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Luís Nassif
Em um ponto, pelo menos, a assessoria do prefeito de São Paulo, Celso Pitta, tem razão. Bem no início de sua gestão, ele tentou investir contra a máfia dos fiscais e profissionalizar as administrações regionais. Houve fortíssima pressão da Câmara, comandada pelo então presidente Nelo Rodolfo. Pitta não conseguiu reagir, principalmente porque não obteve quase nenhum apoio da imprensa contra os ratos que infestavam a Câmara.
Cito trecho de minha coluna de 9 de dezembro de 1996, sob o título "Os anões das regionais":
"Há uma avalanche de suspeitas de que existam redes de propinas em muitas regionais, que saem do fiscal e chegam até administradores inescrupulosos – e, dali, para vereadores que os indicaram. Segundo esses relatos, em São Paulo um vereador inescrupuloso poderia auferir de US$ 180 mil a US$ 1 milhão por ano por conta de sua indicação
(...) O prefeito eleito de São Paulo, Celso Pitta, trava, sozinho, sua batalha contra ‘os anões das regionais’, uma luta que não é só sua. Se não ceder, perderá apoio de parte da bancada. Como dificilmente terá apoio da oposição, o mais provável é que tenha de ceder. E mais uma vez a municipalidade sairá derrotada.
É necessário que prefeitos sérios busquem o apoio da opinião pública, da mídia e de vereadores sérios para pactos políticos que garantam a profissionalização da gestão pública. Será a única maneira de livrar o ambiente político dessa praga."
Da coluna de três dias depois:
"A grande imprensa só tem olhos para Brasília; a chamada sociedade civil organizada só tem olhos para seus interesses corporativos; os malufistas, só em seu líder candidato à Presidência da República; e os anti-malufistas só buscam sua destruição.
São Paulo fica a pé, e os ‘anões’ a cavalo."
Isso confirma três verdades: 1) Pitta não teve força e grandeza política para enfrentar a briga. 2) A oposição não tem desprendimento político para apoiá-lo nessa batalha. 3) A imprensa não esteve nem aí para o tema. [...]
"Pitta e os anões das regionais", copyright Folha de S.Paulo, 1/4/99
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