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OBSERVATÓRIO NA TV
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 27/6/2000
OBSERVATÓRIO NA TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
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SEQÜESTRO NO RIO
Mídia faz a diferença (*)
Alberto Dines
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Você sabe que depois de cada fim de semana nas grandes cidades acontecem chacinas que matam 5 ou 6 pessoas. Você sabe também que a soma destas chacinas numa sexta e sábado pode alcançar algumas dezenas de vítimas fatais. Mas todos nós sabemos que a imprensa fornece estas cifras macabras com a maior frieza, como se fosse a coisa mais normal do mundo. No entanto, o seqüestro do ônibus 174 na semana passada, no Rio de Janeiro, com apenas duas vítimas teve uma tremenda repercussão, consternou o país, assustou ainda mais a sociedade e empurrou os governantes a adotar uma série de medidas para enfrentar a violência. Quem fez a diferença? A mídia faz a diferença. A maciça cobertura ao vivo do seqüestro do ônibus durante quatro horas e meia, a morte de uma inocente e o assassinato posterior do seqüestrador conseguiram a façanha de manter o assunto ao longo de um prazo recorde. O plano nacional de segurança pública anunciado há pouco pelo próprio presidente e o ministro da Justiça é a melhor prova de que há uma relação de causa e efeito entre a intervenção da mídia e as mudanças de atitude tanto nos governantes como nos governados. Este Observatório, que tratou do sinistro episódio 24 horas depois de acontecido, não pode permitir que caia na vala comum das pequenas tragédias que compõem esta grande tragédia nacional da violência urbana. fomos buscar alguns protagonistas, uma delas na dupla condição de vítima e jornalista. Se você é desses que querem esquecer a realidade, mude de canal.
(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nº 107, 20/6/00
MENSAGENS DE TELESPECTADORES
Marisa P. Carvalho
Creio que não será por certo uma nova lei de Segurança Nacional que eliminará a violência urbana. A solução passa obrigatoriamente por uma nova mentalidade dos governantes, dos que exercem cargos de liderança, e que deveriam abandonar definitivamente a "mesmice" das soluções até agora repetidas infinitas vezes sem resultado: aumento de verbas, criação de fundos, elaboração de novas leis, etc. etc. A sociedade atual cria e alimenta os monstros... e depois quer enjaulá-los ou matá-los... O criminoso que seqüestrou os ocupantes do ônibus no Rio de Janeiro ontem, mais um descontrolado, vítima da sociedade, uma verdadeira fera solta ... em um determinado ponto, disse a uma das vítimas: "faça isso e isso, assim, assado, como nos filmes"... e certamente aquele policial militar que provocou a morte da pobre refém, também quis agir como "nos filmes" , enlatados violentos, de péssima qualidade, que eles assistem pela tv desde que eram criancinhas que ainda engatinhavam... quis ser herói e se transformou no vilão da história.. A criatividade de nossos governantes, seria ter a humildade de ouvir a população, e suas sugestões. Seria abrir concursos para jovens arquitetos, que idealizassem projetos de urbanização modernos, com espaço para lazer e exploração pelos moradores de atividades econômicas lucrativas. Seria mudar imediatamente os currículos escolares com suas matérias obrigatórias obsoletas, introduzindo disciplinas de interesse prático e formação para o mundo atual. Seria chamar novos médicos, novos engenheiros, com assessoria de seus mestres, para visitarem os locais onde mais se necessita de sua assistência no país, e apresentarem projetos arrojados, que os estimulasse a se transferirem para esses locais. Criatividade maior, seria que os políticos mudassem a legislação eleitoral, impedindo que demagogos tivessem horário gratuito para aparecer à população como homens sérios e bem intencionados, quando são verdadeiramente aproveitadores. Seria alterar a legislação, proibindo que fossem admitidos "apadrinhados" a cada nova legislatura, tornando obrigatório o ingresso à carreira só através de concursos públicos e nada mais. Os políticos passam pelos cargos, o povo e o país ficam.... Seria proibir terminantemente que um político eleito pelo povo para exercer qualquer cargo público, dele se afastasse antes do término do mandato, para se candidatar a outro cargo, fazendo de sua legislatura um simples degrau para ascensão pessoal, imoral. Seria impedir que campanhas políticas fossem financiadas por particulares. Seria impedir que um político eleito por um determinado partido, pudesse mudar de partido antes de terminar o seu mandato, caso assim fizesse, perderia o cargo para seu suplente. Seria, acima de tudo adotar uma transparência que impedisse que a corrupção chegasse ao ponto que chegou. Vamos acordar? Sempre é tempo de mudança, quando as lideranças de apresentam.
Parabéns pelo seu programa e obrigada pela oportunidade do "desabafo". Saudações.
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Edson Pessoa da Silva
Não existe dúvidas de que os órgãos de imprensa podem e devem auxiliar de diversas formas nesses eventos. Contudo, acho que já é tempo de serem analisadas as causas reais do problema, sob os aspectos políticos e sócio-econômicos. Novamente, a imprensa assume papel importantíssimo tanto na análise como na mobilização da sociedade com o objetivo de melhorar e resolver definitivamente o problema. O evento em questão não foi um caso isolado. Sabemos. Desnecessário lembrar: O sensacionalismo deve ser tratado com muito cuidado pelos órgãos de imprensa, pois, se demasiado, acarretará sérias conseqüências indesejáveis, de difícil recuperação.
