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ASPAS
O Estado de S. Paulo

"Grosseira armação política", copyright O Estado de S. Paulo (editorial), 15/7/00

"A barragem de sensacionalismo, má-fé e desinformação no chamado ‘caso Eduardo Jorge’ alcançou novo patamar com a divulgação, pela revista IstoÉ, de trechos de gravações de conversas telefônicas do juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, com interlocutores não identificados. Um dia antes se noticiou que o presidente Fernando Henrique endossara pedido de verbas adicionais para as obras superfaturadas da nova sede do TRT paulista, ‘mesmo depois de o Tribunal de Contas da União (TCU) apontar irregularidades na obra’. Isso invalidaria as explicações do governo sobre a impossibilidade de influir na liberação de recursos para um ramo do Judiciário.

Tanto o tratamento dado a esse fato como a reportagem sobre as gravações são pièces d'escandale, sugerindo que não apenas o ex-secretário-geral do Planalto Eduardo Jorge, mas também o ministro do Planejamento Martus Tavares e o próprio presidente Fernando Henrique facilitaram, em última análise, o desvio de R$ 169 milhões dos valores destinados ao Fórum Trabalhista. Diz o semanário que as fitas são parte das mais de 400 horas de gravações feitas pela Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Informações (Abin).

Tanto a Polícia Federal quanto a Abin desmentem a revista. A Polícia Federal nega o ‘grampo’, em conjunto ou não com a Abin, por não existir ainda nenhum inquérito sobre o juiz, que justificasse a iniciativa. A PF, por sinal, se confessa ‘perdida’ em relação ao paradeiro de Nicolau, o que também lança dúvidas sobre a autoria das gravações: não existe escuta telefônica sem que se saiba onde está o telefone monitorado.

As conversas são diálogos construídos para um ‘grampo’ forjado - com deixas sob medida para o juiz insultar e tentar incriminar terceiros, e negar o crime de evasão fiscal, embora não toque no crime maior de que é acusado.

Seus principais alvos são o ex-genro Marco Aurélio Gil de Oliveira, cujas revelações à CPI do Judiciário transformaram-no numa espécie de segundo Pedro Collor, os senadores Paulo Souto (relator da CPI), Romeu Tuma (relator do processo contra o senador Luiz Estevão) e o filho dele, deputado Robson Tuma. No final das contas, porém, a transcrição apenas confirma que o governo agiu corretamente em todo o episódio. Mesmo ‘falando para o gravador’, tudo o que Nicolau diz é que Martus Tavares o recebeu ‘várias vezes’, quando secretário-executivo da Pasta, por indicação de Eduardo Jorge. O ministro afirma que não se recorda de tê-lo recebido, e, se o recebeu, foi antes de saber que o juiz era ladrão e que as obras eram superfaturadas.

Já em relação às verbas adicionais, compare-se o que foi noticiado com a versão do governo, as passagens do relatório da CPI do Judiciário sobre o Tribunal de Contas da União, que transcrevemos em nossa edição de ontem (pág. A7), e a entrevista ao Estado do então presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que foi quem encaminhou ao governo o pedido de suplementação de verba. Em 1995 e em 1996, Fernando Henrique pediu ao Congresso recursos suplementares (R$ 11,1 milhões e R$ 25,7 milhões) para o Fórum Trabalhista. Pareceres favoráveis do Ministério do Planejamento acompanhavam os projetos de lei. Divulgou-se que, à época, o TCU já teria apontado irregularidades na obra. Em extenso comunicado - coerente com a primeira manifestação do governo -, o ministro Martus Tavares esclarece que os créditos foram solicitados pelo TRT, solicitação acolhida pelo TST, que encaminhou ao Planejamento, o qual, por sua vez, enviou ao Planalto, mantendo as justificativas aceitas pelo tribunal superior.

