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CPI DO FUTEBOL
Juca Kfouri
"Uma tarde na CPI", copyright Lance, 12/11/00
"Passar uma tarde na CPI do Futebol, na Câmara dos Deputados, foi bastante instrutivo. Deu para sentir que há um lado que quer investigar e outro que já inocentou os envolvidos - e que usa de quaisquer métodos para tanto, inclusive os mais baixos.
Nenhuma surpresa, é claro. Aquilo lá não é um colégio de freiras mas, mesmo assim, impressiona como há parlamentares que não dão a mínima bola para guardar um mínimo do chamado decoro parlamentar.
Fica evidente que será muito difícil para a turma seria ser bem sucedida na Câmara. Porque tem menos informação que a bancada do futebol e não luta, ainda bem, com os golpes baixos dos adversários. Se o processo democrático é mesmo complicado e se é louvável a firmeza na direção dos trabalhos, é inegável a sensação de que a charanga de musica da CBF na Câmara pode desafinar os rumos das investigações.
Por outro lado, e sem querer ensinar o Padre Nosso ao vigário (embora a tentação seja sempre enorme), chama atenção a maneira superficial pela qual a imprensa trata do assunto.
Foram ditas coisas gravíssimas que, por já publicadas, acabaram minimizadas, sem que os jornalistas, no geral, se dêem conta da importância institucional de um momento como o de uma CPI. Parece que a imprensa espera apenas por revelações bombásticas sobre um tema já exaustivamente abordado por todos.
Ora, o contrato com a Nike já esta esmiuçado e mesmo os famosos anexos, requeridos durante tanto tempo, entregues ha meses. É obvio que a ‘prova’ tão procurada e o contrato em si e a discussão deve ser em torno de se saber se há ou não aspectos lesivos aos interesses do futebol brasileiro. Os artigos estão lá, independentemente de serem ou não exigidos pela Nike.
Mas o que causa sensação é a falta de educação de um deputado ou a tentativa de ridicularizar os depoentes de outro - como na questão na audiência secreta. Que nada mais será do que a apresentação de indícios que uma CPI poderá transformar em provas com muito mais rapidez do que a investigação jornalística, com todos os seus limites conhecidos.
Enfim, uma CPI não é um circo, por mais que alguns assim desejem."
Ricardo Miranda
"A vez da imprensa", copyright IstoÉ, 12/11/00
" As CPIs do Futebol na Câmara e no Senado podem não conseguir em quatro meses limpar os gramados, mas preparam uma bolada no estômago da imprensa esportiva brasileira. Na terça-feira 7, o jornalista Juca Kfouri, comentarista de futebol da Rede TV! e da rádio CBN, formalizou na Câmara uma acusação grave: repórteres pagos para cobrir ou comentar jogos de futebol têm se tornado agenciadores de atletas e intermediários em contratos entre clubes e empresas. Na quinta-feira 9, o presidente da CPI da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), decidiu investigar a origem do patrimônio do ex-repórter de campo da Rádio Globo Kleber Leite e do ex-repórter da Rádio Bandeirantes de São Paulo e ex-comentarista da Rede Globo José Hawilla. Leite, ex-presidente do Flamengo, vai ter que explicar como enriqueceu vendendo placas nos estádios e intermediando contratos de patrocínio. Hawilla, sócio majoritário da empresa de marketing esportivo Traffic, terá que contar como conseguiu intermediar o contrato de US$ 400 milhões entre a CBF e a Nike.
‘Um jornalista não pode fazer jogo duplo’, afirma Rebelo. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) decidiu fazer um requerimento convocando para depor, além de Leite e Hawilla, os ex-repórteres da Rede Bandeirantes Otávio Muniz e Luciano Jr., o ex-repórter da Rádio Globo de São Paulo Oliveira Jr. e o ex-sócio-diretor da Traffic Ciro José. Nenhum deles, por hora, vai como suspeito, mas a CPI acredita que têm muito o que contar. ‘Nunca fiz negócio com jogador. E não conheço jornalista que faça’, afirma Ciro, que hoje é o diretor internacional de Esportes a Motor da Rede Globo.
