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MONITOR DA IMPRENSA
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 14/04/2000
PRÊMIO PULITZER
E o vencedor é...
Na segunda-feira (11 de abril) ocorreu nos Estados Unidos a cerimônia de premiação mais reconhecida no jornalismo norte-americano: a distribuição dos Prêmios Pulitzers. Segundo matéria de Beth J. Harpaz [The Washington Post, 11/4/00], os vencedores de cada categoria arremataram 5 mil dólares – exceto os da categoria serviço público, que receberam uma medalha de ouro.
O Washington Post levou três Pulitzers: o de serviço público, por reportagem que expôs o abuso de doentes mentais dentro da família; o de crítica jornalística, pelo texto de Henry Allen sobre fotografia; e de especial fotográfico, pela cobertura de refugiados de Kosovo.
O Denver Post recebeu o prêmio por furo de reportagem (breaking news), por matéria sobre o massacre na Columbine High School. A equipe do Denver Rocky Mountain News recebeu a premiação de fotografia noticiosa ao vivo.
Conhecido pela sua boa cobertura política, o Wall Street Journal levou prêmios em duas categorias, ambos atribuídos a textos políticos. O primeiro, na categoria reportagem nacional, foi para o relato sobre gastos da defesa americana e atividades do exército no período pós-Guerra Fria. O outro, no quesito comentário, foi dado ao colunista político Paul Gigot, que agradeceu ao presidente Clinton "por fazer tanto pelo jornalismo político".
A Associated Press foi destaque da cerimônia ao levar o prêmio por desvelar os supostos assassinatos de civis por tropas americana, na Coréia do Sul, em 1950. O editor geral da AP, Jonathan Wolman, conta que os repórteres tiveram um trabalho de investigação "de 50 anos e 10 mil milhas". Agradecendo o prêmio, os quatro membros da equipe responsável pela reportagem vencedora declararam que os tributos prestados naquela premiação pertencem ao exército americano e aos sobreviventes coreanos, cujas colaborações tornaram possível o trabalho.
Outros prêmios distribuidos:
Reportagem Internacional: Mark Schoof, do Village Voice, numa série sobre AIDS na África.
Reportagem Explicativa: Eric Newhouse, do Great Falls Tribune, por relatos de abuso no álcool e problemas gerados por ele.
Reportagem de Impacto: George Dohrmann, do St. Paul Pioneer Press, por reportagem sobre fraude acadêmica na Universidade de Minnesota.
Coluna: J. R. Moehring, do Los Angeles Times, por retrato de uma comunidade descendente de escravos no Alabama.
Editorial: John C. Bersia, do Orlando Sentinel, por artigos de prática de empréstimo predatório, comum no estado.
USA TODAY
De cara e tamanho novos
Seguindo o que fizeram o Washington Post e o Boston Globe, o popular USA Today decidiu alterar seu design e reduzir seu tamanho, após seis meses de planejamento.
A reportagem de Doreen Carvajal [The New York Times, 4/4/00] relata que em dezoito anos de circulação, o visual do jornal pouco foi alterado. Agora, pretende adotar um desenho gráfico mais suave. "Uma das mudanças previstas é dar um visual mais limpo", afirma Tom Curley, editor do USA Today. "Ao contrário da mídia em geral e do próprio USA Today antigo, não queremos imagens gritantes."
Para conseguir essa nova aparência, entre outras medidas será feita uma alteração no formato das letras "para uma mais alta e mais discreta", segundo Curley. A mudança resultará em oito polegadas (20,3 cm) a mais de texto, e, em contrapartida, numa economia de papel e tinta que chega a reduzir em 7% o custo do jornal.
Segundo o New York Times, Curley explica que "a redução consiste no corte de cerca de uma polegada (2,54 cm) na largura, e no aumento de meia polegada no comprimento". A nova configuração, de acordo com a reportagem, permite que, com o papel economizado, produza-se mais quatro páginas.
Apesar das mudanças, as seções permanecerão nos seus respectivos lugares. "Os leitores aprovaram o novo visual do jornal, mas não apreciariam mudanças na disposição das seções", conta Curley, partindo dos resultados obtidos de pesquisas feitas ao longo dos seis meses com um grupo de leitores.
