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DENVER, ROCK E FASCISMO
João Ximenes Braga e Mario Marques
Rebelde sem causa ao surgir nos anos 50, contracultural nos 60, niilista nos 70 e individualista nos 80, na atual década o rock tem sido associado ao fascismo e à violência. Tese que ganhou mais força depois dos tiros disparados por Dylan Klebold, de 17 anos, e Eric Harris, de 18, numa escola dos EUA, no último dia 20, resultando na morte de 13 estudantes. Se nos anos 60 o rock esteve ligado aos lemas hippies de paz e amor, a partir dos anos 70 a desilusão passou a prevalecer. Inicialmente, através do teatrinho de horror de grupos e artistas como Black Sabbath, Kiss e Alice Cooper. Depois, em meio à revolta e anarquia punk, grupos skinheads passaram a ostentar assustadores símbolos nazi-fascistas. Na década atual, do radical gangsta rap aos grupos assumidamente racistas, a estética da violência parece ser uma realidade na música pop.
CRÍTICA
Paulo Vasconcellos
Carlos Diegues - É preciso dizer claramente que há uma articulação intelectual de direita, que tem na Veja a base principal, com a finalidade de dizer que o Brasil não pode nem nunca vai dar certo. Esta é a melhor maneira de predar o país. Os artigos da Veja visam o que Roland Barthes chamava de imbecilização do público: Ingmar Bergman é chato, Federico Fellini não vale a pena. É uma maneira de fazer com que o leitor se ache inteligente não gostando dos grandes artistas. É uma nazificação grave do pensamento brasileiro. Não só a partir da negação de uma cultura inteligente e superior, mas a desqualificação de toda a produção cultural do país. A Veja é o ninho onde o ovo da serpente da nova direita está sendo gerado. E não estou falando do que a revista disse de Orfeu.
EMENDA AO ARTIGO 222
André Lacerda
Até o fim do ano as empresas jornalísticas poderão passar a contar com acionistas estrangeiros em sua composição societária. A emenda constitucional que abre o setor à participação de pessoas jurídicas e permite o ingresso de capital externo nos meios de comunicação deve, porém, ser alterada. A tendência na comissão especial criada para analisar a proposta é reduzir o percentual acionário franqueado aos estrangeiros previsto no texto do projeto. A emenda possibilita a não-brasileiros deter até 30% do capital social das empresas. "Tenho sentido que este percentual pode ser negociado e alterado para que consigamos o consenso na comissão", afirma o relator da emenda, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
DÍVIDA
Chico Santos e Elvira Lobato
"As empresas do grupo Globo têm o maior valor em títulos emitidos no exterior passíveis de serem renegociados por meio da operação de troca de papéis lançada anteontem pelo BNDES. Juntas, a Globopar (Globo Comunicações e Participações), que é 100% da família Marinho, mais a Multicanal e a Net Sat Serviços Ltda., nas quais o grupo Globo é o controlador, têm na lista do BNDES oito captações no exterior, que somam um total de US$ 1,578 bilhão. O grupo Abril, por intermédio da própria Abril, da Tevecap S/A e da Paging Network do Brasil, tem três operações, no valor total de US$ 475 milhões. A relação de emissões do setor de comunicações é completada por US$ 75 milhões de ‘O Estado de S.Paulo’."
Painel do Leitor
"‘Com relação à reportagem ‘BNDES também irá rolar dívidas privadas’, publicada na edição de ontem pela Folha (Dinheiro), faz-se necessário esclarecer que o Grupo Abril detém títulos emitidos no exterior no valor total de US$ 350 milhões."
Marcio Aith
A Corporação Financeira Internacional (CFI), instituição do Banco Mundial voltada para o financiamento do setor privado, elogiou ontem os esforços do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para reestruturar as dívidas das empresas brasileiras no exterior, mas levantou sérias dúvidas sobre a viabilidade desse projeto num momento em que os mercados se recuperam."
MÍDIA
Gianni Carta
Rupert Murdoch, patrão na News Corp., o mais global dos impérios de mídia e entretenimento do planeta, está atravessando uma fase difícil. Reino Unido, Itália e França estão dificultando seu acesso ao rentável mercado esportivo e de pay-per-view europeu. E, para complicar ainda mais o quadro para o magnata de 68 anos, sua esposa, Anna, da qual está se divorciando após 31 anos de matrimônio, tem absoluta convicção de que ele está ruminando planos para alterar a sucessão familiar. A grande ameaça? Wendy Deng, a namorada chinesa de 31 anos do velho magnata."
Joseph Giulietti (*)
Tradução de Toni André Scharlau Vieira
"‘Direita e esquerda unidas na luta contra Murdoch’. Mais ou menos deste modo alguns comentaristas apresentaram a discussão a respeito da possível formação de uma base digital que reúna Telecom, Letitia Moratti e Rupert Murdoch. Esta linha interpretativa sugere que as oposições a Murdoch seriam conservadoras. Elas estariam unidas pelo desejo de preservar o atual duopólio Rai-Mediaset e, assim, prevenir um processo de liberalização e de afluência de capital internacional na Itália. Via de conseqüência, quem se opõe a Murdoch estaria no time dos antiliberais e dos stalinistas."
KOSOVO
Noam Chomsky (*)
Há dois pontos fundamentais sobre os bombardeios da Otan, em relação a Kosovo: 1) Quais são as ‘regras da ordem mundial’ aceitas e aplicáveis? 2) Como estas ou outras considerações se aplicam no caso de Kosovo? Apesar dos esforços desesperados dos ideólogos para demonstrar a quadratura do círculo, não há dúvida de que os bombardeios da Otan estão acabando de destruir o que resta da frágil estrutura do direito internacional.
PROPAGANDA ENGANOSA
Sônia Cristina Silva
Diariamente, o consumidor é submetido ao bombardeio publicitário de produtos que prometem a eliminação das rugas e das gorduras, garantem a ereção e outras maravilhas, com a vantagem de serem ‘naturais’ e sem ‘contra-indicação’. O ataque é tão intenso que o Ministério da Saúde decidiu acompanhar esse rentável comércio, feito por telemarketing."
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