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MONITOR DA IMPRENSA
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/8/2000
OLIMPÍADAS 2000
Austrália barra mídia estrangeira
A União Européia está enfurecida com a Austrália. O país sede das Olimpíadas está restringindo o acesso da mídia estrangeira aos jogos de Sydney, o que levou a UE a ameaçar tomar atitudes drásticas antes mesmo da Organização Mundial do Comércio, caso o problema não seja resolvido rapidamente.
De acordo com matéria de Sheryle Barwell [Australian Financial Review, 4/8/00], em carta a Mark Vaille, ministro do Comércio, Pascal Lamy, da Comissão de Comércio da UE, afirmou que as restrições à mídia estrangeira não têm precedentes, e que o gesto representa rompimento do compromisso de "tratamento equalitário para estrangeiros e locais" assumido perante a OMC.
Autoridades da Coordenação Olímpica Australiana afirmaram que apenas a mídia australiana e a rede americana NBC – que pagou o equivalente a US$ 705 milhões pelos direitos de transmissão – teriam acesso garantido à Vila Olímpica. Cerca de 150 veículos estrangeiros teriam que competir diariamente por oito entradas para a cobertura dos eventos.
CHINA
Prisão de jornalista
No dia 4 de julho, o Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), grupo internacional de defesa da liberdade de imprensa, exigiu a libertação de Gao Qinrong, jornalista chinês que expôs a corrupção de funcionários públicos da China central e cumpre pena de 13 anos. Segundo matéria da Associated Press (4/8/00), Gao foi preso após reportar, em 1998, que o sistema de irrigação construído em Yuncheng, na província de Shanxi, servia, na verdade, para promover líderes locais.
Gao disse em sua matéria que os 67 mil tanques do sistema não estavam conectados a fontes de água, e que não havia canos para os campos. Gao foi preso em 4 de dezembro, acusado de suborno, desvio de verbas e difamação. A sentença de 13 anos de prisão foi dada após julgamento fechado, que durou um dia – 28 de abril de 1999. O funcionário Zhao, da Corte de Yuncheng, confirmou que Gao foi preso por suborno e por apresentar prostitutas a empresários locais. Segundo Zhao, Gao trabalhou para o diário Shanxi Daily e, por pouco tempo, na agência de notícias oficial Xinhua.
"Não há bases legítimas para aprisionar qualquer repórter por causa de seu trabalho", disse Ann Cooper, diretora executiva do CPJ. Ela marcou audiência com o presidente da China, Jiang Zemin, para exigir liberação imediata de Gao.
BOSTON GLOBE
Conservador afastado
A mídia americana sempre foi conhecida por sua tendência liberal. O colunista Jeff Jacoby, do Boston Globe, foi contratado em 1994 para equilibrar o tom do jornal, dominado por liberais. Por seis anos, abasteceu satisfatoriamente a visão conservadora dos fatos. Em 3 de julho, Jacoby escreveu sobre o destino dos signatários da Declaração de Independência dos EUA, e foi acusado de plágio.
Segundo Doug Bandow [Cato Institute, 9/8/00], Jacoby foi suspenso por quatro meses, sem remuneração. A editora Renee Loth disse que "o incidente nada teve a ver com ideologia", mas o timing é suspeito. Semanas antes da suspensão, David Greenway, editor-chefe do Globe, se aposentou. Em palavras de Jacoby, Loth é "afiadamente esquerdista".
Editores e jornalistas saíram em defesa de Jacoby. À época, o Globe disse que o jornalista "deveria ter alertado os leitores de que o conceito e a estrutura de sua coluna não eram originais". Mas não se tratou de cópia, o que fez da punição do Globe um extremo exagero. Renee Loth disse que se Jacoby retornar sua coluna precisará de "sérias reformas".
DESCULPAS
ABC escorrega e reconhece
A ABC anunciou que apresentará pedido formal de desculpas por um programa de 4 de agosto, que veiculou reportagem fraudulenta, de John Stossel, sobre segurança de alimentos orgânicos. Assim que a reportagem saiu, de acordo com matéria da E! Online (8/8/00), o Grupo de Trabalho Ambiental (GTA) questionou sua veracidade. Carta do Grupo foi encaminhada à emissora, alegando não haver dados que permitam as conclusões do programa.
