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Bernardo Ajzenberg

"Crítica Interna", copyright Folha Online (www.folha.com.br)

"21/10/2002

Além da pesquisa Datafolha, a Folha promoveu no fim de semana a desova de uma série de reportagens sobre situações críticas e/ou irregularidades (maiores ou menores) cometidas por petistas e tucanos. Chama a atenção, essa concentração, num momento em que os demais veículos se mostram bem mais voltados, já, para o pós-segundo turno (formação de governo). A ostura da Folha me parece positiva, mas, a julgar pelas pesquisas e pelo róprio editorial do jornal de ontem (‘Dias de decisão’), é inevitável uma sensação de certo atraso nessa desova, de que talvez o ‘timing’ jornalístico tenha estado longe do ideal.

Edição de segunda-feira, 21 de outubro

Transição

Sai hoje mais uma dupla de páginas sob a rubrica ‘Agenda da transição’, uma espécie de balanço do governo FHC. Constato que, na verdade, o material publicado desde quinta-feira comporia facilmente um caderno especial sobre o tema. É pena que o jornal não tenha adotado esta última opção. Em vez de dispersar o ‘balanço’ no meio do noticiário em diferentes dias, ele seria muito mais valorizado e, arrisco dizer, mais lido, se estivesse concentrado em um ou dois cadernos.

Sangue

A nota ‘Transfusão eleitoral’, no Painel (pág. A4), considera o sangue O+ como receptor universal. Salvo engano, ele é, na verdade, sangue de doador universal.

Concessões

O lide de ‘Governo fará licitação de rádios e TVs’ (Brasil, pág. A5) fala em ‘processo de compra dos canais’. Mas não há compra. Trata-se de concessões -o que é, como se sabe, algo bem diferente.

Marines?

Legenda de foto na pág. A8 registra serem marines os soldados que aparecem na imagem. No texto respectivo (‘Bomba perto de igreja mata um nas Filipinas’), porém, nada se fala sobre haver ou não soldados norte-americanos nas Filipinas. O que fazem esses marines na foto? Não dá para entender.

Eleições

1) Acabamento: a) a legenda da foto de Genoino na capa do caderno menciona Lula, Mercadante e Marta. Nenhum deles, porém, aparece na imagem; b) faltou crédito/assinatura na ilustração da coluna ‘Folclore político’ (pág. 2);

2) Creio que na edição da nova pesquisa para o governo estadual merecia mais destaque a informação sobre a opção, agora, dos que, no primeiro turno, votaram em Maluf. Esses dados só aparecem no oitavo parágrafo do texto, e morrem ali;

3) Não vi na Folha a informação, dada no concorrente local, de que Genoino participou ontem, pateticamente, da missa do padre Marcelo;

4) Registro para texto do ‘Globo’ sobre a ansiedade no meio político, principalmente petista, quanto ao pronunciamento que Serra faria ontem. Dirceu, diz o texto, chegou a conversar com FHC, que fez a apuração e lhe deu retorno.

PM ferido

Segundo o ‘Diário de S.Paulo’, um sargento ferido durante a operação que a Folha reporta hoje sob o título ‘Policial morre, e PM mata cinco em favela’ (Cotidiano, pág. C3) pertence ao Gradi, aquele grupo que atuou clandestinamente na Secretaria da Segurança. A Folha traz o nome dele na reportagem, mas não faz a relação entre uma coisa e a outra. A verificar.

Porto Seguro

Tal como toda a imprensa fez no sábado, a Folha continua a dar mal, hoje, o caso do garçom assassinado selvagemente por estudantes em Porto Seguro na noite de quinta-feira (texto na pág. C3). Do ponto de vista moral e ético, para dizer o mínimo, as semelhanças com o famoso caso do pataxó Galdino são evidentes.

Laqueadura

Afirma a sub ‘Cirurgia não pode ser feita durante o parto’ (pág. C6) que até 1966 quatro em cada cinco laqueaduras eram feitas durante a cesárea, algo que está proibido desde 1999. Não seria 1996 em vez de 1966? A verificar.

Lição

A pág. 8 do Folhateen traz hoje um caso daqueles para fazer parte de aulas de jornalismo: a revelação da farsa, na qual a própria Folha caiu, de que um modelo brasileiro estrelaria novo filme do americano David Lynch. Vale a pena registrar.

