|
MONITOR DA IMPRENSA
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/9/2000
TABLÓIDES
A foto que não houve
O editor do New York Daily News defendeu a foto publicada na primeira página da edição de 8 de setembro do jornal, em que se tem a impressão de que Bill Clinton e Fidel Castro estavam prestes a apertar as mãos.
Segundo Katherine Roth [Associated Press, 8/9/00], a composição, feita a partir da aproximação de duas fotos, foi publicada com uma chamada dizendo "Clinton e Castro trocaram aperto de mãos essa semana".
Os líderes, de fato, trocaram aperto de mãos após um encontro da ONU, no dia 6, mas não houve registros fotográficos do evento.
"Não há má interpretação nisso", disse Ed Kosner, editor-chefe do jornal. "Nós rotulamos claramente a imagem como ‘foto ilustrativa’". Alguns críticos, no entanto, disseram que publicar esse tipo de figura é uma prática perigosa que pode comprometer a confiança do público no jornalismo. "Cada vez que isso acontece, compromete a credibilidade de outras fotos", disse Keith Woods, professor de ética jornalística do Poynter Institute. "‘Foto ilustrativa’ não diz exatamente que o evento não aconteceu. Se se alterar a realidade, não devem restar dúvidas ao leitor de que aquilo não ocorreu."
Kosner disse que a imagem foi meramente "uma forma de dramatizar o evento."
FBI DISFARÇADO
Agentes fingem ser fotógrafos
Agentes federais passaram-se por membros na mídia noticiosa para tirar fotos de skinheads neonazistas, reunidos no fim de agosto. De acordo com matéria da Associated Press (31/8/00), policiais do distrito de Kootenai confiscaram credenciais de sete pessoas, no dia 30 de agosto, depois de saber que se tratavam de agentes da FBI e da Agência de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo.
O capitão Ben Wolfinger, da polícia local, concedeu aos agentes credenciais de mídia para que pudessem acompanhar os fotógrafos durante a cobertura do julgamento. Depois que um repórter reclamou, no entanto, o xerife Rocky Watson retirou as credenciais dos agentes, os quais estavam vestidos e equipados como fotógrafos.
Devido à possibilidade de ataques terroristas durante o julgamento, repórteres foram obrigados a utilizar um crachá de identificação contendo foto e carimbo de autorização de acesso à Corte.
O evento levantou uma velha questão no jornalismo. O fato de agentes do FBI se passarem por jornalistas faz com que a profissão perca a confiança pública.
FRANÇA
Le Monde recupera domínio
O jornal francês Le Monde ganhou os direitos do endereço na internet www.le-monde.com no dia 4 de setembro, após procedimento da ONU. Pierre-Yves Gautier, árbitro da ONU, sustentou uma reclamação do Le Monde contra Elphege Fremy da França, dizendo que Fremy registrou o nome do domínio com má-fé.
Fremy, por sua vez, disse que "se se pensar na expressão em si – ‘o mundo’ –, seu caráter genérico proíbe qualquer apropriação exclusiva". Ele pretendia abrir um portal de informação, mas foi impedido por falta de verbas. De acordo com matéria da Associated Press (5/9/00), Gautier ordenou a transferência de nome.
O sistema da Organização de Propriedade Intelectual Mundial das Nações Unidas, inaugurado no ano passado, permite devolver um domínio àqueles que crêem ter direito real, sem passar por uma batalha legal.
Volta ao índice
Monitor da Imprensa – próximo bloco
|