O presidente poderia ter autorizado as suplementações por decreto, mas preferiu remeter a decisão ao Legislativo, onde os pedidos foram aprovados com os votos de toda a bancada paulista, incluídos os deputados do PT. A agremiação, que agora exige uma CPI sobre o assunto, melhor faria se instaurasse uma comissão partidária de inquérito para saber por que os seus parlamentares ajudaram a obra do juiz Nicolau. É irrelevante se Fernando Henrique leu ou não, antes de assinar, as mensagens preparadas por auxiliares de sua confiança, segundo procedimentos estabelecidos. Essencial é que não havia motivo para o governo agir de outro modo. Como ficou claro na matéria já citada da nossa pág. A7 de ontem, só em 1998, o TCU denunciaria as fraudes que vinha constatando desde 1992, e só em 1999 decidiria punir os responsáveis. Nem o TST havia sido alertado. ‘Não tínhamos informações sobre supostas irregularidades’, lamenta o seu ex-presidente José Ajuricaba da Costa e Silva, que encaminhou o pedido de suplementação em 1995. ‘Tudo isso poderia ter sido evitado’.

Não tendo sido, a opinião pública tem diante de si, de um lado, a absoluta consistência das posições do governo, a confirmação insofismável de que o ministro Martus Tavares agiu com a honradez e a competência que lhe são reconhecidas por todas as pessoas de bom caráter que acompanham a sua vida pública e, de outro, a sordidez das acusações sem fundamento de que se nutre mais essa grosseira armação política contra o presidente da República - para a qual, infelizmente, deram importantes contribuições órgãos de imprensa menos preocupados com o respeito à ética da informação do que com aumentar o faturamento."


Eliane Cantanhêde

"Do avesso, ficaria melhor", copyright Folha de S. Paulo, 16/7/00

"A não ser que surjam novos fatos, fitas, fotos -e isso é sempre possível-, os 15 minutos de má fama de Martus Tavares se esgotaram.

Quem queria um bode expiatório não conseguiu. O escândalo TRT-SP vai muito além, para baixo, para os lados e para cima, claro. Técnico era, técnico continua sendo.

Isso posto, sobram algumas reflexões sobre sua exposição de motivos defendendo R$ 25 milhões para um prédio de tribunal em São Paulo.

O governo que analisa com lupa, binóculo e montanhas de cautela as verbas para saúde, educação, reforma agrária e bolsa-escola é o mesmo que ‘assina sem ler’ socorro a bancos, empréstimos a empresas, construção de prédios faraônicos.

Ex-secretário-executivo do Planejamento e agora ministro do Planejamento, Martus é o executor da política de arrocho. Um craque em enxugamento, ajuste fiscal, controle de gastos, esses termos que aproximam perigosamente as autoridades dos jornalistas ‘modernos’ e ‘neoliberais’.
Mas foi o mesmo ministro que corta tudo quem defendeu por escrito os milhões do TRT-SP. As justificativas formais são corretas: 1) governos não costumam negar pedidos orçamentários do Judiciário; 2) tudo o que fazem é enviar para o Congresso, que aprova ou não; 3) se há culpa, é de quem pediu demais ou errado.

Ocorre que muita água e muitas outras coisas rolam entre o formal e o real (nos dois sentidos). Mesmo que só houvesse santo envolvido e nenhum superfaturamento, a história ilustra como tudo é arrumado institucionalmente para dificultar umas verbas e facilitar outras.

Os maiores juristas, os mais argutos economistas, os mais competentes técnicos e os mais críticos jornalistas deveriam tentar inverter tudo. Reescrever a Constituição, as leis e regulamentos de forma que a educação e a saúde fossem tratadas como bancos; a bolsa-escola, como empresa endividada; a reforma agrária, como tribunal. E vice-versa.

O jornalismo ficaria mais chato. O Brasil, menos injusto."


Carlos Heitor Cony

"A vez e a voz das ruas", copyright Folha de S. Paulo, 16/7/00

"De certa forma, a mídia cumpriu seu dever ao revelar o novo mar de lama que ontem comentei. Os partidos de oposição, incluindo os descontentes de outros setores, têm agora a oportunidade de mobilizar a sociedade contra o descalabro que o próprio governo admitiu.

Assim como Vargas foi o primeiro a admitir o ‘mar de lama’ que rolava nos porões do Catete, o atual governo foi o primeiro a constatar o ‘tamanho descalabro’.

Tereza Cruvinel, na sexta-feira, deu o nome dos novos gregórios que, desde 1994, rondaram o poder. Poupou Sérgio Motta, envolvido na compra dos votos para a reeleição.