Collor

Registra o texto ‘Itamaraty já se adapta a novo presidente’ (Dinheiro, pág. B6) que o governo Collor foi de 89 a 92. Na verdade, ele tomou posse em março de 90.

Edição de domingo, 20 de outubro

Eleições

1) Pela lógica das ‘fichas técnicas’ de cada filho (os detalhes da bermuda e da cruz de ‘pagodeiro’ no pescoço, por exemplo), o filho de Geraldo Alckmin que aparece na capa do jornal e no abre da reportagem na Revista é Geraldo Neto, não Thomaz Alckmin. Ou então as fichas, talvez, estejam invertidas. A verificar;

2) Acabamento: o quadrinho do alto à direita na arte sobre o lobby das concessionárias (pág. 6) mostra o número 92, mas, por causa de uma tarja cinza escura, só quem tem visão perfeita consegue enxergar a frase explicando a que ele se refere;

3) Merecem registro as entrevistas publicadas no ‘Estado’, de modo espelhado, com José Dirceu e com Aécio Neves. Em especial a do petista, que nega ser o ‘Golbery do PT’;

4) Na linha de fotos curiosas da campanha, registro, também, para a de Lula, no mesmo jornal, mostrando o sapato num palanque para ‘provar’ que não está de ‘salto alto’.

Edição de sábado, 19 de outubro

Dívidas tucanas

A Folha traz hoje (segunda-feira) informação de que Bia Aidar, a produtora dos eventos de Serra, deixou a campanha porque falta dinheiro para pagar seus serviços. A informação bate com interessante reportagem do ‘Estado’ de sábado segundo a qual dívidas da campanha tucana já aparecem na Serasa sob a forma de títulos protestados. Vale a pena ir atrás do assunto --não só no caso dos tucanos, aliás.

Nobel

Destaque para entrevista pingue-pongue publicada sábado no ‘Globo’ com o novo Nobel de Literatura, Imre Kertész. Fala de nazismos e ditaduras.

18/10/2002

Pelo menos por um dia o PT parece ter conseguido ‘acalmar’ o mercado. É o que se depreende dos jornais de hoje, com a alta na Bolsa e redução do risco-país. Nova pesquisa eleitoral, neste fim de semana, deve ajudar a alimentar (ou a eliminar no nascedouro) o minúsculo sinal de trégua. Desde já, a campanha de Serra tenta criar clima de expectativa em relação ao ‘pronunciamento’ do candidato no programa de TV de domingo. Só a Folha não publicou hoje foto de Itamar Franco encantado com uma modelo ontem em Brasília.

Primeira Página

A chamada sobre a Colômbia afirma que, até meses atrás, a guerra civil naquele país seguia restrita às áreas urbanas. Conforme deixa claro a reportagem interna (pág. A11), a guerra, na verdade, seguia restrita às áreas rurais --e agora ameaça se instalar nas urbanas. Houve uma inversão na redação do texto.

Dupla militância

O texto ‘STJ ordena indenização de R$ 6,5 mi’ (Brasil, pág. A4) afirma que o desaparecido cuja família agora será indenizada ‘...era militante da Ação Popular e do PC do B, que atuavam como organizações clandestinas’. Em se tratando de duas organizações diferentes e de linhas divergentes, como é que ele (Ruy Soares) militava ao mesmo tempo nas duas? A verificar.

Eleições

1) Em ‘Mata-mosquitos invadem ato do PSDB’ (pág. 3), Serra acusa diretamente Lula e o PT de terem armado agressões físicas e provocação contra ato de apoio ao tucano ontem no Rio. Faltou o ‘outro lado’;

2) Não vi na Folha notícia dada na concorrência de que José Alencar afirmou ontem durante encontro no RJ ter sido convidado duas vezes para ser ministro de FHC, sem aceitar;

3) Em se tratando do histórico e do folclore em torno do ex-presidente, é de lamentar que a Folha não tenha publicado as imagens de Itamar Franco ‘babando’ de deslumbramento ao lado de uma modelo durante inauguração ontem em Brasília.

