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Bernardo Ajzenberg
"Crítica Interna", copyright Folha Online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman)
"29/04/2003
"A Primeira Página da Folha hoje chama a atenção positivamente. Embora destaque os mesmos temas noticiosos que a concorrência, adota diagramação, fotos e iconografia claramente diferenciadas. Em termos noticiosos, também chama a atenção reportagem de capa da ‘Gazeta Mercantil’ sobre mudança no comando do ‘Valor’ (ver nota específica).
Primeira Página
Merecia chamada na capa do jornal o abre de Agrofolha (contracapa de Dinheiro) sobre MP em preparo que transfere para os ministérios a competência para decidir sobre transgênicos, em detrimento do poder da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança.
Heloísa na Justiça
O jornal afirmou ontem de forma cristalina, sem possibilidade de dúvida, que a senadora petista disse que entrará na Justiça, com PDT e o deputado Lindberg Farias, contra a campanha publicitária do governo sobre as reformas. Hoje a parlamentar alega (pág. A7) que não disse isso, que apenas defendeu a ‘legitimidade jurídica’ dessa medida. O jornal, porém, não esclarece nada a respeito. Afinal, o jornal errou no noticiário de ontem? Ou Helena está mentindo? Cabe esclarecer.
Qual é o rolo?
Boa a idéia de usar ilustração, na pág. A7, para o caso dos ‘radicais’. Uma observação, porém: salvo engano, a expressão ‘rolo compressor’ deriva daquele tipo de ‘trator’ que passa em cima de um asfalto, por exemplo, para aplainar a via, esmagando o que há no caminho dele. Não teria a ver com o rolo de pintura de parede, como o usado na ilustração.
Outro?
Depois de citar em ‘on’ o presidente do STF, a certa altura o abre da pág. A11 (‘Marco Aurélio vê risco jurídico em teto único’) registra que ‘outro ministro afirmou que há vários casos de supersalários ou superaposentadorias obtidos de forma indevida...’. Qual ‘outro ministro’? Em casos assim, caberia, ao menos, informar que ele não quis se identificar.
Cantão
Em retranca da pág. A16 (Mundo) sobre a Sars, o texto usa o nome Guangdong ao se referir a uma Província chinesa. Posso estar equivocado, mas creio se tratar de Cantão, nome que o ‘Manual’ prevê, num mapa, sob essa última grafia. A verificar.
O bigode
O ‘Estado’ traz foto de Itamar Franco de bigode. Achei curioso. Não tinha visto essa imagem antes.
Dólar em queda
Senti falta de posicionamento, no jornal, por parte do senador Aloízio Mercadante em relação à declaração do presidente do BC, Henrique Meirelles, de que não haverá intervenção no câmbio e de que o real ainda tem bastante espaço para se valorizar em relação ao dólar. O parlamentar tem-se destacado na mídia, nos últimos dias, por defender a intervenção.
Mídia
Não vi na Folha registro da mudança na presidência do ‘Valor’. A notícia está no ‘Estado’, no próprio ‘Valor’ e, com reportagem ampla, de capa, na ‘Gazeta Mercantil’. Nesta última -que, aliás, traz fortes acusações a seu concorrente na área econômica --, fica claro que a informação estava disponível desde ontem, inclusive na internet. A omissão me parece negativa para a Folha, já que se trata de jornal do mesmo grupo. O ‘Globo’, registre-se, também não deu nada.
Planejamento
No abre da contracapa de Esporte (‘Só problemas mudam a cara da seleção’), caberia já na edição de hoje anunciar o horário do amistoso de amanhã contra o México, como faz o concorrente local. É um serviço para o leitor, que pode, assim, planejar seus horários com antecedência.
Casseta & Planeta?
É boa a idéia do caderno Sinapse de adendar ao ‘pebio’ dos autores dos textos algum elemento pessoal e atualizado a respeito dele (está lendo isso ou aquilo, gosta disso ou daquilo etc). Achei bizarro, porém, o que está no pé do texto sobre transgênicos a respeito de seu autor, na pág. 4: ‘...Já teve alguns pesadelos com transferência lateral de genes de repolho para o seu trato intestinal’. É esse o ‘espírito da coisa’?