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Silnei S. Soares
Joinville, SC – Professor de Comunicação
Quando a imprensa, em sua grande maioria, adota uma postura de convergência ideológica em relação à política econômica do governo, que promove a exclusão social e o conseqüente aumento da violência, não está ela, a imprensa, também contribuindo para o incremento da violência?
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Antonio Sérgio
Araçatuba, SP
Assisti a uma parte do programa de 3ª feira, tentei ligar para expressar minha opinião, mas não consegui. Aproveito agora para mandar uma mensagem. O primeiro ponto que eu gostaria de entender, principalmente nos canais de TV, é: porque apresentar cenas de violência (seqüestro, rebeliões) ao vivo e, pior, normalmente durante a tarde? O que interessa ao cidadão ver essas imagens? Boas notícias não servem para ser transmitidas ao vivo? Não dá Ibope?
Porque será que, em vários casos, o marginal pede a mídia presente? Quanto mais violência mostrar, maior a chance do bandido querer ficar "famoso". Será que foi simples coincidência o fato que o Jornal Nacional mostrou no dia seguinte ao seqüestro? Para quem não viu, ocorreu um assalto a um ônibus em Porto Alegre e o relógio da fita de vídeo marcava 21:36 do dia 12/06, poucas horas após as televisões mostrarem as cenas do seqüestro no RJ. A mesma crítica faço para as "coincidências" quando ocorrem rebeliões de presos em diversos locais do País.
Durante o programa, o Florestan Fernandes Júnior, se eu não estiver enganado, disse que a presença da imprensa ao vivo no local pode até ser um fator a mais de pressão na tão pressionada polícia. Ele tem razão. Não é preciso dar todo o destaque à violência. O JN de 2ª feira foi inteirinho sobre o caso do seqüestro do ônibus. Não havia outra notícia para dar?
Outra coisa que me impressiona na Rede Globo é ela conseguir encontrar o pai de uma refém em Campo Grande / MS. Como eles descobriram isso? Saber o horário, local e rota do ônibus em que a moça exatamente estaria e, mais ainda, achar o pai dela em outro Estado do País é, como diria Sílvio Santos - Incrível!!!
2º Ponto: A partir do momento que saiu o laudo do IML constatando a morte do bandido por asfixia, passaram a tratá-lo como vítima! Inverteram-se os papéis? Quem foi o causador de tudo? Os policiais? Não!! Porque a imprensa geralmente os crucifica?
Também após o laudo, descobriu-se que balas atiradas pelo PM mataram a moça. No Jornal Hoje de 3ª feira, foram apresentados 4 casos com o policial tomando uma atitude rápida frente ao bandido. Em todos, o seqüestrador foi detido. Em 2, infelizmente, mataram também as reféns. Entre os casos mostrados, havia um em que o bandido tinha como refém uma criança. O PM, após atirar no bandido e salvar a criança, foi tratado como herói pela imprensa. E se Geisa não tivesse morrido? Qual seria a opinião da mídia em relação ao policial que atirou?
Outra notícia que a imprensa não deveria mostrar é sobre novas armas, treinamentos, táticas e estratégias usadas pela polícia no combate a marginalidade. Acredito que é uma forma de facilitar a vida do bandido. Até mesmo o novo Plano de Segurança Nacional deveria ser tratado a portas fechadas. Infelizmente, um ministro caiu exatamente por combater a divulgação antecipada do Plano.
Nestes três pontos: Porque não apenas noticiar, sem imagens? Ou, quando o uso de imagens faz-se necessário, apresentar apenas o desfecho do caso. O telejornal Rede Brasil da TVE mostrou diversos ângulos dos disparos feitos pelo policial. Para que? Não importa saber quem atirou em quem. Isso não mudará em nada o desfecho do caso. A moça já está morta!
Estava parecendo discussão de bar sobre jogo de futebol para saber se o atacante estava impedido ou não...
Obrigado pela oportunidade de poder expressar minha opinião e parabéns pelo programa.
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Mário Annuza
Rio de Janeiro
A mídia, de um modo geral, aprecia a violência. Descobriu, ao longo de décadas, que ela dá Ibope. Para que falar dos acontecimentos felizes ? Melhor mesmo evitá-los, falando apenas dos trágicos e tristes. Moro no Rio desde que vim a este mundo, e nunca sofri nenhum tipo de violência. Sou a prova viva de que a mídia exagera as coisas. A mídia, ou melhor, uma parte dela, faz da morte um espetáculo, um verdadeiro "pão e circo", à moda dos imperadores romanos com seu Coliseu e seus leões a devorar brutalmente os cristãos, para deleite do povo. Um bom exemplo disso foi o assalto ao ônibus 174, na realidade um fato isolado, desses que acontece um em um milhão de assaltos. A chance do leitor passar pela triste sina da jovem assassinada é a mesma de acertar sozinho a Mega-Sena. Há exceções, evidentemente, e este programa é um deles, pois não visa comercializar e aterrorizar a população, como alguns concorrentes. A mídia precisa, urgentemente, mostrar o lado bom da vida. Lembrar que, para cada homem assassinado, há dez futuros homens nascendo para a vida,s aindo da barriga das suas mães, vendo a luz do dia, a luz divina, a luz de Deus.
