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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/9/2000


ASPAS 2

AOL-TIME WARNER
CNN / Reuters

"Órgão regulador dos EUA quer mudanças no acordo de fusão da AOL-Time Warner", copyright CNN / Reuters, 5/9/00

"A Comissão Federal de Comércio (CFC) dos Estados Unidos quer significativas mudanças no acordo de fusão entre a America Online (AOL) e a Time Warner antes de aprovar a operação, disse na terça-feira uma fonte familiarizada com o caso.

A fonte disse que integrantes do governo norte-americano estão preocupados por considerar que as companhias terão uma poderosa presença de mercado em cidades onde a Time Warner oferece atualmente sistemas de cabo.

O informante disse ainda que os encarregados da Comissão querem que a nova empresa permita que os concorrentes usem suas linhas de alta velocidade nessas cidades.

A AOL decidiu em janeiro comprar a Time Warner, em uma operação avaliada naquele momento em US$ 164 bilhões. Agora, porém, o negócio é estimado em torno de US$ 130 bilhões.

O presidente da CFC, Robert Pitofsky, divide as preocupações com os funcionários sobre o acordo de fusão, segundo infomações divulgadas pelos jornais Wall Street Journal e Washington Post.

No entanto, Pitofsky deveria ter o apoio da maioria dos cinco membros da Comissão para se opor à fusão.

Tradicionalmente, quando existe a possibilidade de formação de monopólio, a equipe da CFC sugere mudanças que torne aceitável a operação para a maioria dos integrantes.

Neste caso, a Comissão somente pode aprovar um acordo negociado."



AQUARELA DO BRASIL

Jan Theophilo e Cristiane Ramalho

"Na TV, querela do Brasil", copyright no. <www.no.com.br>, 5/9/00

"‘Aquarela do Brasil’, nova série da Rede Globo, inspirou uma novela paralela na vida real. A protagonista do enredo é a professora da UFF e escritora Eliane Egpy Ganem, que acusa a emissora de plágio e reivindica a autoria da idéia. Ela quer além da indenização, os créditos. Numa ação que corre na 14a. Vara Cível do Rio, reclama de ‘apropriação indébita e violação do direito autoral’. A Globo diz que o assunto será tratado pelo departamento jurídico, mas que não recebeu qualquer notificação oficial até o momento.

Na versão da professora, ‘Aquarela do Brasil’ é uma cópia escancarada de um argumento de 13 páginas registrado na Biblioteca Nacional e entregue por ela, em 1996, na emissora. Eliane diz que deixou o texto com Cristina, secretária de Mário Lucio Vaz, na época diretor da Central Globo de Produção. O nome fora recomendado por um amigo. ‘Me disseram para procurá-lo quando expliquei que eu tinha que falar com alguém que manda’. Eliane teria ligado várias vezes, sem nunca falar com o diretor. ‘O máximo que consegui foi ouvir da secretária que o Mário estava avaliando’. Desistiu depois de um ano. E esqueceu a história até ver no ar a chamada da série. ‘Fiquei tão abalada emocionalmente que passei uma semana em casa, de cama’, diz Eliane.

A professora vê diversas semelhanças entre vários personagens. Entre eles, a própria protagonista (interpretada pela atriz Maria Fernanda Cândido), que na sua história seria também uma cantora de rádio em ascensão. Diz ainda que havia uma orientação sua para que os atores se parecessem com estrelas de Hollywood, como Clark Gable – caso do cantor interpretado por Thiago Lacerda. ‘A história se passa na mesma época e usa a mesma cena musical carioca’, diz Eliane.

Para Lauro Cesar Muniz, autor de ‘Aquarela do Brasil’, a professora está ‘totalmente equivocada’. O roteirista garante que a idéia original é sua e estava engavetada desde 1986, quando ele apresentou uma sinopse à equipe da extinta Casa de Criação da emissora. ‘O parecer foi favorável, mas a Globo não queria investir numa novela de época e achou que seria quase impossível conseguir uma cantora-atriz que segurasse o papel’, conta Muniz. Entre os integrantes da equipe, estava o poeta Ferreira Gullar, que confirma a versão. E lembra vagamente de ter discutido a questão com o grupo. ‘Ele está falando a verdade. Mas o problema não é o tema, mas como a história se desenvolve. Na verdade, a idéia de uma cantora do rádio em ascensão não é dele, nem dela. É do Marques Rebelo, que escreveu o romance ‘A Estrela Sobe’.