De início, Stossel recusou-se a responder às acusações. Em seguida, a ABC anunciou que Stossel pediria desculpas pelo engano em seu programa, reconhecendo o erro. O GTA quer a demissão de Stossel por "falha brutal de ética e de conduta jornalística", e Peter Hart, analista de mídia, prevê que o apresentador permanecerá em seu emprego, sendo apenas repreendido.
JAPÃO
Vícios da mídia
Descosturando as linhas tortuosas que unem os conglomerados midiáticos no Japão, o livro Closing the shop, de Laurie Anne Freeman, expõe os mecanismos dos cartéis de informação japoneses, que exaltam o Estado, isolam a elite por suas críticas pertinentes e tolhem a integridade jornalística necessária à manutenção da democracia.
São muitos os vícios da mídia japonesa. Fontes cooptam jornalistas e negócios subestimam a prática da profissão. As acusações são baseadas em pesquisas, entrevistas e observações, com cooperação de algumas fundações e do jornal Asahi. Segundo matéria de Jeff Kingston [The Japan Times, 8/8/00], conglomerados, associações e clubes de imprensa estão fortemente ligados de forma a amordaçar a imprensa, restringir a competição e abusar da confiança pública.
A autora sublinha "as regras institucionalizadas e as relações que ligam órgãos de imprensa entre si e com suas fontes, o que limita as notícias publicadas e maquia as que são "aprovadas". Reforçando o contato com fontes oficiais e, ao mesmo tempo, restringindo a competição entre jornalistas, os cartéis de informação japoneses redefiniram a relação entre elites políticas e veículos da mídia. Em vez de antecipar reportagens e fornecer notícias de última hora, a imprensa japonesa cobre prioritariamente a agenda de discursos políticos pré-definida.
Freeman mostra como, em lugar de proteger a população de abuso de poder, a mídia foi induzida a celebrar coletivamente a elite. Closing the shop mostra ao público por que é importante vigiar a mídia. A autora ainda questiona se a nova mídia é capaz de enfraquecer o poder desses tradicionais cartéis ou se se unirá a eles.
MONICA LEWINSKY
Cara até de graça
Em novembro de 1998, no auge de sua popularidade, Monica Lewinsky escolheu a ABC News para transmitir sua primeira entrevista. A entrevistadora, Barbara Walters, afirmou repetidamente que a emissora não pagou pela entrevista, o que não significa que o evento não custou nada à ABC. A organização contratou um advogado, Theodore Olson, para auxiliar "o acesso seguro a Lewinsky", diz matéria sobre David Westin, presidente da ABC, publicada na revista New Yorker de 7 de agosto.
Segundo Jim Rutenberg [The New York Times, 7/8/00], a ABC também precisou da ajuda de Kenneth W. Starr, o promotor independente que investigou as relações entre Clinton e Monica Lewinsky. A entrevista sofreu atrasos de meses porque a ex-estagiária foi obrigada a pedir permissão a Starr para falar. Westin disse à revista que os acordos não violaram a política da emissora, contrária ao pagamento de entrevistas, pois o dinheiro foi dado a um advogado, e não a Lewinsky.
Segundo matéria de Paul Farhi [Washington Post, 9/8/00], os US$ 25 mil concedidos a Olson foram, afinal, bem aplicados. O advogado recebeu a quantia após conseguir autorização de Starr para a entrevista. O episódio, confirmado na semana passada, reavivou a questão do "checkbook journalism" ou "jornalismo de talão de cheque" – a compra de entrevistas.
FÓRUM DA MÍDIA
Discussões fervorosas
O sítio do jornalista Jim Romenesko, MediaNews.org, está virando happy-hour de jornalistas. Passam-se horas discutindo, anunciando os respectivos novos empregos, elogiando amigos e denunciando inimigos. Após ser contratado pelo Poynter Institute, centro de pesquisa jornalística, Romenesko largou seu antigo sítio, que remetia a outros de crítica da mídia, para criar seu próprio palco de discussões.
De acordo com Felicity Barringer [The New York Times, 7/8/00], na semana passada as discussões esquentaram após artigo de Eugene Kennedy, comentando a controvérsia envolvendo o colunista Mike Barnicle, do Boston Globe, em 1998. Barnicle foi acusado de plagiar piadas de um humorista e publicar matéria sobre crianças com doenças terminais sem adequada verificação. Kennedy afirmou que Barnicle foi vítima de generalização e confusão por parte do editor do Globe, Matthew Storin.