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Carlos Gatto
Rio de Janeiro
Segue abaixo a carta que escrevi revoltado para a imprensa na hora em que estava havendo o seqüestro. A minha preocupação de se preservar uma cena chocante ao vivo na TV tinha fundamento. A jovem de 20 anos ainda não tinha morrido. O que acabou acontecendo. A mesa aí no programa fala para não deixar as crianças verem. Como se eles metem inserções ao vivo em horário de programas de crianças? Existem canais que passam programas policiais, aí tudo bem. Mas quando se insere uma imagem destas alternando com programas de crianças, não tem cabimento. Uma observação bem importante:
Fiquei sabendo hoje por um profissional de TV que nesses casos "ao vivo" há um retardo de uns 5 segundos na transmissão para que se congele ou corte caso há uma cena imprópria para o horário. Aí nós estamos sendo enganados, pois a transmissão não é ao vivo.
"Com todo respeito sem querer ofender ninguém, mas acho que a direção de reportagem da Rede Globo não tem mãe, filho e netos. Estou eu aqui em casa trabalhando e tendo que fazer edição na TV. Minha filha, pequena, e minha mãe, uma senhora de setenta anos, querem continuar ver o filme "Bethooven 2", que este referido canal está proporcionando às 16:00, e constantes inserções ao vivo de um seqüestro em ônibus, aqui no Rio no Jardim Botânico, com arma na cabeça de reféns e todo o perigo em potencial de um estouro de miolos em plena TV. Em um horário em que milhares de crianças estão assistindo. Recentemente nos Estados Unidos as redes de TV fizeram a mesma coisa interrompendo a programação que crianças assistiam, durante o dia, para passar uma cena dessas de violência urbana ao vivo. O desfecho, não foi nada agradável para crianças e idosos. Não é possível que não se tirem proveito de experiências desagradável como a que ocorreu nos EUA para que não se repita aqui. É inacreditável tamanha falta de respeito. E o que é pior, não vão se tomar providências nenhuma tão cêdo. Quem se lembra recentemente, na inauguração do complexo de jornalismo da Rede Globo em São Paulo, o presidente do Brasil ao término do seu dircurso dizia que ele "estava com o Brasil e a Rede Globo" ? Se o todo poderoso está com a toda poderosa, quem pode fazer algo por nós?"
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Claudio C. Nielsen
Curitiba, PR – Professor
Este e-mail é referente a uma situação que tangencia o tema do programa. É inacreditável que apenas 24 horas após o país inteiro ficar chocado com as cenas de violência propiciadas por um viciado que tomou de assalto um ônibus no Rio de Janeiro, mais a polícia, tão despreparada que acabou matando uma vítima do seqüestro, vem o, no mínimo, irresponsável (que felizmente não sei nem o nome) apresentador do programa "O+" (também não sei o porquê do nome) da rede Bandeirantes, com um quadro onde um menino deve simular o assassinato de outro, com um rifle, disparando vários tiros !!! Isto choca mais que o relato jornalístico como o que houve ontem, pois é um programa que passou por um planejamento e uma produção, de onde espera-se sempre que saia algo para construir uma sociedade melhor e não contribuir com mais violência. Uma pessoa que apresenta-se em um veículo de comunicação deve ter preparo, pois está comunicando-se com milhões de pessoas e deve perceber que o que faz será exemplo, positivo ou negativo, como foi o caso e a televisão, que está vivendo uma crise de bom senso parece que nem percebe, ou até coloca-se na posição de que nem é participe desta violência, a não ser como espectadora.
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Danilo Almeida
Mogi das Cruzes, SP – Jornalista
Discordo da idéia da mídia ter tratado corretamente o episódio lamentável de ontem à tarde. Como a refém morreu, chovem insinuações de que a polícia está despreparada, que a ação foi equivocada e até que a arma utilizada pelo policial era inadequada. Agora, se a mesma ação tivesse matado o bandido, a mídia honraria o atirador como o "herói do dia", com direito a encontros emocionados com a refém em horário nobre. Certamente tal ação seria aplaudida até agora. Por fim, a cobertura jornalística do acontecimento foi exagerada, mas faz parte do new journalism tupiniquim.
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Denilson
Meu nome é Denilson, sou estudante de matemática, e gostaria de saber do secretário, se não seria o caso de fazer uma reforma geral nas polícias, tanto militares, quanto as civis, em todos os estados da federação, incluindo formação, novas técnicas, e inclusive a melhoria na remuneração do policial.
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Florizel de Medeiros Junior
Poderiam, por favor, levantar a questão sobre o fato de, comprovadamente, cinco PMs terem cometido crime hediondo de tortura que levou à morte? Foi aplicada a Lei nº 8.072/90? Que providências, além da retórica demagógica dos governos federal e estadual, foram tomadas para fazer cumprir essa Lei?
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Haroldo
É muito fácil acusar um policial, mas... por que eles ganham tão pouco, por que não possuem coletes a prova de bala suficientes, por que não possuem pontos eletrônicos. Quanto a situação, por que não havia isolamento adequado do local? O objetivo era matar o indivíduo ou resolver a questão? Como aquele policial poderia estar com uma arma tão pouco apropriada – uma submetralhadora serve para atingir a muitos em seqüência, não tem precisão nem é fácil de controlar (quem sabe uma pistola)? Quanto ao indivíduo? O que faz um rapaz novo fazer alguma coisa assim (não me digam que já nasceu assim), e estar provavelmente drogado. Nossa sociedade tem que se repensar, menos consumismo e mais atenção ao futuro da juventude talvez ajude. Só polícia não adianta!
