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MONITOR DA IMPRENSA

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/05/2000

 

PROPAGANDA & INFORMAÇÃO
Mídia nova, regra nova

O que seria do New York Times se resolvesse compartilhar com a IBM, grande anunciante, notícias de uma matéria sobre computadores ainda não publicada? Além de mudar regras pré-estabelecidas, tal prática seria considerada um escândalo, à medida que comprova a dependência do veículo de anunciantes, investidores etc. É nesse contexto que se tem discutido o envolvimento da mídia eletrônica com empresas "contribuintes".

O website de notícias sobre mídia e entretenimento Powerful Media tem levantado polêmica, pois recebeu investimento de uma firma de consultoria de Nova York que realiza conferências midiáticas. De acordo com reportagem da Forbes (2/5/00), o sítio Inside.com, da Powerful Media, será lançado por antigos executivos da revista New York, Brill’s Content e Spin e está planejado para competir com a Variety, Billboard e outras revistas.

À medida que as relações evoluem, tanto a mídia nova quanto a velha encontram antigos conflitos. A Industry Standard, revista de notícias de economia na internet, por exemplo, recebeu 30 milhões de dólares de um grupo de investidores. A cobertura dessa revista para assuntos que envolvem tais companhias pode ser influenciada? Quão independente pode ser um veículo? Apesar de serem questões cruciais na mídia hoje, não são novas.

Críticos da mídia observaram atentamente aquisições da NBC pela General Eletric, da CNN pela Time-Warner e da ABC pela Disney. "A internet ruma para estranhos casamentos", afirma Deanna Brown, antiga presidente da Brill’s Content, agora na Powerful Mídia. Ela insiste que o sítio permanecerá independente de seus parceiros. "Isso vale para a mídia nova e para a velha", diz.



NOTÍCIA DE PRIMEIRA
Jornal impresso aumenta vendas

Ao contrário do que se estava prevendo, os principais jornais impressos tiveram crescimento significativo no período de seis meses até 31 de março deste ano, nos Estados Unidos. Os números são da Audit Bureau of Circulations, publicados em 1º de maio.

A matéria de Seth Sutel [Associated Press, 1/5/00] informa que o Los Angeles Times teve a fatia de maior pedação, aumentando 5% a circulação nos dias úteis e passando a marca do New York Times, cujo aumento de vendas foi de 1,3%.

Os dois jornais mais vendidos continuam sendo o USA Today e o Wall Street Journal, com vendas médias de 1.837.802 e 1.812.590 exemplares/dia, respectivamente. O USA Today ultrapassou o Journal na pesquisa feita no ano passado. Ambos subiram 1,1% em relação à pesquisa anterior. A Dow Jones, companhia que publica o Journal, alega que seu jornal é mais comprado, pois o USA Today fornece exemplares gratuitos para hotéis.

Muitos jornais vêm sugerindo mudanças na forma com a qual a Audit Bureau determina o ranking, incluindo a relação de quantas cópias são vendidas abaixo do preço regular, ou dadas em promoções; e a remoção da "regra dos 50%", que desconsidera na contagem exemplares vendidos abaixo de 50% de seu preço.

A conclusão a que chegou a Audit Bureau é de que veículos maiores tenderam mais à alta que os menores. Jornais com circulação superior a 500 mil subiram em média 1,3%, enquanto os com circulação entre 50 e 100 mil tiveram queda de 0,8 pontos percentuais.

No total, a circulação diária aumentou em 0,2% entre os 800 jornais pesquisados. Apenas 1/3 dos veículos perderam circulação.



SANGUE NA ARENA
ETA mata jornalista

O colunista Jose Luis Lopez de la Calle, de 63 anos, oponente declarado ao grupo separatista basco ETA, morreu baleado no dia 6 de maio, na região basca – sul da França e norte da Espanha.

Segundo matéria da agência Reuters (7/5/00), o assassinato ocorreu durante um ataque cuja culpa foi atribuída aos separatistas rebeldes. O jornalista foi morto fora de sua casa na cidade de Andoain, com quatro tiros na cabeça e no estômago. A polícia isolou a área, mas não houve prisões. Esse foi o quarto assassinato do ETA desde declaração de cessar fogo, há 14 meses.

