|
BEN BRADLEE
Paulo Sotero
Poucos americanos identificariam Benjamin Crowninshield Bradlee como alguém conhecido ou importante em suas vidas. Mencione, porém, a versão abreviada do nome – Ben Bradlee – e muitos saberão que se está falando de um jornalista responsável por um feito único na história dos Estados Unidos: derrubou o presidente da República. Um quarto de século depois da renúncia forçada de Richard Nixon, ainda está por surgir qualquer informação que ponha em dúvida ou desqualifique as decisões que Bradlee tomou a partir de 1972, como editor-executivo do jornal The Washington Post, de publicar as reportagens de Carl Bernstein e Bob Woodward que levariam ao maior escândalo político da história dos EUA.
FATO & NOTÍCIA
Noenio Spinola
"Haverá uma ‘escravidão da mídia’ diante dos fatos? Ou deve um pauteiro, do alto de sua arrogância, determinar o que será notícia no jornal do dia seguinte? Se a questão existe, onde estará a ‘minima moralia’ ou a ética mínima para fugir a uma tirania de fatos cuja dimensão é maior na telinha ou no papel impresso que na realidade?"
PATRULHAS
Alberto Dines
"A grande verdade é que retornamos ao regime de patrulhamento ideológico. Eventualmente justificável num quadro de resistência contra uma ditadura mas desastroso numa democracia, imperiosamente pluralista."
TOTÓ EMERGENTE
A. D.
"Existirá alguma relação entre o badalado ‘niver’ da cadelinha de uma grã-fina carioca com o horror na Febem de São Paulo?"
ARTIGO 222
Janio de Freitas
"Sob fortes pressões de grupos interessados, já atravessou a primeira etapa no Congresso, e prossegue o seu curso sem questionamentos embaraçosos, um projeto capaz de influir no futuro brasileiro tão profunda e definitivamente como nenhum outro examinado na Câmara e no Senado. Com a aparência apenas de uma gota a mais na onda da abertura geral a capitais e empresas estrangeiros, o projeto se destina a derrubar a proibição de investimentos internacionais em jornal, TV e rádio brasileiros."
Antonio Athayde
"O mercado de televisão atrai a atenção não só pelo seu tamanho, cerca de US$ 3,8 bilhões em 1998, mas pela sua concentração em uma só rede, a Globo, que detém mais de 80% do bolo publicitário, embora a divisão da audiência indique apenas 50% na média diária. Estes 30 pontos percentuais que a Globo tem a mais – geralmente, na TV aberta, a participação na audiência corresponde a valor semelhante no faturamento – intrigam os analistas das empresas estrangeiras e, na visão deles, constituem uma imensa oportunidade a ser conquistada."
Edylita Falgetano e Beto Costa
"Mesmo que a emenda constitucional que permite a participação de capital estrangeiro nas redes de televisão não seja aprovada, as emissoras têm caminhos alternativos para injetar dinheiro na programação."
MACAQUITOS
Marcos de Castro
"Conheço uma moça que foi a Genebra e voltou de Genève. Isso vem a propósito de um projeto de lei apresentado na Câmara pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) que pretende, com carradas de razão, dar um pouco de ordem ao caos que os macaquitos instauraram por aqui, caos cujo ponto de partida está precisamente na imprensa (os mesmos macaquitos que se irritam quando os jornais argentinos nos dão tal tratamento) – e que começa pelos nomes próprios, personativos ou, como os que citamos, de lugares ou da geografia política."
NÚMERO-NOTÍCIA
The Economist
"Algumas pessoas levam os números muito a sério. Na verdade, nós fazemos isso. Desde agosto de 1843, quando nosso primeiro editor prometeu aos leitores ‘estatísticas da semana’, nossos artigos têm sido povoados de números."
HÓSTIA & CANÇÃO
Folha de S.Paulo
"A CNBB criticou ontem a ênfase dos ‘grandes conglomerados da mídia nacional’ à cobertura do ‘espetáculo emocional do novo catolicismo’. Na opinião dos bispos, esse interesse da mídia ‘não é gratuito’, e pode estar a serviço do esquecimento ‘dos grandes problemas nacionais’ para ‘adiar mudanças e críticas’ ao que os bispos chamaram de ‘globalização equivocada, concentradora de riqueza, incrementadora de pobreza e exclusão e destruidora de valores éticos mais permanentes’."
Nelson de Sá
"Casoy e seu Jornal da Record se esforçam visivelmente para cobrir tanto católicos quanto evangélicos. Não se espere o mesmo da Globo."
VIOLÊNCIA
Soninha
"Não sou besta de dizer que as multidões saem na porrada porque a televisão mostra porrada, mas, que do caldo da violência faz parte esse tempero televisionado, faz."
