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Bernardo Ajzenberg

"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br)

"18/11/2002

O histórico rebaixamento do Palmeiras para a segunda divisão do Brasileiro pode não ter sido a notícia mais importante do final de semana, mas foi, com certeza, o seu episódio mais ‘quente’. No noticiário político e/ou econômico, o destaque cabe à manchete da Folha de ontem (‘Estrangeiros se distanciam do Brasil’), a confirmar que a situação continua muito complicada por trás da cortina das viagens de Lula e de FHC ou da polêmica sobre a data da posse (ver nota específica). Destaquem-se, ainda, a manchete de ontem do ‘Globo’ (‘Lula negociará redução da jornada para 40 horas’) e as fotos exclusivas do casal Suzane-Daniel, do caso Richthofen, publicadas pela ‘Veja’.

Edição de segunda-feira, 18 de novembro

Primeira Página

1) A legenda da foto do alto afirma que na imagem os atletas palmeirenses estão lamentando o rebaixamento. Não é bem assim: na verdade, o jogador caído (César) acabara de levar uma cotovelada no rosto e está sendo erguido por um colega para que o jogo possa continuar;

2) Merecia chamada na capa a reportagem ‘Empreiteira paga US$ 195 mi a 'fantasmas'‘, na pág. A7, sobre desvio de dinheiro em obras públicas paulistanas.

Transição

1) No material que abre a página A5 (‘Lula pode anunciar hoje renúncia de Palocci’) o jornal perdeu uma oportunidade de esclarecer ao leitor qual é a situação de remuneração do coordenador petista da equipe de transição (equivocadamente, a Folha afirmou no início do mês que ele receberia pela função na transição) --algo que, como já assinalei aqui, foi feito apenas na Folha Ribeirão;

2) Registre-se balanço publicado no ‘Estado’ sobre a situação em que se encontra a costura de alianças entre o PT e seus aliados nos governos estaduais.

Garimpo

Faltou um mapa localizando Serra Pelada e Curionópolis (PA), em ‘Líder de garimpeiros é morto com 5 tiros’ (Brasil, pág. A6).

Quem com quem?

A reportagem ‘Centro-direita se unifica na França’ (Mundo, pág. A8) menciona a criação da União por um Movimento Popular (UMP), mas não informa quais partidos, correntes ou agremiações estão se unificando. O texto, para quem acompanha a política francesa ou procura entendê-la, fica, assim, bastante superficial.

Fuvest

A cobertura dada pela Folha sobre o vestibular da Fuvest me parece um exemplo daquilo que não deve ser feito (o que não quer dizer que a concorrência se tenha saído melhor):

1) O título (‘1a fase da Fuvest tem abstenção de 3,77%’) repete o mesmo mote dos títulos das coberturas dos últimos dois anos (taxa de abstenção), sendo que a) não houve nenhuma mudança significativa no índice e b) na verdade, ele não representa nada (qual estudante está preocupado com o índice de abstenção?)

2) Do mesmo modo, como sempre, a reportagem se limita a pegar duas ou três opiniões de estudantes sobre as provas e a registrar, também como sempre, algum caso de um jovem que, atrasado, perdeu a prova. É o mais puro piloto automático em ação, com acentuado tom acrítico (com exceção do registro do erro na questão sobre a China na parte de geografia) e próximo do oficial;

3) O que o jornal tem a dizer sobre as condições das salas oferecidas aos 160 mil vestibulandos para aguentarem a novidade das cinco horas seguidas num dia único para resolver cem questões? No mural da página da Fovest (Folha Online), por exemplo, há queixas sobre calor excessivo, carteiras e espaços inapropriados (não valeria fazer fotos disso?);

4) Quando deverão sair as primeiras estimativas sobre notas de corte?

5) Era hora, creio, de a Folha, que sempre teve tradição de cobrir com contundência a área de educação, repensar sua cobertura dos vestibulares, em especial da Fuvest, de modo a evitar o piloto automático. Há uma 2a fase pela frente, além de exames para outras universidades. Podem ser boas oportunidades para experimentar um formato mais próximo do ‘mundo real’.