Lopez de la Calle, antigo membro do partido comunista, trabalhava para o jornal El Mundo. Foi preso durante a ditadura do general Franco e, por ser ativo na luta política contra o ETA, recebeu diversas ameaças de morte do movimento.

Políticos espanhóis imediatamente condenaram o ETA, acusando-o de tentar intimidar a imprensa silenciando críticas às guerrilhas. "Esse é um esforço claro para atingir a mídia noticiosa", disse Enrique Villar, porta-voz do governo espanhol da região basca. O ETA foi culpado de cerca de 800 mortes em suas lutas de três décadas pela independência do país basco.



INIMIGOS DA IMPRENSA
Os 10 piores

O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) publicou um ranking dos "10 maiores inimigos da imprensa". Segundo Ann Cooper, diretora executiva do comitê, estão na lista indivíduos que usam métodos que vão desde técnicas sutis que objetivam omissão de verdades desconfortáveis até torturas explícitas e assassinatos.

Segundo matéria do New York Times (3/5/00), o presidente da Iugoslávia Slobodan Milosevic, o líder iraniano aiatolá Ali Khamenei e o líder de rebeldes da Serra Leoa Foday Sankoh, foram os três primeiros colocados nessa lista macabra.

Milosevic, pela segunda vez na lista, continuou sua campanha para destruir a mídia independente no país. Khamenei, o segundo colocado, estimulou um clima contra a reforma que culminou no fechamento de 16 jornais no país. Sankoh, líder da lista, executou, no mínimo, oito jornalistas em 1999.

Os outros sete inimigos são:

  • Jiang Zemin, presidente da China, que prendeu 18 jornalistas no começo do ano;
  • Zine El Abidine Ben Ali, presidente da Tunísia, que fechou jornais, processou repórteres e intimidou jornalistas com forças de segurança;
  • Nursultan Nazarbayev, presidente do Cazaquistão, cuja promessa de liberdade de imprensa com a independência do país em 1991 foi substituída por um "enforcamento" de informações semelhante ao soviético;
  • Fidel Castro, presidente de Cuba e na lista pela sexta vez, desde que foi criada, em 1995 –, acusado de prender quatro jornalistas independentes considerados perigosos;
  • José Eduardo dos Santos, presidente da Angola; Alberto Fujimori, presidente do Peru e Mahathir Mohamad, primeiro-ministro da Malásia, acusado pelo comitê de controlar a grande imprensa do país por aproximadamente 20 anos.



IN MEMORIAM
Lista de óbitos

Os nomes de 40 jornalistas mortos no ano passado foram adicionados aos 1.369 que desde 1812 compõem a lista do Memorial de Jornalistas, do Fórum da Liberdade. A relação é preservada em parede memorial de vidro.

Segundo matéria de Lawrence L. Knutson [Associated Press, 3/5/00], a adição dos nomes ocorreu no dia 3 de maio. "A parede está repleta de nomes de jornalistas que cuidaram profundamente de sua arte e de suas responsabilidades", afirmou Tom Johnson, presidente e diretor geral da Cable News Network. "Eles sentiram que jornalismo é algo pelo qual vale arriscar vidas." Segundo Johnson, "para a maioria das pessoas envolvidas com notícias há uma forte tendência ao idealismo, o que a leva a correr riscos pela verdade e pelo entendimento, os quais, por sua vez, podem tragicamente levar a ferimentos e morte".

O sítio do memorial é <http://www.freedomforum.org/newseumnews/memorial.asp>



TIME-WARNER / AOL
Ameaça à democracia

A Time Warner perdeu mais que dinheiro no combate com a ABC, ao tirá-la de seu serviço. Com seu uso indevido de poder monopolista, causou um verdadeiro desastre eliminando informações e divertimento a milhões de clientes, o que forçou autoridades federais a olhar mais criticamente a fusão da companhia com a AOL.

Um editorial do New York Times (5/5/00) questiona como a Time Warner se comportará quando fundir com a AOL se, antes disso, já se comportou de maneira arredia com a gigantesca Disney. Em palavras mais diretas, a companhia fundida usará seus controles de TV a cabo ligados à rede em favor de seus próprios programas, negando fornecer a outros programas justo acesso aos milhões de clientes? A questão comprova que a Comissão Federal de Comunicação (FCC) tem amplas razões para agir. E rápido.