Valores
Ainda sobre Sinapse: o sétimo parágrafo da reportagem ‘Ofícios sem fronteiras’ (págs. 20 e 21) traz um asterisco na frente de alguns valores, como se a estrelinha simbolizasse uma moeda (ex.: * 300). Não deu para entender.
Esclarecimento
Sobre observação feita na crítica interna de sexta-feira (25) referente ao número de famílias acampadas e de acampamentos de sem-terras no país, a Agência esclarece, via SR, o seguinte:
‘Existem 95.577 famílias acampadas, que é a soma do levantamento da Contag (35.927) mais o levantamento do Dataluta (59.650), da Unesp, que faz a pesquisa só do MST. Talvez o que tenha faltado foi colocar um asterisco na arte referente aos números do MST, mostrando tratar-se de índice do tal Dataluta’.
Agradeço o esclarecimento.
Errei
Na nota ‘Bastidores petistas’, da crítica de ontem, onde se lia Maria Helena, leia-se, por favor, Heloísa Helena
28/04/2003
Além do crescimento da epidemia da Sars, a nomeação de Garotinho para a Segurança do RJ e as reformas fiscal e previdenciária do governo dominaram o noticiário. Apesar da relevância do país vizinho, as eleições na Argentina ficaram em segundo plano, a não ser, claro, na edição de hoje, em que a Folha --e apenas ela- dá o assunto em manchete. Em matéria de reportagem investigativa, ponto para o jornal com o caso Pelé, embora com uma restrição (ver nota específica).
Edição de segunda-feira, 28 de abril
Primeira Página
1) faltou chamada para a Entrevista da 2a, com o filósofo Jean Baudrillard, sobre o conflito no Iraque. Ele apresenta, creio, visão diferenciada a respeito do tema (pág. A14);
2) Parece-me equivocado o título da chamadinha ‘Agrishow começa hoje e discute os transgênicos’, sobre o caderno especial relativo à feira. Neste se percebe que o assunto não faz parte de nenhuma programação, ao menos formalmente. Quem ‘discute’ os transgênicos é o caderno, mas não a feira (ver nota específica);
3) O time do PA se chama Paysandu (com um ‘s’) e não Payssandu, como está no texto legenda.
Bastidores petistas
1) Um dos desafios permanentes do jornal é entender e, a partir daí, municiar seus leitores com dados sobre as divisões internas e divergências dentro do governo e do PT sobre diferentes assuntos. O noticiário sobre o acordo ‘oposicionista’ entre Brizola e os ‘radicais’ Heloísa Helena e Lindbergh (págs. A4 e A5) cria hoje uma interrogação nesse sentido: como explicar que, sendo da tendência Democracia Socialista --a mesma do ministro Rossetto (Desenvolvimento Agrário)--, a senadora alagoana adote posições tão contrárias ao governo, a ponto de ameaçar ir à justiça contra ele? Qual é a posição dessa tendência em relação a isso? Helena fala em nome dela ou em nome pessoal?
2) Na mesma página, o texto ‘CUT-SP pede tempo para reformas’ não informa qual é a filiação (ou o parentesco) partidária do novo presidente da CUT regional, Edilson de Paula Oliveira.
Itamar
Posso estar enganado, mas não me convenceu até agora a versão de que o ex-presidente desistiu da embaixada em Roma apenas por ter ficado descontente com a aprovação apertada que obteve no Senado (abre da pág. A7). Será só isso mesmo?
Argentina
1) O jornal esteve com três pessoas cobrindo a eleição argentina ontem. No entanto, salvo referências superficiais ao pé do texto ‘Disputa envolverá...’, na pág. A9, não há hoje nenhuma retranca com reportagem propriamente dita sobre o pleito, isto é, com declarações de eleitores, clima de rua ou em algumas seções eleitorais etc. Predominam as análises (necessárias, claro) e o hard news propiciado, a rigor, também pelas agências de notícia. Nesse aspecto, a cobertura das eleições paraguaias (pág. A11) saiu-se bem melhor, mais quente;
2) Curiosidade, a partir de destaque na semana passada na coluna Monica Bergamo e depois na concorrência: como foi a votação do candidato Jorge Altamira, o irmão de Luis Favre, marido da prefeita Marta Suplicy?
