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OFJOR CIÊNCIA 2000
OfJor Ciência 2000 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 27/6/2000
JORNALISMO DE RISCO
A Folha e os transgênicos
Joaquim Moura
Por que a imprensa insiste em nos vender a idéia de que alimentos transgênicos nos farão bem? O último exemplo dessa estranha "cruzada" foi o editorial Bom senso modificado, da Folha de S. Paulo de 8/6, no qual o editorialista, após envolver Descartes numa questão que ele jamais imaginaria, nos afronta com os seguintes argumentos:
1. Mesmo reconhecendo que "a manipulação genética de plantas e animais representa riscos, o editorialista irresponsavelmente pondera: "Talvez não tanto para a saúde humana, dado que os impactos sobre o corpo são mais fáceis de simular em condições experimentais"... Onde está o rigor científico? Como se simulam os impactos de uma alimentação adulterada sobre o patrimônio genético humano após, digamos, duas ou dez gerações??
2. Depois, ao reconhecer que há perigos de conseqüências imprevistas e dramáticas para o equilíbrio ambiental, os minimiza afirmando que "novos experimentos em condições mais reais contestam essa hipótese". Desconhece o autor que não existem "condições reais" para simular adequadamente processos naturalmente holísticos, como são os fenômenos bioecológicos. Como simular, em poucos meses ou anos, em computador ou fazenda-modelo, o que acontecerá na natureza global no decorrer dos séculos? Agora mesmo, na Alemanha (O Globo, 31/5/00, Ciência e Vida), um cientista demonstrou, após quatro anos de pesquisa, que os genes de bactéria (bT) introduzidos na canola (para combater lagartas) provocaram mutações nas bactérias que vivem no intestino das abelhas que colheram pólen da canola adulterada. Lembrem-se que em nossos intestinos também vivem bilhões de bactérias, que gostaríamos nunca fossem "alteradas".
3. A seguir, num laivo de bom-senso, o editorialista reconhece que "os transgênicos ganharam escala industrial de forma precipitada". Eu acrescentaria que isso ocorreu com total apoio da imprensa. Aliás, uma pesquisa realizada na Europa, noticiada pela Folha no ano passado, constatou esse esforço infame (felizmente em vão) para nos convencer a alimentar nossos filhos com comida adulterada geneticamente.
4. Agora, o absurdo total: "O fato é que os transgênicos, além de inevitáveis – conseqüência do desenvolvimento científico – abrem perspectivas inéditas: o fim das pragas agrícolas, a solução para a fome em escala global, e até a imunização contra doenças por meio dos alimentos". Vamos por partes:
a) Os transgênicos não são inevitáveis. Pelo menos não se a imprensa deixar de influenciar nesse sentido. A tecnologia foi capaz de produzir as armas atômicas, mas nem por isso devemos aceitar seu uso como inevitável ou mesmo tolerável. Por outro lado, a agricultura natural, orgânica, ecológica, de alto rendimento e sustentabilidade (ecológica e econômica), é conseqüência muito mais legítima do que de mais avançado, compreensivo e comprometido com o futuro da humanidade existe na ciência moderna.
b) Quanto ao "fim das pragas agrícolas", onde está o rigor científico desta proposta? Na agricultura orgânica, nenhum animal ou vegetal é visto como praga a ser eliminada, apenas o equilíbrio ecológico deve ser restabelecido para que todos encontrem seus nichos naturais. Por isso, seus produtos são mais saudáveis e sua demanda cresce a taxas de 25% nos EUA e 40% na Inglaterra, por exemplo.
c) E como irão os transgênicos acabar com a fome, em escala global? A fome hoje é muito mais por falta de dinheiro do que de alimentos. Há tanto alimento que os preços não viabilizam a sobrevivência dos produtores, acentuando-se o êxodo rural. Na visão do editorialista, com os transgênicos os alimentos se tornarão tão abundantes e baratos que até os miseráveis poderão comer bem. Na minha, a fome só vai acabar quando os pobres forem apoiados na produção de seu próprio alimento, pela reforma agrária, agricultura urbana e orgânica e cooperativismo.
d) Quanto a fazer da alimentação a melhor medicina para evitar doenças, já era essa a recomendação de Hipócrates ("que o alimento seja teu remédio"), e a mensagem da macrobiótica ("tu és o que tu comes") e de todas as variações de alimentação naturalista. Aliás, por que será que todos os naturalistas têm aversão aos transgênicos? A medicina vem alertando que a alimentação convencional industrializada, refinada e contaminada vem aumentando a incidência de doenças degenerativas. Alterar geneticamente a alimentação das populações introduzirá um novo fator de decadência que não poderá mais ser controlado. Como os europeus, também concordo em que a biotecnologia produza alimentos alterados de forma a enfrentar doenças, mas desde que eles sejam destinados estritamente aos doentes, e nunca à população em geral.