MÍDIA SIM-SINHÔ
Renata Lo Prete
"O assunto está nos jornais desde maio passado. Na Folha, foram sete as reportagens sobre a pirâmide de 108 andares que o empresário Mario Garnero, associado a um fundo internacional de investimentos imobiliários, pretende construir no centro de São Paulo. Das sete, apenas uma abriu espaço para a avaliação de arquitetos e urbanistas que fazem restrições à obra."
REPRESSÃO
Robert Fisk
The Independent
"A prisão de três jornalistas no Egito trouxe à tona a questão da liberdade de imprensa no país. Magd Hussein e outros dois colegas de trabalho do jornal de oposição ‘Al Shaab’ foram presos por criticar o ministro da Agricultura, Iussef Wali."
TELEVISÃO
N. S.
"Bonner vem editando o JN de um mês e meio para cá. O que se pode dizer até aqui é que o telejornal voltou a cobrir política. E que as intervenções seguem, até mais visíveis. Por exemplo, ao suprimir qualquer menção ao ‘dragão’ da inflação, que fora notícia predominante na própria emissora o dia todo. Ou ainda, quando se divulgou o recorde de impopularidade de FHC – e só o JN não deu."
Evelyn Ellison Twitchell
"Na mais nova tentativa da indústria da mídia de obter uma verdadeira convergência da televisão com a Internet, a MTV planeja lançar um programa de perguntas sobre música, no qual os espectadores podem participar conectando-se ao site da MTV."
INTERNET
Vladimir Goitia
"A Internet contará com cerca de 1 bilhão de usuários no fim do ano 2000, principalmente por causa do impulso que a nova geração de telefones celulares permitirá para acesso à rede mundial das comunicações, disse Nicholas Negroponte, fundador e diretor do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT)."
ZÔO ECONÔMICO
Aloysio Biondi
"O caso da China ajuda a entender o nível de manipulação a que o noticiário internacional está submetido para exaltar o modelo neoliberal. A revista inglesa The Economist, que era (e-r-a) considerada a mais importante e respeitável publicação especializada, chegou ao cúmulo de fazer uma reportagem de capa apontando o fim da prosperidade da China, que vinha crescendo espetaculares 8 por cento ao ano, ou três a quatro vezes a taxa de crescimento dos países ricos. Pois a China cresceu 7,8 por cento em 1998, e no último trimestre expandiu-se à taxa de 7,3 por cento."
ZÔO ELEITORAL
Flavia Sekles
"Hillary Clinton sabia que estava pedindo encrenca com a mídia americana quando lançou sua candidatura ao Senado por Nova Iorque. O fogo que vem por aí será pesado."
CHECHÊNIA
Luis Matías López
El País
"Moscou – O governo russo insiste em qualificar o que ocorre na Chechênia como uma ‘operação antiterrorista’ para exterminar um grupo de ‘bandidos’ e ‘criminosos’, e fica indignado com os jornalistas que utilizam palavras como ‘invasão’, ‘guerra’, ‘milicianos’ ou ‘combatentes’. Junto à batalha militar, há outra – a da informação.
Clóvis Marques
"A nova guerra da Chechênia tem sido apresentada pelo poder yeltsinista como um combate ao ‘terrorismo’ patrocinado por renegados do islamismo. Moscou não tem interesse em identificar os rebeldes de Shamil Basaiev e outros movimentos muçulmanos separatistas como forças representativas das várias correntes islâmicas que povoam a região do Cáucaso: seria irritar ainda mais com sal retórico a ferida reaberta com os mísseis."
MÍDIA EM GUERRA
Reuters e Associated Press
"A guerra da imprensa israelense assumiu proporções dramáticas com a revelação de que a polícia está investigando uma denúncia de que o dono do tablóide popular Maariv, Ofer Nimrodi, que recentemente cumpriu pena por espionar o Yediot Ahronot, também conspirou para matar os diretores-responsáveis deste e de outro jornal rival, o Haaretz."
QUERO-MAIS
Folha de S.Paulo
"Penso que o ‘Painel do Leitor’ deveria reservar o espaço, que é reduzido, para o leitor comum."
LEI & MÍDIA
F.S.P.
"Documento entregue pela Associação Nacional de Jornais ao deputado Nilmário Miranda, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, pede que a apuração dos crimes cometidos contra a imprensa passe a ser feita pela Polícia Federal."
ASSOCIADOS PROTESTAM
F.S.P.
"Não posso deixar de externar minha tristeza com o que escreveu ao sr. Leon Cakoff, identificado como ‘da equipe de articulistas’ deste grande jornal. Em seu artigo, ele chega a afirmar que ‘sem o Bardi o império de Chateaubriand não seria lembrado pelo Masp, pois o resto (o império jornalístico Diários Associados) virou pó’."
|