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QUALIDADE NA TV
ÚLTIMA HORA – Atualizado em 26/11/2000
CENSURA?
FHC, PT, OAB - todos nos laços do Cartel
Alberto Dines
Furam duras as primeiras reações à capitulação do presidente da República ao lobby do Cartel (inclusive as deste Observador, vide abaixo). As reações seguintes ainda são mais rigorosas. FHC conseguiu juntar contra si as duas Igrejas (progressista e conservadora), o Judiciário, o Ministério Público, as ONGs, os jornalistas independentes e o segmento pensante da sociedade.
Em 48 horas um estadista respeitado em todo o mundo conseguiu mostrar a falência das "razões de Estado" quando postas a serviço de interesses mesquinhos.
Em troca de uma boca livre ao lado de algumas vedetes siliconadas, enferrujadas e da toda-poderosa Marluce Goebbels, o presidente da República cometeu as seguintes leviandades:
* Traiu e ridicularizou seu amigo e auxiliar, José Gregori.
* Traiu e pisoteou a memória de Sérgio Motta que no último bilhete pediu que não se apequenasse.
* Traiu, sobretudo, a inteligência.
Este capítulo improvisado e inesperado de Laços de Família está servindo para flagrar um quadro de falsidades e precariedades envolvendo não apenas o governo mas a oposição (ou oposições). É uma espécie de "hora da verdade" generalizada para instituições, pessoas, partidos, jornais, jornalistas. A saber:
* A OAB, por meio do seu presidente, Reginaldo de Castro, foi a primeira a comer mosca. Picado pela mosca azul ou assumindo-se como barata tonta, a barretada de considerar as ações do MP e da Justiça do Rio como inconstitucionais deu fôlego ao Cartel, mas também iludiu a tropa de choque de centauros movida pelas patas de cavalo e não pelo cérebro humano.
* Entre estes, a dupla Mercadante-Dirceu do PT. Robotizados, atiram e depois perguntam quem vem lá. Primeiros a ignorar que a ação contra o Cartel foi judicial, portanto legítima, imaginaram que só podia ser coisa do governo. Logo, ignorância ainda maior: a ONG TVer que empurrou a ação contra a novela foi fundada por militantes do PT (Marta Suplicy, Renato Janine Ribeiro, Eugênio Bucci), hoje é pluralista. A tropa de choque não estava preocupada com coerência ou legitimidade. Queria apenas ganhar notícia em jornal. Ganhou: em O Globo e na Folha, filhos siameses do Cartel.
* Despida dos véus que a disfarçavam, nestas duas ultimas semanas a Folha ficou nua. Se antes aquele corpanzil não chegava a fascinar, agora, argh, está um horror. Há dois anos esta cruzada contra a baixaria teria sido naturalmente capitaneada pela Folha. Agora, como baluarte do Cartel, a Folha sobra. Ou soçobra. Um ou outro colunista, com meia-boca, dá algum palpite. Entre olímpico e bocejante. O resto, seguindo o exemplo de cima, enfia o rabo entre as pernas. E está gostando.
* A Editora Abril nunca pareceu-se tanto com a Editora Três. De joelhos, armando jogadas que ninguém consegue entender, lembra a fábula da raposa espertinha.
* Mas quem ficou mal, muito mal, foi a facção IEGFSD (Intelectuais de Esquerda que Ganham Fabulosos Salários da Direita). O formidável plantel de opinionistas ditos progressistas contratado pelo Cartel dá o retorno e mostra que o investimento valeu. Treinados na Linha Justa, sentem-se muito à vontade com a saia justa. A charge de primeira página de O Globo no sábado, 25/11 é, em si, uma amostra perfeita da ambigüidade e da contradição. Bem vindos ao Porsche do Ministro Tápias.
Leia também:
Laços do Cartel – A.D.
"Eppure se muove" - A.D.
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