5. O editorial prossegue constatando que "essas possibilidades, contudo, não parecem animar uma parcela dos consumidores europeus" – e, crescentemente, nos Estados Unidos. Na verdade, é muito mais que isso. As exportações de soja transgênica dos EUA para a Europa já caíram quase à metade, enquanto as vendas da soja tradicional brasileira mais que dobraram. Na Europa, as principais cadeias de supermercados se comprometeram a banir os transgênicos de suas prateleiras. A Nestlé, o Carrefour e o McDonald's são exemplos de empresas que já não trabalham com transgênicos (não sei aqui no Brasil). Mesmo nos EUA, as principais gigantes de alimentos para bebês, para crianças e até para animais domésticos agora competem para anunciar quem bane mais radicalmente, de seus produtos, os ingredientes transgênicos, e todas as associações de consumidores, grupos comunitários, ecológicos etc. se esforçam, com sucesso crescente, em alertar a população de que 40% a 60% dos alimentos industrializados são ou contêm transgênicos. O recente reconhecimento da Monsanto de que sua soja transgênica apresenta alterações não previstas acabou por demolir sua fachada de "cientificidade". Também a alegada maior produtividade dos cultivos transgênicos tem sido questionada por pesquisas independentes, inclusive no Brasil.
6. Por fim, o editorialista comenta que tudo na vida envolve riscos. Mas algumas coisas envolvem riscos demasiados, como brincar de roleta russa. Uma delas é alterar geneticamente o que comemos. Vamos continuar nos baseando nos alimentos que a natureza nos dá, que já deram provas de adequação ao viabilizar nossa evolução desde algas unicelulares, há poucos bilhões de anos, até seres humanos não de todo desprovidos de bom senso.
O Globo e o flúor
Cassius Torres
O Globo, em edições recentes [ver matérias no Aspas, abaixo], abre espaço para uma discussão acerca da toxicidade do flúor colocado em água de abastecimento e cremes dentais. Tal discussão foi levantada pelo Dr. Faissol Pinto, do RJ, que diz contar com evidências "científicas" sobre o tema.
Dr. Faissol está no seu direito, defende seu ponto de vista. Mas o jornal só ouviu a ele. Existe no Brasil e no mundo todo uma série de autoridades que defende a fluoretação da água de abastecimento. Esse recurso é tido inclusive como uma das 10 práticas mais importantes de saúde pública do mundo.
O jornal ignora isso. Parte do pressuposto que o Dr. Faissol é uma referência suficiente. Será??? Acho que estamos frente a mais uma destas barbaridades do jornalismo científico. Vão parar nas manchetes o sensacional, o esporádico e o inverídico. Pior de tudo: é negado ao leitor o sagrado direito de ouvir o outro lado da questão. É uma mídia preguiçosa. É um jornalismo auto-suficiente e ditatorial.
Esta semana, através de integrantes de listas de discussão de odontologia, chamamos O Globo à sua responsabilidade de fazer um jornalismo completo. A primeira nota, divulgada na coluna de Hildegard Angel [veja em Aspas, abaixo], apesar da demora, mencionou nossos insistentes e-mails, e de forma tímida ameaçou qualificar o debate.
Ledo engano. No dia seguinte, o suplemento de saúde de O Globo voltou à carga, mais uma vez confiante em sua "poderosa e suficiente" fonte para incriminar o flúor como agente tóxico e causador de sérias moléstias. Incitou as pessoas a reverem o creme dental utilizado, e bateu forte numa medida de saúde pública exemplar no Brasil .
Escrevi uma vez um artigo no Observatório da Imprensa sobre um desses abusos em que volta e meia se vê envolvida a odontologia. Informações rasas, provindas da mais completa ausência de debate e de responsabilidade, são publicadas com o ar de grandes notícias: denúncias, revoluções científicas. Nada mais tolo.
