre a rigidez administrativa de prefeitos do início do século 20 e a ‘má administração feita por gestões recentes’; uma espécie de salto no tempo em três parágrafos;
6) Na página 7, afirma-se que o Aedes aegypti já causava estragos na cidade desde o século 19, ao transmitir a febre amarela. Em outra retranca, o texto diz que o mosquito introduziu-se no Estado de São Paulo a partir de 1985. Nesse mesmo texto se diz que ele usa ‘detritos’ como criadouro (mas o mosquito da dengue não se procria principalmente em água limpa, conforme o jornal sempre noticiou?);
7) Afirma arte na página 8 que Faustão e Regina Duarte foram colegas de classe na Escola Culto à Ciência. Não disponho de informação definitiva, mas a julgar pela diferença de idades (ele tem 52, ela, 55), isso parece improvável. A verificar;
8) Ao falar das duas principais equipes de futebol da cidade (Ponte Preta e Guarani), o texto, na página 11, limita-se a mencionar os ex-jogadores Dicá e Careca, um ligado a cada time, quando se sabe que tanto uma equipe quanto a outra sempre foram ‘celeiros’ de ótimos jogadores. Por que não mencionar ao menos alguns deles?
9) O tema pelo qual Campinas mais aparece no cenário nacional é a violência. Para ele, porém, foi reservada apenas uma página (10), cujo título me parece de mau-gosto (‘'Em terra de índio, até o cacique foi morto'‘) e que não inclui uma entrevista, pesquisa ou análise sobre os motivos pelos quais a violência tem crescido tanto na região. No quadro sobre o prefeito assassinado não há informação sobre quando ele foi eleito/tomou posse. No quadro ‘A escalada da violência’, com estatísticas oficiais, três dados estão estranhos (6.14, 3.78 e 2.99).
Edição de sábado, 13 de julho
Fotos
Pareceu-me infeliz a foto do candidato do PT na página A4 da edição nacional. Ele (quer dizer, seus olhos) aparecem sobre um espaço branco (um livro? Uma apostila?). Fez bem, o jornal, em trocá-la na edição SP.
O mesmo problema (imagem depreciativa ou infeliz), me parece, ocorreu com foto de Ciro Gomes na pág. A4 (desta vez na edição de domingo), na qual seu olhar aparece bem ‘maligno’..
12/07/2002
As manchetes dos principais jornais hoje, sobre possível acordo de transição com o FMI, confirmam o que vem sendo noticiado com insistência, quase isoladamente, há mais de dez dias pelo ‘Valor’ e comentado na Folha nesta e na semana passada por um seus próprios colunistas (não por acaso, Celso Pinto). Pelo menos até o momento, não há como negar a ‘bola dentro’ do diário econômico e registrar o quanto os outros jornais, Folha inclusive, se mostravam, neste caso, apenas parcialmente informados.
Primeira Página
O jogo de fotos da capa do jornal (os chifres) é uma boa idéia, em tese, mas peca, a meu ver, por causa da fragilidade jornalística da imagem do alto. Nesse sentido, torna-se artificial. Um ‘pendant’ ideal, principalmente para uma Primeira Página, seria obter efeito semelhante mas com duas fotos que tenham força, também, se vistas isoladamente, o que não acontece com a foto acima da dobra.
Exército
Não vi na Folha a interessante e sintomática informação (manchete no ‘JB’ e destaque nos demais jornais) de que o Exército estará dispensando 44 mil recrutas, entre outras medidas, por falta de recursos.
Sucessão
1) Boa a iniciativa, na pág. A5, de expor a posição dos candidatos sobre dívida pública, com quadro e análise. Senti falta, apenas, de um ponto: o que o governo tem feito na prática em relação a isso? Sabê-lo permitiria ao leitor entender melhor o que poderia implicar, em relação à situação atual, a aplicação prática das opiniões dos presidenciáveis. Isso, creio, poderia valer para outros temas a serem abordados na cobertura;
2) A Folha ficou atrás ontem e continua hoje no que toca ao possível encontro entre Fraga e Mercadante. ‘Estado’ e ‘Globo’, por exemplo, já trazem hoje o descontentamento do PSDB oficial com a iniciativa de Fraga;
3) Como ficam o juiz e a sentença que proibiu a divulgação de fitas de Garotinho? Sua determinação perde validade simplesmente porque o candidato ‘da noite para o dia’ resolveu liberar uma parte? Essa explicação, mais técnica, processual, está ausente no texto ‘Garotinho libera apenas parte das fitas’ (pág. A7);
4) Registro para a divulgação, pelo ‘Estado’, da linha de defesa dos advogados de Ronan Maria Pinto, implicado no no caso Santo André;
5) Também chama a atenção, no concorrente, a publicação da posição do procurador-geral, Brindeiro, assumindo com palavras duras o ônus da decisão de sustar processo de intervenção no ES, com vistas, claramente, a isentar FHC.