O New York Times também considerou a possibilidade de reduzir suas páginas. No entanto, "manter o tamanho sustenta as necessidades dos anunciantes e dos leitores que olham para o Times como um jornal nacional distinto", justifica Nancy Nielsen, porta-voz da companhia.
ELEIÇÕES AMERICANAS
TV aberta vs. TV a cabo
Os Estados Unidos estão atravessando uma nova era da notícia política. Os noticiários transmitidos por TV a cabo vêm ganhando mais credibilidade do telespectador que os da rede aberta.
De acordo do a reportagem de Peter Marks, [The New York Times, 7/4/00], a guinada deve-se à ênfase que os canais fechados têm dado à cobertura de notícias de política. Enquanto a rede a cabo CNN planeja cobrir a etapa final das eleições presidenciais com quatro cabines de transmissão, a emissora de TV aberta ABC, contará com apenas uma "cabine virtual" para seu ABC News, localizada no lado de fora da sala de convenções, por medida de economia. "Você tem que morar em Marte para não saber da realidade fiscal de hoje", afirma Marc Burstein, produtor executivo de eventos especiais da ABC News.
O fenômeno de "inversão da audiência" foi observado durante a primeira fase das eleições. Conscientes do declínio de audiência das notícias no horário nobre, as redes abertas enxergam a possibilidade de canais a cabo utilizarem a credibilidade conquistada na primeira etapa para invadir as casas dos telespectadores no outono, quando ocorre a fase final da eleição presidencial e a grande maioria dos americanos está grudada na televisão.
O vice-presidente da MSNBC, Erik Sorenson, explica que a mudança deve estar ocorrendo porque nunca existe a certeza de que as redes de televisão abertas vão cobrir essas notícias. O presidente da ABC News, David Westin, questiona com quem as TVs a cabo estarão dialogando durante o dia todo. "É mais importante a qualidade da informação transmitida que o número de horas no ar", afirma.
Segundo estatísticas fornecidas pelo New York Times, sete em cada dez americanos possuem assinatura de TV a cabo – numa população em que 98% do lares têm televisão.
A guerra pela melhor cobertura política está prometendo saciar a fome americana por notícias a qualquer hora do dia. E a população terá realmente a obrigação de assistir à todos os passos que envolvem o processo eletivo. Caso contrário, não valerá a pena a "corrida jornalística" que, como explicou Rick Kaplan, presidente da CNN, consiste em estar "mais tempo no ar cobrindo as convenções que o número de horas gastas pelas convenções em suas sessões".
MÍDIA & MERCADO
Concorrentes serão parceiros
Oprah Winfrey, apresentadora de um dos programas femininos mais populares na TV e uma das figuras mais poderosas da mídia norte-americana, está lançando uma nova revista – a que deu o nome de O. Apesar de responsável pela publicação, a Hearst Incorporation não poderá ligar a nova revista aos seus outros veículos femininos, o programa de TV a cabo Lifetime e o site Women.com, de acordo com o contrato assinado entre Winfrey e a empresa.
A Hearst, de acordo com a matéria de Matthew Rose [The Wall Street Journal, 5/4/00], possui metade do programa de TV a cabo Lifetime e 48% do site Women.com – potenciais concorrentes do site de Winfrey, Oprah.com, cuja propriedade é da Oxygen Media, uma rede feminina online e de TV a cabo que compete diretamente com o Lifetime.
Assim, se houvesse na O anúnicos ou programações do Women.com, Winfrey estaria promovendo um site que concorre com o seu. Daí a necessidade de fechar o contrato com a Hearst com a condição de não haver ligações da nova revista com as produções de sua editora.
A situação é no mínimo propícia para conflitos. "Eu não sabia que controlava isso, mas digo que todos sabem da necessidade de se estar disposto para um acordo, ou teremos uma grande confusão aqui", afirma Oprah.
A presidente do grupo de revistas da Hearst, Cathleen P. Black, procurou não incitar conflitos com a apresentadora. "Nossos concorrentes são nossos parceiros", afirma. "Vivemos num mundo grande, vasto e complicado."
