CENSURA EM PAÍSES ÁRABES
Howard Schneider

"Conflito reduz censura na mídia de países árabes", copyright O Globo / The Washington Post, 12/11/00

"Faltando alguns minutos para o final de uma recente reunião de cúpula dos países árabes no Cairo, a rede de TV al-Jazirah, do Qatar, entrevistava radicais islâmicos e personalidades da oposição árabe moderada. E tanto uns como outros criticavam as conclusões da reunião, advertindo que somente uma revolução nos países árabes e a luta armada contra Israel alterariam o futuro do Oriente Médio.

Num subúrbio do Cairo, Nasser Mondy, que vende tapetes numa pequena loja, acompanhava a cobertura atentamente. Há quatro anos no ar, a rede do Qatar tem se mostrado uma dura crítica dos governos árabes. Sua audaciosa cobertura do conflito em Israel deu a milhões de árabes o que eles queriam ver.

Tem havido muita violência em Israel nas últimas décadas e muito palavrório em jornais e emissoras de rádio e TV controladas pelo Estado nos países árabes. Na região, é surpreendente o surgimento de canais de TV árabes independentes como a al-Jazirah, que mostram cenas sangrentas dos conflitos e põem os governos árabes contra a parede.

À medida que milhões de pessoas saíam às ruas nas capitais árabes nas últimas semanas em apoio aos palestinos, a extensa cobertura feita pela al-Jazirah e outros canais independentes em língua árabe - sem falar dos novos sites em árabe na Internet - ajudaram a criar um movimento regional a partir de um protesto localizado em Jerusalém.

- Ela tornou as pessoas mais bem informadas ao mostrar que os israelenses são mentirosos, o que não aparece na cobertura da televisão ocidental - disse Mondy. - Eles estão falando minha língua. Mostram todas as diferentes opiniões no mundo árabe. E quando você vê a opinião dos outros, você se sente apoiado no que pensa e tem vontade de fazer alguma coisa.

As recentes batalhas não estavam sendo travadas apenas nas ruas de Cisjordânia e Faixa de Gaza, mas também nas redações de uma nova mistura de emissoras de TV, sites na Internet e outros serviços de mídia privados, semi-oficiais e estatais. Numa região onde a censura era a norma, cidadãos de países como Egito, Jordânia, Líbano e nações do Golfo Pérsico estão se acostumando a receber informações sobre o que pensam seus governos mas os outros governos também. Podem assistir à cobertura independente da al-Jazirah e, se entendem inglês, às da CNN e da BBC."




JORNAL DO BRASIL
Luiz Orlando Carneiro

"Deu no JB", copyright Jornal do Brasil, 11/11/00

"Um editorial deste jornal sobre o processo de ‘senilidade’ do Hospital dos Servidores do Estado(HSE) provocou a ‘indignação’ do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde. A reação das autoridades públicas responsáveis pelo HSE abre a seção de hoje, com a resposta que julgamos necessária.

Hospital

Com relação ao editorial Abandono Criminoso, de 3/11, o Núcleo Estadual do Ministério da Saúde do Rio de Janeiro, a direção e o corpo clínico do hospital dos Servidores do estado vêm expressar sua surpresa e sua indignação diante do referido editorial e contestar algumas informações nele contidas. Estaria mesmo abandonado um hospital ao qual tenham sido destinados pelo governo federal, no ano de 1999, R$ 34 milhões para insumos básicos, R$ 10 milhões para obras e reformas e R$ 5 milhões para compra de equipamentos de última geração? Pode ser considerada em decadência uma unidade que se prepara para abrigar o maior e mais moderno instituto de neurocirurgia da América latina? Ao contrário do noticiado, o Hospital dos Servidores ainda mantém o nível de excelência tanto do atendimento quanto ao quadro de profissionais que integram seu staff – em 60% formado por professores de várias faculdades de medicina no Rio de janeiro. Também não deve ser desconsiderado o fato de o hospital estar sob a direção do próprio presidente da Academia Nacional de Medicina, Aloysio Salles da Fonseca. A municipalização da unidade não está de todo descartada pelo Ministério da Saúde. Contudo o perfil de alta complexidade do hospital deve ser levado em conta, para que não sejam repetidos os mesmos erros de nove anos atrás, quando o HSE esteve sob a administração do governo do estado e foi devolvido à União totalmente desestruturado e com apenas 30 leitos disponíveis à população. Desde então, o Hospital dos Servidores vem passando por uma total remodelação para desenvolver a sua vocação para a formação de profissionais de alto padrão. A unidade conta agora com 518 leitos para internação, dos quais 101 são dedicados a atendimentos especiais, como terapia intensiva, por exemplo. Foram realizadas 12.920 internações em 1999. O centro cirúrgico dispõe de 20 salas e produziu, no último ano, 8.089 cirurgias de médio e grandes portes. o ambulatório da unidade, um dos maiores da rede pública do Rio, conta com 248 salas, que permitiram a realização de 309.562 consultas no último ano, das quais 66.697 foram atendimentos altamente especializados. O Centro Cirúrgico ambulatorial, com cinco salas, realiza uma média diária de 30 cirurgias-dia – entenda-se por cirurgia aquele procedimento cirúrgico que dispensa internação além de 24 horas, a exemplo da cirurgia de catarata. As 58 especialidades do hospital contam ainda com um serviço de apoio, que realizou, em 1999, 251.373 procedimentos. Um bom exemplo é o serviço de radiologia, que mesmo em obras, aumentou a produção de 2.123 mensais em 99, para 2.910, em setembro/2000. A previsão, após a inauguração do setor, em dezembro/2000, é de 10 mil atendimentos. Vale lembrar que o próprio JB divulgou, em primeira página, o resultado da pesquisa sobre a redução da transmissão do vírus da AIDS de mãe para filho, desenvolvida no hospital e já acessível aos pacientes da unidade. Sem contar, que o Laboratório Central dos Servidores é o responsável por todos os exames de carga viral da rede pública do Rio de janeiro. O Hospital dos Servidores do Estado tem por ética jamais fechar as portas à população e seu padrão de excelência é em muito responsável pela procura do público. Este é o principal motivo pelo qual enfrenta uma grande demanda para o atendimento primário, que poderia muito bem ser absorvido pelos postos municipais de saúde. Os dados acima e muitos outros estão disponíveis na página do Ministério da Saúde no Rio e podem ser acessados através do endereço www.cguhp.saude.gov.br/hospitais. Ana Tereza da Silva Pereira, chefe do núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro.

