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OBSERVATÓRIO NA TV

ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/9/2000



OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 221-0566

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

Videoconferência: veja instruções em http://www.tvebrasil.com.br/video.htm

 

 

A resposta da Globo (*)

Alberto Dines

Bem-vindo ao Observatório da Imprensa. Você está lembrado do último programa, quando tratamos do caso Pimenta Neves. A TV Globo foi muito citada e cobrada inclusive pela direção deste programa por recusar qualquer explicação sobre sua atitude de usar uma câmera oculta no depoimento do assassino. Agora, uma semana depois, recebemos um e-mail [ver íntegra abaixo] de Amauri Soares, diretor de Jornalismo da Globo em São Paulo, onde oferece algumas explicações. Diz ele em resumo:

1) Casos de homicídio são de interesse público, já que a sociedade julga o réu no tribunal de júri. Neste contexto, a exibição de cenas do depoimento pode ser benéfica para o processo;

2) A decisão da juíza da Comarca de Ibiúna de impedir novas exibições do depoimento significa uma censura à atividade jornalística;

3) O jornalista Fernão Mesquita, diretor do Jornal da Tarde, reclamou dos cortes sofridos por um depoimento seu num programa da Globo News, sobretudo quando se referiu à decisão do Grupo Estado de não interferir nas relações interpessoais de seus funcionários. Por esta razão o diretor da Globo pede desculpas;

4) O jornalismo de TV não tem "páginas internas", onde podem ser ocultados ou amenizados determinados tipos de noticiário. Jornalismo de TV só tem primeira página, e assim, nas primeiras páginas da Globo noticiamos sem adjetivos o assassinato da repórter Sandra Gomide e os privilégios concedidos ao assassino confesso.

O diretor da Globo não comentou nossa reclamação contra a política da Globo de não oferecer explicações sobre seus procedimentos.

De nossa parte acrescentamos que jornalismo de TV tem, sim, primeira página, é o que se chama no jargão de "escalada", aquela sucessão de manchetes na abertura do jornal.

Nosso assunto de hoje é a utilização abusiva das prévias eleitorais. Já tratamos disso nas eleições anteriores e continuaremos a tratar disso enquanto a mídia abusar da utilização das sondagens, esquecendo sua contribuição para a elevação do nível do debate. A disputa eleitoral é a oportunidade para se confrontarem idéias e programas. Isso está sendo substituído por um placar esportivo em que o eleitor vai apostar em quem está ganhando.

O certo seria ouvir quem pode atender às suas necessidades e convicções.

(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nº 118, no ar em 5/9/00




Sobre a cobertura

Amauri Soares (*)

Os participantes do debate sobre o "caso Pimenta Neves", promovido pelo Observatório da Imprensa na semana passada [29/8/00], fizeram várias considerações sobre a cobertura jornalística da Rede Globo. Como jornalista responsável pela cobertura, peço sua licença para responder a algumas destas considerações:

1) Ao exibir as imagens do depoimento do jornalista Pimenta Neves, gravadas com microcâmera, a Rede Globo não infringiu lei alguma. Casos de homicídio são de interesse público, já que o próprio público é quem julga o réu, por intermédio do Tribunal do Júri. Neste contexto, a exibição das cenas do depoimento só pode ser benéfica para o processo. Inclusive porque os trechos das declarações do Sr. Pimenta captados pela microcâmera estranhamente não constam da transcrição do depoimento, feita pela Polícia. Ainda sobre o depoimento, é importante registrar que ilegalidade existe quando é tomada a decisão de se ouvir o réu em local privilegiado, o que também ficou documentado na gravação da microcâmera;

2) A decisão da Juíza da Comarca de Ibiúna, de impedir nova exibição das cenas, significa censura à atividade jornalística. Por esta razão, a TV Globo está recorrendo da decisão; o Sr. Fernão Mesquita, diretor-responsável pelo jornal O Estado de S. Paulo, se queixou durante o Observatório da Imprensa de que sua entrevista sobre o assunto foi excessivamente reduzida por um dos programas da Globo News.

De fato, a produção do programa optou por usar apenas o trecho da entrevista do Sr. Fernão Mesquita em que ele comenta o homicídio. Infelizmente não foi ao ar na Globo News o trecho em que ele analisa a decisão do jornal O Estado de S. Paulo de não interferir nas relações interpessoais de seus funcionários. Por esta razão, nos desculpamos com o Sr. Fernão Mesquita;

3) O jornalismo de televisão não tem ‘páginas internas’ onde podem ser ocultados ou amenizados determinados tipos de noticiário. Jornalismo de televisão só tem primeira página. E foi assim, em nossas primeiras páginas, que noticiamos sem julgamento e sem adjetivos o assassinato da repórter Sandra Gomide. Também foi desta forma, em nossas primeiras páginas, que tratamos sem privilégios o assassino confesso Pimenta Neves.

(*) Diretor de jornalismo da TV Globo em São Paulo




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