As listas de discussão eletrônicas que se mobilizaram reúnem dentistas de todo o país, autoridades no tema, que precisam relatar o absurdo que se está fazendo em nome de um pretenso "serviço".
São elas:
· Rede Cedros, de epidemiologistas orais;
· Edonto – Educação, Mercado de Trabalho e Legislação em Odontologia;
· Mestrandosonline – Lista de dentistas em pós-graduação
(*) Doutorando em Estomatologia Clínica pela PUC-RS, especialista em Periodontia pela USP-Bauru,
GENOMA
Segredo e sentido
Comissão de Cidadania e Reprodução (*)
A promessa de concluir a decodificação do seqüenciamento dos genes humanos nos próximos meses, feita pela Celera, empresa concorrente do projeto Genoma Humano, reacendeu mais uma vez o debate da mídia sobre pesquisa genética. A ética científica e suas fronteiras em face dos interesses econômicos e a mercantilização do corpo humano com o patenteamento dos genes decodificados foram a tônica dos artigos publicados entre janeiro e abril de 2000. Este também foi o tema da reportagem de capa da revista Exame (31/5), que, sob o título Genética: o negócio da vida, deu tratamento totalmente empresarial ao projeto da Celera.
Perguntas de cunho econômico e sobre a ética da disponibilidade do patrimônio genético a empresas e laboratórios – como na Islândia, cujo patrimônio genético foi vendido à multinacional farmacêutica Roche por US$ 200 milhões (Jornal do Brasil, 13/2) – foram exaustivamente exploradas pela mídia. Discutiram-se questões fundamentais como a legitimidade ou não do patenteamento da descoberta do mapeamento genético (situação diferente do patenteamento de invenções) e a possibilidade de uso dessas informações por empresas de seguro-saúde.
A tal ponto a preocupação com a mercantilização da pesquisa genética esteve em pauta que algumas reportagens referiram-se às pessoas que tivessem seu patrimônio genético rastreado como consumidoras, fazendo parecer que a proteção dos seus direitos e interesses estaria nos códigos de defesa dos consumidores, e não em princípios éticos e fundamentais dos direitos humanos. Ou seja, parece que existimos como parte de uma peça deste jogo econômico em que os interesses das multinacionais seriam hegemônicos em face da vulnerabilidade humana da doença, restando-nos apenas a retórica econômica para a defesa de interesses pessoais.
Motivação
Por trás da análise das questões suscitadas pela corrida tecnológica entre empresas que pesquisam o genoma humano esteve a pergunta sobre o sentido dessa descoberta. Para muitos cientistas e pesquisadores, conhecer o genoma humano seria o mesmo que encontrar a receita ou o mapa da vida. No Jornal do Brasil (23/4), Sharon Begley considerava que "desvendar os segredos da vida é a missão mais cara e ambiciosa da biologia em todos os tempos. O projeto Genoma Humano está destinado a conhecer o diagrama da vida, o código dos códigos, o Santo Graal, o código-fonte do Homo Sapiens". Ora, desvendar o segredo oculto sobre nossas origens ou mesmo predizer o futuro do ser humano parece ser antes uma profissão de fé daqueles que apostam na eficácia religiosa da ciência do que uma possibilidade concreta da pesquisa sobre nossa biologia.
O deslumbramento da mídia ocultou uma esperança quase religiosa de que o sentido da humanidade poderá ser encontrado com o desnudamento do segredo genético. John Turner, em matéria publicada na Folha de S. Paulo (23/4), afirmou que quando a seqüência do genoma humano estiver completa "saberemos o que é ser humano". Mas que característica humana buscam esses pesquisadores e jornalistas ávidos pelo encontro com o livro da vida? Que dado fundamental e inviolável de nossa humanidade será capaz de desvendar essa essência do humano? Felizmente, não será o genoma humano a entidade ausente da pós-modernidade, capaz de preencher esse espaço fundamental deixado pela diversidade.
