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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 11/11/2000
NADA ESCAPOU
Sítios e jornais seguiram emissoras
Enquanto executivos da TV examinam como os erros ocorreram – erros caracterizados por muitos críticos e estudiosos da mídia como as gafes mais patéticas de uma noite eleitoral na era da TV moderna –, jornais e websites correm atrás dos prejuízos que lhes foi igualmente causado.
A segunda projeção da Flórida feita pelas emissoras, que ocorreu às 2:15h no horário de Washington D.C., desencadeou pane nos jornais online e impressos. Segundo editores, foi a admissão de derrota de Gore, emitida na TV, que persuadiu muitos deles a publicar a aparente vitória de Bush nas primeiras páginas de seus sítios.
De acordo com matéria de Peter Marks e Bill Carter [The New York Times, 9/11/00], o New York Times foi um desses jornais. "Bush parece derrotar Gore" foi parte da manchete da primeira página, espalhada em 115 mil cópias por Nova York, de um total de 1,1 milhão.
O Miami Herald, o Dallas Morning News, o Philadelphia Inquirer, o USA Today e o Austin American-Statesman, estão entre os outros jornais que noticiaram a vitória fantasma, embora muitos puderam interromper a impressão e limitar o número de cópias após Gore ter voltado atrás em sua concessão.
No entanto, muitas organizações noticiosas, mais notavelmente a Associated Press, o Chicago Tribune, o Sun-Sentinel, do sul da Flórida, em Fort Lauderdale, o Los Angeles Times e o Washington Post, não atribuíram a vitória das eleições a Bush. O sítio washingtonpost.com, porém, levou ao ar brevemente uma reportagem que indicava vitória de Bush.
Bill Keller, editor-executivo do New York Times, afirmou que o que fez com que o jornal decidisse publicar a aparente vitória de Bush foi a notícia de que Gore iria entrar em contato com seus apoios em Nashville. "Decidimos que seria mais confortável imprimir uma manchete precavida, na qual se subentendia que Bush ‘parecia ter ganho’ as eleições. Infelizmente, a reportagem não incluiu o qualificativo", afirmou Keller, atribuindo o erro ao lide da matéria, que deveria dizer algo como "Gore telefona a Bush para admitir derrota". A manchete foi, mais tarde, modificada para "Competição entre Bush e Gore em abismo eleitoral estreito."
O sítio do Times publicou cerca de 20 versões de reportagens sobre as eleições presidenciais durante toda a noite. Uma delas, publicada entre 2:36h e 2:48h, começava dizendo: "Bush é aparentemente vitorioso sobre Gore". Outra dizia que "Bush conquista a Casa Branca", no ar das 2:48h às 3:35h. Minutos mais tarde, a reportagem foi revista até ser reconhecida a incerteza. Usuários dos alertas via e-mail do Times também receberam a notícia precipitada da vitória de Bush.
ISENÇÃO NA MARRA
Fora de circulação
O San Jose Mercury News retirou de circulação a edição de sua revista do dia 5 de novembro, porque a reportagem de capa, um ensaio pessoal, filosofava sobre como qualquer um de que o autor gosta ou que admira é republicano.
Em um memorando interno, David Yarnold, editor-executivo do jornal, e Susan Goldberg, editora-chefe, disseram que não publicaram a revista, chamada SV – iniciais de Vale do Silício em inglês –, porque apareceria dois dias antes das eleições gerais e não oferecia um ponto de vista que contra-balançasse a posição do autor.
De acordo com matéria de Evelyn Nieves [The New York Times, 4/11/00], ao tomar a decisão, os editores estavam aderindo a uma política de justiça muito próxima às eleições. Segundo eles, a retirada das revistas foi "infeliz e embaraçosa", mas "condizentes com valores do veículo."
Os editores se culparam pelo equívoco e afirmaram que a decisão não significou crítica ao autor, David Early, empregado do Mercury News desde 1982. Early, no entanto, ficou surpreso com a atitude dos editores, uma vez que a reportagem estava na lista de publicação da revista havia semanas.
PROMESSAS
Emissoras garantiram boa cobertura
Emissoras de TV espremeram a nomeação da candidatura de Al Gore e George W. Bush para 1,5h de transmissão, mas ficaram no ar até o amanhecer, se necessário, para declarar qual deles seria o próximo presidente.
As principais emissoras, crescentemente acusadas de dar pouca atenção à política, de minuto em minuto davam plantões de cobertura das eleições no dia 7 de novembro. ABC, CBS e NBC iniciaram a cobertura às 19h no horário de Washington D.C. e prosseguiram até 2h – mais cobertura em uma noite que a fornecida em quatro dias de convenções.
A Fox, que ignorou os debates presidenciais, pela primeira vez transmitiu plantões durante a programação. A cobertura das eleições nas estações da Fox tiveram início às 20h e encerrariam à 1h, se a corrida presidencial já tivesse um ganhador.
Segundo matéria de Martha T. Moore [USA Today, 7/11/00], as emissoras afirmaram que insistiriam na cobertura das eleições até ter definido o novo presidente, mesmo que a apuração atropelasse a programação matinal – medida que não foi necessária desde 1960.
"Essas eleições são singulares porque temos que nos preparar para qualquer possível enredo", disse Al Ortiz, produtor executivo da CBS News.
Executivos de emissoras afirmaram unanimemente que preferem estar corretos a serem os primeiros, mas algumas vezes a regra não se firma. Em 1996, todas as emissoras declararam Dick Swett como novo senador de New Hampshire, tendo que retirar o reportado e afirmar, quatro horas depois, que o vitorioso era o republicano Bob Smith. "Em uma corrida apertada, há grandes chances de erros", disse Mark Halperin, diretor de política da ABC News.
As emissoras apresentaram alguns floreios tecnológicos. Peter Jennings, da ABC, carregou um laptop durante as transmissões e Dan Rather, da CBS, um touch screen, computador cuja tela é sensível ao toque.
Executivos de emissoras, antes de dado início às apurações, assumiram um pacto voluntário de não declarar o vencedor de um estado antes de fechadas as urnas em todo o país. A regra é adotada desde 1980, quando Carter cumprimentou Ronald Reagan antes de fechadas as urnas da Califórnia.
Os âncoras, no entanto, foram autorizados a declarar um vencedor se antes de fechar determinada urna já houvesse definição do novo presidente.
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