Perfil

Faltou o de Maurício Faria, atual presidente da Emurb, indicado pela prefeita Marta Suplicy para uma das cinco cadeiras de conselheiros do Tribunal de Contas do Município (TCM), em reportagem na pág. C6. Qual é a sua formação, sua experiência política, idade etc? Isso, independentemente da polêmica política que a indicação provoca, como destaca, corretamente, o texto.

Palmeiras

Apenas três observações (menores) sobre a boa cobertura da queda palmeirense em Esporte:

1) No dia em que se configura o rebaixamento da equipe para a segunda divisão do Brasileiro, caberia registrar que ela já foi rebaixada uma vez (na década de 80, como mostrava reportagem de ontem, na apresentação da partida);

2) O texto de abre da página D5 (‘O domingo amanheceu...’) ficou um enorme ‘tijolaço’. É uma pena, pois a ausência de melhor tratamento gráfico afasta o leitor de um texto que possui, a meu ver, qualidade acima da média;

3) Senti falta de um perfil da equipe (jogador por jogador, algo do tipo ‘quem são eles’) que, pelo lado negativo, passará para a história do clube.

BA

Nota no Painel FC (pág. D2) registra César Borges como governador da Bahia. Ele é, na verdade, senador eleito. O governador é Otto Alencar, certo?

Desemprego

Um leitor alerta _parece-me, adequadamente-- para o fato de que a reportagem de capa de Dinheiro (‘Trabalhador está mais velho e escolarizado’) e manchete do jornal não informa em qual das duas metodologias usadas pelo IBGE os seus dados se baseiam (Pnad ou PME). A fonte dos números, assim, não é registrada, a não se de forma muito genérica (o próprio IBGE).

Roberto Carlos

Segundo a concorrência, o ‘rei’ atraiu mais de 200 mil pessoas em show ontem à noite no Rio em homenagem aos 90 anos do bondinho do Pão de Açúcar. A Folha registra apenas que houve o show numa linha ao pé de uma Panorâmica em Cotidiano (pág. C4) com título para um outro assunto relativo ao cantor (questão de plágio). Mesmo assim, não informa sobre essa monstruosa platéia.

Edição de domingo, 17 de novembro

Para reflexão

A manchete da Folha (‘Estrangeiros se distanciam do Brasil’), a meu ver, tem a força de trazer à tona as dificuldades e os obstáculos que persistem e que podem crescer no próximo governo frente às promessas e compromissos assumidos por Lula e pelo PT na campanha e na fase de transição. Nesse sentido, penso que ela aponta a necessidade de uma reatualização das pautas do jornal.

O que, afinal, está acontecendo por trás das viagens de Lula? Qual é o ministério que se costura?

Acho que, neste momento, se o jornal priorizar pautas do tipo ‘data da posse’ ou ‘Lula messiânico’, estará correndo o risco de perder o bonde, como se diz, daquilo que é o mais complicado e de (reconheço) difícil apuração: afinal, o que de novo (a começar pelo ministério) Lula e o PT estarão apresentando ante uma crise econômica que, ao contrário do que parece, continua a se agravar?

Sem contextualização

A reportagem de capa do TV Folha menciona a reprovação, por parte da Globo, de uma sinopse apresentada por Gilberto Braga para a próxima novela das 20h, daí a convocação emergencial, pela emissora, de um outro autor, Manoel Carlos (objeto da reportagem). Qual foi o conteúdo rejeitado? Por que isso aconteceu? Não há essa informação. A dúvida, por mais que o centro da reportagem seja Manoel Carlos, fica no ar.

14/11/2002

A preocupação com uma eventual volta da inflação continua a ocupar grande parte do noticiário nas edições de hoje, com exceção da Folha, que aborda o tema em editorial mas, no noticiário, relega-o a uma retranca em pé de página em Dinheiro. Como era de esperar, todas as capas, hoje, trazem imagem da reconstituição do crime do Brooklin, com destaque para Suzane von Richthofen. Corretas foram, a meu ver, as opções da Folha e do Estado por dar a manchete para a decisão iraquiana de aceitar a resolução da ONU sobre as inspeções.