Sob a rubrica ‘Memória JB’, também de sexta-feira, o ‘JB’ arrolou ‘pelo menos’ quatro grandes escândalos do atual governo, todos impunes, sepultados pelos interesses do poder e pelo esquecimento da mídia.

São eles: a implantação do projeto Sivam (US$ 41,4 bilhão); a compra dos votos para a reeleição (R$ 200 mil por cabeça), o caso do BNDES e das teles, sendo o mais recente a venda de dólares aos bancos Marka e FonteCindam.

Bastaria um só desses escândalos para o impedimento de FHC. Surgem agora, a seu lado, sob seu teto, os detritos de uma negociata que justificaria não um, mas muitos dossiês em paraísos fiscais, tipo Cayman.

A CPI, em si, não basta. Ela se dispersa com o cansaço do assunto e a monotonia dos depoimentos. A mídia, daqui a pouco, descobre que Xuxa terá novo filho, que a Feiticeira colocará silicone não sei onde, que Ronaldinho vai jogar no Palmeiras -e o escândalo termina numa coluninha de cinco centímetros do caderno de economia.

É a hora e a vez de a rua se manifestar, mobilizada pelos partidos de oposição, pelos descontentes dos demais partidos, pelos excluídos, pelos desempregados. Pelos homens de bem e de vergonha na cara."




JORNAIS GRATUITOS

Valor

"Tablóide gratuito acirra a guerra dos jornais pelos leitores", copyright Valor / Financial Times, 10/7/00

"A guerra dos jornais de Toronto se intensificou com a chegada ao Canadá do grupo de mídia Modern Times, da Suécia, que lançou um tablóide diário gratuito na maior cidade do país.

A nova publicação, ‘Metro’, da Modern Times, se destina a passageiros do sistema de transporte e devia ser lançada mais para o final do ano, mas a empresa foi obrigada a acelerar seu cronograma na semana passada quando dois grupos de mídia bem estabelecidos de Toronto agiram em defesa de seu quintal com jornais concorrentes.

O frenesi para colocar o ‘Metro’ na rua foi tão intenso que o jornal ainda está sendo dirigido de um quarto de hotel no centro de Toronto.

Com os três jornais gratuitos surgindo com poucos dias de diferença, são agora em número de sete as publicações diárias oferecidas em Toronto, que já era um dos mercados de jornais mais competitivos de toda a América do Norte.

A fartura de jornais tem feito muitos moradores da cidade balançarem as cabeças de incredulidade, enquanto outros tentam imaginar quais dos recém-chegados vão sobreviver.

A Modern Times tem um currículo consolidado de leitura em sistema de transporte. Publicando jornais ‘Metro’ em mais de 20 cidades da Europa e das Américas, a empresa alega possuir mais de 4 milhões de leitores diários em todo o mundo.

A estratégia simples da companhia é oferecer um resumo curto e conciso das notícias do dia aos passageiros do sistema de transporte. Ela afirma que 50% de seus leitores não são consumidores normais de jornal.

A empresa deu um furo na competição assinando um acordo exclusivo para distribuir seu diário gratuito nas estações de metrô de Toronto.

Entretanto, como ‘Metro’ depende inteiramente de publicidade, a Modern Times terá um obstáculo considerável pela frente.

As corporações canadenses que anunciarem em publicações com mais de 25% de propriedade estrangeira não podem deduzir custos de publicidade como despesas comerciais, um desincentivo considerável aos anunciantes.

São essas restrições que têm efetivamente mantido grupos estrangeiros fora do mercado canadense até agora.

Floyd Weintraub, editor em exercício do ‘Metro’ de Toronto, disse que a companhia esperava superar esse problema fazendo parceria com um outro grupo. Ele disse que o ‘Metro’ estava sendo discutido com vários interessados, mas não quis fornecer detalhes.

A Modern Times vinha mantendo entendimentos com a Torstar, dona do ‘Toronto Star’, o jornal diário de maior circulação do país. Mas quando as discussões foram interrompidas, a Torstar se mexeu para lançar ‘GTA Today’, servindo aos passageiros da região metropolitana de Toronto.

A Sun Media, que publica o tablóide picante ‘Toronto’s Sun’, bateu os dois competidores do mercado por dois dias com seu diário ‘FYI Toronto’.

