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MONITOR DA IMPRENSA
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/10/2000
INGLATERRA
Briga pelo horário nobre
As britânicas BBC e ITN se enfrentam numa batalha para decidir qual das duas emissoras transmitirá seu principal telejornal às 22h. Diante da abundância de noticiários 24 horas, porém, a briga parece injustificada. Com três emissoras dedicadas a notícias digitais ou via satélite, emissoras principais necessitam de noticiário?
Segundo matéria da BBC (21/9/00), seu novo diretor geral, Greg Dyke, desde agosto decidiu colocar o telejornal das 21h às 22h, horário do noticiário da ITN, que, por sua vez, mudou seu jornal para as 23h – tradicional horário nobre. Em termos de audiência, programas noticiosos vêm caindo nos índices. O jornal das 21h geralmente atrai audiência de cerca de 5 milhões – mais que o Nightly News da ITV, às 23h, mas menos que o jornal da BBC das 18h. Outros programas de horário nobre na TV inglesa, como Coronation Street e EastEnders, alcançam cerca de 12 milhões de telespectadores. Noticiário, no entanto, é elemento fundamental em emissoras de qualidade.
Dyke afirmou que espera audiência maior no noticiário das 22h, referindo-se ao fato de que News at Ten, da ITN, é mais popular que o Nine O’Clock News da BBC.
David Mannion, ex-editor do News at Ten, disse que, jornalisticamente, 22h continua o horário perfeito para um telejornal. Freqüentemente, coincide com votações cruciais no Parlamento e é ideal para noticiar eventos dos Estados Unidos. Para ele, o argumento de que os telejornais com hora marcada – como o Nine O’Clock News – foram superados por estações noticiosas 24h é um engano. "São espécies diferentes", disse. "Canais 24h se especializam em notícias rotativas e de última hora, mas não se empenham na construção de um jornal com as notícias do dia." Para ele, nesse ponto, programas noticiosos com horário fixo são fundamentais para uma Inglaterra democrática e responsável.
Há, também, a questão da audiência. Canais via satélite ainda têm longa caminhada pela frente. No ano passado, BBC News 24 e CNN – ambas via satélite – apresentaram 0,1% da audiência, enquanto Nine O’Clock News teve média de 20%.
RÚSSIA
Âncora nua
A verdade nua é um dos programas de maior sucesso em Moscou, como mostrou este Monitor da Imprensa, em 18 de julho de 2000, o jornalista Fabiano Golgo, sediado em Praga [remissão abaixo]. O New York Times acaba de descobrir essa verdade. Segundo matéria de Michael Wines [5/10/00], são 13 minutos de transmissão de um telejornal "coerente" nas noites de sábado – o jornal começou nos dias úteis, depois passou a ser reprisado na manhã seguinte –, apresentado por jovens mulheres que, ao longo do programa, põem a sobriedade de lado porque se despem ou são despidas.
A verdade nua é o tipo de programa do qual não se consegue desgrudar os olhos, diz o vetusto Times. Fez do canal M1, pequena estação com dois estúdios, a casa do inesperado. "Tentamos criar uma TV alternativa", disse Sergei L. Moskvin, pai da idéia e diretor geral da Teleexpress, proprietária da M1. O programa é um meio de atrair atenção, não dinheiro: o show não aceita propaganda. Moskvin, no entanto, afirma que a estação dá dinheiro de qualquer forma. De acordo com o instituto Gallup, M1 é a sexta emissora de TV mais popular dos 13 canais principais. O público tem predominantemente segundo grau completo, e entre 25 e 55 anos.
A âncora Svetlana Pecotska, de 26 anos, atriz ucraniana, inicia a transmissão completamente vestida, lendo seriamente as notícias, como contou Golgo. Ao final das notícias, está de topless, ou perto disso. Senão, é a "moça do tempo". Quando a matéria principal envolve o presidente Putin ou outra figura que demande respeito nacional, é obrigatório o uso de roupas.
Cada episódio traz uma linha de matéria. Num deles, Svetlana transmitia as notícias enquanto dançava tango com um admirador. Em outro, descobriu um buraco em sua meia, preocupou-se com isso o programa todo e terminou com os pés sobre a mesa. Em outro episódio, mostrou os eventos da semana, enquanto um par de mãos tirava sua roupa por trás e vestia-lhe uma gravata. Ou ainda ela joga xadrez durante a transmissão, vestida, enquanto a câmera lentamente se afasta dela para revelar o adversário nu.
A censura do governo até agora não foi problema, diz a matéria do Times. Programas piores são comuns na madrugada da TV moscovita.
OPRAH WINFREY
Promessa de estouro
Passaram-se apenas quatro edições de O, a revista de Oprah Winfrey, e muitos executivos e anunciantes já a consideram a nova publicação de maior sucesso das últimas décadas. Os artigos sobre "coisas reais", segundo Oprah, fizeram com que a feminilidade se tornasse assunto nacional. Segundo matéria de Alez Kuczynski [The New York Times, 2/10/00], O é TV da vida real à venda nas bancas. É, também, o talk show dela impresso, "a bíblia segundo Oprah" para seus milhões de fãs.
Apesar de problemas típicos de lançamento, O parece saudável. Depois de duas edições, as bancas venderam, em média, 1,5 milhão de cópias – mais que Vogue, Self e Martha Stewart Living juntas. Na quarta edição, superou 1 milhão de assinantes – contra 681 mil de Vogue, 786 mil da Self e 646 mil da In Style – sendo 210 mil provenientes do sítio Oprah.com.
Não se sabe, porém, até quando o forte poder de atração da popular apresentadora da TV será eficaz para segurar leitores. Para o condescendente NYT, os editoriais de O diferem dos da maioria das revistas femininas. O exemplar de outubro da Martha Stewart Living apresenta chamada na capa para um artigo sobre como esculpir candelabros de abóbora. Self glorifica coxas finas. Marie Claire grita "Homens confessam: o que faz uma mulher irresistível". O soa como se estivesse gentilmente sugerindo um conselho, dizendo "Confie em si mesmo: a verdade está aí dentro".
A partir daí, O apresenta artigos sobre como se recuperar do abandono do marido, como autodiagnosticar a depressão e como uma mulher sem-teto se tornou chefe-executiva, além de entrevistas com diversas celebridades. Alguns editores acham que o sucesso da revista deve-se à popularidade de Oprah, enquanto outros creditam ao fato de ela, que afirma participar de todas as etapas da edição, não ter experiência em revista. Observadores da indústria dizem que o preço de O – US$ 2,95 – deve subir em breve.
ELEIÇÕES AMERICANAS
Pelo discurso livre
A Federal Communications Comission suspendeu, em 4 de outubro, duas regras controversas que exigiam que estações de rádio e TV dessem a candidatos tempo livre para direito de resposta. Segundo Christopher Stern [The Washington Post, 5/10/00], as regras foram suspensas por 60 dias – o que inclui as duas semanas anteriores às eleições. A decisão se deve a repetidos processos na Justiça de emissoras de TV, que alegam violação ao direito de livre expressão.
As emissoras temem que o governo use medidas legais para ampliar as regras ou, ainda, ressuscitar a Fairness Doctrine, criada em 1967 e abandonada pela FCC em 1987. Esta lei previa cobertura de assuntos controversos por estações de rádio e TV, com informações equilibradas e livre espaço para as partes conflitantes se justificarem. Porta-voz da FCC afirmou que não há o risco de volta da lei.
Os cinco integrantes da FCC se dividiram quanto às regras discutidas: seus dois representantes republicanos exigiam eliminação imediata das regras.
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