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Lázaro Iguatemy Pinto
São Paulo, SP
Tive a oportunidade de ver, pela televisão, os lamentáveis e trágicos acontecimentos no Rio de Janeiro. Condeno veementemente o procedimento do canal a que eu assistia. Vejam bem, não condeno a cobertura. Mas o procedimento de sensacionalismo, utilizando música para criar um clima mais dramático ainda, como se isso fosse necessário. Será que alguns pontos no Ibope justifiquem esses exageros? Positivamente não.
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Italo Bacchi
Botucatu, SP – Biomédico
O Brasil está atônito com o ocorrido no Rio ontem. Foi uma atitude extremamente covarde daquele seqüestrador e uma atitude precipitada daquele policial. A cobertura da mídia foi de extrema importância, pois mostrou fatos que acabaram esclarecendo certas circunstâncias (bandido sem nenhum tiro, projétil que atingiu a árvore e não o marginal). Precisamos agora de uma resposta definitiva e concreta das autoridades. Lamentamos a perda de Geisa.
A minha pergunta ao coronel José Vicente é a seguinte: o Gate ou o Ger de São Paulo poderiam intervir no Rio de Janeiro se o governador ou outra autoridade pedisse autorização?
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Leonardo Bronel Duarte
Por que culpar a imprensa por mostra a realidade brasileira? Ninguém fica chocado ao assistir um filme norte americano de extrema violência! Talvez essa violência que presenciamos ontem, seja fruto desses filmes que assistimos em plena luz do dia! Por que o nosso Presidente FHC ao invés de jogar a culpa na polícia, não procura buscar no fundo as raízes dessa calamidade em que se encontra o nosso país? Se as nossas autoridades políticas cumprisse realmente com as suas obrigações de gerar empregos, distribuir melhor a renda, investir em educação, talvez haveria menos violência. É fácil jogar a culpa nos outros, escolher um bode expiatório! Cabe lembrar que o policial errou! Mas temos que lembrar também, que a polícia é mal remunerada, é mal preparada para esse tipo de situação etc. A imprensa cumpriu perfeitamente com o seu papel, de mostrar de forma escancarada a realidade do Brasil. Agora também cabe a imprensa exigir das nossas autoridades públicas medidas que amenizem essa situação.
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Leonardo Freitas
Sou um telespectador de Recife e tenho uma consideração a fazer sob o tema do seqüestro no Rio (dessa semana que "chocou o país") que gostaria que fosse discutida no programa. Há um certo tempo a mídia vem exercendo influência (e uso) da veiculação de informações do gênero que vimos no Rio (muitas vezes ao vivo), em diversos programas inclusive em horário pouco apropriados, com crimes muitas vezes muito mais bárbaros do que vimos no seqüestro ao ônibus. Obviamente que o caso é grave. Mas toda a mobilização, tanto política quanto da mídia e da opinião pública de uma maneira geral chamaram minha atenção para um outro fato alarmante:
O fato da rede Globo ter exibido tal imagem da forma como foi feita. Como falei, diversas outras emissoras e programas exibem o mesmo conteúdo ou até conteúdos piores e são taxados de sensacionalistas (e muitas vezes – a maioria delas - realmente o são). O que me intriga é porque a rede Globo se interessou de repente pela veiculação desse tipo de notícia "tão corriqueira" (apesar de altamente grave). Minha pergunta é: Não há algum fundo político para tal ação? Ou estaria a Globo apenas procurando um pouco mais de audiência nos horários que já domina (vide longas matérias no Jornal Nacional), ou ainda reafirmando seu poder de controladora de massas e "formadora de opinião"?
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Luiz Paulo Veiga
A imprensa deve informar na íntegra todos os acontecimentos desse país. Lamento a prisão dos policiais, erros acontecem. Milhares de centenas de brasileiros são mortos todos os dias pela fome, pela doença e pela falta de dignidade por roubo e incompetência dos nossos políticos, prisão para eles!!!
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Maciel Ramos
Rio de Janeiro, RJ
Não sei o que revolta mais, as atitudes do nosso Governador Publicitário ou a tragédia do ônibus do Jardim Botânico, ontem.
É inacreditável, inaceitável e revoltante acompanhar o descaso, a incompetência, a falta de preparo e a hipocrisia que nosso Governador vem tratando a segurança no Estado. Seus comentários dependem do "IBOPE" e da repercussão que os fatos tomam. Ontem, após presenciar o fato ocorrido no ônibus que revoltou toda a população e foi claramente comprovado a incompetência, a falta de preparo, a falta de comando e a falta de equipamento da polícia, ele declara que a conduta da polícia foi correta. Hoje, após ver a repercussão que o caso tomou e provavelmente após consultar o "Iboope", ele muda de opinião e condena a polícia que já havia sido condenada pela população.
Eu gostaria de saber do nosso Governador Publicitário, se a polícia que estava cuidando do caso ontem, era a polícia da banda podre, da banda boa ou se temos mais uma banda, a banda incompetente; e gostaria de saber também se ele já não está cansado de tanta incompetência, falta de preparo, falta de comando, falta de moral, falta de equipamento, falta de vergonha e muita hipocrisia!! Ele, que é um especialista em segurança pública!!!
