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GLOBO vs. W. LUXEMBURGO
Cosme Rimoli e Luiz Antônio Prosperi

"Diretor da Globo nega pressão contra Luxemburgo", in Em Off, copyright Jornal da Tarde, 13/09/00

"Luís Erlanger, diretor de Comunicações da TV Globo, rebateu ontem as informações da matéria ‘Globo x Luxemburgo: só tensão’ publicada na edição de segunda-feira do JT. Segundo Erlanger, não procedem as alegações de que a emissora está em campanha para derrubar Luxemburgo da Seleção Brasileira. O diretor reclamou e alegou que a rede de televisão não foi ouvida na reportagem.

‘A reportagem é fantasiosa. Jamais a Globo fez campanha para a convocação de Romário, muito menos para pedir a saída de Luxemburgo. A Globo sempre se pautou pela ética’, disse Erlanger.

O caso Luxemburgo continua repercutindo. Mauro Malucelli, um dos advogados do técnico da Seleção Brasileira, garantiu que em nenhum momento se pensou em um acordo com a estudante de Direito Renata Alves, autora das denúncias contra o treinador.

‘Não se compra dignidade. Rejeitamos todos os tipos de acordos com ela. O caso está na Justiça. E o que a Justiça determinar terá de ser acatado’, disse Malucelli.

‘O Michel Assef (advogado de Luxemburgo no Rio) só recebeu o advogado de Renata no seu escritório porque isso é muito comum em casos jurídicos.’"



Luiz Antônio Prosperi

"Globo x Luxemburgo: só tensão", copyright Jornal da Tarde, 11/09/00

"As relações entre a TV Globo e Wanderley Luxemburgo são tensas. O Departamento de Esportes da empresa não concorda com os métodos de trabalho que o técnico vem empregando na Seleção. A crise se acentuou com as denúncias contra o treinador e a campanha da emissora para que Romário disputasse a Olimpíada de Sydney. Ao final dos Jogos, espera-se por uma nova e talvez definitiva batalha entre Globo e Luxemburgo.

No conflito declarado entre o técnico da Seleção e a emissora, passa a hegemonia do futebol no Brasil. A teia da Globo é vasta – tem sob contrato de exclusividade os campeonatos mais importantes do País e o Clube dos 13, associação dos principais clubes brasileiros. Falta a exclusividade da Seleção.

Na era Luxemburgo – que começou em 1998 – a Globo não vem encontrando as mesmas regalias que tinha na era Zagallo (1994 a 98). Quando Zagallo era o técnico, nos intervalos dos jogos e logo após o apito final, ele procurava o repórter da Globo para uma rápida entrevista exclusiva. Era, no mínimo, um acordo de cavalheiros. Nunca técnico e emissora divulgaram se havia um contrato entre as partes.

Alguns jogadores importantes, como Ronaldinho (Inter de Milão), também procuravam o microfone da Globo antes e durante a Copa do Mundo de 98 para entrevistas exclusivas. Agentes dos atletas informaram que aqueles jogadores também tinham "acordo de cavalheiros".

Quando Luxemburgo assumiu a Seleção, a Globo perdeu a exclusividade. O vaidoso técnico procura todas as emissoras. Quanto mais tempo no ar e em diferentes canais, melhor. Pode ser nos intervalos, encerramento das partidas, pouco importa.

A Globo não gostou. A crise ficou evidente no intervalo do jogo entre Chile e Brasil, em Santiago. A Seleção estava sendo humilhada. Tino Marcos, repórter da Globo, correu atrás de uma declaração de Luxemburgo e tudo o que ganhou foi um empurrão. Foi a gota d'água para a emissora abrir fogo contra o treinador.

Entrevista fatal - Tino Marcos, em seguida, conseguiu a entrevista exclusiva com Renata Alves, ex-funcionária de Luxemburgo que denunciou o escândalo da sonegação fiscal. A matéria foi levada ao ar no Jornal Nacional. Na mesma semana, o programa No Mundo da Bola, da rádio Joven Pan, informou que Renata havia cobrado R$ 20 mil pela entrevista.

Na semana seguinte à entrevista no JN, Renata deu entrevista à CBN, rede de rádio das Organizações Globo, afirmando que daria nova entrevista a Tino Marcos, quando então divulgaria documentos provando que Luxemburgo ganhava dinheiro com a venda de jogadores. Essa entrevista ainda não foi ao ar.

Fontes do JT garantem que a Globo não teria colocado a denúncia no ar para não tumultuar a Seleção Olímpica na Austrália. A rede teme ser responsabilizada pelo eventual fracasso do time nos Jogos. O petardo seria reservado para o retorno de Luxemburgo ao Brasil, uma espécie de "pá de cal" para abreviar a passagem do técnico pela Seleção.

Luxemburgo não esconde o conflito com a Globo. Nos dias que antecederam o jogo contra a Bolívia, o técnico teve duas ásperas conversas com Tino Marcos. O caso chegou a Luis Fernando Lima, diretor de Esportes da TV Globo.

Ex-repórter, o gaúcho Lima não engole Luxemburgo.

Nos bastidores da Seleção, mais evidente na campanha das eliminatórias, Luxemburgo vem mantendo uma relação tensa com a Globo. Da emissora, apenas o repórter Mauro Naves e o locutor Galvão Bueno gozam da simpatia do técnico.

Aliás, Galvão viveu uma noite tensa no último dia 2, véspera do jogo Brasil e Bolívia, no Rio. O locutor foi informado que o Jornal Nacional iria explorar a denúncia da revista Época, uma publicação da Globo, sobre o caso do "gato" de Luxemburgo, que tem duas datas de nascimento em seus documentos. Conversou com o treinador e com pares da Comissão Técnica da Seleção em busca de uma saída para a crise.

Naquela noite, Galvão e a reportagem do JT receberam indicativos de que Luxemburgo entregaria o cargo. Um telefonema de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, ao técnico adiou a sentença final. Teixeira deu uma trégua ao treinador – vai durar até pelo menos o fim da Olimpíada – ou o fim do Brasil nela.

Pressão inútil Dentro da Comissão Técnica da Seleção, suspeita-se que se Romário fosse convocado para a Olimpíada a Globo desistiria da pressão contra Luxemburgo. Nas duas semanas que antecederam a convocação final dos Jogos Olímpicos, a Globo, na maioria dos seus programas de esportes e até no Fantástico, fez uma acirrada campanha favorável à convocação do atacante do Vasco. A conta é simples: com Romário na Seleção o `ibope' sobe.

‘Recebemos um recado de um grande editor, um chefão da imprensa, dizendo para levarmos o Romário para a Olimpíada porque assim criaríamos um fato novo e todos esses supostos escândalos seriam abafados, esquecidos’, confidenciou uma fonte próxima da Comissão Técnica da Seleção e da cúpula da CBF.

Luxemburgo não levou Romário. Ele e Ricardo Teixeira pagaram para ver.

Aguardam o desfecho da Olimpíada para ver o que pode ocorrer. O técnico sabe que está na berlinda. Sabe também que a crise que se instalou na Seleção Brasileira passa pela disputa da audiência e vendagem de jornais, em especial no Rio.

O primeiro jornal a denunciar o caso da sonegação com as acusações de Renata foi O Dia. Com tiragem de 320 mil exemplares diários, o jornal disputa a faixa do mercado com o jornal Extra, que superou o concorrente com 380 mil/dia. O Extra pertence às Organizações Globo e entrou firme no caso Luxemburgo. Este mesmo jornal é sócio da Federação do Rio de Futebol na organização do Campeonato Carioca, que nas últimas edições tem como estrela solitária o eterno Romário."



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