MONITOR DA IMPRENSA

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 15/01/2001


ESQUIRE
Clinton rejeita prática da revista

 

A edição de dezembro da revista Esquire exibiu um longo perfil de Bill Clinton junto com uma entrevista. Para tanto, ostentou uma foto um tanto provocativa em sua capa. Fotografado de baixo, o presidente está sentado em um banquinho com as pernas demasiado abertas e um riso forçado estampado no rosto.

No entanto, não foi a capa que, no final das contas, causou a grande comoção, mas um assunto mais mundano: o timing. Segundo artigo de Elizabeth Angell [Brill’s Content, 4/1/01], a entrevista do jornalista Michael Paterniti com Clinton foi extensiva e franca, e o presidente declarou que o Congresso Republicano deveria pedir desculpas por ter duvidado dele.

A Esquire enviou cópias antecipadamente para a imprensa no dia 27 de outubro, em tempo para a festa dos talk shows do fim de semana e apenas 10 dias antes das eleições. A imprensa atacou Clinton por seus comentários, inferindo que ele estivesse tentando roubar a cena de Al Gore.

Em 30 de outubro, Clinton demonstrou seu desprazer com a Esquire, a qual, segundo ele, quebrou o compromisso de não colocar em circulação a edição até que as campanhas de sua esposa e de Gore terminassem. David Granger, editor-chefe, e Mark Warren, chefe-executivo da revista, discordam. Warren afirma que nunca foi discutida a data de publicação da revista.

Não é assim que o fato é lembrado pela Casa Branca. "Mandaram-nos uma carta dizendo que o perfil seria publicado em dezembro", disse Clinton. De fato, Warren enviou uma carta à Casa Branca em 26 de maio, dizendo que a Esquire gostaria de "produzir um belo e último artigo sobre o Presidente Clinton" e que "o perfil estaria na capa da edição de dezembro da revista". A carta não mencionava quando, exatamente, a edição de dezembro se faria pública.

No mundo da mídia, cópias antecipadas podem ser enviadas a indivíduos seletos da imprensa – especialmente quando determinados artigos causam frisson. É possível que a sábia Casa Branca não soubesse dessa prática?

Apesar de funcionários da Casa Branca reconhecerem que não houve acordo por escrito sobre datas de publicação, ainda culpam a Esquire. Acordos permanecem abertos a interpretações, algo que a administração de Clinton, após oito anos, certamente sabe. Se oficiais da Casa Branca quisessem que a Esquire – ou qualquer outra revista – garantisse que o exemplar de dezembro não fosse às ruas até após as eleições, eles deveriam, simplesmente, ter dito.

 

NAS ENTRELINHAS
Ofensa epigramática


Stephen Pollard, jornalista chefe que está deixando o Daily Express, escreveu o que muitos leitores consideraram uma exposição inocente do apoio do jornal ao cultivo de alimentos orgânicos na Inglaterra. Uma leitura mais alentada, no entanto, revelou que a primeira letra de cada sentença soletrava repreensões um tanto quanto indecentes a Richard Desmond, dono do jornal.

O colunista brincou que se tratava de uma "incrível coincidência", mas seus novos patrões do Times parecem não ter achado muito graça, de acordo com Matt Wells [The Guardian, 8/1/01]. "É um assunto muito sério", disse um executivo do Times, no dia 7 de janeiro. A posição de Pollard no jornal ainda é incerta.

O último editorial de Pollard no Express, publicado no dia 6 de janeiro, continha 14 sentenças. As iniciais formavam a frase "fuc* you Desmond".

Pollard saiu do Express por repugnância ao envolvimento de Desmond com revistas pornográficas. Segundo ele, "alguém me apontou esse logro. Eu não fazia idéia."

Não é a primeira vez que esse tipo de subversão é perpetrado em jornais. Em 1990, um cartum de Charles Griffin publicado no Daily Mirror continha uma expletiva direta para o publisher do jornal, Robert Maxwell, rabiscada em pequenas letras ao fundo.

 

INGLATERRA
Corte afasta imprensa


Jon Venables e Robert Thompson tinham 10 anos em 1993, quando cometeram um dos mais horripilantes crimes dos últimos tempos, iscando James Bulger, um garoto de 2 anos, de um shopping em Liverpool, espancando-o até a morte e atirando seu corpo semi nu nos trilhos de uma ferrovia.

Desde então, Venables e Thompson têm cumprido a sentença pelo assassinato. Uma juíza da Corte superior, preocupada com a segurança dos assassinos no futuro, ordenou que os dois, agora com 18 anos, sejam protegidos da intrusão da mídia ao serem libertados, no final deste ano.

De acordo com Sarah Lyall [The New York Times, 9/1/01], a regra proíbe a mídia de revelar detalhes sobre onde os dois estão morando, como são e o que fazem. Também está vetada a publicação ou transmissão de quaisquer fotografias dos sujeitos nos últimos oito anos.

Além disso, a mídia noticiosa não está autorizada a revelar detalhes sobre as novas identidades que os dois devem receber em breve. Ainda não foi decidido se as famílias também terão acesso a novas identidades.

Em sua decisão, a juíza, Elizabeth Butler-Sloss, disse que levou em conta direitos conflitantes da Convenção Européia de Direitos Humanos, a qual se tornou parte da legislação britânica no ano passado: o direito dos dois de privacidade versus o direito da mídia noticiosa de liberdade de expressão.

"Reconheço a enorme importância de sustentar liberdade de expressão e direito de publicação da imprensa", disse a juíza em sua sentença. "Apesar de ter havido discussões equilibradas em artigos da imprensa nos últimos meses, o senso de insulto moral não diminuiu."

A Sociedade de Editores condenou a decisão, a qual, diz, pode abrir portas à mesma reclamação provinda de outros criminosos notórios.

 

REPÚBLICA TCHECA
Jornalistas tchecos rejeitam novo chefe


Supervisores do novo chefe da emissora de TV pública da República Tcheca recusaram-se a aliviar a pressão para demiti-lo sob acusações de envolvimento político.

De acordo com a Reuters (8/1/01), a assembléia inferior do parlamento exigiu que o Conselho de Televisão Tcheco demitisse Jiri Hodac e que o novo chefe se despedisse dos funcionários grevistas da estação e do público em geral.

O Conselho, no entanto, não incluiu uma votação para demitir Hodac em sua reunião. Mesmo assim, espera-se que ele seja forçado a se retirar.

Críticos de Hodac acusam-no de posicionamento político em favor dos civil-democratas, liderados pelo ex-primeiro ministro Vaclav Klaus. Hodac refuta as acusações. Sua indicação para chefe da emissora despertou uma greve entre funcionários da TV.


Volta ao índice

Monitor – texto anterior

Monitor – próximo texto



Mande-nos seu comentário




Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você