Didatismo

1) Ao tentar explicar o que quer dizer ‘tornar uma pessoa jurídica inapta’, o abre da pág. A5 (‘Acordo prevê ação conjunta contra lavagem de dinheiro’) afirma: ‘significa que os documentos emitidos por ela não terão efeitos tributários para terceiros’. Ahã...

2) Em nenhum momento, o texto ‘EUA aceitam fazer concessões sobre ataque’ (Mundo, pág. A6) menciona que tudo o que se fala nele diz respeito à questão da inspeção internacional de produção de armas de destruição em massa no Iraque. Fala-se apenas genericamente, numa citação, em ‘inspetores internacionais de armas no Iraque’. Quem, por alguma razão, não leu ainda sobre o assunto não entende o que ocorre e o motivo para tanta preocupação e tanto destaque;

3) Caberia registrar, entre parênteses, os anos de nascimento e de morte do escritor Ernest Hemingway, em ‘Neve do monte Kilimanjaro vai sumir em 20 anos’ (Ciência, pág. A12);

4) Faltou um mapa localizando onde aconteceu o crime noticiado em ‘Sem reagir, empresário é morto por ladrões’ (Cotidiano, pág. C5), nas proximidades da avenida Dr. Arnaldo.

Vai explicar...

O nono parágrafo de ‘Consumo de drogas preocupa Funai’ (Brasil, pág. A5) começa assim: ‘Suspeitasse (sic) que alguns índios possam estar...’. O mais provável é que tenha ocorrido um erro de digitação, com um ‘s’ no lugar de um hífen (suspeita-se). De todo modo, essa interpretação parao chato erro depende da benevolência do leitor.

Piora/melhora

O terceiro parágrafo de ‘Pesquisa da CNI vê pessimismo de empresários’ (Dinheiro, pág. B9) registra que ‘...embora não esperem uma piora no cenário econômico, os empresários também não apostam em uma piora muito forte nos próximos meses’. A lógica dos dados e do texto indica que o correto seria dizer: ‘embora não esperam uma MELHORA no cenário...’.

Mais frango

O interessante abre da pág. B9 (‘Frango deve tomar lugar do boi no mercado’) atribui o fenômeno a dois motivos: vantagem de preço e ganho de produtividade com barateamento da produção. Tudo bem. Deve ser isso o determinante. Mas estranhei a ausência, ao menos, de uma referência a certa mudança ‘cultural’ dos últimos anos em boa parte da população (altamente consumidora), sensível à idéia e ao marketing de que as carnes brancas são mais saudáveis do que as vermelhas. Será que isso não pesa absolutamente nada?

Arquivo

Salvo erro de memória, a foto do motorista que ilustra o texto ‘CET adia multas por uso de fone’ (Cotidiano, pág. C4) já foi publicada pelo jornal em reportagem sobre o mesmo assunto. Por que o crédito não traz a data anterior, em vez de passar ao leitor, pelo contrário, a impressão de se trata de uma foto atual?

Estrada para...

O filme em cartaz com Tom Hanks é ‘Estrada para Perdição’, e não ‘...para A Perdição’, como está em quadro ao pé da pág. E4 (Ilustrada). Não existe o artigo antes de Perdição. Não se trata de preciosismo, pois Perdição, no caso, é o nome de uma localidade.

16/10/2002

A julgar pelo noticiário de hoje, as recentes medidas do BC, em especial a alta dos juros, atropelaram o noticiário diretamente eleitoral -o que não deixa de ter significado político e consequências, nesse terreno, a serem ainda analisadas pelos especialistas e/ou captadas por pesquisas. A Folha, que na edição nacional destacou no alto da capa uma foto de Serra e Tasso em campanha, sem nenhuma imagem de Lula, promoveu correta alteração na edição SP, colocando os dois presidenciáveis com igual espaço no alto da Primeira. Um registro para manchete da edição mais tardia do ‘Globo’, que incluiu as ações de grupos armados contra o Palácio da Guanabara e outros edifícios no início da madrugada de hoje.

Primeira Página

Com a necessária troca acima mencionada, acabou caindo a chamada ‘FHC foi avisado antes da decisão de subir os juros’, para reportagem em Dinheiro (pág. B3). É pena, pois se trata de um dos diferenciais de apuração jornalística na edição de hoje.

