Indice A imprensa em questao O circo da noticia Caderno da cidadania Entre aspas Caderno do leitor

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 27/04/2000

CAROS AMIGOS
O complô do silêncio

José Maria Leitão

É realmente de estarrecer o suspeitíssimo silêncio dos meios de comunicação a respeito do filho do sexagenário presidente FHC com a jovem e exilada repórter global. Exílio, diga-se logo, ainda mais suspeito porque de Barcelona, local escolhido para manter a protagonista a prudente distância do presidencial personagem, praticamente não se tem notícia digna de publicação desde os já distantes e esquecidos Jogos Olímpicos. Por outro lado, causam-nos estranheza as disparatadas explicações obtidas pela equipe da Caros Amigos, ao buscar elucidar as razões do fato com diretores, editores e repórteres dos mais importantes veículos de comunicação deste Brasil. Algumas de corar frades de pedra.

As justificativas: ausência de importância do caso, ou posição editorial de não divulgar notícias de foro íntimo e fofocas. Todos esquecidos das festejadas edições dedicadas às acusações da imprensa inglesa às cafungadas do outro Fernando, às fotos dele mesmo sem a sagrada aliança, as chutadas acusações à então primeira-dama.

E para não ficarmos estacados na área do Planalto, não se pode olvidar que essa mesma gente pouco se apegou à chorada ética jornalística ao divulgar as agruras enfrentadas pela falecida esposa de eminente político gaúcho, detida nos "Istates" ao ser flagrada escamoteando bijuterias; as desavenças familiares do ex-candidato Lula da Silva – felicíssimas para a oposição ao líder petista; a exploração em torno dos processos de paternidade movidos contra o jogador Pelé, o cantor Roberto Carlos e novamente o ex-presidente Collor. E vai por aí, para não nos estendermos além do necessário.

Enfim, todos estes episódios, sem nenhuma dúvida, são de exclusivo "foro íntimo", e, segundo as normas das empresas jornalísticas ouvidas por Caros Amigos, injustificavelmente divulgadas.

Não se pode deixar de pensar que nestes casos os interesses econômicos e políticos envolvidos nada representavam para os dignos homens de imprensa. Sequer ameaçavam seus empregos.

 

CARTAS
O filho oculto de FHC

Caros Amigos fez o que a grande mídia nacional não teve peito para fazer por uma razão simples: tem laços muito estreitos com o poder. Não há jornalismo sério na grande mídia, a não ser quando se trata de derrubar quem ameaça o poder "perpétuo". Assim fizeram com Lula em 1989. É imoral o silêncio da mídia sobre os meios de comunicação. Se este Observatório, assim como a versão televisiva, não repercutir este caso, estará sendo igualmente omisso e conivente. Gostaria de ver na televisão e ler na internet uma grande discussão, não sobre o filho do FHC, mas sobre o silêncio da mídia em torno do caso.

Valmir Rodrigues Lima, Manaus

***

Não me preocupa a notícia de que o presidente da República tem um filho fora do casamento. O que me assusta realmente é o fato de que a mídia jamais tocou neste assunto, pois sendo o presidente uma pessoa pública o fato jamais poderia ficar sem a devida apuração. Acho que a mídia está pecando por falta de transparência e imparcialidade. Se este fato ou suposição está sendo omitido da sociedade, o que mais os veículos de comunicação estarão escondendo do povo?

Adejo

***

Não concordo que a reportagem da Caros Amigos sobre o filho de FHC com a jornalista Míriam Dutra seja típica da imprensa marrom. Acho que eles fizeram uma bela reportagem, bem apurada, trazendo à tona um assunto que virou tabu graças ao corporativismo. Causa- me espanto que o Observatório, que sempre defendeu o direito à informação, tenha se posicionado dessa forma quanto àquela notícia. É evidente que se se tratasse de outro filho, o de Lula, situação idêntica, a grande imprensa teria escancarado. Ou não?

No mais, todo o meu respeito a Alberto Dines, pelo brilhante trabalho e pela fabulosa contribuição que dá ao jornalismo brasileiro.