3) Faltou didatismo básico sobre o sistema partidário-eleitoral argentino. Como se explica, afinal, que dois candidatos de um mesmo partido (o Justicialista) possam estar no 2o turno?
Para reflexão
A Folha deveria a meu ver abandonar a denominação de ‘pneumonia asiática’ para se referir à Sars. Claramente, se trata de algo mais amplo, embora a incidência maior ocorra naquela região. O termo sugere preconceito, induz a discriminação.
Pelé
A reportagem de ontem, com suíte hoje, sobre as empresas e contas de Pelé no exterior é um belo gol da Folha. Isso, a meu ver, não se discute. Incomoda-me, porém, bastante, a edição da enorme foto de hoje do ex-jogador na contracapa de Esporte. A idéia da sombra já havia sido explorada na foto da capa do caderno ontem, também com imagem de arquivo, referente ao mesmo evento da de hoje. Retomá-la hoje me parece refletir uma espécie de ‘vontade’ editorial de elevar sem muita sutileza o lado ‘sinistro’ do empresário, como se o jornal estivesse numa campanha contra ele. Isso fica ainda mais estranho ante o fato de que, como mostra o ‘outro lado’ e o Painel FC, o ex-craque esteve ontem na Vila Belmiro, durante o jogo Santos x Fortaleza. Por que não publicar, então, uma imagem quente, em vez de repetir a idéia metaforicamente pejorativa da sombra de arquivo?
Skol Beats
Mais de 40 mil jovens participaram do megaevento de música eletrônica no fim de semana. São jovens -é fácil supor- de classe média. Não dá para entender que o jornal -que investiu bastante semana passada na apresentação do evento- dê uma cobertura tão pífia como a que está na pág. C5. Parece algo esquizofrênico. Uma olhadela no Caderno 2 (‘Estado’) de hoje, sem que ali esteja necessariamente um modelo de cobertura, mostra, no entanto, que a Folha deveria ter feito muito mais do que fez.
Miss fraudada?
1) Não encaro o assunto do ponto de vista pessoal, mas me parece inadequado que uma colunista que foi jurada do concurso de Miss Brasil escreva no jornal a crônica sobre o mesmo evento, como está hoje na pág. C4. O fato de o texto incluir essa informação e de ter tonalidade crítica sobre o concurso é atenuante --pela transparência--, mas, a meu ver, não extingue a questão inicial da inadequação;
2) Essa circunstância, aliás, torna ainda mais obrigatório que o jornal vá atrás da reportagem do ‘Diário de S.Paulo’ de hoje segundo a qual o concurso teria sido fraudado, com resultado definido antecipadamente em favor da miss Tocantins.
Linchamento
O oitavo parágrafo do texto ‘Homem é linchado após atropelar 2 crianças’ (pág. C5) refere-se a ‘linchados’ quando quer dizer, na verdade, linchadores.
Um ou dois?
A legenda da foto sobre os ‘Diálogos Impertinentes’ (pág. E4, Ilustrada) menciona os professores Jaime Pinsky e Reginaldo Prandi. Não há como negar, porém, que ela é, na verdade, uma foto apenas de Prandi --com Pinsky aparecendo de costas, fora de foco, apenas para realçar justamente o foco no seu colega. Faltou ‘equilíbrio’.
Agrishow
1) Ao contrário do que diz a capa do suplemento especial, não há na pauta do evento -ao menos na que o jornal apresenta- nenhuma discussão sobre os transgênicos;
2) Senti falta de memória com relação à polêmica criada pelo presidente da feira, dias atrás, ao dizer que, por causa da Sars, não queria asiáticos nem gente da África do Sul no evento. A Folha decidiu ‘abafar’ o assunto?
3) O abre da pág. 2 não deixa claro -principalmente para o leitor que não acompanhou o assunto de perto-- o sentido da MP do governo sobre a comercialização de soja transgênica. Ela não ‘liberou a comercialização da safra de soja transgênica produzida ilegalmente no país’, como diz o texto de forma genérica, mas sim a da safra atual, já produzida, e apenas ela.
Edição de domingo, 27 de abril
Paulo?