Alguns observadores acham que a Sun Media é que está mais arriscada a perder leitores de tablóides para os jornais para passageiros.

Por outro lado, a principal atração do ‘Toronto’s Sun’, a exuberante Sunshine Girl, provavelmente vai continuar atraindo seus leitores fiéis.

O mercado de jornais sóbrios de Toronto foi abalado, no final de 1998, com o lançamento do conservador ‘National Post’ de Conrad Black.

Os jornais estabelecidos da cidade reagiram com energia melhorando. Ampliaram a cobertura, reforçaram o marketing e mudaram o visual, embora a economia canadense pareça ter vigor suficiente, neste momento, para suportar quatro jornais diários pagos em Toronto."




LOBBY TABAGISTA

Lisandra Paraguassú

"Philip Morris tem projeto de ‘sobrevivência’ na AL", copyright Folha de S. Paulo, 3/7/00

"A matriz da empresa Philip Morris, nos EUA, traçou uma estratégia para tentar barrar, na América Latina, as tentativas de criar legislações que proíbam a propaganda de cigarros.

Um documento interno da fábrica, obtido com exclusividade pela Folha, mostra que a intenção é usar associações de rádio e TVs, de agências de propaganda e outras instituições com um discurso de defesa da liberdade de expressão, da liberdade de escolha do consumidor e até mesmo da sobrevivência desses negócios.

O documento, intitulado Plano Estratégico 1994-1996, lista sete pontos que as afiliadas americanas da Philip Morris devem seguir para evitar a aprovação de uma ‘legislação desfavorável’.

Entre eles, está ‘gerar apoio das empresas de mídia e propaganda’, ‘desenvolver análises do impacto econômico da propaganda’ e ‘concordar com códigos de auto-regulamentação e garantir que sejam cumpridos para evitar o aumento de legislações mais restritas’. O documento é só um de uma série de análises de casos, construções de estratégias e troca de informações que a empresa fez nos últimos anos para tentar evitar a série de legislações contra a propaganda de tabaco que têm surgido no mundo.

‘A falta de transparência da indústria de cigarro na defesa de seus interesses, usando outras instituições, é proporcional à consciência que ela tem de que o cigarro faz mal e é uma droga’, diz o ministro da Saúde, José Serra. Para ele, a atuação das empresas já pode ser sentida no lobby que está acontecendo no Congresso brasileiro para derrubar projeto de lei contra a propaganda de cigarros.

Em outro documento obtido pela Folha - um discurso chamado Apresentação de Marketing, feito no início da década-, um dos executivos da empresa (o texto não está assinado) esclarece os ‘pontos-chaves da estratégia para a América Latina’.

Entre esses pontos está gerar apoio das empresas de propaganda e mídia chamando a atenção para o prejuízo que a proibição da propaganda de cigarros traria para esses negócios.

Ao mesmo tempo, o palestrante explica que os executivos da empresa devem lembrar os consumidores e empresários dos ‘perigos que a censura e restrições à liberdade de expressão comercial representam para a sociedade’.

Coincidência ou não, são exatamente esses os argumentos usados pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) na campanha recém-lançada em que defende a ilegalidade de qualquer proibição, justamente quando o Congresso começa a analisar o projeto de lei enviado pelo Ministério da Saúde que proíbe a propaganda de cigarros em TVs e rádios. A associação nega qualquer contato com a Philip Morris.

Resultados

O fato é que a estratégia, que não é nova, vem dando resultado. Uma correspondência interna da empresa, datada de 4 de maio de 1981, no Chile, e assinada por um executivo chamado Andrew Whist, conta que a Suprema Corte chilena rejeitou uma ação de consumidores pedindo o fim da propaganda de cigarros no país.

No caso, o conselho das estações de televisão do país foi ajudado por advogados locais da Philip Morris e da BAT (British American Tobacco), dona no Brasil da Souza Cruz.

Um outro caso, considerado exemplar em documentos da Philip Morris, é o da Argentina, em que uma legislação restritiva da propaganda foi vetada pelo então presidente Carlos Menen em 92.

