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ARMAZÉM LITERÁRIO
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000
Autores, idéias e tudo o que cabe num livro
CARTAS
Academia está mal e o jornalismo, pior
Caro senhor Victor Gentilli: muito obrigado pelo fragmento de artigo que dedicou ao meu "pretensioso" livro A Miséria do jornalismo brasileiro [veja remissão abaixo]. Trata-se de um texto interessante, o seu. Quero apenas lembrar que nunca me passou pela cabeça resumir o jornalismo brasileiro a três personagens caricaturais. No livro, aviso que meus três tipos-ideais são caricaturas e servem apenas para ironizar certas situações. De resto, um deles, o esquerdista ilustrado, refere-se muito mais a certo tipo de leitor. Enfim, é óbvio que a realidade é mais ampla. Isso, aliás, faz parte do princípio da caricatura.
Por outro lado, o fato de que a academia tenha problemas semelhantes aos da mídia nada muda na análise da mídia. Apenas revela um certo ressentimento do resenhista em relação aos acadêmicos. Por que não escreve um livro contra a universidade? Eu já critiquei muito a academia. Já publiquei dezenas de artigos sobre os problemas da universidade. Tenho um vasto currículo de críticas ao academicismo. Se a academia anda mal, o jornalismo anda bem pior. Em termos de conivência, a mídia é imbatível.
Quem está diabolizando a mídia? Só quis diz dizer que eu não pretendia fazê-lo. O Observatório não diaboliza nada. Contenta-se com uma certa nostalgia virtual dos míticos tempos da Realidade. Ah, se o Observatório dissesse tudo que seus integrantes sabem sobre os bastidores da mídia!
Por fim, não "cheguei a conviver com a imprensa". Tenho 15 anos de profissão, dois deles como correspondente de Zero Hora, em Paris. Atualmente, sou colunista do Correio do Povo, de Porto Alegre. Passei por inúmeras funções: repórter, colunista, editor, correspondente, crítico literário, etc. A sua frase, citada acima, tem evidente intenção desqualificadora, tirando peso da análise ao sugerir que conheço a mídia internamente de passagem.
Lamento que um amigo não tenha querido resenhar meu livro e, no caso, criticá-lo. Na minha vida, tenho sido criticado constantemente por meus melhores amigos e nunca rompi com nenhum deles por isso. Esta mensagem, caro professor Gentilli, não pretende "dar-lhe o troco" nem desqualificar a sua crítica. Espero que num desses encontros de acadêmicos, como a Intercom, do qual eu e o senhor participamos, tenhamos a oportunidade de conversar e de começar uma longa e frutífera amizade. Respeitosamente,
Juremir Machado da Silva
Victor Gentilli responde : Nada a retrucar, a não ser a negativa enfâtica de qualquer tentativa de desqualificação do autor. De minha parte a amizade pode iniciar-se já. Registro meu lamento que a academia não disponha de algo assemelhado a este Observatório, onde a sociedade pode se manifestar livre e abertamente. Fica o convite para que colabore regularmente com o OI.
TELEJORNALISMO
Desempenho do telejornalismo
Tomo a liberdade de anunciar que lancei, em agosto deste ano, um livro relativo ao desempenho da mídia no Brasil. Editada pela Summus com o título de Telejornalismo no Brasil – Um perfil editorial, a obra aborda três temas importantes do telejornalismo: a relação entre palavra e imagem na construção da mensagem jornalística na TV, a incidência de gêneros e formatos jornalísticos em três telejornais e uma retrospectiva dos 50 anos de telejornalismo no Brasil.
O livro é o resultado de uma tese de doutorado que defendi, em 1998, na Universidade Metodista de São Paulo. Sou colaborador do Observatório, com um artigo a respeito dos 30 anos do Jornal Nacional, constante da edição de 5 de novembro de 1999 [ver Edições anteriores].
Guilherme Jorge de Rezende
EDITORA
Machado de Assis, jornalista
Interessei-me pelo livro e gostaria de mandar comprá-lo, mas há um problema: o endereço da editora.
S. Jorge
Nota do O.I.: O telefone da editora Fapesp/Mercado de Letras, que publicou Machado de Assis – escritor em formação, de Lúcia Granja, é (19) 241-7514.
CIDADÃO KANE
Livro desaparecido
Com relação ao filme Muito além do Cidadão Kane [que relata a trajetória de Roberto Marinho], o qual depois foi adaptado por Geraldo Anhaia Mello para a versão literária, percebo um boicote por parte de todas as grandes livrarias ao título em questão. O curioso é que o livro consta em seus catálogos e, no entanto, nunca está disponível para compra e também não se pode encomendar pois "a editora não o faz mais". Isso é só um exemplo que comprova a falsa democracia em que vivemos, onde só temos acesso ao lixo imposto pelos grandes meios de comunicação. O que será que tem ali que não podemos ler? A conscientização política e a educação são as únicas maneiras de nos libertarmos das correntes que nos aprisionam ao pensamento único e à manipulação. Os Grandes Poderosos sabem disso, e exercem uma perfeita forma de dominação através da alegria. É a política de pão-e-circo, atualmente em vigor por meio do futebol e dos intermináveis carnavais fora de época.
Gostaria de saber se há alguma maneira de obter o livro, e tenho certeza de que um corpo de imprensa compromissado com a sociedade como vocês poderão me ajudar.
Fábio Roberto Machado
Nota do O. I.: Esperemos que um leitor possa ajudar Fábio a encontrar o livro.
Leia também
Grandezas e misérias – Victor Gentilli
Machado de Assis, jornalista – Cristiane Costa
Sebastião Nery, Os Pecados da imprensa – Luiz Antonio Magalhães
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