JB – São estranhas a ‘surpresa’ e a ‘indignação’ do Núcleo do Ministério da Saúde no Rio e, ainda mais, da direção e do corpo clinico do hospital, quando o próprio diretor dos Servidores, Dr. Aloysio Salles da Fonseca, declarou em entrevista ao JB, no dia 27/10/2000, que ou se encontra ‘uma fórmula para superar a falta de concurso ou o hospital vai entrar em processo de senilidade’. Não estará ‘abandonado’ ou em ‘decadência’ (palavras da carta) um hospital ameaçado de ‘senilidade’ segundo seu próprio diretor? E a vice-diretora e diretora da Divisão Médica, Dra. Clinete Sampaio, acha que o hospital poderia fazer 150 cirurgias diárias em vez de 30 ‘se houvesse reposição de funcionários’. Quanto à ‘excelência’, as cartas cheias de números e quantias em dinheiro costumam impressionar, mas pode falar da realidade crua das coisas quem tenha ido ao Hospital dos Servidores nos anos 50, por exemplo, e volte lá hoje.

Intentona

A matéria Recife vive euforia da onda vermelha, de 04/11, noticia que a Intentona Comunista de 1935 começou no Recife. Com todo respeito e como estudioso da história republicana do Brasil, peço para ponderar que o movimento teve início em Natal, no dia 23, e só eclodiu no Recife dois dias depois. Assim o disse um dos participantes da revolta, Agildo Barata, em seu livro Vida de um revolucionário, página 260. O livro Novembro de 1935 – Meio século depois, de Dario Canale e Francisco Viana, Vozes Editora, 1985, confirma às páginas 15 e 17. Alcyr Lintz Geraldo – Rio de Janeiro.

Não é verdade que o Recife ‘deflagrou a revolta comunista de 1935’ (JB, ed. 4/11, pág. 4). Quem o fez foi Natal. Aliás, ao contrário do Rio Grande do Norte conseguiu instalar um governo comunista, que se manteve no poder durante três dias. Sobre o assunto, bastante documentado, há pelo menos um livro indispensável: A insurreição comunista de 1935: Natal – O primeiro ato da tragédia, de Homero Costa. Ensaio/Cooperativa Cultural UFRN, 1995, 190 p. Moacy Cirne – Rio de Janeiro.

JB - Os leitores estão certos. O repórter errou.

Malan

É lamentável verificar que o Conselho Editorial do Jornal do Brasil permita a adoção de expedientes típicos de jornalecos, como a seguinte chamada de primeira página da edição de 3/11: Parlamentares querem Malan longe do poder. Ora, a manchete foi redigida com malícia, certamente para contribuir na venda da edição, pois a matéria refere-se a fato ocorrido em 1952 na União Sul-Africana envolvendo o primeiro-ministro Daniel Malan. Além de o fato não ter relevância atual, maliciosamente empregou-se o verbo querer no presente, induzindo o leitor da manchete à conclusão de que ela se referia ao Ministro Pedro Malan. Com tais expedientes o nosso JB perderá em curtíssimo prazo sua credibilidade. Carlos E. Bulhões Pedreira – Rio de Janeiro.

JB – Não se tratava de ‘manchete’, mas de uma das ‘chamadas’ para o Jornal do Século, que o JB começou a publicar no dia 5, aos domingos, contando em estilo jornalístico a história do Século 20. O expediente pode ter sido infeliz, por induzir leitores como o sr. Bulhões a pensar que se tratava do ministro Pedro Malan. Mas a notícia – como destacado no início da ‘chamada’ – referia-se ao ano de 1952."



Volta ao índice

Entre Aspas – próximo texto

Entre Aspas – texto anterior



Mande-nos seu comentário




Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você