O empenho da FCC, cujo papel é garantir a proteção do interesse público nas indústrias de comunicação, será em assegurar que a Warner, ao juntar-se com a AOL, não repetirá o comportamento da semana passada. As responsabilidades da FCC vão além de evitar a anticompetitividade. Devem garantir livre fluxo de informações e acesso aberto ao comércio eletrônico, uma vez que o monopólio, em qualquer mercado, é perigoso ao comprometer o direito do público de diversificar fontes de notícias e entretenimento.

Tal como a FCC, a Disney teme menos a questão de acordos financeiros que o possibilidade de a Warner em breve utilizar a interatividade da TV a cabo com a internet em proveito próprio. E o temor não é incabível: ao propor que haja reguladores federais para garantir igualdade e não-discriminação, a Disney recebeu como resposta rejeição da idéia. Segundo a Warner, não pode haver princípio de não-discriminação se os serviços digitais ainda não existem. Além disso, afirmou, os serviços serão lucrativos e, assim, deveriam ser assunto de negociação privada.

Não se trata de "tomar as dores" da Disney, mas de instituir reguladores orientados pelo mesmo princípio de não-discriminação em serviços de TV digital e acesso à internet. Democracia requer um ambiente de comunicação aberto, formado pelo interesse público. O monopólio ameaça esse processo democrático à medida que limita o livre fluxo de informações e opiniões.

Mil desculpas

Um dia após a acusação da FCC de que a Warner violou os regulamentos de TV a cabo ao cortar a ABC de sua programação, oficiais da Warner anunciaram abatimento de dois dias na mensalidade e um mês livre de programação de um "canal-prêmio" para os assinantes de Nova York.

A proposta de "pazes" do presidente da Warner, Barry Rosenblum, foi bem recebida por Peter F. Vallone, porta-voz da Câmara Municipal, apesar da cautela. "Foi uma resposta muito boa", disse, "mas deixa a desejar". Segundo matéria de Jayson Blair [New York Times, 5/5/00], Vallone chamou isso de "solução a curto prazo para um problema de longo prazo".

No dia 3 de maio, a Warner foi declarada culpada pela FCC e deverá pagar multa de mais de 100 mil dólares por tirar do ar o canal durante o período de avaliação de audiência para propagandas. No mesmo dia, Vallone afirmou que a companhia tem obrigação de descontar os dois dias de blackout dos clientes.

Na tarde de 2 de maio, a Warner concordou em recolocar a ABC em seu sistema até, no mínimo, 15 de julho. Horas mais tarde, o prefeito de Nova York Rudolph W. Giuliani atacou a Warner, dizendo que não entende "como o Departamento de Justiça pode perder tanto tempo com a Microsoft sem olhar a indústria de TV a cabo".



BATEU, LEVOU
Rebaixamento sumário

O Boston Herald suspendeu o colunista de assuntos do consumidor Robin Washington, de 43 anos, na semana passada, depois de desentendimentos a repeito de artigos publicados sobre o FleetBoston Financial Corporation, grande banco na região da Nova Inglaterra. O ocorrido despertou protestos dentro e fora da redação, principalmente entre os jornalistas negros.

Segundo matéria de Neil MacFarquhar [The New York Times, 5/5/00], o jornalista disse publicamente que acredita ter sido rebaixado ao posto de repórter de assuntos gerais e, depois, suspenso indefinidamente, por causa da pressão do banco, anunciante e fornecedor de empréstimos.

Os artigos de Washington sublinharam a alta da taxa do BankBoston desde sua fusão com o Fleet Financial, criando o oitavo maior banco nacional. Washington não comentará mais o caso, dizendo que está indisponível para falar das medidas injustas do Herald.

Em reação à petição dos jornalistas do Herald, foi publicado um comentário público em 27 de abril, do editor do Herald Patrick J. Purcell, em que afirma que estava "extremamente perturbado" pela atitude da equipe ao qual ele considerou uma mera questão de julgamento de notícias.

Setenta e cinco dos 300 empregados do Herald assinaram a petição protestando contra a "aparentemente antiética influência de anunciantes e interesses comerciais" na cobertura do FleetBoston. Tom Mashberg, representante dos empregados do Herald, disse que a petição destinava-se a discussão interna, não em "lavação de roupa" pública. Segundo o contrato, o jornal tem 30 dias para marcar uma reunião para discutir a reclamação de Washington, arquivada em abril.