Efeito-dominó

Uma correspondência interna enviada para o setor de distribuição da Philip Morris e assinada pelo funcionário Cesar Rodriguez diz que três lições podem ser tiradas do episódio argentino: a importância de ter mensagens claras para o público, a necessidade de criar um ambiente no país em que um veto à lei seja plausível e a consciência de que esse veto na Argentina criava um ‘efeito-dominó’ na América Latina, que poderia facilitar outras ações.

Para conseguir essa conquista na Argentina, a Philip Morris investiu em várias frentes. Contatou a Associação Internacional de Propaganda e a Associação Interamericana para Liberdade de Expressão Comercial para que enviassem cartas a Menen pedindo o veto, em nome do fim da censura e da liberdade de escolha.

Além disso, fez uma aliança com agências de propaganda que, segundo o discurso do executivo de marketing (que não é identificado), foi muito útil.

‘Sem controvérsia’

No mesmo discurso, o executivo explica que estão sendo formadas alianças semelhantes na Venezuela, México e Brasil. Desses grupos fariam parte também as agências das empresas de alimentos da Philip Morris, como a Kraft.

‘A vantagem de ter essas alianças com essas agências é que elas podem ser muito mais efetivas que as indústrias em brigar contra as proibições, porque elas estariam defendendo a sobrevivência de sua atividade, sem se envolver na controvérsia entre fumo e saúde’, diz o discurso.

O mercado mundial de publicidade de cigarros é milionário. Somente no ano passado no Brasil, foram gastos pela Souza Cruz e Philip Morris em publicidade US$ 23,5 milhões -equivalentes a R$ 42,8 milhões hoje."




INVASÃO DE PRIVACIDADE

CNN

"Críticos atacam aparelho do FBI para monitorar e-mails", copyright CNN, 12/7/00

"Grupos que defendem a liberdade civil e a privacidade nos Estados Unidos estão protestando contra um novo sistema que permite que agentes de segurança interceptem e analisem enormes quantidades de e-mails, os quais tenham relação com alguma investigação.

O sistema, batizado de ‘Carnivore’, foi apresentado no dia 6 de abril perante a subcomissão do Congresso norte-americano. Agora, acaba de ser colocado em prática pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.

Quando é instalado em um provedor de Internet, o Carnivore vasculha todas as mensagens enviadas e recebidas que estejam associadas ao alvo de uma investigação criminal.

Em carta endereçada a dois membros da subcomissão que lidam com os assunto de busca e captura relacionados à Quarta Emenda, a União Norte-americana de Liberdades Civis (ACLU) argumenta que o sistema burla os direitos dos provedores de Internet e de todos os usuários, uma vez que lê os endereços do remetente e do destinatário, bem como as linhas de assunto das mensagens, para decidir se faz ou não uma cópia da mensagem completa.

Além disso, enquanto está conectado aos sistemas dos provedores de Internet, o Carnivore é controlado apenas pela lei interna do FBI. Em uma escuta telefônica comum, o grampo é fisicamente instalado e mantido pela companhia telefônica.

‘O Carnivore é mais ou menos equivalente a um grampo capaz de acessar o conteúdo das conversações de todos os clientes da companhia telefônica, com a ‘garantia’ que o FBI vai gravar apenas as conversas sobre o assunto específico’, diz a carta. ‘Essa política de ‘Confie em nós, nós somos o governo’ é a antítese do procedimento exigido nas leis sobre escuta telefônica’.

Barry Steinhardt, diretor associado da ACLU, disse que os cidadãos não devem acreditar que um grampo de e-mail com tamanho poder de vasculhar será usado apenas contra suspeitos de crimes. E mesmo assim, alegou, os dados rastreados pelo Carnivore, especialmente as linhas de assunto, já representam uma invasão de privacidade.

‘Organismos de segurança deviam ser proibidos de instalar qualquer aparelho que os permita interceptar as comunicações de outras pessoas que não estejam sendo investigadas’, disse Steinhardt em uma entrevista. ‘Quando se conduz esse tipo de investigação, a informação deve ser restrita apenas à informações especificadas.’

Um porta-voz do deputado Charles T. Canady, do Partido Republicano e que coordena a subcomissão de Justiça do Congresso sobre Constituição, informou que o congressista não comentaria a carta.