Lourdinha Dantas, Campina Grande, PB lourdinhad@uol.com.br

Alberto Dines responde: O Observatório da Imprensa é um fórum destinado a estimular a controvérsia em torno da mídia. A opinião de um observador não representa a opinião do conjunto. A sua está registrada. A. D.

***

Estou duplamente envergonhado. A matéria da Caros Amigos a respeito do pacto de silêncio de toda a imprensa no que diz respeito ao resultado das aventuras extraconjugais do presidente é real. Estou envergonhado por ver que o presidente, sempre fotografado aparece em atmosfera familiar nos feriados, depois de tantos anos revelou-se um cafajeste. Estou envergonhado porque o silêncio da imprensa demonstra que o povo está só, como sempre esteve.

Ciro Seiji Yoshiyasse

***

Seria interessante que no próximo programa fosse abordado o conceito de privacidade utilizado pela mídia brasileira, tendo como referencial o suposto filho do FHC com Míriam Dutra. Ou vão esperar terminar o mandato deste senhor para o mea-culpa, como fizeram em relação ao Collor (que também tinha um filho fora do casamento, mas na eleição de 1989 ficaram caladinhos)? O comportamento seria o mesmo se fosse o Lula?

Paulo Sarmanho

***

Os leitores de Veja podem se lembrar da edição da revista que comentou o entrevero entre Ruth Cardoso e a imprensa, quando ela reclamou de que a mídia estava desrespeitando a vida privada da família. Lembro que havia inclusive uma foto da senhora tomando banho de sol na piscina do Palácio. O fato é que a Veja, na resposta à queixa de Ruth, escreveu algo assim: "D. Ruth sabe mais do que ninguém que a imprensa tem respeitado muitíssimo os assuntos privados da família." Ora, ou a Veja tinha a matéria sobre o filho de FHC e usou o acordo de silêncio para uma picuinha ou não tinha e blefou. Ou eu não sei ler e interpretar – e nesse caso, peço que alguém releia esse trecho e depois me elucide.

Ana Maria Biezok

***

O Observatório da Imprensa se vangloria de ser um fiscalizador da mídia em geral. No início, até que achei muito pertinente. Muitos artigos dos observadores realmente batiam fundo na questão. Porém, quando vi o Observatório na TV, principalmente nas entrevistas de Alberto Dines com o Civitta, da Abril, na ocasião do aniversário de Veja, contra quem o Observatório pegava pesado, não foi feita nenhuma pergunta mais incisiva. O mesmo aconteceu quando foi entrevistado o filho do Sr. Roberto Marinho, e as questões foram leves, não sendo feitos muitos questionamentos sobre a atuação das Organizações Globo na época da ditadura militar. Todas as respostas foram aceitas sem muito questionamento.

Agora, a Caros Amigos, em sua reportagem de capa, fala sobre o filho não-assumido de FHC, e o Observatório não faz um único comentário? Não sobre o filho, mas sobre a questão mais grave, o silêncio da grande mídia. Até o Observatório está nesse pacto? É decepcionante, visto que qualquer matéria de Veja, IstoÉ, Caras etc. ganha grande destaque no Observatório. Qual é o seu posicionamento no caso?

Roberto K. Odaguiri

***

Será que nem o Observatório vai falar sobre o filho ilegítimo de "Fernandinho"?

Raphael Cruz Pena, estudante de Jornalismo

Nota do O.I.: Alberto Dines comentou o assunto na edição 88, de 20 de abril, e dois leitores também o fizeram. O texto de Dines e as duas cartas estão em <www2.uol.com.br/circo/cir20042000.htm#circo04>. O Observatório publica o que os observadores escrevem. Se não escrevem, não há o que publicar. Para a presente edição, como todos podem ver, mais observadores se manifestaram.

 

LEIA TAMBEM

Banda podre em letra de forma – Alberto Dines

 

Mande-nos seu comentário

Início da Imprensa em questão





Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores | Observatório impresso
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você