O economista Panzarini, entrevistado na pág. A8, sobre reforma tributária, afirma em e-mail que seu prenome é apenas Clóvis, e não Paulo Clóvis, como saiu no jornal.
Repetitivo
A mesma declaração-idéia se repete três vezes na entrevista ‘Focalizar é bom senso, diz economista’ (pág. A4): uma no abre do pingue-pongue, outra numa das respostas do entrevistado e uma terceira no ‘olho’, como frase de destaque. Está sobrando espaço no jornal?
Grátis?
Segundo um leitor, ao contrário do que afirma o pé do texto ‘Toda cabeça boa nasce torta’, da coluna Elio Gaspari, não seria grátis a consulta ao artigo a que o colunista se refere no site da ‘McKinsey Quarterly’. A verificar.
Didatismo?
O ‘Perfil’ da página A 30 (Mundo) procura apresentar quem é Jürgen Habermas, o autor do artigo ali publicado sobre o conflito no Iraque. Define-o como ‘um expoente da segunda geração da Escola de Frankfurt’. Em nenhum momento, porém, o perfil explica o que essa escola vem a ser...
Edição de sábado, 26 de abril
Motores
Afirma arte na capa da Folha Vale que a General Motors produz 1.800 motores por hora. Deve ser por dia, não?
Bastos e o Judiciário
Ao citar declaração do ministro da Justiça, a seção ‘Frases’ da pág. A2 afirma que ele chefia o Poder Judiciário. Está errado, certo?
25/04/2003
Os jornais do Rio mantêm Garotinho nas manchetes. O ‘Estado’ destaca material aparentemente exclusivo sobre o crescimento dos pedidos de aposentadoria de servidores federais. Sem opção mais evidente, a Folha ficou com manchete para a prisão de Tariq Aziz, o ex-vice-premiê iraquiano -notícia que não vale título em seis colunas no alto da Primeira Página (quatro bastariam). O jornal marca ponto muito importante, no entanto, com o material ‘Divisão no social’, em especial ao expor a ‘articulação’ do Iets dentro do governo. Não entendo como isso não ganhou chamada na capa (ver nota específica).
Primeira Página
Faltou uma chamada para reportagem da capa de Cotidiano (da edição SP) sobre a investigação de relacionamento entre policiais civis e federais paulistas com esquemas de lavagem de dinheiro.
Nos bastidores
O material da Folha de hoje (págs. A, A5 e A6), continuação dos últimos dias, traz à tona com dados concretos e didatismo a existência (antes apenas presumida ou indicada) de uma disputa política profunda pela hegemonia na aplicação de programas sociais do governo Lula. O texto da pág. A4, sobre o Iets, revela como a sua política social foi, a rigor, ‘terceirizada’. Três observações, apenas:
1) O abre da pág. A5 (‘Mantega diz ser ‘fajuto’ documento de secretário’) traz que o ajuste das contas externas sempre foi prioridade para a esquerda, em oposição à ênfase no equilíbrio das contas públicas. OK. Não fica claro, porém, o motivo disso nem quais são as diferenças entre uma coisa e a outra;
2) O abre da pág. A4 faz referência ao ‘grupo’ do qual a economista Conceição Tavares teria sido porta-voz na entrevista à Folha. O que é exatamente esse grupo? Quem são os ‘campineiros’? O que os diferencia de outros economistas históricos do próprio PT (Paul Singer, Mercadante, por exemplo)?
3) Registro para revelação da coluna Luís Nassif sobre a estrutura montada pelo ministro Gushiken para elaborar políticas de longo prazo. Caberia, creio, aprofundar o assunto em reportagens/entrevistas.
Os nomes
Na retranca ‘Em nota, deputados do PT dão apoio a Buarque’ (pág. A6), deveriam ter sido publicados os dez nomes dos parlamentares. É lista curta. Tipo da informação útil para o leitor que acompanha o assunto poder aprofundar seu conhecimento e reflexão sobre as divisões e escaramuças existentes no partido do/e no governo.