Em depoimento à subcomissão de Canady, Robert Corn-Revere, um advogado do escritório Hogan & Hartson, em Washington, disse que representava um provedor de acesso à Internet que se recusava a instalar o sistema Carnivore.

O provedor foi colocado em uma ‘posição desconfortável’, criticou Corn-Revere.

‘É reconhecido (pelo governo) que o Carnivore possibilitaria acesso remoto à rede do provedor e estaria sobre o controle exclusivo dos agentes do governo’, acrescentou.

Corn-Revere disse ao comitê que as leis atuais são insuficientes para tratar do potencial do Carnivore e que o provedor de Internet perdeu sua batalha legal em parte por causa da conexão da Internet via linha telefônica, pois a lei que já existia para telefones acabou sendo ampliada para englobar também a Internet.

O advogado não declarou o nome de seu cliente, que perdeu o caso. Segundo o advogado, há um agravante: o FBI estaria usando o Carnivore desde o início deste ano.

James X. Dempsey, conselheiro sênior do Centro de Democracia e Tecnologia, disse que o maior problema com o Carnivore é seu mistério.

‘O FBI está colocando uma caixa-preta dentro da rede de computador do provedor’, disse Dempsey. ‘Nem o provedor sabe exatamente o que essa coisa está fazendo.’

Mas Dempsey ressaltou que os provedores de Internet contribuem com o problema, dizendo que a tecnologia atual não permite que um provedor de acesso separe exatamente o que o governo quer rastrear, mediante mandado de busca. Os provedores reclamam que têm que acabar dando tudo ao FBI.

‘Os provedores de acesso dizem que não sabem como lidar com ordens de tribunais’ disse Dempsey. ‘Assumindo essa posição, eles se prejudicaram, se entregando.’ Marcus Thomas, que coordena a seção de tecnologia do FBI, disse ao Wall Street Journal que a agência tem cerca de 20 sistemas Carnivore, que são computadores pessoais (PCs) munidos dos softwares adequados. Segundo Thomas, o Carnivore está de acordo com as atuais leis de escuta, embora tenha sido criado para a Internet. ‘É só um rastreador especializado’, disse Thomas ao jornal, que foi o primeiro a divulgar detalhes sobre o Carnivore.

Os e-mail codificados, que podem ser feitos com um programa de codificação como o PGP, ainda permanecem criptografados no Carnivore, e dependem dos agentes decodificá-los.

Dempsey tem uma solução possível para o problema, embora seja um tanto improvável: mostrar para todo mundo o que o Carnivore faz e como faz, permitindo que os próprios provedores de acesso à Internet instalem o software.

‘O FBI deveria abrir essa coisa para todo mundo’, disse. ‘Aí, acabou o segredo.’




PESQUISA

Folha de S. Paulo

"Você desconfia do que lê no jornal?", copyright Folha de S. Paulo, 14/7/00

"‘Eu leio a página de esportes. Daí, é meio difícil desconfiar, né?! Mas, em relação a notícias de política, por exemplo, a gente tem motivos de sobra pra desconfiar.’ Valmir Silva, 19, entregador

‘De vez em quando eu desconfio. As matérias podem ser vendidas, depende da formação do jornalista. Uma reportagem pode ser publicada de várias maneiras diferentes.’ Carlo Vergara Caffarelli, 66, administrador de empresas

‘Eu desconfio, sim. Às vezes, é uma mentira deslavada. Política é uma coisa toda distorcida.’
Luciana Real, 64, artista plástica"




IMAGEM DO BRASIL

Folha de S. Paulo

"Jornais vêem maior crise de FHC", copyright Folha de S. Paulo, 15/7/00

"O Brasil, segundo o correspondente da TV inglesa BBC no país, enfrenta uma ‘crise potencialmente danosa’ com as denúncias contra ministros.

Para ele, apesar de o presidente Fernando Henrique Cardoso ainda não haver sido acusado pessoalmente de corrupção, a ‘brisa do escândalo está chegando desconfortavelmente perto da presidência’ e ‘é bastante provável que a imprensa tenha mais revelações embaraçosas na manga’.