Reformas

Ao tratar, no segundo parágrafo, da reforma da Previdência, o texto ‘'Novo governo terá de priorizar três reformas'‘ (pág. A4) registra que FHC defende uma revisão do ICMS. Mas, o que uma coisa tem a ver com a outra? Aparentemente, houve um pastel no texto.

E a reportagem?

A leitura dos jornais permite perceber que o evento mais importante de ontem foi a cerimônia de posse do novo presidente da CNI, em Brasília, seus entornos e bastidores. Pela Folha não dá para saber, mas José Dirceu sentou-se ao lado de Antonio Ermírio, o qual, aliás, também discursou brevemente. Pedro Malan aparece dando as mãos ao presidente do PT. E é de se supor que muito mais coisas e/ou contatos interessantes aconteceram ali.

A foto publicada na Folha (FHC e o novo presidente da entidade) é a mais inexpressiva e óbvia possível. O texto se baseia inteiro no discurso de FHC, e só. Onde estava a reportagem do jornal, que, pelo que foi publicado, não viu o que os outros viram?

Iraque

Posso estar enganado, mas, aparentemente, os dizeres na cédula do plebiscito iraquiano reproduzida na capa da Folha contêm mais do que a pergunta ‘Você concorda com que Saddam Hussein fique no cargo de presidente da República do Iraque?’ (cf tradução em Mundo). Será que não havia nenhuma pessoa capaz de traduzir e mostrar a sua íntegra? É pena. Teria sido um dado ilustrativo e diferenciado para o leitor.

Eleições

Parece-me feliz o investimento de pesquisa que resultou na contracapa do caderno de hoje (bibliografia sobre os presidenciáveis), mas ele -que é uma pauta ‘fria’-- não oculta a relativa anemia do restante da edição, no que diz respeito especialmente à apuração jornalística a ‘quente’:

1) O depoimento de Regina Duarte no programa de Serra virou um dos assuntos do dia. O jornal, porém, passa ao largo. Ele só aparece na coluna ‘No ar’ e ao pé da reportagem da pág. 2 que registra pedido do PT de suspensão da propaganda;

2) O texto ‘Esquerda do PT vai cobrar programa de Lula’ (pág. 3) não esclarece quais são as tendências radicais do partido, o que pensam, quantos parlamentares tem cada uma, qual é o seu peso em relação ao total. Traz declarações de um deles dadas na semana passada(!). Esse abre era uma chance de recuperar a abordagem do tema, já tratado pela concorrência. Mas ela, me parece, foi desperdiçada;

3) Na mesma página, uma reportagem mostra aumento no limite de despesas do PT na campanha. O partido de Lula prevê agora gastar oficialmente R$ 48 milhões. Serra mantém os R$ 60 milhões. Haveria gancho melhor do que esse para explorar jornalisticamente a velha e difícil questão do financiamento das campanhas?

4) Senti falta de reprodução, na Folha, do folheto da campanha de Joaquim Roriz que traz o ‘cheque-família’ (conforme a reportagem que abre a pág. 4). A imagem está na concorrência;

5) Por falar em imagem: é louvável o esforço no sentido de reforçar a cobertura de uma disputa estadual extremamente acirrada, mas as duas fotos da mesma página 4 (com crédito ‘Divulgação’), sobre a campanha no PR, não têm nem de longe qualidade para estar na Folha, além de não se justificarem, apesar disso, jornalisticamente;

6) Dois títulos da pág. 5, parece-me, forçam um pouco a barra num sentido anti-Genoino. O texto de ‘Para PT e ONG, 'linha dura' de Genoino é infeliz’ deixa claro que a objeção não é do partido, mas de dois especialistas seus no assunto (segurança, direitos humanos); já o texto ‘Alckmin leva vantagem sobre petista no eleitorado feminino’ registra no lide que Genoino, em contrapartida, tem vantagem (‘ainda que mínima’) entre os homens. Por que a opção de título unilateral?

7) Um registro para interessante levantamento publicado no ‘Estado’ sobre as profissões e escolaridade dos novos integrantes da Câmara;

8) Não seria o caso de o caderno reativar alguns recursos usados no primeiro turno, como, por exemplo, um quadro do tipo ‘por que voto em Serra/ por que voto em Lula’? Para reflexão.