Polêmica do câmbio
No mesmo sentido, a polêmica sobre a intervenção ou não no câmbio merecia muito mais destaque do que retranca abaixo da dobra na A6 (Brasil). Não só pela oposição aberta entre Mercadante e Palocci, mas também pela oposição aberta entre o titular da Fazenda e o chefe da Assessoria Econômica do Planejamento, exposta em retranca da capa de Dinheiro (o ‘Valor’, corretamente, amarrou tudo isso no seu texto de manchete).
Sísifo
1) Faltou a idade do diplomata em ‘Amaral tem nome aprovado para ir à França’ (pág. A7), cujo texto dá o perfil do futuro embaixador em Paris e registra recentes problemas de saúde por ele enfrentados;
2) Antepenúltimo parágrafo do abre ‘Coréia do Norte diz ter armas nucleares’ (pág. A13) registra que ‘as autoridades dos EUA, da China e da Coréia do norte tiveram um breve encontro trilateral informal na manhã de hoje (sic)’. Como assim? É uma questão de fuso horário ou inadaptação de texto escrito originalmente para tempo real?
Olívio e Brindeiro
Não vi na Folha informação, dada pela concorrência, de que o procurador-geral, à véspera de renovação de mandato, pediu arquivamento de inquérito policial referente ao atual ministro das Cidades.
Lula na rua
Tudo bem que só a Folha trouxe a foto do presidente com um frango de borracha na mão, mas os concorrentes deram bem melhor, inclusive com fotos, o episódio da microempresária que enfrentou a segurança e fez o carro de Lula parar ontem em Brasília. Duas pequenas disparidades na Folha (sobre dados miúdos) cuja origem não dá para entender:
1) As imagens mostram claramente que a mulher portava um cartaz (como diz a legenda) e não uma faixa (como diz o texto).
2) Lula deu autógrafo num frango de borracha (como diz a legenda) e não numa galinha de borracha (como diz o texto).
Lima ou Silva
E-mail de um leitor aponta que é Abreu e Lima, e não Abreu e Silva, o sobrenome do general pernambucano cujo busto seria inaugurado hoje em Recife por Lula e Hugo Chávez (‘Presidente se reúne com Chávez em Recife’, pág. A8).
Números
O texto ‘Meta do Incra exclui 60% dos acampados’ (pág. A10) afirma que, segundo a Contag, há no país hoje 95.577 famílias em 864 acampamentos. Na arte, porém, a estimativa da Contag é de 392 acampamentos e 35.927 famílias, enquanto o MST calcula 472 acampamentos e 59.650 famílias. É fácil perceber que o número informado no texto como sendo da Contag é, na verdade, a soma desses dois (Contag + MST). Alguma coisa, aí, parece estar errada. A verificar.
Saddam
Ao final do abre de Mundo (pág. A11), cita-se uma declaração de George W. Bush, presidente dos EUA, segundo a qual o ex-ditador iraquiano está ‘no mínimo, gravemente ferido’. Não é qualquer coisa. Merecia um título à parte.
Argentina
1) O texto ‘Lula deseja sucessão...’ (pág. A15) usa a expressão ‘solução de continuidade’ como sinônimo de transição estável. Na verdade, é o contrário: ela significa interrupção, ruptura, certo?
2) A sub ‘López Murphy já...’ informa que a pesquisa presidencial tem margem de erro de 2,5%. O correto seria 2,5 pontos percentuais, não?
Exagero
A situação é grave, sem dúvida. Mas me parece exagerado o chapéu ‘Caos no Rio’ para encabeçar a cobertura sobre a Segurança naquele Estado (pág. C4). Caos mesmo se pôde (e se pode) ver, sim, em Bagdá.
Básico
Faltou ouvir a prefeitura paulistana na reportagem (originalmente do ‘Agora’) sobre a situação difícil dos transportes causada pelo descredenciamento de algumas viações na capital (abre da pág. C5).
24/04/2003
É um fato político nacional a nomeação de Garotinho, ex-presidenciável, para cuidar da Segurança do RJ. Só o ‘Estado’, dentre os principais jornais, dá manchete para outro tema (dólar, juros). Curiosamente, hoje é a primeira vez que um outro ex-candidato ao Planalto, no caso o ministro Ciro Gomes, também retoma espaço na mídia, com crítica à reforma tributária proposta pelo Executivo. Difícil não ver nessa coincidência algo que diz respeito, em grande parte, não a 2003 e sim a 2006.