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Mário Teixeira Filho
Engenheiro
Entendo que a carga emocional na apresentação dos fatos foi exagerada talvez até porque ultrapassou-se uma situação limite, porém se não houvesse o vídeo do seqüestrador a história poderia ser outra . A solução para a violência começa no plenário e nas salas do Congresso com:
a) a adequação dos Códigos Penal e de Processo
b) urgentemente com o fim no sucateamento dos serviços públicos com a valorização dos seus recursos humanos .
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Magda
Bauru, SP
Não podemos tampar a boca da imprensa mesmo quando há um certo sensacionalismo, pois o governo já está tão acomodado em sua incompetência, que se o povo ficasse alheio a tudo o que acontece então como ficaria?
Quero dizer também que concordo com a polícia, fez muito bem de matar aquele bandido asqueroso, é um a menos na face da terra, não faz falta a ninguém, só lamento a morte da refém, e lamento muito.
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Nelson Ricardo
Jornalista – Araçatuba, SP
Sobre a cobertura, acho que houve exagero! É possível cobrir um fato, sem fazer um longa metragem! Não é uma questão de censura. Longe disso, Deus nos livre desse mal. Mas, usar critério para entrar com flashes ao longo da programação, até o desfecho do evento. Foi bem diferente do incêndio no Joelma (que assisti aos 5 ou 6 anos – nunca me esqueci do desespero): foi uma calamidade, um incidente que serviu como lição de segurança para todo o país. Mas manter uma programação de 4 horas com um ato terrorista, extrapola o bom senso! Não ensinou nada a ninguém. Só fez manter o índice de audiência!
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Giovanni N. Andrade
Gostaria de saber a sua opinião sobre o pronunciamento do Presidente da República a respeito deste acontecimento e pergunto o seguinte: O Presidente não deveria tomar atitudes cabíveis e necessárias para que fatos lamentáveis como esse, não mais se repitam, ao invés de dizer que lamenta, que acha inadmissível, que está errado e acabar por condenar policiais despreparados e comandantes exonerados por um desfecho equivocado como acabou por acontecer?
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Rafael Valmor
Chapecó, SC
Acredito que depois do caso Palace II, denúncias de Nicéia Pitta, o fato ocorrido ontem no Rio de Janeiro foi a pauta que todos os meios de comunicação esperavam. Basta ver o espaço e os índices de audiência de quem transmitiu o fato. O governo foi demagógico ao afirmar que estava chocado. E os problemas sociais?
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Sérgio Fajardo
Mandaguari, PR
Na minha opinião por mais que tenha havido um grave erro na ação policial, sobretudo do indivíduo que atirou primeiro e com uma arma inadequada, a imprensa agiu nesse caso com um excesso de sensacionalismo. Houve um exagero ao cobrir ao vivo esse seqüestro. No Brasil, como em muitas outras partes do mundo, acontecem assassinatos, seqüestros e assaltos diariamente, inclusive com ações precipitadas de policiais despreparados, mas a diferença nesse caso está justamente na presença da imprensa que foi mesquinha ao aproveitar esse momento de pânico e terror como mais um modo de conseguir Ibope. Foi uma atitude oportunista e de extrema falta de sensibilidade. O que me chocava mais era ver os microfones e câmeras sedentos de notícias num clima de muita tensão. Até parece que os jornalistas (muitos dos quais hipócritas) queriam mesmo era ver sangue e cadáveres, que seriam matéria aos seus jornais e espetáculo para público de televisão.
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Sérgio Hoffmann
Blumenau, SC – Sociólogo e professor
Não deveria causar espécie em um país onde Xuxa, Ratinho, Faustão, Gugu, velórios e tragédias batem recordes e mais recordes de audiência que o resultado de pesquisas sobre passar ou não, ao vivo, cenas como as de ontem, apresentam margem favorável aos que desejam "entreter-se" com tais imagens. Causa, isto sim, espécie, saber que neste momento, de dor e de luto para mais uma família, vítima do descaso da classe governante para com seus compatriotas, estejamos discutindo o surgimento de um novo herói ou vilão (o policial que atirou) e, mais ainda, saber que aqueles que poderiam decidir favoravelmente ao povo, nada fazem, pois, a esta hora, estão em suas fortalezas, guardadas por seguranças pagos por nós (amendrontados e estupefatos contribuintes). Triste ver um país onde há falta de pão, que o circo tenha se resumido aos espetáculos trágicos, onde nós, o povo, somos os protagonistas.
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Silvia
Recife, PE
A imprensa não errou pelo tempo do assunto na mídia, foi um fato realmente importante. O problema é quando fazem "sensacionalismo", como costuma fazer a Globo, com trilhas de filme de ação alternadas com de drama.
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Mário Annuza
Rio de Janeiro, RJ
Já se disse praticamente tudo a respeito do seqüestrador do ônibus 174. Que ele deveria morrer; que ele já morreu tarde; que ele não deveria nem ter nascido; que era melhor se nunca tivesse existido. Ou seja, a sociedade prefere que bandidos como ele sejam um aborto, para que, abortados, não possam ser homens e não possam ser bandidos. Mas a verdade é que pessoas como Sandro do Nascimento acabam vindo ao mundo; acabam escapando de ser aborto, tornam-se fetos e tornam-se homens. E tornam-se bandidos! Por que se tornam bandidos, esses homens que escaparam de ser gente e escaparam de ser aborto? Afinal, nem todo feto é aborto, nem todo aborto é homem, nem todo homem é bandido. A resposta está em nossa sociedade, que estimula a desigualdade e a ganância, a ambição pelo dinheiro e pelo poder! É a sociedade brasileira a verdadeira culpada, a mãe louca e irresponsável, que transforma um feto em aborto e, quando não consegue, transforma esse feto em menino de rua, cheirando cola e praticando assaltos, até que esse feto termine que nem o Sandro terminou: asfixiado, para que a gente respire aliviado, o mesmo ar que no camburão lhe faltou!
