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DIRETÓRIO ACADÊMICO
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 11/02/2000
CURSOS DE JORNALISMO
Esquizofrenia e inapetência crítica
Victor Gentilli
Por que a Universidade brasileira, tão competente em várias áreas das ciências sociais, é incapaz de produzir uma crítica de mídia consistente, inteligente? Por que o debate, que em anos recentes se instalou nas universidades americanas, sobre formação de jornalistas, não chegou ao Brasil? Os debates indagavam se os cursos de jornalismo deveriam formar alunos capacitados e adestrados para a prática profissional ou se seriam profissionais capazes de compreender e entender o fenômeno jornalístico e agir profissionalmente com esta visão. A segunda versão venceu, nos EUA.
Estas questões apareceram na excelente entrevista que Paulo Alberto Monteiro de Barros, conhecido como Arthur da Távola, concedeu a Alberto Dines, no Observatório da Imprensa na TV (8/2/2000)
Vou arriscar aqui alguns palpites.
Não foi o atraso brasileiro, não foi a crise da Universidade. Estes debates não chegaram ao Brasil porque o Brasil, salvo honrosas exceções, não tem escolas de jornalismo. Tem cursos de comunicação com habilitação em jornalismo.
Esta realidade brasileira torna os cursos esquizofrênicos: ensinam teoria de comunicação (para todos, jornalistas, publicitários, cineastas, radialistas, etc) e prática de jornalismo. A teoria, que é a mesma para todos, é incapaz de compreender o fenômeno jornalístico porque (nos raros casos em que são bem ministradas) focam a análise do processo da comunicação como um todo.
O ensino de jornalismo limita-se à prática. Uma prática sem nenhuma teoria que a embase. Ora, onde a oportunidade de produzir crítica de mídia? Onde a capacidade de relacionar-se criticamente com o mercado. Hoje, ou os cursos negam o mercado ou se submetem, subservientes a ele. Nenhum destes caminhos leva a lugar seguro. A Universidade deve ter uma relação viva, intensa, com o mercado, mas sem perder sua capacidade crítica.
O ensino da prática, no Brasil, infelizmente, ou tenta reproduzir o jornalismo atualmente praticado – evidente que como farsa, porque não consegue reproduzir as condições reais em que o jornalismo efetivamente trabalha –, ou fica num experimentalismo baseado no nada, um experimentalismo que nega o mercado mas não se funda em realidade alguma.
Eis o problema.
AVALIAÇÃO
Provão, provinha
João B. de Almeida (*)
Nas manifestações expostas na janela do Observatório nota-se que é quase nulo o índice de opiniões contrárias à avaliação. Emergem teses sobre formatos do provão de jornalismo. Mais uma, em texto sem rolagem de página. Começa pelo objetivo e hipótese.
Avaliar é preciso. Sendo o vestibular uma verificação do segundo grau, o provão, como checagem do terceiro grau, estará à altura das milhares de informações (nos melhores cursos, provavelmente chegam à casa das dezenas de milhares) oferecidas aos alunos durante quatro anos? Com mínima margem de erro, desde o mais pós-graduado professor até a servente que melhora a qualidade de vida dos corpos docente e discente, ficaria evidenciada uma sonora negativa.
O provão apresenta-se como um vestibular para o mercado. O texto que o instituiu assim determina. Como tal, é pífio. Não o texto, o evento por ele estabelecido. Evento que cria um número-estigma que acompanhará os estudantes pelo resto de suas vidas (não ocorre, todavia o texto-guia assim pretende).
A jornalista Mônica Macedo citou neste Observatório: a maioria dos alunos de Jornalismo não alcançou a nota média 50.0. Mais, 75% ficaram em ou abaixo de 41.0. Enquanto a "chaleira chia", os cursos se adaptam às corretas determinações do MEC. Constatou-se, no entanto, que os cursos investiram na qualificação docente e técnica, e a média nas respostas dos estudantes caiu em relação ao provão de 1998.
Sabatina, domingada?
Conclusão primária pode levar a uma possível inconsistência na elaboração do provão, além da falta de motivação do aluno em permanecer mais do que os 60 minutos iniciais obrigatórios, na sala de prova. Nada contra os mestres que têm elaborado as questões. Muitos deles concordam em que o formato deve ser alterado.
Consistência estaria relacionada com uma prova dividida em dois momentos: o teórico e o prático. Regras estabelecidas antecipadamente sobre linhas de pensamento e obras a serem consultadas. No plano prático, peso maior para a elaboração de matérias jornalísticas nas linguagens apropriadas a cada meio. Afinal, este é o instinto básico do jornalista. Usar os laboratórios das escolas para a execução de textos e apresentação de matérias não seria má idéia. Computadores, estúdios de rádio, TV e foto são os ambientes apropriados para aferição. Em vez de guilhotina, o crescimento individual como finalidade.
Complicado para aplicar num continental país, exigindo profunda análise e adequados recursos. A diferença é que as adaptações permitiriam catalogar o evento como provão. Até lá, na linguagem estudantil, será teste, sabatina, domingada, ou, quem sabe, provinha.
(*) Professor de Jornalismo, Porto Alegre
JUSTIÇA
Justiça condena professor
V.G.
O professor–doutor Afonso de Albuquerque, coordenador da pós-graduação da Universidade Federal Fluminense, foi condenado, pela Justiça do Rio de Janeiro, a retratar-se e a indenizar por danos morais, no valor de 40 salários mínimos, o professor titular de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina Nilson Lemos Lage. A condenação deveu-se aos textos, divulgados em "spam" na Internet, durante o debate sobre a criação da Comissão de Especialistas em Jornalismo.
Na época em que o texto circulou, o Observatório da Imprensa publicou artigo no Diretório Acadêmico da edição nº 70 (5/7/99), intitulado "Desagravo antecipado", com condenações ao que considerou "calúnias e difamações" contidas no texto do professor Afonso.
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