Transição

1) Num momento de evidente escassez de papel, o jornal dedica espaço excessivo para dois assuntos de importância a meu ver apenas média (viagens de Lula e data da posse) e não traz nada a respeito de declarações dadas ontem pelo presidente eleito, Lula, sobre a questão mais preocupante do momento (econômica e politicamente), a inflação. O ‘Estado’ reproduz várias frases do petista, entre aspas, a respeito do assunto, sempre no sentido, claro, de ‘tranquilizar’ os ‘agentes econômicos’;

2) Ainda sobre Lula, cabe registrar curiosa observação, também no concorrente, sobre o abandono do uso da estrela, símbolo do PT, na lapela de seu paletó;

3) Na retranca ‘Após Argentina e Chile, Lula vai a Bush’ (abre da pág. A5), a data de 1o de janeiro é dada como fato consumado para a posse, informação que o abre da página seguinte, justamente, coloca em questão;

4) Por falar em data da posse, não está claro no noticiário qual é o motivo do interesse de Aécio Neves, exibido reiteradamente, no adiamento. Vale a pena, creio, mostrá-lo ao leitor;

5) Só quem acompanhou o caso nas edições de ontem entende a resposta do presidente do PT ao do PL na retranca ‘Dirceu rebate críticas do presidente do PL’ (pág. A7). Ao pedir que não se o compare com ‘determinadas personalidades da vida política brasileira’, Dirceu se refere a Sérgio Motta, certo? Mas isso não está dito no texto;

6) No momento em que se anuncia a data do encontro Lula-Bush, militantes do MST, segundo noticia a concorrência, deslocam-se em direção a Alcântara (MA) para fazer uma manifestação contra o acordo que prevê o uso, pelos EUA, de uma base militar brasileira para lançamento de satélites. Vale recuperar o caso.

FHC

Ao ler a reportagem ‘Presidente defende 'novo contrato internacional'‘ (pág. A4), sobre a aula de FHC em Oxford, senti faltar satisfação para duas curiosidades: a) o presidente falou em inglês ou em português? b) que idade tem agora a filha de Bill Clinton, Chelsea, aluna de Oxford presente no evento?

Mínimo

A Folha publica texto sobre a discussão do salário mínimo em comissão na Câmara (‘Acordo adia votação de mínimo de R$ 240’, na pág. A6), mas não reporta notícia sobre o tema dada em manchete pelo ‘Globo’, a saber:

segundo o ministro do Planejamento, se for para cumprir a lei (o que implicaria reposição da inflação), o salário mínimo deveria subir para R$ 220, não para apenas R$ 211, como prevê o orçamento elaborado pelo seu próprio governo.

Falhas

1) Uma provável falha de digitação registra, em ‘Ex-embaixador cita Jango para falar do PT’ (pág. A6), que o governo de João Goulart foi de 1961 a 1994. Foi até 1964, como aparece de forma indireta no parágrafo seguinte do mesmo texto, certo?

2) Diferentemente do que afirma o texto ‘Enéas nega venda de vagas e diz que dinheiro era para cartilhas’ (pág. A8), a reportagem do ‘SPTV’ sobre o assunto foi ao ar anteontem, não ontem.

TV de Gugu

O caso foi levantado inicialmente pela Folha, mas não vi no jornal a informação, registrada na concorrência, de que o ‘Diário Oficial’ publicou na última segunda-feira a decisão do governo de anular oficialmente o contrato de concessão de uma emissora para o apresentador de TV. A verificar.

Corus/CSN

Algumas informações importantes de que senti falta ao ler o noticiário da Folha sobre o cancelamento da fusão entre as duas empresas (capa de Dinheiro): a) a direção da Corus afirmou textualmente que a decisão ‘não tem nada a ver com o quadro político brasileiro’ (‘Estado’); b) o presidente do PT, José Dirceu, falou sobre o caso ontem, e disse que seu governo, apesar de procurar fortalecer a siderurgia nacional, não exclui a possibilidade de associações com capitais externos (‘Valor’, ‘Estado’); c) segundo a ‘Gazeta Mercantil’, desde o início os sócios ingleses da Corus se opunham à fusão, em especial por causa da enorme dívida da CSN; d) o BNDES foi surpreendido pelo anúncio (‘Valor’).

