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Carlos Farinha (*)
"Muitas pessoas devem ter visto minha maldita cara ou na primeira página da Folha de S. Paulo (22/1) ou na Veja ou... sei lá... em algum desses órgãos da dita "imprensa séria"... Queria que soubessem que as coisas não foram bem assim."
TELEVISÃO
Folha de S. Paulo
"O governo brasileiro vai propor que as redes de TV aberta estabeleçam um horário mínimo para a exibição de programas que contenham cenas violentas. A restrição se aplica a filmes, novelas, seriados e até a telejornais e documentários."
CASO CLINTON
Gabriel García Márquez
"Os inimigos de Clinton, quando não encontraram motivos para julgá-lo por aquilo que queriam, o acossaram com interrogatórios minados até que o apanharam, aqui e ali, em pecadilhos secundários. Então o forçaram a se acusar em público, e se arrepender até mesmo do que não havia feito, direto e ao vivo, por meio de uma tecnologia de informação universal que nada mais é que a versão trimilenar dos tambores que perseguiam Hester Prynne. Pelas perguntas do promotor, capciosas e concupiscentes, até as crianças de colo se inteiraram das mentiras que seus pais lhes contaram para que não soubessem como as haviam feito. Vencido pela fadiga do metal, Clinton chegou até a loucura imperdoável de castigar, a sangue e fogo, um inimigo inventado a 5.397 milhas náuticas da Casa Branca, só para desviar a atenção de sua desgraça pessoal. Toni Morrison, Prêmio Nobel de Literatura e grande escritora deste século agonizante, resumiu tudo isso com uma penada genial: ‘Trataram-no como um presidente negro.’"
"Uma conspiração sinistra", copyright O Estado de S. Paulo, 31/1/99
MÍDIA
Ingrid Bejerman
"‘Se não podemos ter a paz, devemos pelo menos saber informar sobre ela.’ Assim, o escritor e jornalista colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura, concluiu histórico seminário que reuniu os 20 principais dirigentes de veículos de comunicação da Colômbia. O encontro tinha o objetivo de discutir e analisar o papel da imprensa durante o processo de paz."
Howard Kurtz
The Washington Post
"Enquanto organizações jornalísticas sérias estavam produzindo reportagens sérias sobre o discurso do presidente sobre o Estado da União, na semana passada milhões de americanos menos preocupados com política tomaram conhecimento dele a partir do monólogo de Jay Leno. ‘O discurso do presidente durou 77 minutos, o que é o tempo mais longo que o presidente já passou sem fazer sexo’, disse Leno."
COMUNICAÇÃO
Ruy Castro
"Como costumava perguntar com ar de nojo o professor Higgins (o lingüista de Pigmalião, digo My Fair Lady) ao seu amigo, o coronel Pickering: ‘Diga-me, Pickering, que raio de língua é esta?’ O veterano e dedicado Pickering talvez respondesse: ‘Chama-se economês, Higgins, e foi inventada no Brasil pelos economistas. Parece-me que é um novo dialeto do português.’"
Clóvis Rossi
"(....) Quanto tempo o governo estaria disposto a suportar até a estabilização? A única resposta não é dada em tempo, mas em dinheiro. Ou seja, se a perda de reservas for pequena, como parece estar sendo desde a livre flutuação da moeda, o tempo é o de menos.
Essa aparente calma é, no entanto, desmentida por conflitos internos. A Fazenda acha que o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, foi um dos responsáveis pela turbulência, por ter supostamente dito que, a partir do momento em que o dólar atingisse o valor de R$ 1,60, o Banco Central interviria no mercado para evitar que a barreira fosse ultrapassada. Com essa informação, o mercado passou, sempre na versão da Fazenda, a testar o BC para verificar se o limite era esse mesmo ou qual seria.
Paulo Renato de fato conversou, no fim-de-semana, com alguns jornalistas, off-the-records, o jargão para a não citação da fonte, mas não mencionou limites. Apenas repetiu o que estava na nota do BC que anunciava a livre flutuação, na sexta-feira da semana passada: que haveria intervenções eventuais e pontuais.
Um dos jornalistas, no entanto, não só abriu a fonte da informação como mencionou o limite de R$ 1,60, em texto que foi retirado do jornal, após rodado certo número de exemplares.O estrago já estava feito, acha a Fazenda."
"Plano B de FHC depende da força da crise", copyright Folha de S. Paulo, 24/1/99.
Mário César Flores
"(....) A mídia exerce um papel incompleto. Ela apresenta cotidianamente os efeitos negativos da ajustagem (com realce para o desemprego) que atingem gente com capacidade de reagir, pressionar e até ameaçar, mas foi e é omissa quanto aos efeitos negativos do modelo anterior sobre o povão indefeso - as agruras atuais dos vociferantes são mais sensacionalistas do que as dos mais numerosos, incapazes de reação similar."
Crise e bonança", copyright O Estado de S. Paulo, 25/1/99.
João Sayad
"Os bancos estrangeiros têm muitos economistas. São muitos bancos estrangeiros e muitos economistas. Estudam o Brasil de longe, por meio das estatísticas do Bloomberg, da CNN, da Economist e dos jornais brasileiros, que se baseiam nas opiniões dos economistas dos bancos estrangeiros, da Economist e da CNN."
"Soluções", copyright Folha de S. Paulo , 25/1/99.
Paulo Nassar
"A utilização cada vez mais constante do termo jornalismo institucional mostra que a babel está se transformando numa construção descomunal, segmentada, fragmentária, povoada por tribos hostis, que defendem em suas línguas impenetráveis os seus pedacinhos de território."
LEI DE IMPRENSA
Rodrigo França Taves
"Um artigo incluído no projeto do novo Código Penal pune com pena de detenção o jornalista que divulgar notícia que contribua para influenciar ou induzir juízes, testemunhas ou jurados, antes da decisão judicial definitiva de um processo. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) protestou contra a decisão."
Roberto Pompeu de Toledo
"(....) O caso das quadrilhas de fiscais de Pinheiros e da Penha é o tema de capa da edição de Veja São Paulo que circula com esta edição de Veja. A revista lhe dedica, portanto, seu espaço mais nobre. Deveria ser sempre assim, com assunto de tal envergadura, na totalidade da imprensa, mas não é."
José Afonso da Silva
"Folha - Por que o sr. está saindo? Como se sente em relação ao governador? Ele deu respaldo ao sr.?
Silva - Honrado. Saio mais amigo e admirador dele. Ao me dar a secretaria mais difícil do governo, isso demonstrou uma confiança."
VIDA DE CORRESPONDENTE
Financial Times
"O que digo não é o que quero dizer.
O que a editoria internacional realmente quer dizer quando se expressa assim...
- Aqui tem tudo (Precisa ser todo reescrito)
- Precisa de uma mexida (A redação vai ter de reescrever)
- Precisa ser mais trabalhado (Você vai ter de reescrever)…"
TRADIÇÕES BRASILEIRAS
Otto Lara Resende
"Porque o Chateaubriand tinha black-list no duro - e ela executada no duro: o sujeito entrava na lista negra dele e não saía mais no jornal, era agredido pelos Associados, o Chateaubriand inventava coisas contra ele. Não tinha conversa."
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