Na CPI, Kfouri contou que a promiscuidade não fica só no gramado. O jornalista disse que teve que sair da revista Placar, após 25 anos, porque foi proibido de criticar a CBF, comandada há 11 anos por Ricardo Teixeira. O Grupo Abril, dono da TVA, queria garantir para o grupo os contratos dos jogos da seleção. O comentarista disse que pelo mesmo motivo a revista Veja parou de fazer matérias criticando a CBF.
A CPI do Senado quebrou o sigilo bancário de sete empresas e 19 agentes autorizados pela Fifa no Brasil, entre eles Juan Figger, Reinaldo Pitta e Léo Rabello. Figger e mais dez empresários também são acusados por Renata Alves, ex-secretária do técnico Wanderley Luxemburgo, de fazer parte de um grupo que negociava jogadores. Na quinta-feira 9, Renata contou na CPI do Senado que Luxemburgo mantinha uma casa na Barra da Tijuca, no Rio, apelidada de ‘embaixada’, onde recebia empresários como Figger e Eduardo Sakamoto. Entre os que frequentavam a ‘embaixada’, segundo Renata, estava o dirigente do Vasco e deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), terceiro vice-presidente da CPI da Câmara."
LE MONDE PALESTINO?
Arthur Dapieve
"Le Monde pouco diplomático", copyright no. (www.no.com.br), 16/11/00
"Durante longas coberturas jornalísticas - seja da tentativa de resgate da tripulação do submarino russo ‘Kursk’ seja da recontagem manual de votos na Flórida - faz-se necessários textos que, pela clareza, ponham alguma ordem no caos da História. A edição eletrônica em inglês do ‘Le Monde Diplomatique’ de novembro faz isso com a nova crise no Oriente Médio. Nem todos os artigos costurados em torno do excelente Ignacio Ramonet estão disponíveis para não-assinantes, mas os que estão são bastante impressionantes por si sós. Cabe dizer que sua ótica é abertamente pró-palestina, bem pouco diplomática, no sentido figurado. Mesmo - e nesse caso tudo se torna ainda mais impactante - quando seus autores não são ativistas palestinos. É o caso, por exemplo, de ‘Omissão da mídia, mentiras do Exército’, assinado pela correspondente do jornal israelense ‘Ha'aretz’ nos territórios ocupados, Amira Hass, que faz uma crítica feroz ao modo como o resto dos meios de comunicação de seu país trata da nova intifada. ‘Os nomes das vítimas palestinas nunca foram informados pelas rádios, TVs ou jornais (exceto o 'Ha'aretz'): seu anonimato poupou o público judeu de ver a dor de suas famílias’, escreve. ‘Foi mais fácil apresentar os fatos como uma trama orquestrada pela Autoridade Palestina. Mas, na verdade, Yasser Arafat sabe que todos os grandes conflitos e a agitação em larga escala um dia irão ricochetear em seu próprio regime autoritário e sua falha no cumprimento da promessa de criação de um Estado palestino verdadeiramente independente.’ Outro a se posicionar firmemente contra a ação do Exército é o diretor de um centro comunitário de saúde mental em Gaza, Eyad Serraj, que escreve revoltado sobre a crença disseminada de que as crianças palestinas são empurradas para a linha de fogo por suas mães. ‘Nós precisamos pensar sobre o que se esconde por trás dessa questão’, alerta. ‘Se as mulheres palestinas não têm sentimentos por seus filhos, então os palestinos não são humanos de verdade. (...) Essa linha de raciocínio é remanescente de como os brancos sul-africanos costumavam pensar nos negros. Como os colonizadores europeus pensavam nos índios americanos e aborígenes. Como os nazistas nos judeus.’