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Franco Dany
Montes Claros, MG
Sou universitário de Direito, e assisti parte do seu programa ontem (20/06), quando vocês discutiam sobre o papel da imprensa no caso do sequestro do ônibus no Rio de Janeiro ocorrido na semana passada. Realmente é de grande importância que possamos discutir quais as conseqüências da onipresença da imprensa no nosso dia-a-dia. Concordo com a posição de que não se pode deixar de documentar fatos importantes, de fazer coberturas, investigações, denúncias, visto que hoje, mais do que um serviço à população, é uma necessidade, dada a velocidade das transformações que influenciam a nossa vida. O que não podemos deixar de considerar, são os efeitos danosos que atos impensados e até irresponsáveis podem provocar. Efeitos que além de depreciarem, ameaçam a própria segurança do cidadão. Recentemente, acompanhamos um processo pelo qual as empresas de mídia tiveram as distâncias entre si diminuídas. Ou seja, não existe mais uma ou outra rede em grande vantagem sobre outra. Essa aparente igualdade de condições, provoca uma corrida pelo "exclusivo", pelo "furo de reportagem" que muitas vezes acaba ultrapassando os limites da ética e do bom senso. Questiona-se se não seria um mau preparo da polícia que teria o dever de afastar da área próxima os cinegrafistas e repórteres. Evidente que sim. Mas somado a essa carência técnica dos policiais, existe a pressão da mídia que sufoca aquilo que não lhe é pertinente. Isso é claro, a imprensa, principalmente a tv, conta com um enorme potencial de formar opiniões sobre alguém ou alguma coisa. É tão fácil como transformar um ator de novela em herói nacional ou um empresário em inimigo público nº1. Dessa forma, além de pressionados pelo sequestrador, a polícia contava com uma fiscalização da imprensa, que poderia transformá-los em mocinhos heróis, ou até mesmo em bandidos bárbaros semelhantes ao criminoso. E foi o que aconteceu, dado o fim trágico do caso. Não estamos aqui defendendo a corporação policial, pois reconhecemos suas falhas e sua impotência. Só não podemos esquecer da nossa parcela de culpa, quando abastecemos a mídia sensacionalista, aplaudindo o circo que é feito com as calamidades da nossa sociedade.
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Sylvio Lincoln
Em meu modesto entender, a cobertura do caso ‘174’ pela mídia eletrônica deixou claro e patente 'ao vivo' que já não mais existe o ‘repórter de polícia’. Daí as informações desencontradas, os disparates, os absurdos divulgados, as posturas assumidas (muitas que continuam a ser repetidas). Faltaram conhecimento e competência, como no caso da ‘Escola de Base’ que parece não ter servido de lição. Parabéns ao advogado Marcio Bastos.
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Neyre Marinho
Se o Sandro tivesse atirado na refém, mesmo indicando que estava se entregando, hoje a imprensa estaria criticando a policia pela não iniciativa de mata-lo antes; Não o fez temendo exatamente repercussões como essa, pois oportunidades houveram. Por que a mesma imprensa que cobriu a chacina da Candelária, não cobriu também o não apoio ao menor sobrevivente?
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René Natsuo Misumi
A TV deve sim ser livre para transmitir fatos como o que ocorreu no RJ. O que acontece é que, com a presença da mídia, todos os envolvidos no fato deveriam sentir-se mais seguros. Ao que me parece, - o que é muito estranho - os policiais são os que mais se sentem incomodados com a presença da imprensa. Parece não quererem testemunhas para seus atos irresponsáveis, afinal, são igualmente vítimas de uma sociedade podre.
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Edgar Lira
Recife, PE
Devemos lembrar que no programa do Faustão foi mostrado um policial tomando uma medida imprudente, pulando no indivíduo que ameaçava a refém, mas, que felizmente deu certo e o mesmo foi condecorado pelo ato (conforme foi visto na TV). Porém, quando indagado ao policial, ele concordou que agira de forma errada. Concordo que a tv deva transmitir diretamente.
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Silvia Ribeiro
Niterói, RJ
O que mais chamou a minha atenção no caso do ônibus 174 foi o tratamento dado à violência, sempre associando-a à criminalidade. Ou seja, só os bandidos são violentos. As iniciativas para solucionar o problema da violência sempre se voltam só para este aspecto. Na verdade o ser humano é violento. A diferença é que uns a tem em altíssimo grau, outros só matam barata e formiga, outros desejam a morte de outros. Na idade média, muitas pessoas foram mortas pela igreja. Na ditadura militar brasileira, muitos foram mortos e torturados. Em ambos os casos, os mortos não eram criminosos, eram pessoas que se contrapunham a uma "ordem estabelecida". O estado brasileiro e muitas famílias abandonaram seus filhos há muito tempo. O estado brasileiro é violento, basta ver a forma como a polícia age. Acho que precisamos discutir tudo isto com outros olhos, se quisermos mudar esta história.