O jornal ‘El Clarín’, de Buenos Aires, diz que FHC ‘deve ter vivido o pior dia de sua história presidencial’, já que o escândalo estourou durante a visita dos reis espanhóis e do presidente do Chile. A correspondente do jornal em São Paulo classificou como ‘pouco feliz’ a declaração de que o presidente não lê todos os documentos que assina.

A página da rede de TV CNN na Internet destacou que até os partidos aliados do governo reagiram ‘da pior maneira possível’ em relação às denúncias e que o Planalto ‘vem se esquivando de comentar o caso com profundidade’ para evitar o agravamento da crise.

O jornal ‘El Mercúrio’, do Chile, classificou o caso como o ‘pior escândalo dos seis anos de gestão’ do atual governo.

Em Portugal, o ‘Jornal de Notícias’ diz que a verba do TRT, ‘que acabou por engordar contas bancárias particulares’ foi autorizada por FHC, que ‘assinou de cruz’ as autorizações de pagamento para a obra superfaturada."




MÍDIA & MERCADO

Daniel Castro

"Rede TV! negocia associação com grupos internacionais", copyright Folha de S. Paulo, 15/7/00

"A Rede TV! deve anunciar até o final do mês uma parceria que pode virar sociedade. A emissora pode até se antecipar à aprovação do projeto que abre as TVs ao capital externo e fechar acordo com um grupo internacional, segundo Marcelo de Carvalho Fragali, vice-presidente.

Fragali afirma que a Rede TV! está propondo a investidores a opção de transferência de cotas da empresa -o que só poderá ser formalizado, no caso de estrangeiros e de empresas, após a aprovação de emenda constitucional em tramitação no Congresso. O investidor colocaria dinheiro na emissora e teria a garantia de poder virar sócio.

Fragali não revela quem são os interessados. Diz apenas que está negociando com cinco grupos internacionais e três brasileiros. O investimento, segundo ele, também poderá ser feito por meio de um portal de Internet.

Ex-Manchete, a Rede TV!, controlada por Fragali e Amilcare Dallevo Jr. (do grupo TeleTV) desde maio de 99, tem enfrentado problemas financeiros. Em 1º de junho, a emissora tinha 548 títulos protestados, que somavam R$ 2,6 milhões.

Segundo Fragali, a Rede TV! vai quitar suas dívidas em um mês. Ele nega rumores de que estaria recebendo recursos por meio do banco Rural. O novo superintendente financeiro da Rede TV!, Luciano Curvelo, era funcionário do banco."




JORNAL DO BRASIL

Luis Orlando Carneiro

"Deu no JB", copryright Jornal do Brasil, 8/7/00

"Tempos de Terror

"A questão da luta armada ou de ações de terroristas em situações revolucionárias ou contra-revolucionárias é o destaque da seção de hoje, com base em carta do francês Serge Mario Fabre, personagem de duas reportagens exclusivas publicadas pelo JB: ‘Extradição revela terrorista/STF acolhe pedido de expulsão do país do parceiro de Carlos, o Chacal’ e ‘Parceiro de Chacal alega inocência’.