Intifada
O levante contra a ocupação israelense começou em setembro de 2000, não de 2001, como está em ‘Anistia condena ações suicidas palestinas contra Israel’ (Mundo, pág. A10).
Cacetete e cassetete
A retranca ‘FBI investiga outro espancamento’ (pág. A10) usa ‘cassetetes’ no texto e ‘cacetetes’ na legenda da foto. Até onde sei, o correto é o primeiro. Faltou, no mínimo, padronizar. Esse mesmo texto, aliás, usa três vezes a expressão ‘júri de inquérito’. O que vem a ser isso?
E a foto?
À direita no alto da página C4 (Cotidiano) há uma foto de funcionárias carregando pizzas (aparentemente verdadeiras). O que faz essa imagem ali? Não há referência a ela no texto de abre (‘Aliados condicionam Plano Diretor a cargos’) ou em qualquer outro lugar da página. Nesse material, aliás, creio que faltou o ‘outro lado’ do secretário dos Transportes, Carlos Zarattini, que, aparentemente, está sendo fritado a céu aberto, supostamente por ‘mau gerenciamento’.
Embratel
Um quadro na página B2 (‘a disputa das teles’) resume bem o que estaria por trás do embate econômico e jurídico entre Embratel e outras companhias concorrentes. No centro formal da polêmica, estão as definições e regulamentações das privatizações (em especial quanto a concessão/autorização de prestação de serviço). Nesse sentido, senti falta de esclarecimento quanto ao que está escrito, efetivamente, na legislação. Isso ajudaria a perceber melhor as posições dos dois lados expostas no quadro e até que ponto um puxa mais do que o outro a sardinha para o seu forno.
Poupança
O texto ‘Governo desiste de IR sobre cadernetas’ (pág. B3) não menciona, em nenhum momento, nem mesmo como hipótese, a questão sucessória como uma das causas que poderiam estar por trás da decisão, que certamente teria impacto político enorme negativo para o governo e seu candidato. Pelo texto, tudo não passou de uma questão técnica ou de ‘complexidade’. Posso estar errado, mas é difícil supor que a coisa tenha sido apenas assim, ainda mais depois do impacto negativo da mudança na contabilização dos fundos de investimento.
É CUT?
A qual central sindical, se é que pertence a alguma, filia-se o sindicato nacional dos auditores fiscais (‘Receita terá paralisação toda semana’, pág. B4), que mantém razoável grau de mobilização e promete ‘barulho’? O texto não responde.
Moda
A revista fez pequenas reformulações positivas (principalmente a do tamanho do corpo das letras) em relação ao número inicial. Creio que facilitou, assim, a vida do leitor.
Uma observação: das quatro combinações de vestuário masculino contidas nas fotos da página 17, três incluem objetos da loja Daslu. Não seria possível um pouco mais de ‘pluralismo’?
Sísifo (s)
Reproduzo a seguir mensagem do repórter Frederico Vasconcelos recebida ontem, via DR, sobre o item 1 da nota ‘Sísifo’ da crítica interna do dia 5/7, em que o ombudsman assinalava a ausência das idades dos personagens num quadro da reportagem ‘Procuradores recorrem de absolvição de Luiz Estevão’:
‘Pedras de Sísifo
Inspirado em comentário do ombudsman, dissequei, durante dois dias, a longa sentença do juiz Mazloum, mostrando de forma didática os artifícios e tecnicalidades jurídicas que absolveram Luiz Estevão (eu havia previsto, duas semanas antes da absolvição, que ele poderia se livrar da condenação). A análise estava pronta na editoria 24 horas antes de os procuradores confirmarem que ela apontava os pontos centrais da sentença contraditória. O material teve repercussão no Judiciário e, pelos exemplos e expressões idênticos, desconfio que serviu de roteiro para o editorial do jornal concorrente, no domingo. O único comentário do ombudsman foi registrar a ausência da idade dos personagens na arte, embora houvesse fotos de todos. Lembrei-me de pergunta feita, certa vez, por uma desembargadora ao final de longa entrevista em que permitira ser fotografada: ‘Por que eu deveria revelar a minha idade?’. Eu poderia ter respondido: ‘É para evitar que Sísifo role sua pedra enterrando um material jornalístico bem feito.’