Entre os primeiros a comentar a matéria estava Norman Mailer, que concorda com Kennedy. "Não acho que Barnicle recebeu julgamento adequado. A matéria de Kennedy apenas prova isso." Peter Maas, colaborador esporádico de Barnicle, elogiou repetidamente o artigo, interrompendo, apenas, para criticar Richard Blow, antigo editor da revista George, que respondeu em seguida: "Será que Peter Maas está louco?"
Foi a gota d’água para a discussão decolar. O desentendimento entre Blow e Maas virou, então, uma bola de neve. O que diferencia o sítio de Romenesko dos outros é a seriedade com que é encarado por jornalistas da nova e da velha mídia. Celia McGee, repórter do Daily News de Nova York, anunciou sua mudança de emprego para o Medianews.org.
METEOROLOGIA EM CONFLITO
Previsão de chuva
Em fevereiro, executivos da CNN.com mudaram a página da previsão do tempo que, à época, pareceu inocente. Na lista de cidades israelenses à disposição para consulta, Jerusalém foi substituída por Israel, bem como outras áreas do país. A mudança, segundo os executivos, foi necessária para manter a posição editorial de que Jerusalém é território em disputa, e que listá-lo como se fizesse parte de Israel poderia descrever a CNN.com como partidária de um dos lados do conflito no Oriente Médio.
O sítio, no entanto, foi modificado novamente na semana passada, após receber uma carta enfezada de Phil Baum, diretor executivo do Congresso Judaico Americano, dizendo que a atitude da CNN.com estava exercitando "julgamento politicamente preconceituoso de que Jerusalém é, agora, uma cidade internacional". Baum quer que Jerusalém volte ao sítio, abaixo de Israel.
De acordo com matéria de Jim Rutemberg [The New York Times, 7/8/00], após discussões internas a CNN.com modificou novamente seu sítio no dia 3 de agosto, devolvendo a cidade ao bloco de Israel. Desta vez, porém, Jerusalém está marcada com um asterisco, que remete o leitor à seguinte frase: "O status de Jerusalém, pertencente ao governo israelense, é o maior problema tratado nas conversações de paz entre israelenses e palestinos. Líderes palestinos e árabes consideram parte de Jerusalém a capital do futuro Estado Palestino."
DEMISSÕES
Minguam os portais de TV
Segundo Saul Hansell [The New York Times, 9/8/00], a NBCi, versão online da rede NBC, anunciou em 8 de agosto que demitirá 170 pessoas, o equivalente a 20% da equipe. Com queda de publicidade e baixa no mercado financeiro, a companhia resolveu apertar o cinto, disse seu principal executivo, William J. Lansing.
Outras unidades eletrônicas de TVs americanas vêm recuando. O modesto sítio da CBS despediu dúzias de empregados nos últimos meses. O GO.com, da Walt Disney Internet Company, também está limitando suas ambições originais, para se concentrar em entretenimento e viagens.
Embora muitos analistas de mídia achem que cortes de emprego e novas estratégias de marketing darão lucro aos sítios noticiosos, a estrada ainda é longa. "Despedir pessoas não resolverá o problema das perdas", disse o analista Justin Post. Para ele, demissões, no entanto, são um passo à frente, à medida que indicam que companhias estão prestando mais atenção em seu conteúdo.
ELEIÇÕES AMERICANAS
Fonte coopta jornalista
Como outros jornalistas que cobrem a campanha do candidato democrata Al Gore, Claire Shipman, da NBC News, recebeu a confirmação oficial sobre a escolha do senador Joseph I. Lieberman para candidato a vice antes mesmo do próprio Lieberman. "Recebi a notícia à 4h30, e finalizei a matéria às 5h", disse ela. "O acordo era liberar as informações às 7h, e não antes." Mas alguns minutos antes das 7h a co-apresentadora de Today resumiu as notícias que seriam dadas no programa. Segundo Peter Marks [The New York Times, 8/8/00], a Associated Press divulgou boletim urgente, e a notícia tornou-se o furo mais quente dos últimos meses. Por volta de 7h01, todas as grandes emissoras e sítios noticiosos tratavam do assunto.