Terrorismo

Em duas reportagens publicadas por este jornal nos dias 22 e 23 de junho, vi meu nome injustamente relacionado com a prática de terrorismo e com infundada acusação de envolvimento com narcotráfico. Isso é um total desrespeito à luta armada de que participei na década de 60 com milhares de franceses e muçulmanos aliados para tornar a Argélia um país próspero e não o campeão mundial de degolamentos brutais, com é hoje. Também quero manifestar minha revolta e indignação contra o fato de um juiz da França conseguir intervir no Brasil e mandar me prender, já que sou um comerciante estrangeiro estabelecido aqui há 30 anos. E tudo isso sem nenhuma prova. Nunca fui terrorista e nunca fui parceiro do terrorista Carlos, o Chacal, como fui considerado nos títulos das reportagens. Fui em verdade um contra revolucionário favorável à manutenção da Argélia francesa. Por isso, suspeito que essa ordem de prisão tenha sido obra de eventuais inimigos políticos que agora querem fazer um acerto comigo. Temo pela minha segurança pessoal. Estou preso injustamente por iniciativa de um juiz francês que pediu minha extradição com base em uma carta elaborada por dois traficantes de cocaína, presos em flagrante em 1994, no porto de Belém, quando tentavam embarcar a droga. Acredito que eles fizeram a carta para ganhar benefícios de progressão de regime prisional, passando do regime fechado para o regime semi-aberto. Para obter isso, eles precisavam denunciar alguém e eu fui a vítima. Em meus 30 anos de Brasil nunca fui acusado de cometer crime algum, conforme registram atestados de antecedentes criminais. Não entendo como o juiz da França pode ignorar as investigações da Polícia Federal e até dispensar sua eventual colaboração para esclarecer o meu suposto envolvimento com traficantes. Participei da contra-revolução na Argélia depois de ter sido voluntário das Forças Armadas francesas. No fim do meu contrato, em 6 de março de 1958, fui condecorado com duas citações e com dias cruzes de guerra, uma de bronze, outra de prata. Participei da OAS ( Organização Armada Secreta) como chefe do Comando Delta no. 7 para lutar contra a política do general De Gaulle, presidente da 5ª República francesa, e contra a FLN (Frente de Libertação Nacional). Ao Brasil, cheguei como turista e não como terrorista, pois já havia sido anistiado em 1969 na França. Recebi visto permanente como estrangeiro. Fui casado uma vez no Brasil, em 1972, com a cantora Alcione. E tenho visto permanente como estrangeiro e sou pai de duas filhas brasileiras. Apesar disso tudo, estou há nove meses preso sem receber nenhuma assistência médica da França, já que sofro de diabetes, e sem saber em qual dia poderei finalmente me defender das acusações. A embaixada da França ignora minha situação. Serge Fabre – Belém.

O repórter Abnor Gondim responde: Sérgio Mario Fabre discute uma diferença conceitual entre terrorista mercenário e ideológico. Ele se enquadra como praticante de atos terroristas, de acordo com o Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda: ‘forma de ação política que combate o poder estabelecido mediante o emprego da violência.’

Moreira Salles

Um caso como o do cineasta João Moreira Salles, tão falado na imprensa , levando à indignação tantos cidadãos brasileiros, especialmente os cariocas, deveria ter seu desenrolar tratado com mais cuidado e respeito ao leitor. Após passarmos algumas semanas sem notícias, a informação veiculada em 28/6 no JB, na editoria Cidade, até parece brincadeira ou falta de consideração com os leitores. A informação de que Salles ‘fica livre do processo criminal, paga multa de R$ 7.400 e prestará serviço comunitário’ não faz sentido e está incompleta. Uma boa reportagem traria maiores detalhes ao cidadão comum sobre como a Justiça trata criminosos emblemáticos. O cineasta afinal, foi julgado? Foi condenado? Tão rápido assim? O Estado desistiu da ação? Como? O que houve, na verdade? Exijo mais detalhes a respeito desse caso que, ao que tudo indica, vai ser mais um caso ‘abafado’ em nome de interesses maiores do que a própria moral e a justiça. Tânia M. Mazzillo – Rio de Janeiro.

A leitora tem razão. Por problemas de espaço, a reportagem foi comprimida, cortando-se dados tais como: a decisão foi do juiz Eduardo Gusmão Alves de Brito, do Juizado Especial Criminal do Rio, acolhendo proposta da promotora Lisângeli da Rocha, no sentido de que o cineasta tivesse como pena uma multa de R$ 7.400; o juiz também ficou de determinar serviço comunitário a ser prestado pelo réu; o caso foi encaminhado para o Juizado Especial porque a pena prevista para o crime é de um a seis meses de detenção, admitindo-se pena alternativa."




ARNALDO LACOMBE

Folha de S. Paulo

"Aos 72, morre o jornalista Arnaldo Lacombe", copyright Folha de S. Paulo, 14/7/00

"O jornalista Arnaldo Cavalcanti Lacombe morreu ontem, aos 72 anos. Ele foi editor de Política da Folha (1972-74), editorialista de ‘O Estado de S.Paulo’ e assessor de imprensa de políticos.

Atualmente era articulista do jornal ‘Diário do Comércio’, publicado pela Associação Comercial de São Paulo, e diretor-presidente da editora Legenda.

Ele era casado com Adele Lacombe e deixa quatro filhos. Seu corpo será velado no hospital Sírio Libanês até as 16h de hoje, quando será cremado. A família não informou a causa da morte."



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