Segundo os cientistas, o código genético seria capaz de revelar tendências e predisposições sobre o futuro orgânico das pessoas, como no mal de Alzheimeir, doença cerebral degenerativa. O conhecimento antecipado da susceptibilidade orgânica permitiria a adoção precoce de medidas e tratamentos capazes de retardar ou amenizar o surgimento dos sintomas. Não há o que discordar, se a possibilidade de antecipação das condições de fragilidade de nossa vida orgânica é o que faz cientistas e jornalistas considerarem maravilhoso o mundo livre do segredo sobre o genoma humano, mas esta possibilidade não será a solução para todos os males da humanidade.
Desigualdades
Nas palavras de David Stipp, em reportagem publicada no Estado de S. Paulo (11/3), "esse cenário empolgante está a caminho". Stipp não só prevê que as sociedades nos anos após o conhecimento do genoma humano serão mais empolgantes como acredita que o mundo será mais feliz.
A dádiva da vida, sinônimo recorrente para o genoma, redefiniria a qualidade de vida do ser humano, fazendo com que disfunções que são consideradas letais tivessem final feliz. Infelizmente, um breve olhar ao redor do presente nos obriga a perguntar para quem e sob que condições essa medicina maravilhosa estará disponível e, principalmente, qual será a contrapartida social e ética para que empresas ávidas por lucro, mas travestidas de um falso humanismo, tornem esse conhecimento possível e acessível.
A genética será capaz de predizer a susceptibilidade individual às doenças genéticas, e apenas isso. Se a felicidade, o sofrimento ou a dignidade acompanharão o futuro desta pessoa geneticamente vulnerável, isso certamente a pesquisa genética não poderá determinar. Nem mesmo a exposição ao risco das demais doenças, decorrentes da desigualdade das sociedades e cuja magnitude sem dúvida é muito maior, encontrará resposta na pesquisa genética. Por isso, ao contrário dos que esperam que a genética nos desvende o sentido tanto de nosso passado quando do futuro, não temos dúvidas de que essa busca não será saciada pelo anúncio do segredo do seqüenciamento do genoma humano.
(*) Site da CCR: www.ccr.org.br
ASPAS
Textos de O Globo sobre flúor – Coluna de Hildegard Angel, 14/6/00
"LEITOR PEDE marcas de pastas de dentes sem flúor, depois do alerta aqui de segunda-feira. Bem, o professor Olympio Faissol recomenda como alternativa ‘não engolir as pastas’. Mas a coluna encontrou, nas drogarias, algumas marcas sem flúor, como Flogoral e Parodontax...
PARA OS que manifestaram interesse, aqui vão nomes de cientistas que endossam as conclusões de Faissol Pinto quanto aos danos causados pelo flúor: Dr. Phyllis Mullenix, PhD, Children's Hospital, Boston; Dr. William Hirzy, PhD, vice-presidente da NTEU, ligada à EPA – Engineers Environmental Protection Agency; Dr. David Kennedy, D.D.S., presidente da International Academy of Oral Medicine and Toxicology (fax: 619 231 4455). Todos nos EUA. Quem quiser sites há os: nofluoride.com; fluoride- journal.com; inter-view.net/~sherrell; SaveTeeth.org...
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"Notícia deflagra discussão nacional sobre o flúor", 17/6
"A REPERCUSSÃO das declarações do Dr. Olympio Faissol Pinto sobre o flúor reproduzidas na coluna foi enorme. Como conseqüência, a diretoria da Associação Brasileira de Odontologia, Seção Rio de Janeiro, se reuniu e decidiu promover um seminário sobre o tema, com a presença de Dr. Olympio (munido de seu volumoso dossiê de argumentos) e vários especialistas do país, inclusive o professor Jaime Cury, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Unicamp, bioquímico respeitado, considerado a maior autoridade em flúor, com várias publicações no Brasil e no exterior sobre seus riscos e benefícios. Ele contesta Faissol Pinto com veemência...
DEFENDENDO COM unhas (e dentes!) posição semelhante à do professor Cury, escreveram-nos: de Brasília, o professor Carlo Henrique Goretti Zanetti, do Departamento de Odontologia da UnB; de Porto Alegre, dr. Cassius Torres Pereira, doutorando em Estomatologia clínica pela PUC-RS. A Dra. Maria da Conceição Saraiva, PhD pre-candidate em Epidemiologia, manifestou-se ao professor Cury, em e- mail enviado da Universidade de Michigan...