Acabamento

Esquisita a formulação do título ‘Bolsas sobem forte em dia de recuperação’ (contracapa de Dinheiro). Algo na linha ‘Bolsas têm forte alta em dia de recuperação’ soaria bem melhor.

Celular

Não vi na Folha notícia sobre proibição, definida em lei sancionada por Marta Suplicy, do uso de celular em postos de gasolina na cidade de São Paulo. Vale recuperar.

Rosário

Mensagem que recebi depois de ter fechado a crítica de ontem afirma que, diferentemente do registrado pelo jornal em reportagem sobre as alterações introduzidas pelo papa no rosário, a ‘assunção de Maria’ não é um ‘acontecimento bíblico’. Segundo a leitora, a Bíblia não a registra.

Proclamada pelo papa Pio 12 (em 1950), ela seria, ainda segundo a leitora, um dogma católico. A verificar.

Pitta e Yunes

A Folha tenta recuperar hoje (pág. A6) furo levado ontem sobre absolvição de Celso Pitta e José Yunes pela Justiça no caso do empréstimo de R$ 800 mil. Não informa, porém, quando foi tomada a decisão nem o motivo alegado pelo juiz para sua sentença.

Mídia

Registro para reportagem no ‘Estado’ a partir da qual se percebe que a cúpula do PT, receosa, claramente baixou um ‘cala a boca’ no deputado do partido que começara a questionar itens da MP sobre a participação do capital estrangeiro. Não me parece algo irrelevante, ainda mais levando em conta nota de hoje de Monica Bérgamo registrando encontro ocorrido anteontem entre Lula, José Dirceu e João Roberto Marinho num hotel paulistano.

15/10/2002

O surpreendente aumento da taxa básica de juros, manchete em todos os jornais, e Fernando Gabeira, como autor exclusivo da foto do navio-plataforma P-34 inclinado na bacia de Campos, são as unanimidades nas capas dos diários hoje, além dos campeões do vôlei. Daí a sensação, ultimamente não muito comum, de uma incômoda homogeneidade. A Folha, creio, subdimensionou aquele que talvez seja o seu principal diferencial na edição de hoje: o pingue-pongue com o presidente da República (ver nota).

Primeira Página

1) A chamada da manchete afirma que a taxa básica de juros brasileira é a maior do mundo. Há um engano aí. Reportagem da Folha mostrou em setembro que o Brasil era, então, campeão mundial em taxa REAL de juros (a básica, menos a inflação), não em taxa BÁSICA. A tabela da pág. B2 mostra, por exemplo, que a Argentina tem taxa básica de 32,2%; Venezuela, 29,1%;

2) O pingue-pongue com FHC merecia mais do que uma chamada de um módulo sob a dobra. Ele não é apenas repercussão da decisão sobre os juros. De forma ágil, com o presidente da República sendo questionado com firmeza elegante, aborda vários pontos, inclusive sobre a disputa eleitoral. Pelo mesmo motivo, creio que merecia, internamente, mais destaque do que a página 2 do caderno Eleições.

NR

Carta no Painel do Leitor desmente de alto a baixo a reportagem ‘Alckmin proíbe ações do Estado contra Goro Hama’, publicada no domingo. O jornal, porém, não publica uma NR nem um Erramos. Como fica o leitor? Creio que essa omissão expressa uma espécie de indiferença por parte do jornal em relação à interpretação que seus leitores possam tirar de cartas como essa, que põem em dúvida a credibilidade das reportagens.

Filha de Jango

A reportagem ‘Mulher de 63 anos no RS diz ser filha de Jango e pede exumação’ (Brasil, pág. A5) não informa em que ano nasceu o ex-presidente (não presidente, como diz o texto, já que ele não morreu no exercício da função). O dado é importante para mostrar qual idade ele tinha quando o suposto caso aconteceu. Rápida pesquisa mostra que, se a filha tem 63, Jango, na ocasião do nascimento dela, tinha em torno de 20 anos. Portanto, não foi bem com o presidente da República que a mãe de Maria Rita Soares teria tido um caso, mas sim com um jovem solteiro, futuro presidente etc.

Isso não tira relevância ao assunto, mas o coloca de forma mais precisa para o leitor e para a História.