Abertura

O texto ‘Brasil é a 72a economia mais aberta’ (Dinheiro, pág. B2) informa que nesse ranking os EUA estão em sexto lugar, empatados com Dinamarca e Estônia. Na arte, porém, os EUA aparecem atrás desses dois países, em oitavo lugar. Não deu para entender. Haveria um critério de desempate? A verificar.

Didatismo

‘CEF lucra R$ 1 bilhão de janeiro a setembro’ (Dinheiro, pág. B4) menciona o Plano Collor e fatos relativos ao seu período sem, no entanto, informar quando isso aconteceu.

Bombril

A meu ver, merecia bem mais destaque do que uma Panorâmica ao pé da pág. B8 a notícia de que a Cirio (italiana) planeja vender a Bombril.

Crime no Brooklin

A Folha tem conseguido manter sobriedade em sua cobertura a respeito do caso, sem entrar na onda melodramática, emocional e condenatória do noticiário da TV e de alguns veículos concorrentes. Observações pontuais sobre a edição de hoje:

1) No abre de Cotidiano se diz que Daniel Cravinhos tem 19 anos. Ele tem 21, certo?

2) A Folha afirma que, quando os acusados chegaram à casa da família Richthofen ontem de manhã para fazer a reconstituição, cerca de 50 pessoas os aguardavam. Relatos na concorrência falam em 200 pessoas. A verificar;

3) A moto comprada por Cristian era de 1.100 cilindradas, não 1.500 como está no quadro da pág. C3;

4) Um leitor sugere que o local em que Andreas (o caçula) estava no momento do crime não é um cibercafé, como tem sido noticiado, mas uma ‘lan house’, estabelecimento onde jovens ficam horas fazendo jogos on-line. A verificar;

5) Outro leitor afirma que a rua onde o crime ocorreu fica no Campo Belo (como está no ‘JT’, por exemplo), não no Brooklin. A verificar.

E Almodóvar

Ao abordar indicações para o Oscar de melhor filme estrangeiro, o texto ‘Miramax inicia campanha para indicação brasileira’ (Ilustrada, pág. E3) toca de passagem no fato de que o filme de Pedro Almodóvar ‘Fale com Ela’ não foi indicado pela Espanha. O assunto já tinha aparecido dias atrás numa Panorâmica. Creio que, dada a badalação de que ele foi objeto (inclusive em capa da Ilustrada) e considerando que muitos já davam como certa sua conquista da estatueta, creio que caberia uma reportagem mais destacada sobre essa não-indicação, pela Espanha, do filme de Almodóvar.

Aviso

Devido ao feriado, amanhã não haverá crítica interna do ombudsman.

13/11/2002

Inflação, tema assustador e preocupante que ocupa espaço crescente no noticiário, é o assunto nas manchetes da Folha (‘Preço de alimentos tem maior alta em oito anos’) e do ‘Estado’ (‘Inflação sobe, mas PT diz que meta para 2003 não muda’), tendo os dois jornais privilegiado, no alto, imagens das chuvas na capital. O ‘Globo’ destaca em manchete o resultado desolador do Enem (‘Teste reprova qualidade do ensino médio no país’) enquanto o ‘JB’ faz, em manchete, a maior aposta do dia: ‘Brizola será ministro de Lula’.

Primeira Página

1) De novo o jornal deixa de dar na capa a apresentação de um jogo decisivo do Brasileiro: Palmeiras e Flamengo, dois dos maiores clubes do país, ameaçados de rebaixamento;

2) Também merecia chamada a decisão do STJ de tirar José Rainha da cadeia. Quando ele foi preso, no início de setembro, houve chamada (edição de 6/9), assim como por ocasião do anúncio de habeas corpus no caso da outra prisão do sem-terra, em maio (edição de 18/5).