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Marines
Considero equivocada a abordagem do plano de segurança como empurrado pelos fatos apresentados pela imprensa. Muito pelo contrário, esta era uma "morte anunciada" desde os episódios da invasão dos prédios públicos pelo MST. Foi oportunismo conjugado com cinismo do governo federal, que aproveitou o fato sensacional para colocar o plano que já estava em gestação, ou talvez até pronto.
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Selmo Gliksman
É desalentador a preocupação do Sr. Dines em saber se o sequestrador estava drogado ou não e deixar como opção de resposta um possível desequilíbrio do Sandro. No Brasil e nos U.S.A é muito comum a classificação precipitada de um criminoso como se o problema estivesse na droga ou num possível desequilíbrio. Perdemos de vista assim a oportunidade de analisar a responsabilidade da sociedade sobre a violência - da sociedade civil e da polícia - já que a violência da polícia tem de certa maneira o aval da sociedade.
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Marcelo Senna
Niterói, RJ
Sobre o policial se sentir herói por matar o sequestrador, é bom lembrar que essa idéia de herói é a de um herói que mata, e não de um herói que salva vidas. A polícia considera heroísmo matar? Isso não é uma distorção básica na filosofia da polícia? Que é apoiada por uma cobertura "de direita" da mídia, como disse o advogado presente no programa.
Se um advogado de direitos humanos chegasse ao lugar e propusesse acompanhar o sequestrador não ajudaria a dar confiança a ele para se entregar, e para ser protegido da polícia? Parece-me que o Sandro sabia que ele não podia confiar na polícia, e por isso a situação dele era tão desesperadora. Não é obrigação da polícia trazer um advogado nesse caso?
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Antônio Carlos Pacheco
A imprensa agiu corretamente ao cobrir e transmitir ao vivo o fato. O que vem acontecendo agora, com disgressões e análises sobre o ocorrido, deixa a mídia numa posição menos confortável. Vejamos: como poderia esse fato não ter ocorrido? Bastaria que a polícia aplicasse uma tática diversa da usada no episódio. Por que abordar um ônibus cheio de passageiros, com um bandido dentro que só poderia reagir como reagiu? Não teria sido mais correto seguir o ônibus e esperar que o bandido desembarcasse? Procedimentos análogos por parte da polícia são corriqueiros e parece ser esse o treinamento que os policiais recebem: trocar tiros com bandidos em qualquer lugar, independentemente da presença de pessoas nas imediações. A mídia tem errado assim, depois do episódio, pois não tenho lido nem visto editoriais, artigos ou em reportagens, essa abordagem que, a meu ver, é decisiva para diminuir a violência existente na sociedade brasileira.
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Paulo Tôrres
Recife, PE
O que acontece é que a mídia cria heróis em tragédias transmitidas ao vivo como: desabamentos (o bombeiro que salvou a criancinha) no dia seguinte ele vai ao encontro da criancinha e chora. Vira herói e tem seu minuto de fama (até nacional). Só que este é o trabalho do bombeiro, como o do jornalista é mostrar os fatos. O coitado do soldado (ou cabo) Marcelo queria ser um herói e receber uma promoção nacional em salvar a professora. Durante alguns minutos ele foi o herói, achavam que ele tinha morto o sequestrador, depois é que souberam que ele foi o vilão. O problema é este. A imprensa não pode transformar heróis para não despertar outros a tornarem a ser. Os soldados e bombeiros estão cumprindo com a obrigação do seu trabalho, eles tem que fazer isso, salvar; sem querer recompensas de herói. O jornalista está fazendo seu papel, retratando a pura realidade brasileira. Todos querem ser um Thiago Lacerda da vida.
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Laura Moreira Alves
Gostaria de expressar minha opinião de que não foi de grande valia as imagens ao vivo passadas no incidente do ônibus. A imprensa estar lá filmando era fundamental, mas reprisar ao vivo no período da tarde, onde a programação de quase todas as emissoras é voltada para o público infantil, não foi interessante pois foram cenas muito fortes e abalantes. A notícia devia ter sido reprisada mas a noite em horários próprios para adultos.
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Roberto Abdian
Tupã, SP
Há um componente que deve ser levado em consideração na análise desses acontecimentos de violência. A divulgação com excessivo destaque e sensacionalismo suscita explosões de criminalidade potencial, latente.
Surgem os "clones" dos crimes. As imitações. Reportem-se aos recentes crimes ocorridos em outros países e também aqui no Brasil, que logo em seguida começaram a ser imitados. Esse componente que não pode ser deixado de levar em consideração, é a conveniência ou não de se continuar mostrando da forma que se tem mostrado. Os limites da conveniência e da liberdade de imprensa, devem ser definidos e respeitados.
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Marcia Lenah de Roque
Creio que é hora de acabar com a hipocrisia e mostrar ao Brasil e ao mundo a nossa real situação em todo seu caos, não só como um programa, como uma obrigação e dever da mídia, mas sobretudo um direito do cidadão .Apontam a violência em todos seus níveis, mas se acovardam em mostrar a violência na sua raiz, ou seja, o imundo e vil exemplo dos parlamentares e governistas! O que os Direitos Humanos tem feito pelas vítimas desta violência pública? Tem pelo menos pago as devidas indenizações a estas famílias como estão pagando às vítimas da ditadura que dizem ter morrido gritando liberdade, enquanto estas vítimas da democracia tem sido exterminadas pedindo clemência?