A intenção de espalhar a notícia foi clara. Com isso, os democratas abafariam as notícias sobre a convenção republicana, que dominava os jornais, dando destaque ao Partido Democrata e sua convenção, que terá início no dia 14. "Pudemos espalhar informações de maneira muito controlada e profissional", disse uma funcionária da campanha de Gore, "enquanto os republicanos saíam do noticiário antes da hora."
Desastre político
Emissoras de TV não deram um minuto além do planejado à Convenção Republicana. Para Caryn James [The New York Times, 2/8/00], elas estão absolutamente corretas. Peter Jennings, âncora do programa World News Tonight, da ABC, manteve-se boa parte do tempo destacado em cenário azul e vazio. Para bons observadores, o feito simboliza o desprezo de redes de TV abertas e fechadas pelo evento. Mesmo os fascinados em política julgaram a segunda noite da convenção (1/8) perfeita para assistir a um filme qualquer.
Política virou show business, o que leva emissoras a rever sua transmissão. A convenção, reconhecidamente um circo, foi apelidada por Dan Rather, da CBS, como "infomercial". A noite do dia 1º de agosto, por exemplo, estava cheia de mulheres ansiosas por encontrar um príncipe. Entre os discursos, estava o de Elizabeth Dole, cuja fala foi bruscamente cortada por quase todas as grandes emissoras.
A estupidez do show republicano pode justificar a ausência das emissoras, mas não as tira de brigas. Telespectadores foram prejudicados não porque perderam a convenção, mas porque ela não foi substituída por reportagens mais substanciais sobre a campanha. Segundo matéria de John Maynard [The Washington Post, 5/8/00], a audiência do discurso de Bush, em 3 de agosto, foi praticamente a mesma do programa Survivor – inspiração do brasileiro No Limite –, da CBS. Das 21h às 22h, o programa mais assistido em todas as emissoras foi o show de lutas da UPN, WWF Smackdown!.
A NBC News, que cobriu apenas duas das quatro noites de convenção, obteve média de 6,4 milhões de telespectadores durante o discurso de Bush, número bem inferior aos 10,5 milhões de americanos plugados na reprise da série Will & Grace, transmitida algumas horas antes. Já a CBS obteve a maior pontuação da noite com Big Brother, que canalizou a atenção de 7,6 milhões de americanos.
EGITO
Censura enrustida
Ali Salem, escritor e roteirista de teatro, foi acusado de crime por escrever um texto de 10 minutos encorajando egípcios a manterem o espírito crítico e a votar nas eleições. No dia 22 de julho, foi acusado de ameaçar a segurança nacional e manipular o interesse nacional. "É a primeira vez que ouvi meu nome usado dessa forma", disse Salem. "Não o Salem egípcio, não o Salem roteirista, nem o Salem colunista. Mas o Salem acusado."
De acordo com matéria de Susan Sachs [The New York Times, 4/8/00], desde a reeleição do presidente Mubarak, no ano passado, o governo passou a prender qualquer jornalista que aparentemente insulte instituições egípcias. Para muitos, esta ofensiva do governo é exemplo de como a guerra islâmica erodiu a vida política, boicotando as vozes independentes.
Para controlar ONGs que poderiam ser utilizadas por fundamentalistas, Mubarak enviou ao Parlamento no ano passado uma lei que exige que cada organização submeta seus membros e suas fontes de recursos à aprovação do governo. Grupos defensores dos direitos ignoraram a nova lei, que consideram tentativa do governo de censura. A lei foi recentemente considerada inválida pela Corte Constitucional, por não ter sido enviada aos corpos legislativos adequados.
O script de Salem enfoca um casal egípcio que reflete sobre como podem assegurar um futuro melhor. Em determinada cena, um grupo de homens conversando em um bar comenta que a saúde e a educação do país vão mal, que não há expectativas nacionais. Ao final, o casal afirma que se pode ser um parceiro do futuro ao participar das eleições. Argumentando que a frase final do casal era uma resposta às reclamações do grupo que divagava no bar, Salem discursou em vão. Interrogadores do governo continuaram perguntando por que o roteirista escreveu "todas aquelas coisas ruins" sobre o Egito.