Contas do PT

Uma observação sobre a interessante reportagem ‘PT tem contas bloqueadas para pagar dívida’ (Brasil, pág. A11), sobre dívidas trabalhistas do partido para com um ex-funcionário: na arte ‘Para entender o caso’, aparecem num documento (‘Alteração contratual da empresa’), entre outras, as assinaturas de Perseu Abramo e de José Dirceu. Esses dois nomes, porém, não são mencionados no texto da reportagem nem na própria parte explicativa da arte. O que eles fazem ali? Fica no ar, assim, uma dúvida sobre as eventuais responsabilidades de ambos no caso.

Dados ausentes

1) Em ‘ 'O mundo deve ajudar Lula', afirma D'Alema’ (Brasil, pág. A5), não há informação da idade do ex-primeiro-ministro italiano nem sobre o período em que ele foi chefe de governo da Itália. Tampouco se informa o que ele está fazendo no Brasil. O mesmo texto, aliás, o trata, no terceiro parágrafo, como ‘primeiro-ministro’;

2) Não se informam os partidos a que pertencem os parlamentares Nárcio Rodrigues e Aécio Neves em ‘PT fala em manter data da posse; Lula vai 'testar' Granja do Torto’ (mesma página). Paradoxalmente, a parte final desse texto, que registra justamente a dúvida existente sobre a data da posse, considera como fato consumado que ela será no primeiro dia de janeiro.

Didatismo

1) ‘PT derruba MPs que aumentam gastos para 2003’ (Brasil, pág. A8) faz referência ao Plano Bresser e a uma ‘correção’ a ele relacionada. O que vem a ser isso? Quando ele foi implementado? Não há explicações;

2) O abre da pág. B4 (Dinheiro), ‘IGP-DI apura maior inflação desde 99’, noticia, ao final, uma elevação do ‘núcleo da inflação’. O que isso significa?

Enem

1) Citando relatório oficial, o texto de abre de Cotidiano (‘Nota geral do Enem é a mais baixa desde 98’) menciona, entre outros motivos para a redução das médias gerais registrada no exame, o maior número de alunos menores de 18 anos nas escolas privadas. Por quê? Qual é a lógica se, em tese, todos completaram o ensino médio? Não deu para entender;

2) Outra lacuna aparece quando o texto, ao final, expõe os dados comparativos entre o desempenho dos estudantes brancos e o dos negros (estes últimos, em situação pior) sem nenhuma análise ou explicação para eles.

Crime no Brooklin

1) Além da reconstituição do crime a ser efetuada hoje (abre da pág. C4), o fato mais relevante no caso é a notícia da contratação do criminalista Alberto Toron por familiares dos Richthofen, com o objetivo evidente de ‘separar’ responsabilidades entre Suzane e os irmãos Cravinhos. Nesse sentido, era obrigatório um perfil mais trabalhado do advogado. Não se informa, por exemplo, que ele leciona Direito na PUC (onde Suzane estuda Direito), que é advogado do juiz aposentado Lalau, sua idade etc;

2) O texto de abre afirma que Marísia, a mãe assassinada, era psicanalista. Como está em outra retranca, ela era, na verdade, psiquiatra, certo?

3) A Folha traz importante declaração do gerente do cibercafé onde o caçula Andreas esteve na noite do crime e retranca com uma amiga/paciente de Marísia. São pontos positivos para o jornal;

4) Cabe registrar, porém, a ausência de informação sobre o laudo pericial divulgado ontem (segundo concorrentes) sobre o estado dos corpos do casal;

5) Um leitor chama a atenção para o fato de que, até agora, não foi explicitado um detalhe curioso de todo esse caso: por que um dos assassinos, Cristian, apareceu sem camisa na apresentação à imprensa? Foi por conta própria, para exibir com orgulho ou como mensagem ‘secreta’ as suas tatuagens? Ou foi por exigência da polícia? Vale a pena retomar, de alguma forma, o episódio.

Por falar em...

morte e psicanálise, caberia dar mais informações sobre o personagem destacado na retranca ‘Psicanalista Pierre Félida morre em Paris’, na seção ‘Mortes’ (pág. C4). Ele é francês? Qual foi sua importância? Que contribuição deu à área? Que relação teve com o Brasil, já que, como diz o texto, é membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise?