Eleições

1) O título e a estrutura da reportagem ‘Esquema de grilagem é tema de debate entre Roriz e Magela’ (pág. 4) deixam em segundo plano a real novidade que a reportagem traz para o leitor da Folha sobre a disputa pelo governo no DF: o candidato do PT também tem sobre si o peso de acusações de tráfico de influência para aprovação de condomínio, reveladas pelo ‘Jornal de Brasília’. Creio que isso deveria estar no lide e no título (ou no mínimo no sobretítulo);

2) Não vi na Folha notícia trazida pela concorrência segundo a qual o presidente do PT, José Dirceu, disse ontem que, caso Lula seja eleito, o partido anunciará de imediato, a partir de um acordo com FHC, as medidas para efetivação de autonomia do Banco Central

3) Parece-me inadequado, a essa altura, num momento em que o jornal deve fazer um esforço pela imparcialidade e pela isenção, o título ‘PT é inspiração para o mundo, diz Klein’, no abre da pág. E3 da Ilustrada. O avanço do partido, como mostra a reportagem, foi apenas um dos eixos do discurso da intelectual canadense durante evento dentro da feira de Frankfurt. Dar a informação era obrigatório, mas colocá-la no título, não.

Juros

1) Se o mercado e os especialistas, como mostra o noticiário, ficaram perplexos e surpresos com a decisão do Copom, imagine a dificuldade do leitor para entender a medida. Nesse sentido, o jornal tinha a obrigação de produzir um material didático mostrando de que forma um aumento da taxa de juros pode influenciar o câmbio, a inflação e a economia como um todo (recessão). Isso permitiria ao leitor ao menos reduzir o seu grau de perplexidade e ignorância;

2) Parece que alguém sempre sai ganhando em casos assim. Segundo o ‘Estado’, a subida na taxa favorece, por exemplo, quem tem aplicações em fundos DI. É isso mesmo? Vale a pena recuperar;

3) Por falar em didatismo, sub-retranca no alto da pág. B9 menciona um ‘after market’ sem explicar do que se trata;

4) Faltaram remissões, em Dinheiro, para o extenso material de repercussão política da questão no caderno Eleições.

Didatismo

Os textos ‘Irlanda do Norte perde autonomia’ e ‘Extrema direita cresce com eleição em Atenas’ (Mundo, pág. A11) são ininteligíveis para o leitor comum, que não conhece as particularidades políticas dos dois países. No segundo caso, não fica clara a diferença entre eleições prévias e eleições locais e seus significados/implicações. No primeiro, fica obscura a informação a respeito de como é o acordo de autonomia, agora suspenso.

Bali

1) A Folha traz hoje (pág. A11) e-mails e depoimentos de brasileiros que estavam na Indonésia por ocasião do atentado. Senti falta, porém, das fotos dos brasileiros tidos até agora como desaparecidos, publicadas na concorrência;

2) A Panorâmica ‘Bolsa de Jacarta cai 10,4% sob efeito do terror’ (Dinheiro, pág. B9) trata o ocorrido como um ‘suposto atentado terrorista’.

Ora, pelo noticiário, há dúvidas sobre sua autoria, mas não sobre o fato de que o ocorrido seja um atentado terrorista. Por que o ‘suposto’?

Rosário

A reportagem ‘Papa vai mudar o rosário após nove séculos’ (pág. A12) informa, ao final, que o rosário é recitado diariamente na rádio Imaculada Conceição. Como leitor, senti falta da informação sobre o ‘dial’ dessa emissora.

Pitta e Yunes

Não vi na Folha informação, trazida pelo ‘Estado’, de que o ex-prefeito e o empresário foram ontem absolvidos na Justiça no caso do empréstimo de R$ 800 mil, que causara inclusive o afastamento temporário de Pitta da Prefeitura. Salvo engano, a Folha adiantou essa possibilidade semanas atrás, mas a decisão, segundo a concorrência, efetivou-se ontem. A recuperar.

Mídia

Registro para reportagem da ‘Gazeta Mercantil’ mostrando como o PT pretende alterar -e bastante-- a medida provisória editada na semana retrasada sobre a participação de capital estrangeiro nas empresas de comunicação."

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