Primeira Página
Embora isso seja desejável e lógico, nem sempre se combinam destaques na capa com destaques nas respectivas editorias. Hoje, porém, parece-me exagerada a diferença de opções, a ponto de sugerir divergência ou falta de coordenação. Refiro-me ao fato de que a Primeira dá chamada para a ‘ameaça’ de Powell à França, notícia que Mundo delega, no entanto, à sua quarta página (que, aliás, é par).
E Cristovam?
1) O texto ‘Lula critica ministros e diz que ‘dinheiro às vezes é desculpa’ (pág. A4) baseia-se nas declarações feitas pelo presidente durante evento de assinatura de convênio entre a CNI e o Ministério da Educação para programa de alfabetização. E o titular da Educação, diretamente criticado? O que disse no evento? Não discursou? Enfiou o rabo entre as pernas? O jornal não traz nada a respeito disso;
2) Nesse material, faltou remissão para reportagem da pág. C6 (Cotidiano) específica sobre o tal convênio.
Título ambíguo
Se fosse levado a sério, o título ‘Gastos de ministérios terão corte de 40%’ (pág. A5) deveria ser manchete do jornal. Na verdade, como diz o texto, o corte se refere apenas a despesas com passagens e hospedagens.
Polêmica
Considero exemplar a página A6, sobre a polêmica entre Focalização e Universalização e o que está por trás dela. Mostra como o jornal pode (e deve) se diferenciar de outros meios. Um único reparo: caberia expor quais são as relações (alinhamentos) dos dois economistas entrevistados com o PT ou com o governo Lula. No caso de Camargo, há indicações disso. Mas o dado faltou, claramente, no de Beluzzo.
Caso EJ
O texto ‘Ex-secretário diz que prazo para processo está esgotado; procuradoria nega’ (pág. A6) reproduz os pontos de vista dos dois ‘adversários’ no caso EJ. Pergunto: por que, em vez de se limitar a isso, o jornal não ouviu juristas ou especialistas neutros, para possibilitar ao leitor reflexão que não seja ditada apenas pelas duas partes em conflito? Teria sido um trabalho jornalisticamente mais completo.
Sensus
1) Há duplo tratamento na apresentação dos dados da Sensus no texto ‘47,7% aprovam governo Lula, diz pesquisa’ (pág. A9). Da taxa de ótimo/bom, que foi de 45% (março) para 47,7% (abril) --ou seja, 2,5 pontos percentuais--, se afirma que ‘permanece estável’. Já a avaliação negativa _de 7,9% para 9,4%, ou seja, 1,5 ponto percentual- ‘vem crescendo’. Não dá para entender. Se a idéia era considerar a tendência da evolução desde janeiro (que registrou 56,6% no primeiro caso e 2,3% no segundo), o correto teria sido dizer, então, que se reverteu a queda da avaliação positiva;
2) De todo modo, parece-me muito mais indiscutível e politicamente relevante nessa pesquisa o declínio da avaliação positiva do desempenho pessoal de Lula: 83,6%, 78,9% e 73,9%. O título, a meu ver, deveria ter sido para isso, como faz o ‘Globo’.
Caso Santo André
O abre da pág. A11 afirma que Celso Daniel era ‘o coordenador da campanha do presidente’ Lula. Salvo engano, tal como Palocci, que o substituiu, ele coordenava a elaboração do programa de governo, não a campanha como um todo. A verificar.
Iraque
1) Afirma o abre ‘EUA retomam extração de petróleo no sul’ (pág. A14) que 2% das exportações feitas pelo país de Bush são provenientes do Iraque. São as importações, certo?
2) Padronização: é Rumaila (na arte) ou Rumeila (no texto) o nome da cidade onde fica o primeiro campo de petróleo a retomar a produção após a ocupação?
Rabugice?
1) Pode parecer rabugice minha, mas o fato é que causa muito desconforto encontrar um salto ou um pastel logo no lide de um texto, como na sétima linha de ‘Arafat cede e fecha acordo com premiê para formar gabinete’ (pág. A17). O lide, como diziam os antigos, é sagrado...