Além da petição, 50 pessoas fizeram piquete em frente ao prédio do jornal na terça, dia 2, para mostrar apoio a Washington. O comício foi organizado pela filial em Boston da Associação Nacional de Jornalistas Negros (NABJ). O caso chamou atenção por ser Washington um dos quatro jornalistas negros do Herald, de um total de 235 empregados.

A associação fez uma declaração afirmando que o jornalista deveria ser reinvestido de suas funções e que supervisionará o Herald para garantir abetura de vagas para mais negros americanos na redação.O banco reconheceu que contatou o jornal para reclamar da cobertura, mas a reclamação restringia-se aos métodos de reportagem de Washington. James Mahoney, porta-voz do banco, disse que um dos casos envolvia um amigo próximo de Washington, tratado na matéria como cliente do banco; e outro, entrevistas de Washington com empregados do banco. Mahoney garante que não houve discussões ou ameaças sobre anúncios.



JULGAMENTO DA HEARST
Pedra no sapato

No dia 2 de maio, a Hearst substituiu Timothy White, editor do San Francisco Examiner, um dia após sua declaração de que oferecia editoriais favoráveis ao prefeito Willie Brown em troca de ajuda na aquisição do San Francisco Chronicle, jornal rival do Examiner, da Hearst, supostamete à venda.

Segundo matéria da Associated Press (3/5/00), White, o qual mais tarde desmentiu o ocorrido, ficará ausente por tempo indefinido e, em seu lugar, assumirá George Irish, presidente dos jornais Hearst.

A Hearst, que passa por um julgamento antitruste, alega que a conversa descrita por White no palanque de testemunhas nunca existiu ou, se aconteceu, violou a política da companhia.

O testemunho de White também foi contradito pelo editor-executivo Phil Bronstein, o qual esteve no julgamento e afirma "não ter havido discussões sobre favorecimento em coberturas". White alega ter afirmado no tribunal que só havia favorecimentos em editoriais, não em coberturas de reportagens.

Em outra matéria da Associated Press (4/5/00), afirma-se que, em depoimento em dezembro de 1999, White fez a mesma declaração. "Esse homem foi despedido não pelas informações em si, mas por sua divulgação em um fórum público", afirmou o advogado Joseph M. Alioto, representante de Clint Reilly, antigo candidato à prefeitura, que está bloqueando a aquisição do San Francisco Chronicle pela Hearst e a suposta venda do Examiner, por meio de processo que alega monopólio ilegal.

Em nota aos leitores, o Examiner afirmou que "os empregados na redação do Examiner estão orgulhosos do fato de o editorial do jornal não estar e nunca ter estado em promoção". Mais: "Esperamos sinceramente que qualquer empregado seja processado por subestimar a integridade de nossos editoriais".

Primeira parte do Juízo Final

Na semana passada, deu-se início à primeira etapa do julgamento da Hearst. O juiz Vaughn Walker rejeitou o argumento da Hearst de que o testemunho de White é irrelevante para o caso, mas reconheceu que ainda não foi determinado seu peso legal, questionado a partir do processo aberto por Reilly.

Segundo matéria de 6 de maio da Associated Press, o julgamento analisará a veracidade das intenções da Hearst de assumir o Chronicle e vender o Examiner. Reilly afirma que o conteúdo do acordo da Hearst com o editor Ted Fang é a doação do Examiner – com um bônus de 66 milhões de dólares – para que o veículo afunde rapidamente e, desta forma, haja apenas um jornal na cidade.

Walker atordoou os editores ao declarar uma ordem restringindo a liquidação do Chronicle em 30 de março, um dia antes de ser feita. Ele disse que a proposta de lei federal que autoriza o acordo de operação conjunta – o qual significa tanto o Examiner quanto o Chronicle separarem a área de negócios de seus editoriais – não serve se as transações do acordo foram feitas para permitir a sobrevivência de apenas um jornal.

A reputação do business em notícias também mudou de cara. "Pesquisas de atitudes do público nos últimos 15 anos mostram cinismo crescente quanto à mídia noticiosa", afirmou Ben Bagdikian, veterano analista de mídia e professor de jornalismo aposentado da Universidade da Califórnia em Berkley. "Esse é apenas mais um exemplo vindo do tribunal", disse. "O triste é que acho White o otário da história."

O julgamento terminou em 9 de maio.



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