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MONITOR DA IMPRENSA
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000
VEXAME AMERICANO
Murdoch e seu império conservador
Rupert Murdoch estava ocupado defendendo o canal Fox News contra acusações de cobertura tendenciosa. A Fox se autodenomina uma emissora "justa e equilibrada", mas na noite de 7 de novembro, John Ellis, membro da equipe de jornalistas da Fox que cobriu as eleições, conversou ao telefone com seus primos Jeb e George W. Bush. Uma semana depois, os atos de Ellis foram publicados na revista New Yorker, na qual o jornalista foi acusado de conflito de interesses e divulgação de dados confidenciais da apuração dos votos.
Ellis negou qualquer gesto antiético, mas a percepção de indução de notícias tocou nas feridas da Fox. Murdoch ergueu a voz rapidamente, dizendo aos acionistas que não houve qualquer partidarismo nos noticiários da Fox News.
Servir ao interesse público, segundo artigo de Cynthia Cotts [The Village Voice, 22/11/00], costumava ser uma missão sagrada das emissoras. O princípio ainda estava ativo em 1996, quando o Congresso abriu os olhos ao espectro da TV digital, em troca da promessa de que emissoras sacrificariam uma oportunidade comercial de vez em quando. Mas Fox quebrou a promessa ao decidir transmitir o filme Dark Angel em vez do primeiro debate presidencial.
Se o interesse público é tão passé, por que Murdoch insiste na neutralidade? Provavelmente porque é um homem astuto e fará o necessário para desviar regulamentos inconvenientes.
Sua companhia News Corp é sediada na Austrália. Para evitar ser acusado de propriedade estrangeira de companhias midiáticas norte-americanas, tornou-se cidadão dos Estados Unidos. Quando críticos disseram que ele não deveria ter uma estação de TV e um jornal – o New York Post – na mesma cidade, ele argumentou que salvar o Post de falência era serviço público.
"Rupert é um conservador, e pensa que o conservadorismo prevalece nos EUA", explicou o vice-editor John Podhoretz. A emissora de Murdoch é um grande sucesso nacional e internacional. De seis estações de TV em 1986, a Fox passou a contar com 22 neste ano.
O canal Fox News, voltado ao mercado a cabo, está se tornando lucrativo após apenas quatro anos e os índices de audiência são muito altos. O canal foi fundado por Roger Ailes, veterano de muitas campanhas presidenciais republicanas.
Mesmo no sítio da Fox, nota-se a preponderância de intelectuais conservadores. Como escreveu Eric Boehlert na Salon, "quem precisa de uma vasta conspiração de direita quando se tem uma vasta emissora de TV de direita?"
VNS acusada de monopólio
O Instituto Antitruste Americano de Washington D.C. está estimulando o Departamento de Justiça a dar fim ao Serviço de Informações de Eleitores (VNS), após uma noite eleitoral de informações erradas e chamadas errôneas, como lê-se em matéria de Amy Doan [Forbes, 29/11/00].
O VNS é um consórcio nova-iorquino formado pelos veículos ABC, CBS, NBC, CNN, Fox e Associated Press – que formaram uma santa aliança, em 1990, no esforço conjunto para economizar milhões de dólares dos custos das pesquisas.
Críticos da VNS (que opera como uma corporação de responsabilidades limitadas para seus membros) afirmam que a companhia teve monopólio virtual na apuração dos votos das eleições presidenciais. "Competição pode resultar em melhor qualidade e as emissoras seriam mais cuidadosas em fazer projeções de resultados porque teriam dados ligeiramente diferentes", afirma Robert Lande, professor de direito da Universidade de Baltimore que escreveu a carta pelo grupo de advocacia.
No dia 22 de novembro, a ABC anunciou diversas reformas que devem reduzir erros em coberturas eleitorais. A ABC News irá "isolar" seus analistas para que não sintam pressão a oferecer resultados logo. A companhia afirmou que não irá noticiar vencedores em qualquer estado até que a contagem de votos seja concluída.
Reformas, no entanto, não resolverão o problema real – o fato de que apenas uma companhia fornece dados aos veículos noticiosos. Mesmo as pequenas organizações midiáticas que não contrataram o serviço transmitem resultados baseados naquelas já reportados por empresas que utilizam o VNS.
O VNS provavelmente argumentará que consórcios são a única maneira de pagar pela apuração da contagem de votos e amostras de dados. A Associated Press, por exemplo, é protegida da legislação antitruste porque canais noticiosos retrucaram que consórcio é a solução para mandar jornalistas a áreas as quais, de outra forma, não seriam cobertas pela mídia.
BODE EXPIATÓRIO
Mídia contra Katherine Harris
Katherine Harris, secretária de estado da Flórida, foi comparada a Cruella de Vil, personagem da Disney, e a Marilyn Manson. Foi ridicularizada pelo Washington Post e exposta na primeira página de fofocas. Até uma companheira republicana, Laura Ingraham, encorajou-a a amenizar a maquiagem funerária. O humorista Bill Maher, de um programa político da ABC, foi ainda mais agressivo: desejou a Harris uma morte violenta.
A secretária de Estado, de acordo com artigo do New York Post (5/12/00), foi bode expiatório pessoal de análises impressas e talk shows de TV nos Estados Unidos durante as últimas semanas. A "vilã" é mais crucificada por sua aparência que por seu partido, mas ninguém foi tão cruel – e tão amplamente ignorado pelas figuras da mídia e da política – quanto Maher.
Como muitos outros, Maher, o convidado "politicamente incorreto" do programa no dia 30, notou a similaridade entre a cobertura ao vivo da viagem do caminhão que levou as urnas da Flórida a Tallahassee e o passeio de carro de O.J. Simpson para lugar nenhum.
Maher disse que "por alguns momentos, os Estados Unidos seguraram o desejo de que O.J. Simpson houvesse assassinado Katherine Harris".
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