Gullar acredita que Eliane Ganem tem boas chances de sair vitoriosa na briga. ‘O pessoal da Justiça não entende do assunto e costuma ficar contra a Globo, que fica como a poderosa contra uma pobre moça’.

Muniz garante que Aquarela do Brasil nasceu no ano passado, na fazenda do diretor Jayme Monjardim, em Amparo, interior de São Paulo. Depois de receber um convite do diretor para fazer a próxima novela das seis, e de dois dias de discussão infrutífera entre os dois, o roteirista teria se lembrado de resgatar a história de 86 – arquivada sem título na ocasião. A briga da professora inclui, aliás, o nome da série, segunda ela, idêntico ao do seu argumento. Muniz rebate, dizendo que o folhetim ia se chamar inicialmente ‘Nas ondas do rádio’ e acabou sendo rebatizado por sugestão de Monjardim, quando a música saiu vencedora na retrospectiva das melhores do século promovida pela Globo no ano passado. ‘Se saiu com o mesmo nome, azar’.

Quanto ao fato do personagem interpretado pelo ator Thiago Lacerda ser a cara de Clark Gable, Muniz afirma que a idéia surgiu quando Monjardim desenhou um bigode numa foto do ator, ‘que é mesmo a cara do Gable’. O roteirista diz ter ficado ‘perplexo’ com a história e promete revanche: ‘Quando acabar este processo, vou entrar com outro pedindo ressarcimento por danos morais. Ela está atacando a minha imagem’.

Com 20 livros publicados, Eliane está montando um relatório com as semelhanças entre seu argumento e a produção da Globo. A confirmar-se a sua alegação, a Justiça estará, no mínimo, diante de uma incrível coincidência.

‘As semelhanças são muitas com o meu argumento. O nome é o mesmo, passa-se na mesma época (década de 40) e privilegia o tempo todo o artista carioca. A protagonista, suburbana, também faz um teste como cantora à revelia da família, exatamente como a Isaura, personagem da atriz Maria Fernanda Cândido. Além disso, o argumento tinha orientações como o uso de jingles e de propagandas de época. Outro personagem semelhante é o do dono da rádio, que no meu argumento era um dono de cassino que também se envolvia com pressões políticas e jogadas’, exemplifica a escritora.

Muniz diz que sua história se passava no final dos anos 50, mas foi mudada porque Monjardim ‘queria colocar a Segunda Guerra como pano de fundo’. O roteirista enviou ao no. trechos da sinopse de 1986, que segundo ele tem 80 páginas ‘amarelecidas, datilografadas e grampeadas’. O prólogo abre com a letra de Aquarela do Brasil e fala de uma personagem de 18 anos, linda, ‘que termina sua participação num concurso promovido pela rádio da cidade’. O tema é descrito como ‘um painel dos últimos 25 anos da MPB através do percurso de uma cantora, sua ascensão artística, sua glória e sua queda’. Um painel ‘romântico da década de 40 através das ondas do rádio’, conforme anotação que o autor diz ter rabiscado posteriormente, ao preparar a versão atual. ‘Estou fazendo Aquarela do Brasil a partir de modificações na minha sinopse de 1986. Mas desde segunda-feira, quando o assunto estourou, não consigo trabalhar direito porque o telefone toca sem parar’.

O juiz Ronaldo José Oliveira Passos, da 14ª Vara Cível mandou citar a TV Globo e está aguardando que a empresa constitua advogado para dar prosseguimento à causa."



ELEIÇÕES
Villas-Bôas Corrêa

"A TV decide o voto", copyright Jornal do Brasil, 6/9/00

"Ninguém diz que ouve ou assiste aos programas de propaganda eleitoral nas redes de rádio e TV. Entretanto, em 20 dias de horário eleitoral, a campanha mudou de toada e as pesquisas registram reviravoltas que comprovam que o jeito de conquistar o eleitor está sepultando as carreatas, os apertos de mão, as caminhadas distribuindo retratos e panfletos com a verônica do candidato e o seu número para ajudar a memorização do velho modelo de caça ao voto.