DA GRÃ-BRETANHA, Marco Aurélio Peres, professor de Odontologia em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina, bolsista da Capes no Dept. of Epidemiology and Public Health da University College London Medical School, editor científico da Revista Brasileira de Odontologia em Saúde Coletiva... concorda com Jaime Cury...
A ESCOVADA, com ou sem flúor, foi geral... A cirurgiã-dentista Jamilla Barroso, que considera Dr. Olympio ‘um baluarte da odontologia brasileira’, julga seu posicionamento radical, embora reconheça que ‘os procedimentos realmente são abusivos’. Classifica como utopia a comparação com a Suécia, onde a cárie foi controlada, pondera que o flúor, bem dosado e dentro das indicações, é um grande aliado, e lembra que, na Escócia, o flúor foi removido da água e o índice das cáries aumentou... A discussão é saudável, dela, certamente, nascerá a verdade!...
O DEBATE acontece no momento em que a Associação Brasileira de Odontologia lança campanha nacional de divulgação da odontologia. O Brasil é um dos campeões mundiais em número de cáries por habitante, apenas 5% têm acesso regular aos tratamentos odontológicos, informa o dr. Reynaldo Sanchez, da associação, lembrando que as pastas Flogoral e Parodontax apontadas pela coluna são medicamentosas, só devem ser utilizadas com acompanhamento do dentista...
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"Dentista diz que flúor faz mal aos dentes e à saúde", Suplemento de Saúde, 18/6
"O flúor é um vilão para quem quer ter dentes bonitos e saúde perfeita. A afirmativa, que vai de encontro ao que sempre se pensou, é do dentista Olympio Faissol, um dos mais conceituados do Rio. Segundo ele, o uso da substância pode causar manchas esbranquiçadas ou marrons nos dentes. E pior: estudos americanos revelaram, segundo Faissol, que nas cidades onde a rede de água é fluoretada existem mais casos de um tipo raro de câncer na medula óssea. Há também registros de enfraquecimento dos ossos, em geral, nos locais onde a água recebe doses de flúor para prevenir cáries na população, principalmente infantil:
– Em New Jersey, a incidência de um tipo pouco freqüente de câncer na medula óssea é quatro vezes maior do que nos estados em que a água não é fluoretada.
No Brasil, existem cerca de 1.200 cidades com distribuição de água fluoretada. Por isso, não há como escapar da ingestão da substância. Faissol, porém, aconselha seus pacientes a evitar, ao menos, a aplicação tópica de flúor:
– A aplicação de flúor faz quem quer. Eu não recomendo, mas a pessoa tem a opção de querer ou de rejeitar a aplicação. O grande problema é a água fluoretada, da qual as pessoas não podem escapar e vão acabar consumindo nas frutas, legumes, bebidas. Esta medicação com flúor em massa leva também aos efeitos colaterais em massa.
Uma das soluções para evitar o uso do flúor e, ao mesmo tempo, as cáries, seria o lançamento, na opinião de Faissol, de campanhas educativas pregando a moderação no consumo de açúcar. Outra alternativa seria, de acordo com o dentista, reunir especialistas e apresentar ao Governo suas opiniões contra a substância:
– O Governo tem que reexaminar a questão – diz.
Para Faissol, o problema do uso do flúor existe há muito tempo, mas nunca foi discutido seriamente. Segundo o dentista, defensores da substância e seus detratores raramente se encontram. Há congressos organizados por um dos grupos para os quais os oponentes não são convidados.
– Em 1992, houve um grande congresso e os defensores do flúor não apareceram. Preferiram organizar um evento para a semana seguinte."
CARTAS
REVISTA GPEB
Engenharia biomédica
Já está disponível a nova edição da revista online GPEB <www.gpeb.ufsc.br/revista>, com as notícias do Grupo de Pesquisas em Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Santa Catarina:
· Assinatura de protocolo de cooperação entre GPEB/UFSC, Asssociação de Hospitais de Santa Catarina e Federação dos Estabelecimentos de Saúde do Estado;
· Especialistas estrangeiros confirmados para as conferências do 17º Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica;
· Tese de Doutorado investiga aquisição de sinais EEG e ECG por meio de inteligência artificial e tratamento matemático;
· Dr. Luiz Saliba, coordenador estadual de Assistência à Saúde, fala da saúde pública em SC, na entrevista do mês.
Vânia Mattozo, editora
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