Emprego

O texto ‘ 'Emprego na indústria está na bacia das almas', diz Fiesp’ (Dinheiro, pág. B6) coloca entre aspas na boca de Clarice Messer (diretora da entidade) a afirmação de que mudanças para melhor no setor de máquinas não ocorrerão antes do segundo semestre de 2002. É 2003, certo?

Alamedas

O texto da seção ‘Trânsito’ (Cotidiano, pág. C2) fala em alameda Campinas em vez de falar em alameda Barão de Campinas. São duas ruas que, como se sabe, não têm nada a ver uma com a outra.

Sísifo

1) Faltou a idade do economista argentino Marquez-Ruarte, do FMI, em ‘Chefe da missão faz turismo em Brasília’ (Dinheiro, pág. B6);

2) Adam Smith é mencionado em ‘Para Fed, México e Chile são 'ilhas' estáveis’ (Dinheiro, pág. B8) sem que haja, pelo menos, aquele parêntese registrando anos de nascimento e de morte;

3) Faltou uma foto de Eric Hobsbawn no pingue-pongue com o historiador, na contracapa da Ilustrada.

Verbas

Não vi na Folha hoje informação, publicada na concorrência, de que a prefeitura paulistana mais uma vez usou verba de construção de escolas para comprar uniformes para alunos da rede municipal. A verificar.

12/11/2002

A disparidade de assuntos nas manchetes dos principais jornais reflete certo ar de expectativa e de aguardo numa semana destinada, em tese, à mornidão -pelo menos na política e na economia brasileiras. Enquanto FHC viaja em clima de despedida e Lula o faz para costurar apoios, políticos técnicos tentam buscar soluções no Congresso para o salário mínimo e técnicos políticos começam a operar a transferência de dados no processo de transição. Casos Richthofen e Pedrinho, além de Bush/Iraque -daí sim, a julgar pelo noticiário, esperam-se notícias mais quentes.

Palavra versus palavra

Faltou o ‘outro lado’ do presidente da República na retranca ‘Dirceu contesta versão de FHC sobre jantar’ (Brasil, pág. A5), na qual o dirigente petista não confirma informação de FHC, publicada pela Folha, de que no encontro entre ele e Lula, sexta-feira, ambos concordaram ser desnecessário um aumento da meta de superávit primário.

Questão de enfoque

1) Chamada na capa da Folha sobre a visita de FHC a Portugal: ‘Investimento português no Brasil pode ser reduzido’; título da reportagem interna: ‘FHC 'vende' Lula, mas Portugal não investe’ (pág. A6). Chamada da ‘Gazeta Mercantil’ para o mesmo assunto: ‘Portugal continuará a investir no Brasil’; título da reportagem: ‘Portugal continua a investir no Brasil’;

2) Folha e outros veículos destacam que a comissão que analisa o orçamento ‘descobriu’ cerca de R$ 10 bi extras para atender a demandas de congressistas e chegar ao mínimo de R$ 240. Já o ‘Valor’ destaca na capa que um erro cometido pelo governo na projeção de despesas com funcionalismo em 2003 subestimou as despesas em R$ 3 bilhões.

Lula na BA

Segundo relato do ‘Globo’, houve um desconforto explícito por parte do candidato (derrotado) do PT ao governo baiano ante a visita de Lula ao Palácio da Ondina e a seu encontro com Ângelo Calmon de Sá. Caberia tal registro, creio, na cobertura da Folha sobre a presença de Lula na Bahia ontem.

Mercadante nos Jardins

Nota na coluna Mônica Bergamo informa que o senador petista eleito jantou ontem com Abílio Diniz na casa deste último (famílias reunidas), concluindo: ‘o evento nada teve a ver com política. Os dois são amigos’. A informação da existência do jantar é importante e, por si só, justifica a nota. Os dois, também, podem ser amigos, não sei. O difícil, porém, é acreditar, ainda mais depois da presença de Diniz na reunião do ‘pacto’ semana passada, que o evento não teve nada a ver com política. A verificar.

Tornados

São diferentes os números de mortos registrados na arte e na reportagem ‘Série de tornados deixa ao menos 36 mortos nos EUA’ (Mundo, pág. A8). Na primeira, o total é 33, e a diferença está nos Estados do Alabama (10 contra 12) e do Tennessee (16 contra 17). Quais são os dados corretos?