MEDIA-MOST
Venda (forçada) à vista
Um alto funcionário russo disse em 2 de agosto que a empresa estatal de gás natural russa, a Gazprom, está negociando a compra do império inteiro de Vladimir Gusinsky, barão da mídia russa – e maior crítico do Kremlin. Media-Most, companhia de Gusinsky, deve milhões de dólares à Gazprom. Segundo Sabrina Taversine [The New York Times, 3/8/00], Gusinsky contratou auditores estrangeiros para mostrar que tem um bom negócio, e que a Gazprom teria direito a pequena porcentagem da companhia. A Gazprom, por sua vez, afirma que o débito deve comprometer toda a Media-Most.
Jornalistas e analistas políticos afirmam que o Kremlin está tentando assumir o controle das três maiores emissoras de TV russas. A NTV, única emissora independente, pertencente à Media-Most, poderá ser exceção, porque é registrada legalmente como entidade separada.
COPYRIGHT
Frilas querem receber por revenda
O debate acerca do Napster gerou nova polêmica. Um grupo de jornalistas freelance está prestes a assinar acordo para criar uma instituição central que cobrará pela revenda de suas matérias. Em 2 de agosto, Jonathan Tasini, presidente da União Nacional de Jornalistas (NWU), e Steve Brill, executivo principal da agência online Contentville, disseram que aguardam aprovação da comissão executiva da União. Segundo matéria de Felicity Barringer [The New York Times, 3/8/00], o acordo diz que autores cujas matérias estão disponíveis na Contentville.com terão patente do material, cabendo-lhes porcentagem da venda dos artigos a outros veículos. Caso não receba o reembolso, o jornalista pode retirar seu material do sítio da agência.
O apelo judicial que Tasini fez em setembro foi duramente repreendido por diversas companhias midiáticas – incluindo New York Times Co., Newsday e Time Inc. Segundo elas, dados e arquivos disponíveis na internet são análogos a "trabalho coletado". Sob essa perspectiva, jornalistas freelance estariam impedidos de contestar infração de copyright.
Brill disse não saber quanto material poderia ser potencialmente incluído na tentativa de acordo. "Temos aproximadamente 2 mil arquivos de revistas no sítio", disse, "mas não sabemos qual o universo de artigos produzidos por freelancers".
CALIFÓRNIA
Hearst comprou o Chronicle. E agora?
Após liberação legal para comprar o San Francisco Chronicle e vender o San Francisco Examiner, a Hearst efetuou ambas as operações em 26 horas. Carregando nas costas uma batalha antitruste, a Hearst prometeu aos empregados do Examiner vaga garantida no Chronicle. O próximo passo é consolidar duas redações, eleger um publisher, selecionar um editor-chefe e decidir qual das diversas batalhas deve lutar primeiro.
Segundo matéria de Felicity Barringer [The New York Times, 31/7/00], São Francisco será disputada como nunca. A cidade está sendo invadida por outros jornais de regiões próximas, como o San Jose Mercury News. Deve o Chronicle, cuja venda é maior fora de São Francisco que na própria cidade, investir em cobertura local? Ou deve se expandir para distritos vizinhos de forma mais agressiva?
Jornais nacionais como USA Today, New York Times e Wall Street Journal também crescem lá. Deve o Chronicle investir em maior cobertura nacional e internacional? P. Anthony Ridder, executivo da Knight Ridder – dona do Mercury News e do Contra Costa Times, ambos concentrados na região –, afirma que leitores serão mais bem servidos com competição – e melhor ainda se comprarem seus jornais.
Para Gerald J. Roberts, editor-chefe atual do Chronicle, as três prioridades são criar uma edição robusta aos domingos, expandir a cobertura de notícias locais e prestar atenção a atividades esportivas em colégios e faculdades. Já Phil Bronstein, editor executivo do Examiner, acha que notícias da cidade e do subúrbio são cruciais, mas a prioridade mais urgente é a cobertura de negócios. Ambos mencionaram a cobertura internacional e ambos citaram México e Ásia.
LONDRES
Colunista deflagra guerra
Hugo Dixon arregalou muitos olhos britânicos quando, em dezembro de 1999, abriu mão de seu cargo no jornal londrino Financial Times para iniciar seu próprio sítio noticioso. Colunista econômico com espaço diário no jornal, Dixon era tão conhecido no mundo financeiro de Londres que sua despedida do Financial Times foi noticiada na maioria dos grandes jornais nacionais. Recentemente, Dixon anunciou seu contrato com a edição européia do Wall Street Journal, grande rival do Financial Times. O novo emprego implicará coluna diária similar à que escrevia em seu antigo emprego, baseada no conteúdo de sua página, BreakingViews.com. Ao mesmo tempo, seu website será, em parte, financiado pelo novo empregador.