2) Da mesma forma, incomoda ler uma frase como ‘Relatórios sobre gastos do consumidor foram em gerais (sic) fracos em março...’ (abre da pág. B11, Dinheiro).
Gasolina
1) O segundo parágrafo de ‘Petrobras prepara corte no preço da gasolina’ (capa de Dinheiro) afirma não ser certo ainda que ‘o aumento chegará ao consumidor’. Que aumento? A notícia é justamente a redução do preço;
2) Mais adiante, o mesmo texto afirma que o dólar caiu cerca de 15% no primeiro trimestre de 2002. Foi no de 2003, certo?
3) Ainda nesse texto, o presidente da Fecombustíveis diz que, se a redução na gasolina for de 10% nas refinarias, o preço nos postos deve cair 9%, por causa da concorrência acirrada. Já numa sub da mesma página, o vice da mesma entidade afirma que a queda nos postos seria de 6%, por causa do peso dos impostos no preço final. Que eles não se entendam entre si, é uma coisa. Mas ao jornal caberia, no mínimo, confrontar os dois diagnósticos diferentes de uma mesma entidade.
Mi ou mil?
O sobretítulo de ‘Convênio prevê alfabetização de 2 milhões de pessoas até 2006’ (pág. C6) afirma que o custo da parceria será de R$ 600 mil. Segundo o texto, serão, na verdade, R$ 600 milhões.
No ar
O abre da pág. C7 (‘Acordo dá trégua à crise nos transportes’) menciona o Transurb sem dizer que entidade é essa e o que ela representa.
Sísifo
Faltou a idade de Ronaldo no material sobre o histórico de seu desempenho na contracapa de Esporte.
Tragédia
Não vi na Folha registro, publicado na concorrência, da morte de sete atletas e do técnico de um time de futebol em acidente automobilístico em Moçambique, a pior tragédia no futebol daquele país, segundo uma autoridade local.
Beira-Mar
Concorrentes informam hoje que o traficante deverá ser transferido para um prédio da PF em São Paulo. A conferir.
23/04/2003
Fazia algum tempo que os quatro principais jornais não davam a mesma notícia em manchete (com exceção de alguns dias da ocupação do Iraque), como ocorre hoje (Lula a criticar a ‘caixa-preta’ do judiciário). Da mesma forma, os quatro estampam na capa foto do ministro Palocci (Fazenda) de pé quebrado e muletas. No noticiário, chama a atenção o fato de a Folha não fazer nenhuma menção à Alca em sua reportagem sobre a visita do secretário do Tesouro dos EUA ao Brasil (ver nota específica).
Primeira Página
A distribuição das informações e das caretinhas na arte do alto da capa do jornal, sobre Educação, possibilita uma leitura ambígua na interpretação dos dados. Por exemplo: tal como está, parece merecer um carimbo de ‘Avançado’ o fato de que 0,06% dos alunos da 8a série têm capacidade de leitura consolidada. O material interno mostra, no entanto, que o ‘Avançado’ se refere aos alunos (eles, sim, estão num estágio avançado) e não à situação do ensino nesse quesito (capacidade de leitura), como a arte, ao menos na minha interpretação visual, dá a entender.
Rasi
Os jornais publicam informações diferentes sobre a idade do dramaturgo que morreu ontem. Alguns, como a Folha, falam em 54 anos. Outros, em 52 anos. Vale a pena checar, para um eventual Erramos.
ES caçula?
O texto ‘Governador pede a Lula ajuda para liberação de verba’ (Brasil, pág. A4) afirma que o Espírito Santo é geograficamente o menor Estado do país. Estranho. RJ, AL e SE têm áreas menores do que ele.
Edição
1) Os seis pontos que o texto ‘Lula defende integração de polícias’ (pág. A4) expõe como metas prioritárias do programa nacional de Segurança, segundo Lula, ficariam melhor, para o leitor, se expostos sob a forma de uma arte em vez de arrolados no texto, como estão;
2) Faltou um ‘para entender o caso’ no material sobre o Bahiagate (‘Caso do grampo leva relator a propor cassação de ACM’, pág. A8).
