TRAGÉDIA EM SÃO JANUÁRIO
A mídia é a questão
Alberto Dines
Acabadas as férias de fim de ano, os semanários finalmente estão tratando do incrível desfecho da Copa João Havelange e do seu principal protagonista, Eurico Miranda, presidente do Vasco. Chamada de capa e cinco páginas em Veja, chamada de capa e quatro páginas em Época, capa inteira e mais sete páginas em Isto É. Este é o balanço do último fim-de-semana.
Cobertura merecida, diga-se. Mas o que faltou contar ao cidadão-leitor nesta enxurrada de páginas coloridas foi o papel da mídia na biografia deste grande mafioso. Eurico Miranda não virou bandido da noite para o dia, nem enriqueceu com as jogadas do ano passado. Suas truculências não se resumem ao jogo com o São Caetano.
Nos dois últimos meses de 2000 os jornais (sobretudo os cariocas) começaram a enquadrá-lo quando, ensandecido, iniciou a discriminação contra os jornalistas mais independentes. E antes disso? Sem a complacência da mídia teria acumulado tanto poder? E os outros cartolas, porventura são melhores do que o presidente do Vasco? Vamos ter que esperar o relatório da CPI do Futebol para ver na mídia o mar de lama que há mais de 30 anos vem degradando uma das instituições mais importantes da sociedade brasileira?
Volta ao índice
Imprensa em Questão – próximo texto
Imprensa em Questão – texto anterior