De acordo com matéria de Andrew Ross Sorkin [The New York Times, 7/8/00], o foco em Dixon tornou-se mais intenso por causa de uma acusação conduzida privadamente por seus antigos colegas: Dixon teria um conflito de interesses porque sua companhia está sendo parcialmente financiada por pessoas e empresas sobre as quais ele e sua equipe deveriam escrever comentários. Dixon disse que a crítica é simples barulho. "Não creio que a questão seja um problema."
A sucessão de eventos foi estopim para uma verdadeira guerra publicitária entre os dois jornais. Dixon está acostumado à exposição pública. Seus acordos financeiros – o contrato com o Journal é de US$ 6,7 milhões – podem expô-lo ainda mais. Mas o jornalista não se intimida. "Temos muitas pessoas do Financial Times migrando para nosso sítio", provocou.
IRÃ
Mais longe da liberdade
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Kamenei, encerrou de forma brusca sessão do parlamento em que seriam reduzidas as restrições à imprensa – uma das promessas dos reformistas [que defendem a abertura democrática do regime]. Segundo a Reuters (6/8/00), deputados votariam emendas à draconiana lei de imprensa de Kamenei, mas a intervenção inesperada do líder forçou a suspensão do debate, causando protestos. "Se inimigos se infiltrarem na imprensa, haverá grande perigo à segurança do país e às crenças religiosas da população", afirmou o líder em carta ao parlamento. "A atual lei de imprensa atingiu um ponto que previne essa grande praga." E encerrou: "As emendas propostas não são legítimas e nem voltadas aos interesses do sistema."
Mehdi Karroubi, aiatolá [clérigo] reformista, afirmou que os deputados não têm escolha, devendo se submeter à vontade de Kamenei. Segundo matéria de Nazila Fathi [The New York Times, 7/8/00], dos 270 deputados 60 reformistas deixaram a assembléia em protesto. Funcionários do parlamento expulsaram jornalistas e confiscaram fitas que documentavam o ocorrido, numa tentativa de abafar a cobertura do incidente.
As emendas propostas regulamentariam o caos causado à mídia pelos conservadores nos últimos seis meses, em que a Justiça, controlada por Kamenei, fechou quase todos os jornais reformistas, prendendo editores e intelectuais. O 22º jornal foi fechado em 6 de agosto.
A atual lei de imprensa dá à Justiça o poder de cerrar as portas de jornais sumariamente. As novas propostas, desenhadas por um dos ministros do atual governo, restauraria parcialmente a independência da mídia e requereria julgamento antes do fechamento de publicações.
Hamidreza Jalaipour, que ajudou a fundar cinco jornais diários atualmente fechados, disse que os jornalistas ainda não têm outra escolha senão a precaução. Segundo ele, novas publicações continuarão a surgir, num esforço para testar os limites da liberdade política. "Jornais continuarão a sair sob novas licenças e nomes diferentes toda vez que forem fechados."
Apenas dois dias após o fechamento do 22º jornal iraniano, novo veículo foi tirado de circulação: o diário Bahar, último jornal reformista, produzido por Saeed Pourazizi, simpatizante próximo do presidente reformista Mohamad Katami.. Segundo a Reuters (8/8/00), milhares de pessoas se manifestaram pela liberdade de imprensa.
CANADÁ
TV vai às compras
A segunda maior emissora de TV privada do Canadá, CanWest Global, anunciou em 31 de julho que comprará cerca de metade dos maiores jornais do país, pertencentes ao barão da mídia Conrad Black. No maior acordo midiático da história canadense, a CanWest Global pagará US$ 2,36 bilhões por diários-líderes em oito das 10 províncias do país. Black, de acordo com James Brooke [The New York Times, 1/8/00], ganhará cargo na direção da CanWest e se tornará seu segundo maior acionista, depois da família do fundador da companhia, Israel H. Asper.
Asper comparou sua negociação à recente aquisição do Los Angeles Times pela Tribune Media. "Temos que crescer", disse, "não tencionamos ser um dos cadáveres caídos à margem das infovias." Black declarou que sua companhia, Hollinger International, "crê que essa associação íntima com uma emissora de grande sucesso mostra a força dos jornais".