O curioso é que a Hearst estava contente com a decisão de Winfrey. "Desistir das vantagens de cooperação entre operações de TV e Internet será bom para a Hearst por causa do poder da imagem de Oprah", afirma Black. O programa de Winfrey, segundo o Wall Street Journal, alcança 22 milhões de telespectadores por semana nos Estados Unidos e é transmitido em 119 países.
A nova revista já esgotou, para as duas primeiras edições, as 116 páginas destinadas a publicidade de cada número. A primeira O será lançada neste mês.
Se os acordos forem mantidos, não há um problema efetivo nas negociações: a Hearst contenta-se com a simples publicação da revista e a Oxygen não abre mão do "monopólio" da apresentadora. "Oprah interessa-se muito pela Oxygen e não fará sentido a ela participar do Lifetime", comenta Lisa Hall, chefe do escritório de operações da Oxygen. A grande preocupação dessa empresa, segunda Hall, é a tentativa da Hearst em direcionar a versão online da O para seu próprio proveito, quando, na opinião da chefe, deveria voltar-se para a Oxygen.
O impasse pode ser classificado como "um caso a ser estudado, sobre as armadilhas de fazer negócios na era de proliferação de alianças", define o Wall Street Journal.
HAITI
Radiojornalista assassinado
O radiojornalista mais importante do Haiti, Jean Dominique, 69, e seu segurança foram mortos a tiros no último dia 3 por dois homens armados, ao lado da estação de rádio em Port-au-Prince, capital haitiana.
Os homens que dispararam os tiros fugiram e Dominique e seu segurança foram levados a um hospital do subúrbio, onde morreram. Matéria de Robert D. McFadden [The New York Times, 4/4/00] conta que o motivo do assassinato de Dominique é desconhecido, mas haitianos influentes que vivem na comunidade haitiana em Nova York crêem ter sido um ato premeditado, para efeito político. Em ambos os lugares, a notícia da morte de Dominique foi recebida com lamento, pesar e raiva, e transmitida às 7 horas, horário do programa cujos âncoras eram Dominique e sua mulher, a jornalista Michele Montas.
Dominique nasceu em Port-au-Prince, em família de boas condições sociais. Estudou agronomia e, no começo dos anos 60, quando a mídia era propriedade do governo, ele fundou a Radio Haiti Inter, cujas notícias e comentários eram ouvidos seis vezes por semana por 300 mil haitianos em Nova York e muitos dos 8 milhões de habitantes do seu país.
Exilado duas vezes por apoiar a oposição e sustentar idéias democráticas em plena ditadura, Dominique só pôde voltar definitivamente a seu país após intervenção dos Estados Unidos, em 1994.
Recentemente Dominique apoiou a decisão do governo em adiar as eleições. Segundo Ricot Dupuy, gerente da Rádio Soleil, "ele queria ter certeza de que as eleições seriam democráticas e justas". Dupuy comenta o assassinato pensando na repercussão política do discurso de Dominique. "Ele foi morto para ser silenciado", disse.
MÉXICO
Liberdade de imprensa?
O México é um país de imprensa livre. Aparentemente. Este rótulo corre o risco de desaparecer devido à compilação que o exército mexicano vem praticando de arquivos de comentaristas, correspondentes, colunistas, repórteres e até de políticos de oposição da época da Revolta Zapatista.
O dossiê com alguns desses arquivos foi recentemente publicado por um serviço de notícias online, o To2. De acordo com Mary Beth Sheridan [Los Angeles Times, 1/4/00], os arquivos secretos levantam a questão da aceitação dos militares no que diz respeito à reforma democrática e à livre imprensa.
Baseados nos documentos obtidos pelo exército em 1994, quando ocorreu o levante zapatista no estado de Chiapas, os militares hoje possuem uma lista de mais de duzentos jornalistas e políticos mexicanos. O perfil de cada um é analisado conforme a participação na revolta.
Alguns arquivos são verdadeiras biografias. Outros estão cheios de erros e fofocas. Mas todos eles refletem a profunda suspeita dos militares a respeito de informações que diferem da versão do exército sobre os acontecimentos de Chiapas.
Segundo a matéria do LA Times, cientistas políticos afirmam que esse comportamento do exército é decorrente da dificuldade em aceitar críticas, após um longo período de sigilo.
