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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/8/2000
LOADVIDEO
Mais troca de arquivos na rede
Bruno Buys (*)
Os fãs de multimídia digital têm nova perspectiva no front: estréia dia 17 de outubro um site de distribuição de filmes via internet. Ainda em sua infância digital, o programa é um pouco diferente do conhecido Napster, onde usuários trocam arquivos de música. O Loadvideo <www.loadvideo.com>, é organizado por uma dupla de programadores/produtores em Nashville, EUA, e, se for bem-sucedido, será a confirmação da profecia feita no começo deste ano, à época do início do processo contra o programador norueguês Jon Johansen: a troca de músicas pela rede será seguida da troca de filmes.
O Loadvideo promete distribuir filmes em formato digital utilizando tecnologia de compactação nova, chamada DivX. O DivX, que está ainda em fase de implementação e melhorias, permite compactar arquivos de multimídia em até 20% do tamanho original. O tamanho dos arquivos tem sido o grande problema a impedir a veiculação em larga escala de filmes pela internet. O Loadvideo surge com a perspectiva de dar a Hollywood a mesma dor de cabeça que o Napster tem dado às gravadoras.
O site planeja trabalhar de forma a respeitar direitos autorais e comercializar filmes em parceria com seus proprietários. Não há garantia, porém, de que o usuário, uma vez tenha pago pelo download e baixado o filme, não vá passá-lo aos amigos pela internet, ou mesmo disponibilizá-lo em algum site.
(*) Biólogo
Pode espernear, Hollywood
Marinilda Carvalho
O juiz Lewis Kaplan, de Nova York, deve anunciar nos próximos dias sua decisão sobre o caso Universal Studios vs. Corley, em que o estúdio de cinema (mais Paramount Pictures Corporation, Metro-Goldwyn-Mayer Studios, Tristar Pictures, Columbia Pictures Industries, Time Warner Entertainment, Disney Enterprises e Twentieth Century Fox Film Corporation) processa o editor Eric Corley, o "Emmanuel Goldstein" (mais Shawn Reimerdes e Roman Kazan), da 2600 <www.2600.org>, revista eletrônica alternativa (para não dizer hacker, palavra que ganhou tom pejorativo no Brasil).
O crime de Corley, para Hollywood, foi oferecer em seu site links para download do software DeCSS, criado pelo adolescente norueguês Jon Johansen para decriptar códigos de DVDs e permitir que filmes possam ser vistos em computadores rodando o sistema operacional Linux.
Em julho, na fase de apresentação de testemunhas do julgamento, o primeiro depoimento foi de Michael Shamos, professor da School of Computer Science da Carnegie Mellon University, que recebeu US$ 30 mil dos queixosos para testar o DeCSS e a tecnologia divX no download ilegal de filmes – ou seja, foi pago para fazer uso incorreto de um arquivo criado para uso justo. Teclando um laptop Sony Vaio 650 MHz, 128 Mb RAM, HD de 18 Gb e drive CD/DVD, um assistente de Shamos entrou num canal de IRC e conseguiu trocar Slepless in Seattle (que comprara legalmente numa loja e transformara num arquivo divX) por The Matrix.
A conexão, em banda larga por cable modem, permitiu que ele baixasse Matrix em seis horas (o tempo que há uns cinco anos os cariocas levavam para baixar o Netscape, lembram? Meros 16 Mb), com qualidade superior à de uma fita de vídeo, mas inferior à de um DVD. O formato DivX comprime tanto o DVD que um filme de vários gigabytes (Matrix, por exemplo, chega a 5 Gb) pode ser armazenado num único CD-ROM, que tem capacidade de 650 Mb.
A Motion Picture Association of America (MPAA) já está processando também a Scour Inc., desenvolvedora do programa Scour Exchange <www.scour.com>, que foi chamado por Jack Valenti, tubarão de Hollywood, de "o Napster dos filmes".
Hollywood pode espernear à vontade. Não adianta. Programas de troca de arquivos de música, filme e o que for são parte inexorável do futuro. Napster e Scour podem desaparecer da rede, que outros melhores chegarão. E estão chegando: o Gnutella <http://gnutella.wego.com/> troca, além de música, uma dezena de outros arquivos. E nem tem servidor central, não podendo portanto ser derrubado: funciona com conexões computador a computador, ou peer to peer.
Os mais antigos vão lembrar que a conservadoríssima indústria do entretenimento processou os fabricantes de tudo quanto é nova mídia que surgiu: rádio, tocafita, vídeo. Adiantou? Além de impossível, é ridículo tentar deter a tecnologia por causa de uma minoria de piratas.
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