É obrigação do ombudsman fazer observações críticas sobre o jornal. Não redigi uma nota específica a respeito da reportagem em questão, nem a comentei, porque não tinha reparos quanto a ela. Por isso, tudo o que eu fiz foi incluir a lacuna das idades do quadro como um item a mais numa nota típica de ‘Sísifo’ - rubrica que uso com frequência, como se sabe, a fim de chamar a atenção, até mesmo com fins didáticos, para certos aspectos básicos (muitas vezes ‘menores’) de feitura do jornal que este e seu ‘Manual’ (não apenas o ombudsman) procuram preservar. Sinceramente, não vejo motivo para se potencializar uma observação rotineira como essa de ‘Sísifo’ a ponto de transformá-la num ‘comentário’, muito menos numa pedra capaz de enterrar um material jornalístico bem feito (uso as mesmas palavras de meu colega, sem as aspas, de propósito).
Errei
A nota ‘Ambíguo’, de ontem, referia-se ao Folha Equilíbrio. Não ao Folhateen.
11/07/2002
A opção tem um óbvio lado de ‘Fantástico - o show da vida’, não era fácil nem automática, mas, na minha opinião, quem acertou mais no dia, em que pese certo exagero retórico na formulação de sua manchete, foi o ‘Globo’: ‘Crânio de 7 milhões de anos muda a História do homem’. A Folha trouxe o tema na capa, mas abaixo da dobra, quando deveria publicá-la, pelo inusitado, no alto (mesmo que não fosse a manchete do jornal). O que fez o ‘Washington Post’, colocando a notícia no alto à esquerda apesar da crise das Bolsas nos EUA, pareceu-me, por exemplo, mais adequado do que o ‘NYT’, que deu abaixo da dobra. O ‘Estado’ subestimou a notícia, dando mal dentro e nem sequer mencionando o feito na primeira página.
ES e Brindeiro
O procurador-geral corre o sério risco de sair como o mais chamuscado na crise sobre a intervenção (ou não) federal no Espírito Santo. Senti falta, na edição de hoje, de sua versão dos acontecimentos, já que ele é acusado pelo secretário dos Direitos Humanos, na retranca ‘Pinheiro diz que FHC não atuou no caso e Brindeiro foi o responsável’ (pág. A5), de ter forjado uma ‘versão’ dos fatos referentes ao papel de FHC no caso.
Papagaio de pirata?
O texto-legenda ‘Posse do novo ministro atrai poucas autoridades’ (pág. A5) informa que da posse do novo ministro da Justiça participaram apenas FHC, Alberto Cardoso, Euclides Scalco, Juarez Quadros e o governador do PA, Almir Gabriel. Quanto aos ministros, ok, faz todo sentido. Não deu para entender, porém, o que fazia ali o governador tucano.
Acabamento
1) Faltou atualizar a parte de Serra na ‘Agenda dos candidatos’ da edição SP, segundo a qual o tucano ‘à noite, daria entrevista ao 'Jornal Nacional’'... Como mostra a reportagem de abre da página A9 e mais detalhadamente (quanto ao clima do encontro) a coluna ‘No Ar’, a entrevista foi efetivamente concedida;
2) A legenda da foto em que aparecem Rita Camata (à direita) e Solange Amaral (pág. A8) não diz quem é quem. No mínimo, para confundir menos, deveria estar invertida, com o nome de Solange (que aparece à esquerda na imagem) primeiro.
Serra 17%?