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Neresgton Netto
Rio de Janeiro, RJ
A imprensa no Brasil faz o papel que a pagam para fazer. Vender sabonetes, ou comida para cachorro nos intervalos da programação, mesmo que a piece de resistence da programação seja uma chacina ou um sequestro. Não vejo o mesmo empenho da imprensa em destacar que a violência no nosso país é na verdade o pagamento que todos fazemos dos juros da dívida social sempre assumida e nunca paga. Com a nobre exceção do Observatório da Imprensa, o que vejo em qualquer noticiário é o replay de ontem: tragédias, tragédias e mais tragédias, gente propondo cada vez mais polícia e cadeias e se esquecem que algumas gerações de brasileiros estão perdidas pelo descaso e pela falta de tudo. A boiada estourou e não há bala nem cadeia o suficiente para impedir que o brasileiro se sinta infeliz pela ausência de esperança.
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Jhebal
Rio de Janeiro, RJ
Será que a imprensa continua vigilante a tudo que se passa no país e no mundo? Alguma coisa de muito grave está acontecendo com a sociedade brasileira que a sempre vigilante imprensa, que a nova geração de zelosos e corajosos jovens promotores que repugnam a subversão do direito e os crimes lesantes à sociedade, que a respeitável direção da OAB, que as autoridades e associações médicas, bem como todos os membros dos poderes judiciários, legislativos e executivos parecem ignorar, descurar, negligenciar e até mesmo proteger e defender. Queremos falar de procedimentos humanos, voluntários, que põem em risco ou que atentam contra a integridade da saúde de uma população e tipificados como crime. Os profissionais da saúde cuidam do bem estar físico e mental das pessoas. Eles são os chamados clínicos gerais ou médicos especialistas, capacitados e autorizados para o atendimento de seus pacientes, em seus consultórios, ou outros recintos que são apropriados ao exercício da atividade médica. Os médicos psiquiatras são os especialistas habilitados para diagnosticar os distúrbios mentais e emocionais humanos e tratá-los convenientemente. Também os psicólogos estão habilitados a analisar e prover ajuda psicológica aos seus clientes. A prática desses atendimentos médicos, sem a necessária formação acadêmica tipifica crime charlatanismo, exercício ilegal da medicina. Vamos aos fatos:
Estes comentários têm fulcro num programa de televisão: "Fala que eu te escuto", apresentado por membros da IURD, dentre os quais o mais freqüente é um "bispo" Clodomir, cuja limitação intelectual se faz notar, particularmente devido a uma expressão verbal pobre e deficiente, própria dos iliteratos, que entretanto não se pejam de abordar assuntos com quais não guardam familiaridade nem conhecimento mínimo. Sua tediosa argumentação repete à exaustão as mesmas frases, as mesmas palavras, em torno de um surrado argumento. O programa estimula a participação dos espectadores a falarem via telefone sobre os temas que lhes são propostos. As opiniões destes, quando favoráveis às suas posições religiosas aprazem aos apresentadores que rechaçam com visível desconforto o que lhes é desfavorável, oportunidade em que atacam com grande ímpeto, descaso e sarcasmo "inimigos de sua própria crença. A liberdade de culto religioso é garantida pela constituição, onde está o crime? O programa também encoraja os espectadores a exporem, ao vivo, os seus problemas. E estes o fazem, em muitas das vezes, revelando estar vivendo, no momento mesmo em que falam, uma situação de grande dificuldade ou sofrimento. Então passam a relatar seus estados de carência, de necessidade econômica, de instabilidade emocional, de angustia pela perda de ente querido, doença grave na família e todo sucesso funesto que eventualmente estejam experimentando, tudo devidamente acompanhado de um envolvente fundo musical. Há que dramatizar, teatralizar as narrativas, os desabafos que se alongam por intermináveis minutos, interrompidos de quando em quando pelo astucioso apresentador: você acredita em Deus, minha filha? Você acredita na Bíblia, não acredita? Só você é culpada pelo que lhe acontece, Deus não tem nada com isso, Deus não quer o sofrimento de ninguém. O que segue então é um deplorável atendimento "espiritual", diríamos psiquiátrico — e o indefectível e inculcador diagnóstico: —"Minha filha, você tem um mal (força maligna) atrapalhando a sua vida, o seu mal é espiritual. Você precisa de uma "libertação". O que segue é um convite para visitar a igreja, onde os infelizes serão "curados" definitivamente de todos os males e melhor: passarão a ter uma vida próspera e abundante. Quem não percebe nisto o simples interesse de fazer prosélitos? Eu pergunto: que incomensurável dano uma só transmissão televisiva de natureza tão perversamente persuasiva pode causar à saúde mental de uma certa parcela da população vulnerável a essa indefensível agressão mediática, no país inteiro? Quantos novos inculcados, fóbicos, apavorados, "perseguidos pelo demônio" engrossarão os contingentes de desajustados que procuram os serviços de saúde pública consumindo ainda mais seus parcos recursos? Será que não devíamos exercer com mais proficiência a nossa capacidade de indignação contra toda a sorte de logro, de fraude, dos enganadores que pululam em nosso país e que nos envergonham como civilização?

Mídia e seqüestro
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