Pastel
O terceiro parágrafo de ‘Lula cita Jesus para justificar ‘sacrifícios’ com as reformas’ (abre da pág. A6) tem pequeno pastel numa frase do presidente: ‘Para mim, seria muito mais cômodo fazer os outros fizeram, ir empurrando...’.
Iraque
1) Persistem dúvidas sobre de onde virá, afinal, o dinheiro para pagar a ‘reconstrução’ do Iraque. Virá do próprio petróleo iraquiano ou do Orçamento dos EUA? O abre da pág. A10 (‘França recua e defende fim das sanções’) afirma, sem explicar o por quê, que o programa Petróleo por Comida é chave para o início do processo de reconstrução. Há um motivo óbvio (comida), mas a afirmação pode significar também o destaque para o petróleo como fonte de dinheiro para a reconstrução. Ao mesmo tempo, o texto ‘Aliado de Rumsfeld ataca Powell’, na mesma página, faz referência aos cerca de US$ 2,5 bi pedidos a Bush pelo Pentágono para a tal reconstrução. Cabe, creio, aprofundar o assunto;
2) O abre ‘Xiitas fazem peregrinação e atacam EUA’ (pág. A11) atribui a Saddam Hussein o massacre de xiitas em 1977. Salvo engano, o ditador assumiu o poder em 1979. Que posição ele ocupava, então, por ocasião desse massacre? Caberia esclarecer;
3) Um registro para interessante artigo do ‘NYT’ reproduzido hoje no ‘Estado’ sob o título ‘Repórteres e ditaduras’, a respeito do trabalho jornalístico em países de regimes totalitários/ditatoriais.
Visita de Snow
1) O noticiário da contracapa de Dinheiro sobre a visita do secretário do Tesouro dos EUA (‘Guerra não gera retaliação dos EUA ao Brasil’) reúne uma série de declarações de John Snow e de Antônio Palocci, mas fica na retórica. Não esclarece, afinal, o que o norte-americano veio fazer no Brasil. É apenas cortesia? É política?
2) Além disso, não há uma única referência à Alca, projeto tão essencial quanto polêmico para os EUA. Segundo manchete do ‘Valor’ e textos de concorrentes, ontem Snow acenou com redução de subsídios agrícolas como uma espécie de moeda de troca para avançar na negociação da Alca. Não vi isso na Folha.
Não diga...
Na legenda ‘O ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, de muletas’ (foto na contracapa de Dinheiro), o ‘de muletas’ é absolutamente dispensável, burocrático, um insulto à inteligência do leitor. No texto a ela relacionado, aliás, faltou a idade do ministro acidentado.
Quem diria...
Chama a atenção reportagem do ‘Wall Street Journal’ (no ‘Estado’) segundo a qual as bolsas do Brasil e da Argentina são as atuais estrelas do mercado internacional.
O texto, aliás, cita a Folha ao mencionar pesquisa sobre a rejeição de grande parte dos parlamentares petistas a pontos das reformas propostas pelo Executivo.
Segunda ou quarta?
No segundo parágrafo, o abre ‘Secretário dá ultimato; tráfico faz atentado’ (Cotidiano, pág. C3, edição SP) afirma que o ataque ao microônibus com PMs no Rio aconteceu na noite de segunda-feira. O 11o parágrafo, porém, registra que foi na quarta-feira. Este último está errado, não?
Timão?
A Panorâmica ‘Se for liberado, Cocito estréia no domingo’ (Esporte, pág. D2) não informa --seja no chapéu, seja no título, seja no texto-- a respeito de qual time se está falando.
Máfia dos fiscais
Não vi na Folha a notícia, publicada pela concorrência, de que a vereadora Maeli Vergniano foi condenada por peculato no famoso caso da ‘máfia dos fiscais’ da prefeitura paulistana.
Esclarecimento
Sobre o item 1 da nota ‘Mais!’ da crítica de ontem, no qual eu sugeria verificação de tradução de uma palavra que no contexto da frase me pareceu equivocada (‘erros súbitos...’), o editor do caderno, Adriano Schwartz, afirma, via SR, que não há erro:
‘Súbito’, no caso, tem o sentido de repentino, inesperado; a estranheza que eventualmente resta em português reproduz a do original, que tem um estilo meio rebuscado mesmo.’
Agradeço o esclarecimento."
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