Apesar da surpresa, o assunto não parece assustar os jornalistas. "Se for apenas informação inteligente, não estou com medo", afirma Pedro Armendares, líder do grupo profissional de jornalistas investigativos. "Mas se for usado para barrar o trabalho dos repórteres, molestar, ou limitar o acesso a informações ou lugares para certos jornalistas, os arquivos parecem bem nocivos."
Hilda Garcia, respeitada jornalista e diretora de edição do To2, afirma ser de conhecimento geral que todos os jornalistas serão sempre observados. "O que parece estranho é o fato de o exército ter feito isso como uma estratégia de guerra. Os militares só agiram quando o conflito começou no Chiapas", comenta.
Embora o exército negue, o site <http://www.to2.com.mx> dispõe de setenta arquivos. Em cada um há o nome do repórter ou colunista, a organização a que pertence e uma descrição de como é vista a cobertura jornalística que fez do exército durante a revolta de 1994 –classificada como positiva, negativa ou crítica.
Juanita Darling é um exemplo. Correspondente do The Times’ Central America, sua ficha revela que sua cobertura do exército mexicano foi negativa e que ela "contribuiu para gerar uma atmosfera positiva" ao redor de três personalidades favoráveis aos zapatistas.
Apesar de soar ameaçador, o exército nunca agiu contra jornalistas a partir do dossiê. O efeito, na verdade, foi contrário. "Muitos jornalistas sentiram-se ofendidos por não constar na lista", relata Armendares.
O fato de muitos jornalistas terem se considerado honrados por verem seus nomes na lista revela o quanto mudou a relação entre a mídia e o exército mexicano, afirma a autora da matéria do Los Angeles Times.
O Ministério da Defesa mexicano não quis comentar o caso com o jornal.
TUNÍSIA
Observatório dos direitos humanos
O jornalista tunisino Taoufik Ben Brik declarou greve de fome desde o dia 3 de abril, devido ao confisco de seu passaporte e indiciamento em processo movido pelo governo da Tunísia. Segundo matéria do Human Rights Watch [5/4/00], Ben Brik pode ser condenado a nove anos de prisão por "difamação de instituições públicas" de seu país, publicadas nos jornais suíços Tribune de Genève e Le Courier. O governo tunisino alega que são falsas as informações do jornalista sobre direitos humanos dadas aos jornais.
Fundador de um grupo local de monitoramento de direitos humanos, há tempos Ben Brik tem sido alvo de perseguições. O comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) e o Human Rights Watch iniciaram medidas para defendê-lo. No mês passado, Ben Brik ganhou o prêmio anual oferecido pelo Human Rights para jornalistas perseguidos politicamente.
O CPJ enviou uma carta no dia 5 de abril ao presidente da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, protestando contra os boicotes e acusações atribuídas ao jornalista – "um profissional dedicado que está na mira do governo por fazer seu trabalho", define Ann K. Cooper, diretora executiva do CPJ. "O boicote tem que acabar."
A carta, cujo objetivo é assegurar o fim do processo judicial contra Ben Brik e a devolução de seu passaporte, enumera os ataques sofridos nos últimos tempos pelo jornalista por agentes do Estado:
- A linha telefônica de Ben Brik tem sido freqüentemente cortada e ele tem sido alvo de rigorosa vigilância policial nos arredores de sua casa.
- Em 28 de janeiro de 1999, um grupo de cinco homens, presumivelmente agentes do Estado, arrombaram o carro de Azza, esposa de Ben Brik. Mais tarde, no mesmo dia, o jornalista recebeu ameaças anônimas por telefone.
- Em abril, a polícia do aeroporto tunisino confiscou o passaporte de Ben Brik.
- Em 21 de maio de 1999, o acusado foi agredido fora de sua casa por três homens não identificados. Três dias após o ataque, Ben Brik foi preso sem mandado judicial na Tunísia, por cerca de três horas.
A carta deixa claro que, como partidária do ICCPR (Declaração Internacional dos Direitos do Homem e do Cidadão), a Tunísia tem obrigação de "garantir aos jornalistas o direito de procurar, receber e transmitir informações e idéias de todos os tipos, desconsiderando fronteiras".
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