E Nablus?

Faltou localizar Nablus no mapa de Israel e Cisjordânia na pág. A12 (Mundo). Como diz uma das retrancas, ela é uma das duas cidades (a outra é Tulkarem) sobre as quais pode recair a retaliação de Israel contra o ataque palestino de anteontem no kibutz Metzer.

Adubo na soja

O abre do Agrofolha (‘Adubar em excesso desperdiça R$ 280 mi’), pág. B12, afirma que, com a adoção de uma dosagem correta de insumos, a produtividade média da região Sul poderia crescer 30%, indo de 2.000 kg/ha para 2.300 kg/ha. Mas essa diferença (300) não é 15%?

Crime no Brooklin

1) O abre da pág. C2 (‘Polícia tem dúvidas sobre papel de estudante’) registra uma informação dada por um tal Eduardo Leite, que se apresentou ontem à polícia como advogado dos irmãos Cravinhos. Há algo esquisito aí. Na sub-retranca ‘Para colega, mãe e filha eram unidas’, o jornal apresenta Geraldo Jabur como advogado recém-contratado pelos irmãos, informando, inclusive, que ele esteve também ontem na carceragem onde os dois estão detidos. Afinal, que será aquele Eduardo Leite? É algo a esclarecer;

2) Há um dado relevante que não bate entre o abre da pág. C3 e a respectiva arte. Diz o primeiro: ‘Segundo Suzane, eles resolveram colocar a idéia (matar os pais dela) em prática na tarde do dia 30 de outubro’. Já a arte (item ‘A escolha do dia’) informa: ‘Suzane disse que resolveu colocar a idéia em prática...’. Afinal, o que a estudante diz? Que foram ‘eles’ ou que foi ‘ela’ que resolveu?

Caso Pedrinho

Engana-se a Folha, creio, ao dar atenção menor para este caso --seja na apuração seja na edição (apenas uma Panorâmica na edição SP/DF ou uma retranca abaixo da dobra na nacional). Pelo noticiário do conjunto da imprensa, aquilo que parecia um episódio de final feliz pode acabar mal. A polícia investiga a mãe adotiva do garoto como suspeita de tê-lo roubado na maternidade, além de ter feito dele um registro falsificado. Mais: a pessoa (testemunha) que informou à polícia da localização do garoto pode ser a própria irmã dele, e teria feito isso com o objetivo de não permitir que ele também tivesse acesso à herança deixada pelo pai (adotivo), morto há três semanas. O caso promete render e requer do jornal, creio, um esforço maior do que o empregado até agora, pelo menos a julgar pelo material que tem sido publicado.

É ou não é?

O abre ‘Projeto de Niemeyer está ameaçado nos EUA’ (pág. C4) informa que casa projetada pelo arquiteto há 38 anos nas proximidades de Los Angeles pode ser demolida. Ao pé do texto, porém, registra-se declaração do próprio autor segundo a qual ele não considera que aquele projeto seja dele. O leitor fica confuso. O texto deveria pelo menos explicar por que ele diz isso. Não basta, creio, informar que a construção foi intermediada por outros profissionais porque o brasileiro não recebera visto para entrar nos EUA. Construíram diferente do que ele projetara e por isso ele a renega?

Faltou esclarecimento.

Cães

Caberia informar (em ‘Projeto que proíbe criar cão violento é vetado’, pág. C5) a qual partido pertence o deputado Gilberto Nascimento, autor da lei em questão, derrubada pelo governador Alckmin (PSDB).

Intimidade

Até o final da manhã eu não havia recebido queixas de leitores sobre a a foto do alto da pág. E6 (‘Acontece’), mostrando cena de sexo coletivo de uma videoinstalação. O assunto é polêmico, sujeito a apreciações subjetivas. Posso estar enganado, mas creio que a imagem ultrapassa um pouco o limite do publicável num jornal como a Folha.

Sísifo

Faltou a idade do atleta lesionado Júlio Sérgio em ‘Santos perde goleiro por duas semanas’ (Esporte, pág. D2)."

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