Cada vez mais separados nas mesas de negociação e nas ruas da Cisjordânia ocupada e da Faixa de Gaza, árabes e judeus estão sendo - geneticamente - aproximados por pesquisas científicas. É o que informa Judy Siegel, no sítio do ‘Jerusalem Post’. ‘Mais de sete entre dez homens judeus e metade dos árabes estudados herdaram seus cromossomos Y dos mesmos ancestrais paternos - que viveram no Oriente Médio no período Neolítico dos tempos pré-históricos’, conta ela, acerca do trabalho realizado por Ariella Oppenheim, geneticista do departamento de hematologia da Universidade Hebraica. A doutora e seus colegas coletaram sangue de 143 árabes muçulmanos israelenses e palestinos e de 119 judeus sefarditas e asquenazes - comparando-os também com galeses não-judeus. A proximidade entre os dois primeiros grupos comprova que eles possuem ancestrais comuns mais recentes. Cerca de 18% dos cromossomos são comuns a árabes e judeus.
Nos últimos anos, mais de cem mil pessoas deixaram Mianmar em direção à vizinha Tailândia. Todas fugindo da miséria e da ditadura militar que persiste na antiga Birmânia. ‘Elas vieram em sua maioria dos grupos étnicos karen, karenni e mon das áreas fronteiriças, onde os conflitos exigindo a autonomia ou independência perduram por mais de 50 anos’, diz o repórter Craig Skehan, do sítio do ‘Sidney Morning Herald’, que conversou com alguns birmaneses, como o menino Klay, de 10 anos, que vive agora num campo de refugiados no território tailandês. ‘Primeiro, houve apitos e tiros’, descreve. ‘Depois, os soldados do Governo arrastaram a sua mãe, a sua avó e os seus primos de sua casa de sapé. O menino assistiu a tudo debaixo da escada da porta da frente enquanto seu irmão menor, carregado às costas pela mãe, morreu com os outros.’
No dia 31 de julho, a família MacPherson saiu do Panamá, de mala e cuia, para dar a volta ao mundo. O escritor Malcolm, de 56 anos, sua mulher, a bióloga marinha Charlie, 38, e os filhos Molly, 10, e Fraser, 9, já passaram por Peru, Chile e Argentina. Na semana passada, estiveram no Brasil, onde visitaram as cataratas de Foz de Iguaçu e Santa Catarina. ‘Viajar pode gerar expectativas extravagantes e as minhas sobre o Brasil não eram menores’, conta Malcolm, na ‘Newsweek’, que traz todas as terças-feiras novas histórias sobre a aventura da versão americana dos Schurmann. ‘Eu queria os ritmos da bossa nova colorindo o ar, mulheres exóticas de cair o queixo, com bundas e barrigas de fora, pratos perfumados com temperos e um jeito sensual e relaxado para a vida cotidiana’. Mas, felizmente para nós, ele se frustrou: ‘Não encontramos nada disso em Iguaçu.’ Daqui, os quatro seguem em direção à África do Sul e depois, para a Tailândia e a Austrália. A viagem tem previsão para acabar no dia 1° de agosto do ano que vem, em Seattle, nos EUA.
Os Leonídios são meteoros que a cada mês de novembro parecem se irradiar da constelação de Leão - daí o seu nome - mas que na verdade são pedaços e fragmentos largados pelo cometa Temple-Tuttle em sua órbita solar. São famosos pela beleza e grandiosidade de sua coreografia: de 12 para 13 de novembro de 1833, por exemplo, estimados 100 mil meteoros por hora cruzaram o céu noturno. Para este ano, as previsões para o pico da chuva de Leonídios (de amanhã para sábado) não são tão entusiásticas: ‘meros’ 100 por hora, obscurecidos por uma Lua minguante e próxima. ‘Nada para se planejar férias’, avisa o astrônomo John Mosley, do Observatório Griffith, em Los Angeles, a Mark Wheeler, do sítio ‘Space.com’. Lá o amador também encontra dicas como: ‘Para assistir ao evento você só precisa de uma coisa: céus escuros.’ Portanto, nada de luzes de cidades por perto, nem mesmo binóculos ou telescópios - apenas uma cadeira e roupas quentes. (com Roberta Salomone)"
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