Como os aspirantes a prefeito e vereador não gastam mais do que horas por semana para gravar as suas participações nos programas que obedecem ao roteiro dos profissionais do marketing, pagos a peso de dólar, insistem no contato direto com o eleitor. Mas, como atividade secundária, que preenche o tempo vazio e ajuda a aliviar a tensão que pode acabar no infarto.

De comício não mais se cogita. Nos últimos dias da campanha, alguns arriscam o teste perigoso de convocar o povo para entupir-se com a lengalenga da discurseira. Como recheio em sanduíche: a fatia fina da oratória entre os números do show com conjuntos de música sertaneja ou a pauleira dos ritmos modernos, que faturam uma nota.

O interior conserva seus costumes, sem recusar a modernidade. É mais fácil reunir conhecidos para comícios-relâmpagos, nos paradas da caravana que circula pelo município. Nas capitais e grandes cidades, os candidatos só se esfalfam na rua para gerar imagens que alimentem o noticiário na mídia.

Campanha mesmo, que decide, altera, inverte tendências de voto captadas pelas pesquisas, migrou para a TV e o rádio, aproveitando o privilégio do horário eleitoral gratuito e que custa os olhos da cara para as gravações, orientadas pelos marqueteiros. As distorções marotas da legislação eleitoral geraram mostrengos que não devem resistir à inevitável reforma. Excesso de partidos impede ou esvazia o interesse dos debates, que seguem na TV a regra da casa do caboclo: um é pouco, dois é bom, três é demais. A louvável tentativa da Rede Bandeirante de promover debates alcançou escassa repercussão e baixo índice de audiência. No segundo turno, o quadro vira de pernas para o ar.

Mas, antes de perder o fio, voltemos a enrolar a meada. O presidente Fernando Henrique Cardoso tateia à procura da melhor saída para as curiosas contradições que acompanham a gangorra da sua popularidade. Na fase negra em que amargou a queda livre nos índices de sucessivas pesquisas, os milhares de candidatos do feixe de partidos que o apóiam fugiram dele, mantendo léguas de distância. Ausente da propaganda dos aliados, dispensado das clássicas fotos para a inutilidade porcalhona dos cartazes que sujam os muros e postes.

Bastou que a aragem da discreta mudança do panorama, com as otimistas previsões de recuperação do desempenho econômico, refrescasse os percentuais de popularidade, com a inversão da degringolada e a subida de alguns pontos, para que os pedidos de fotos, de gravação de mensagens de apoio alçassem vôo, na revoada do mais descarado oportunismo. Alguns - como o candidato tucano a prefeito de Belo Horizonte, João Leite, que subiu nas pesquisas, encostando no favorito, o prefeito Célio de Castro, candidato à reeleição -, não se convenceram do milagre e querem continuar longe do santo.

A dança nas posições nas capitais confirma a influência decisiva da TV e a necessidade de corrigir os erros grosseiros que impedem a cobertura correta da campanha pela mídia, seguindo critérios jornalísticos. A lei distribuiu fatias milionárias de tempo no horário eleitoral pelos resultados da última eleição. No noticiário da TV, do rádio e dos jornais, exige espaços iguais para todos: o favorito, os viáveis e os aventureiros desprezados pelo eleitor.

Da mistura que reclama análise mais ampla com os dados totais da campanha, saltam surpresas. A começar pelo Rio, com a escalada do prefeito Luiz Paulo Conde no rumo da reeleição e o baixos índices de Benedita da Silva e Leonel Brizola. São Paulo registra queda de Marta Suplicy, ainda com folga na liderança, e a ascensão do tucano Geraldo Alckmin, que superou Paulo Maluf e luta para classificar-se para o segundo turno com a candidata do PT.

Se em 20 dias, o horário eleitoral provocou esse samba nas hesitações do eleitorado que acompanha o comportamento dos candidatos de casa, sem emoção, na frieza do distanciamento, pode-se esperar por muitas novidades nos próximos 22 dias, até 28 de setembro, na reta final em que se decide a eleição e, nos casos de segundo turno, os classificados para o mano a mano. Com o molho apimentado dos debates, sem muro para os indecisos e o arame do voto em branco ou anulado para os que viram as costas ao direito de influir no destino da cidade onde vivem.

Depois, em caso de arrependimento, baterão com o nariz na porta do bispo."




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