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ECOS DA GUERRA
Robert Fisk
"A guerra causa estranhos efeitos nos jornalistas. [...] O que nenhum jornal mencionou é a diferença fundamental entre o acordo de paz que os sérvios se negaram a assinar em março - que haveria permitido que as tropas da Aliança se movessem com liberdade por toda a Sérvia e haveria dado aos albano-kosovares uma cláusula com a possibilidade de optar pela independência ao fim de três anos - e a versão suavizada que pôs fim à guerra, e que restringe as atividades da Otan a Kosovo e insiste em que a província continue parte da Sérvia. Nenhum jornalista fez a pergunta óbvia: se o mundo houvesse oferecido isso aos sérvios logo de início é possível que eles tivessem aceitado? Poderíamos ter evitado a guerra?"

JORNAIS
Cláudio Lachini
"Neste momento, reduzir o tamanho dos jornais significará tornar a linguagem ainda mais telegráfica ou diminuir a quantidade de informações disponibilizadas para o leitor. A economia de papel certamente contribuirá para agir sobre os custos e pagar a conta dos anabolizantes de marketing introduzidos nos últimos anos. A tripa de leitura fácil na classe econômica dos aviões pode até virar moda."

Renata Lo Prete
"Há uma semana, a Folha informou a seu leitor que, a partir do próximo dia 6, ele estará manuseando um jornal 2,54 cm - ou uma polegada - mais estreito. A Secretaria de Redação avisa que outras reportagens sobre o assunto serão veiculadas até a data da mudança, à qual devem aderir 77 das 96 publicações de formato ‘standard’ filiadas à ANJ (Associação Nacional de Jornais)."

Tácito Costa
"Nos últimos anos os jornais impressos se voltaram em demasia para os aspectos gráficos e deixaram em segundo plano a parte editorial. Esse desequilíbrio está na origem da atual crise vivida pelo jornalismo impresso, que vem perdendo os leitores antigos e não consegue atrair os novos."

CIMEIRA
Flávia Sekles
"Washington - No Washington Post de ontem, uma enorme matéria sobre o Brasil ilustrava a primeira página da sessão Style: Tiazinha, em toda sua glória sadomasoquista, com trajes mínimos prateados e o chicote na mão. Sobre a cimeira, no entanto, não havia sequer uma linha no principal jornal da capital americana. As edições de ontem do The New York Times e The Wall Street Journal também não tinham matérias sobre o encontro. Os três jornais são os principais formadores de opinião dos Estados Unidos."

Jornal do Brasil
"O início das negociações entre a União Européia, o Mercosul e o Chile para a criação de uma área de livre comércio foi o principal assunto da imprensa européia na cobertura da Cimeira. A ausência dos Estados Unidos e o crescimento dos laços entre Europa e América Latina nos últimos anos também tiveram destaque nos noticiários sobre o encontro."

Alberto Dines
"O enxugamento e desprestígio do noticiário internacional na mídia brasileira na última década, é responsável por avultados prejuízos. Não são apenas informações que deixamos de receber. São experiências e impulsos vitais que não chegam, ou chegam esmaecidos, e não conseguimos processar. Somos obrigados a reinventar a roda e amargar revezes que poderiam ser evitados. Desconectados ou mal conectados, rebaixamos nossos padrões de exigência em matéria de cultura, ficamos de fora de alguns circuitos criativos e nos resignamos ao espírito provinciano e rastaqüera."

FUROS
Mino Carta
"Vale a pena, às vezes, discutir jornalismo de um ponto de vista estritamente técnico. Analise o texto seguinte: ‘Outro dia, o governo americano se intrometeu numa dessas brigas entre a Polícia Federal e a brigada antidrogas do general Alberto Cardoso. Por pouco o Itamarati não declarava persona non grata James M. Derham, alto funcionário da embaixada em Brasília.’ Eis uma nota que não ganharia a suficiência num exame de jornalismo, embora publicada na revista Veja, seção Radar, autor Ancelmo Gois, profissional veterano. O deslize é grave: Ancelmo não cita a fonte da informação. No caso, CartaCapital."

NEGÓCIOS
Carlos Eduardo Lins da Silva
"A empresa proprietária do jornal San Francisco Chronicle está à venda. Sua diretoria autorizou uma firma de investimentos de Nova York a procurar compradores para os veículos que possui. Seu principal concorrente na cidade de San Francisco, o San Francisco Examiner, tem prioridade para a compra do jornal. O Examiner foi o primeiro jornal publicado por William Randolph Hearst, que, graças ao uso de técnicas sensacionalistas de edição, aumentou de maneira dramática a tiragem de diários nos EUA no fim do século 19 e início do século 20."

LÍNGUA
Alcindo Noleto Rodrigues
"Quase toda a mídia brasileira adora o verbo impetrar. Para ela, a ação judicial foi impetrada e a parte irresignada sempre impetra recurso. Ora, impetrar é pedir, e ninguém diria que a ação e os recursos se pedem. São trivialidades terminológicas que deveriam lastrear a bagagem cultural de nossos impávidos jornalistas."

ARTIGO 222
Gonçalo Jr.

"A polêmica votação dos dois projetos de emenda à Constituição que estabelecem a abertura dos meios de comunicação ao capital estrangeiro e deve agitar a Câmara no próximo semestre acaba de ganhar um aliado de peso: a Rede Globo."

Jailton de Carvalho
"O relatório do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) sobre a participação do capital estrangeiro em empresas de comunicação está praticamente pronto. O projeto prevê tratamento diferenciado entre a mídia impressa (jornais e revistas) e a mídia eletrônica (emissoras de televisão e rádio). Pela proposta, que será votada na Câmara depois do recesso de julho, os empresários estrangeiros poderão adquirir entre 20% e 30% das ações das emissoras de rádio e televisão do país. Em relação a jornais e revistas, este limite será mais elevado, devendo chegar a 49%."

Gabriel Priolli
"Dois homens experientes, dois executivos de peso, duas biografias ligadas à Rede Globo. ‘Estão querendo liberar tudo, escancarar a televisão brasileira para os gringos’, diz o primeiro. ‘O capital estrangeiro não vai desnacionalizar coisa nenhuma a programação da TV’, retruca o segundo. Duas opiniões respeitáveis, dois pontos de vista em choque - e um colunista perplexo no meio."

IMPRENSA OFICIAL
Sergio Kobayashi
Basta do vale-tudo que contamina e envenena a mídia privada do país na louca busca de audiências. Nosso libelo, não só em nome da entidade que dirigimos, do prestígio da Imprensa Nacional, como da credibilidade das demais 27 Imprensas Estaduais, tem tudo a ver. A Mídia errou ao levar à opinião pública informações truncadas, apressadas, mal-apuradas, que acabaram envolvendo, de forma negativa, o nome da quase bicentenária e honorável Imprensa Nacional no recente episódio da publicação de dois atos oficiais falsos no Diário Oficial da União.



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