MONITOR DA IMPRENSA

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 08/01/2001


VERGONHA NA TV
CBS quer mudar cobertura eleitoral

A CBS News transmitiu uma declaração dizendo que sua decisão falha em anunciar que George W. Bush venceu na Flórida – e ganhou a corrida presidencial – poderia ter sido evitada se os responsáveis pela chamada estivessem cientes da reportagem de seus próprios correspondentes e da Associated Press. Ambos exibiram problemas graves na contagem de votos emitida pelas imagens da CBS.

Antes, a CBS havia anunciado o vice-presidente Al Gore como vencedor da contagem na Flórida. Mais tarde, atribuiu a mesma vitória a Bush.

A declaração da CBS, segundo Felicity Barringer [The New York Times, 5/1/01], garantiu que no futuro a emissora contratará um executivo sênior, um correspondente para os consultores da contagem de votos e analistas de eleições.

A emissora também recomenda para o futuro consulta e checagem de "múltiplas fontes para contagem de votos."

Andrew Heyward, presidente da CBS, não garantiu a continuidade da emissora no consórcio do Serviço de Informações de Eleitores (VNS).

A declaração da emissora é a imagem viva do impacto de um erro de computador no município declaradamente democrata de Volusia, que tirou milhares de votos da coluna de Gore e colocou-os na coluna de Bush, falsamente ampliando a margem entre os candidatos em 20 mil votos ou mais.




GEORGE W. BUSH
Como jornais lidarão com as gafes

Deve o presidente eleito George W. Bush, que de vez em quando galopa abruptamente pela língua inglesa, ser lembrado por jornalistas da mídia impressa a cada derrapada verbal que comete? "A política geral é lembrar alguém pelo jeito que fala, e se o proferido for tão deformado que não se pode publicar, não significaria nada ao leitor parafrasear, utilizando-se, em lugar de ‘disse’, ‘indicou’", explicou Mike Feinsilber, chefe da sucursal da Associated Press em Washington.

Dadas, porém, as grandes responsabilidades e o alto cargo que sustenta o presidente da República, jornalistas tendem a achar que devem pregar o código de barra, segundo Gary Dorsey [The Baltimore Sun, 29/12/00]. "Não consigo pensar em citar falas do presidente de outra forma que não diretamente, palavra por palavra, sábia ou não", afirmou Mark Silva, redator-sênior de política do Miami Herald.

A idéia é de que a maioria das pessoas não esperam ser citadas literalmente. "Presidentes, no entanto", disse Silva, "recebem tratamento diferenciado."

Jerry Finch, ombudsman do Richmond Times-Dispatch, afirmou que os editores do jornal baseiam-se no "Guia de Padrões Profissionais", que diz: "citações literais devem ser precisas. Problemas provindos de erros em gramática e sintaxe podem ser conduzidos por paráfrases para levar a significados precisos". No entanto, o que isso significa a um presidente e o que significa a pessoas comuns diverge na expressão "podem ser" do guia.

De acordo com Louise Seals, editora-chefe do mesmo jornal, "em tempos de grande audiência ao vivo, especialmente em relação a uma figura tão vista como o presidente, hesita-se muito em limpar todas as suas falas literais."

No Baltimore Sun, repórteres pisam sobre a linha tênue entre citar literalmente as pessoas e evitar citações literais se a escolha de um ou de outro pode humilhar ou condescender o emissor. Em relação a Bush, disse Tony Barbieri, editor-chefe, "não sairemos de nosso caminho nem para protegê-lo, nem para intimidá-lo."

A decisão de corrigir ou não as máximas de um presidente desastrado e pouco hábil verbalmente não deixa de mostrar a simpatia ou o repúdio de determinado veículo pelo presidente. Basta comparar como foram dispostas na publicação as frases proferidas literalmente pelo novo presidente.




BUSH NA MIRA
O caso da prisão do presidente

Em julho último, o repórter Ted Cohen, do Press Herald, em Portland, visitou a chefia policial de Kennebunkport, em Maine, cidade de veraneio da família Bush há anos. "Perguntei ao chefe Robert Sullivan se ele tinha algum arquivo de Bush", disse Cohen. Sullivan respondeu que sim.

Como muitos sabem, Bush foi preso em Maine em 1976 por dirigir alcoolizado. A descoberta de Cohen, no entanto, só foi noticiada em 2 de novembro – três meses após o encontro de Sullivan e Cohen –, por outro veículo, a WPXT, regional da Fox em Portland.

Por que um furo de reportagem tão impressionante permaneceu encoberto por meses, e como a regional da Fox, a menor das quatro estações de TV locais, saiu na frente de suas concorrentes?

Segundo Elizabeth Angell [Brill’s Content, 20/12/00], quando Cohen desenterrou a história, em julho, comunicou seu chefe, o editor regional Andrew Russell, o qual afirmou que "Bush já havia comentado publicamente sobre seus problemas com bebidas". Curt Hazlett, à época editor-chefe do Press Herald, disse que Russell nunca comentou a descoberta de Cohen. "Às vezes as pessoas tomam péssimas decisões", disse Hazlett.

O erro do Press Herald abriu caminho para outros repórteres. Erin Fehlau, correspondente da WPXT, deu o furo, mas Susan Kimball, da WCSH, regional da NBC, poderia tê-lo feito primeiro.

Ambas estavam na Corte Judicial do município de Cumberland em 2 de novembro quando se ouviu rumores de que Bush já havia sido preso. Fehlau conversou com Tom Connelly, advogado local especializado em política, o qual, segundo terceiros, possuía informações sobre o caso. Kimball não revelou sua fonte, mas correu para verificar a informação obtida. Fehlau obteve a cópia do relatório da prisão e uma gravação de Bush dirigindo em Maine. Kevin Kelly, diretor de redação da WPXT, transmitiu a notícia quando Fehlau confirmou a prisão com o oficial responsável.

Steve Thaxton, diretor geral da WCSH, disse que sua equipe decidiu não levar ao ar a reportagem porque não havia evidências ou confirmações adequadas da campanha de Bush.

A emissora possui quase o dobro de funcionários que sua concorrente, e Thaxton diz que sentiu uma ponta de arrependimento quando viu a Fox transmitindo a notícia primeiro, mas afirma não se arrepender de ter esperado.


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