O abre ‘Garotinho critica Ciro e diz que 'banqueiro é raça ruim'‘ (pág. A8) afirma que na última pesquisa do Datafolha o candidato tucano aparece com 17% das intenções de voto, atrás de Ciro (18%). São 20% para Serra, certo?
Bancos e pesquisas
Não vi na Folha hoje a informação de que a Comissão de Valores Mobiliários investiga formalmente eventual manipulação do mercado por instituições financeiras a partir de pesquisas eleitorais. O assunto foi levantado ontem com dados concretos pelo ‘Correio Braziliense’ e prossegue na pauta.
Chance real?
Um candidato liberal e um indígena considerado de esquerda passaram para o 2o turno na Bolívia, que ocorrerá por via indireta (eleição pelo Congresso). O texto de hoje sobre o assunto (‘Indefinição eleitoral na Bolívia provoca filas em bancos de La Paz’, pág. A14) é omisso em relação aos dados concretos (porcentagens e números de votos), mas, conforme de noticiou em dias anteriores, o primeiro leva vantagem sobre o segundo. A pergunta é: quais são as chances de Evo Morales (o candidato indígena) ganhar no Congresso? Ao que eu saiba, são mínimas, mas posso estar errado... Justifica-se essa corrida aos bancos? O texto não responde.
Toumai
A Folha deveria ter dado melhor e com mais detalhes o caso do primata descoberto no Chade por um grupo internacional de cientistas (‘Grupo acha mais velho ancestral humano’, pág. A17):
1) Faltaram ilustrações que pudessem mostrar para os leigos como ele se encaixaria na evolução humana e na sequência de descobertas semelhantes. Conforme afirma o ‘Globo’, trata-se da descoberta paleontológica mais importante dos últimos 80 anos. Se isso é verdade, o material a ele dedicado pela Folha é bem menor do que o jornalisticamente adequado;
2) Embora o texto da Folha, em tom infantilmente irônico, afirme que o achado é um ‘tanto desconjuntado’ e que ‘só a cabeça do sujeito... já é o suficiente para mudar a forma como a ciência vê a história evolutiva humana’, não vi no jornal a informação de que ele (o objeto achado) está em excelente estado de conservação (‘Le Monde’);
3) Tampouco se informa, ali, que a descoberta, embora só anunciada agora, foi feita há um ano.
Mercadante e Fraga
Segundo o ‘Estado’ de hoje, Armínio Fraga convidou Aloízio Mercadante para um encontro, convite confirmado, segundo o concorrente, pelo deputado petista. Vale a pena ir atrás.
Subsídio europeu
Faltam didatismo e contextualização em ‘Europa propõe corte de subsídio agrícola’ (Dinheiro, pág. B8). Como é constituída a tal PAC (Política Agrícola Comum)? É um fundo? Com quanto cada país contribui para ele? Quanto cada um tira dele? Qual é a proporção? Por que, afinal, a França é tão favorecida?
Futebol
O texto ‘De virada, Grêmio é derrotado no Paraguai’ (Esporte, pág. D3) afirma que o jogo acabou em 3 a 1 para o Olimpia. Já o quadro respectivo mostra que o Grêmio perdeu por 3 a 2. Pela relação de quem marcou os gols, este último placar parece ser o correto. Neste caso, um Erramos valeria para o texto.
Ambíguo
O título da coluna ‘S.O.S. família’, na pág. 14 do Folha Equilíbrio (‘Impor limites à força, mas sem violência’) pode tanto ser lido como sendo necessário que se limite o uso da força (na educação dos filhos), como também que se estabeleçam limites (para os filhos) com base no uso da força, mas sem violência... Claro que à leitura do texto fica evidente que a versão correta é a segunda, mas isso não elimina a ambiguidade do título, que deve sempre ser evitada.
Sísifo
Faltou a idade de Marcelo Knobel na entrevista pingue-pongue ‘Unicamp cria dois novos cursos na área de física’ da página Especial 6 do Fovest.
Errei
Ao contrário do que afirmei na crítica de segunda-feira, o texto da capa de Esporte daquele dia (‘Ninguém mais separa as irmãs Williams da história’) informa, sim, que Serena batera Venus na final individual de Wimbledon no sábado. Está no oitavo parágrafo: ‘O jogo (de duplas)... começou cerca de duas horas após o primeiro título individual de Serena em Wimbledon’."
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