"A Rede Globo apresenta ‘No Limite’, seu mais novo sucesso televisivo, na verdade uma versão tupiniquim do programa ‘Survivor’, da CBS americana. A notória aceitação do programa pelo grande público poderia sugerir que esse é o único critério para avaliá-lo, com aplausos. Realmente, como tudo que a indústria cultural fabrica, ‘No Limite’ parece imperiosamente simpático. Mas uma rápida análise crítica do seu conteúdo já revela o seu caráter instrumental, a serviço de formas refinadas de controle dos indivíduos, e da perpetuação das condições sociais geradas pela dominação."
"Desde julho de 1997, Boris Casoy dirige e apresenta, de segunda à sexta-feira, o Jornal da Record, do canal 13, no Rio, que entra no ar pontualmente às 19h15m para terminar quando começa o Jornal Nacional da TV Globo. Não por acaso; por esperteza. Na sua faixa, Boris Casoy emplaca a audiência respeitável de 9% a 11% na medição instantânea do Ibope, restrita a São Paulo. É o maior faturamento em publicidade da emissora."
"Uma das coisas mais impressionantes na chuvosa Los Angeles de 2019, cenário do filme ‘Blade runner’, de Ridley Scott, era aquela multidão multirracial se comunicando com o caçador de andróides Rick Deckard (Harrison Ford) numa língua das ruas, espécie de esperanto espontâneo, montado a partir de palavras de dezenas de idiomas. Pois bem. Em 1982, ano de produção da fita, aquilo era ficção científica. Esta semana, 18 anos depois, aquele mundo exótico é capa da ‘Newsweek’. A revista se orgulha de ser a pioneira em dedicar suas principais reportagens a questões raciais."
"Rico, Tatuapé vira Moema da zona leste.’ Na primeira leitura, a manchete de Cotidiano de sábado, 9 de setembro, impressionou-me apenas por ser velha. Seja lá o que o Tatuapé tenha virado, a transformação já foi objeto de um sem número de reportagens, algumas publicadas na própria Folha."
"São Paulo nunca deu um grande romance, apesar de temas tão apetitosos para a ficção longa como as bandeiras, a Revolução de 32, o emergir da grande metrópole. Mas, em compensação, sempre foram bem servidos o Estado e sobretudo a capital de bons cronistas, desde Antonio de Alcântara Machado e Guilherme de Almeida a os contemporâneos. Deve-se colocar entre esses destaques o nome de Frederico Branco, jornalista que morreu no dia 9 aos 73 anos."
"A Editora Abril e a Quebecor World – maior indústria gráfica do mundo, dona de um faturamento de US$ 5 bilhões no ano passado – acabam de fechar um contrato no valor de US$ 170 milhões, excluído o valor do papel. A partir do início do ano que vem, a Quebecor vai imprimir 83 milhões de revistas ao ano para a Editora Abril, abrangendo 18 títulos, entre os quais a Veja, quarta maior revista de informação do mundo."
"Pobre Guga. Nosso símbolo mais recente de um Brasil que – apesar de tudo – ainda consegue produzir heróis nacionais juntando improviso, alegria, simplicidade, competência e ironia teve seu sorriso travesso temporariamente apagado. Ele dizia que, pelo amor à Pátria e ao esporte, jogaria em Sydney ‘até pelado’; no entanto, teve de amargar um duro impasse que ameaçou sua presença nos Jogos Olímpicos por conflitos contratuais entre grandes interesses comerciais."