MONITOR DA IMPRENSA

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000

 

ÁSIA CENTRAL
Na mira dos governos

Analistas da política dos países da Ásia Central – Uzbequistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Quirguistão e Cazaquistão – observaram forte pressão sobre todos os veículos em relação a notícias provindas do governo.

Dificuldades financeiras rotineiras de países pobres à parte, jornalistas da Ásia Central têm suportado prisões, visitas de inspetores fiscais, espancamentos e, em casos extremos, assassinatos.

Fontes dos governos desmente o uso de violência, mas dizem ter utilizado restrições duras necessárias a uma imprensa independente que freqüentemente enfrenta o establishment.

No Turcomenistão, o mais repressivo dos cinco países, o Estado controla e autoriza as publicações e jornais lembram o leitor, logo na primeira página, que o presidente Saparmurat A. Niyazov é patrocinador do veículo. De acordo com Douglas Frantz [The New York Times, 7/12/0], em maio último o governo estendeu seu controle para a internet, fechando provedores de serviço independentes e consolidando um serviço estatal.

No Uzbequistão, o mais populoso, as principais companhias de mídia independente são propriedades de aliados próximos do presidente Islam A. Karimov ou de membros do governo. Os maiores jornais são financiados pelo Estado e impressos em suas gráficas oficiais.

O Uzbequistão conta com a chamada "lei de ofensa", a qual torna crime criticar o presidente, sua família, autoridades e instituições públicas. Prisão é mais que uma ameaça à toa para quem viola a regra, e o alcance do governo é vasto. No ano passado, a polícia prendeu dois jornalistas acusados de distribuir um jornal proibido que supostamente difamou Karimov. Um foi condenado a 14 anos de prisão e o outro, a 15.

Até a poderosa BBC sofreu retaliações após reportar problemas de direitos humanos na região. O governo trocou a estação de rádio da BBC no Uzbequistão para uma banda cuja sintonia só era possível por ondas curtas de rádio, limitando drasticamente a audiência.




CNN
Programação nova, equipe magra

A CNN está avaliando suas operações globais e alguns dos resultados esperados são grandes mudanças na programação e centenas de demissões nas próximas semanas.

A avaliação deverá ser divulgada na mesma época em que a Time Warner, dona da CNN, prepara-se para fundir com a America Online, segundo Jim Rutenberg [The New York Times, 1/12/00].

Em memorando à sua equipe, Tom Johnson, diretor da CNN, e Philip I. Kent, presidente, prometeram "mudanças agressivas na programação e na maneira de colher notícias e levá-las ao público". A nota dizia, ainda, que "talento, capacidade e potencial de cada empregado serão considerados de forma a compatibilizar a equipe às oportunidades de carreira nos serviços e melhor atender à CNN, à medida que esta se prepara para o futuro como peça fundamental na AOL/Time Warner".

A expectativa de demissões trouxe ansiedade em toda a organização. Enquanto alguns setores sofrerão redução de número de empregados, outros teram aumento, afirmam executivos da CNN. Não há data certa para a publicação final dos planos de mudança.




DISNEY vs. COMCAST
Consumidor como refém

A Walt Disney Co. exigiu que a Comcast Cable Corp. abarcasse seu novo canal SoapNet, cuja programação é composta apenas de novelas, e desse distribuição mais ampla ao canal Disney, colocando-o no pacote básico de TV a cabo da Comcast – junto com CNN, MTV e Discovery Channel. Assinantes pagam cerca de 8 dólares mensais a mais para ter o canal Disney em seu pacote de assinatura.

Segundo reportagem de Christopher Stern [The Washington Post, 29/11/00], a Disney ameaça revogar o direito de transmitir a programação da ABC em seis cidades – entre as quais se incluem Nova York, Los Angeles e Chicago – se a Comcast não concordar com as exigências.

Até agora, a Comcast é o único sistema de TV a cabo nos Estados Unidos que não chegou a um acordo com a Disney, afirmam executivos da empresa. A Comcast acusou a Disney de tentar, em 28 de novembro, fazer os assinantes de reféns para suas demandas.

Se a Disney e a Comcast chegarem a um impasse, não será a primeira vez que assinantes perderão seus sinais de TV locais por causa de disputas entre corporações que deveriam trabalhar em parceria. Em março, a Time Warner cortou a programação da ABC, que pertence à Walt Disney Co., para 3,5 milhões de assinantes em Nova York, Houston e Los Angeles por 36 horas, pelos mesmos motivos. Em março, episódio semelhante ocorreu com a Fox. A Comcast assegurou que só tirará a ABC do ar se esta solicitar.

No epicentro das discussões estão os contratos que permitem que sistemas locais de TV a cabo retransmitam sinais de estações de TV locais. Emissoras de TV, ou companhias que as controlam, usam o acordo para exigir que companhias de cabo abarquem outros canais a cabo que vêm sendo desenvolvidos.

Depois que a Time Warner tirou a ABC do ar, membros do Congresso acusaram a companhia de utilizar os assinantes como garantia em negociações com a Disney.



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