A oferta de Black pareceu, de início, ter sido motivada em parte por sua grande dívida, de US$ 1,6 bilhões. A CanWest assumirá cerca de US$ 460 milhões desse valor. Em abril, Black disse que queria vender seus veículos semanais e seus diários menores. Mas estará vendendo jornais que dominam alguns dos mais importantes mercados canadenses, como Ottawa Citizen, Gazette of Montreal, Calgary Herald, Edmonton Sun e Vancouver Province.
Black manterá seus jornais em cidades que realmente o interessam: Daily Telegraph, em Londres, Jerusalém Post e Chicago Sun-Times. Quanto ao seu "xodó", o National Post, de cunho conservador, será presidido por Black pelos próximos cinco anos, sob administração da Hollinger. A CanWest terá 50% do jornal. Don Babick, editor do Post, não quis antecipar como será o casamento entre mídia impressa e eletrônica: "A empresa está se ligando a uma emissora nacional de primeira classe", disse.
ANO DIFÍCIL
Talk contabiliza as perdas
A revista Talk comemora seu primeiro aniversário sem nada mais para celebrar. Segundo matéria de Keith L. Alexander [USA Today, 9/8/00], Talk perdeu seis editores-chefes e sêniors em seu primeiro semestre, a porcentagem de páginas com anúncios caiu de 74% para cerca de 36% de fevereiro para junho, e foi reformulada a partir de sua quinta edição, trocando uma figura grande com várias pequenas na capa por uma única imagem.
A grande preocupação, segundo Tina Brown, editora-chefe da revista, é o enfoque. Enquanto o primeiro exemplar apresentou entrevista exclusiva com Hillary Rodham Clinton, o conteúdo do editorial desviou da rota, levando leitores, anunciantes e até executivos da Talk a questionarem o direcionamento da revista. "Não planejamos como deveríamos", disse Brown, "houve claro déficit de qualidade". Agora, diz Brown, a cobertura deve destacar estrelas como Tom Cruise e Angelina Jolie. Brown atribui alguns de seus problemas à equipe pouco experiente – 70% tem menos de cinco anos de estrada –, que estressou os editores sêniors.
Mas houve algum ganho. A revista passou de 500 mil leitores, no lançamento, para 600 mil. Além disso, os anunciantes da revista – como Armani, Chanel e Gucci – são qualificados, e o preço do anúncio subiu 20%. Com look e equipe novos, Talk está no caminho certo, para Brown. A edição de aniversário, em setembro, trará Nicole Kidman na capa e os exemplares estarão mais grossos. Brown é otimista: "Tivemos um lançamento difícil, mas faz parte."
RESPOSTA OBRIGATÓRIA
Pressa de informar
Apesar de distante da censura de 25 anos atrás, na TV americana ainda é proibida uma expressão: "Eu não sei". Não se tem idéia da última vez em que se ouviu um analista de emissora ou um convidado de programas como Hardball confessar incapacidade de prever o futuro. Segundo matéria de Walter Saphiro [USA Today, 28/7/00], as regras dos programas de entrevista são inflexíveis. Se alguém responde a uma pergunta com um chocante "não faço a menor idéia", seu destino será anos de purgatório até ser novamente chamado para opinar diante de um microfone.
Faltam 100 dias para as eleições americanas, e as pesquisas estão longe de serem conclusivas. Mark Mellman, pesquisador do Partido Democrático, afirmou que "estudar cada pesquisa no último ano levaria a uma perda de conhecimento". Apesar de hiperbólico, em essência Mellman está correto. É perigoso concluir qualquer resultado proveniente de pesquisas quando muitos eleitores estão mais interessados em quem será excluído do programa Big Brother do que em quem será excluído da presidência do país.
Quando o Concorde caiu, em 22 de julho, a pergunta que torturou mentes aflitas foi: "Por quê?" A resposta, no entanto, só poderia ser respondida com a análise da caixa preta do avião. A mídia fez questão de tentar adivinhar a resposta instantaneamente, para satisfazer a curiosidade do cliente. Uma hora após o desastre, segundo matéria do Financial Times (7/8/00), os sítios noticiosos da BBC, da Press Association e da CNN mostravam a mesma pressa.
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