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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000
CRÍTICA CRITICADA
Luiz Zanin Oricchio
"A crise da crítica", copyright O Estado de S. Paulo, 3/12/00
"Crítica e crise são palavras de mesma raiz etimológica. Por isso aparecem juntas com freqüência, e, não por acaso, se diz, com justiça ou não, que a atividade crítica vive em crise e que se pode prever seu desaparecimento para breve. Aliás, faz-se essa previsão há muito tempo, o que a torna pelo menos duvidosa. No entanto, mesmo contestada, e às vezes minada de seu próprio interior, a atividade crítica continua existindo. Em jornais, revistas e agora pela Internet, publicam-se comentários valorativos sobre obras artísticas em suas diversas modalidades. No âmbito das universidades e em revistas especializadas, que não param de surgir, lêem-se análises e comentários, muitos deles bastante elaborados, outros nem tanto, sobre aquilo que aparece de novo no mundo da cultura.
Como crítica é crise e, além disso, uma atividade seletiva que implica, pelo menos em certa medida, em um julgamento de valor, não pode deixar de refletir sobre si mesma - se quiser se manter dentro do padrão de seriedade.
Isso tem acontecido. Este ano, a APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Arte, promoveu uma série de encontros chamada de A Crítica da Crítica, que reuniu para debates especialistas e artistas. Quer dizer, críticos e criticados. Ano passado, o Itaú Cultural promoveu o evento Rumos da Crítica, ciclo de palestras discutindo as funções e limites da atividade crítica hoje. Os textos das conferências acabam de sair em um pequeno - e utilíssimo -- volume editado em convênio entre o Itaú Cultural e o Senac. Há no livro textos de filósofos e ensaístas como Gerd Bornheim, Renato Janine Ribeiro, Jacques Leenhardt e Lucia Santaella, além dos de jornalistas ligados à área cultural, como Marcelo Coelho e Eugênio Bucci. No recém-lançado Inútil Poesia, Leyla Perrone-Moisés dedica ao tema um ensaio em forma de pergunta -- Que fim levou a crítica literária? -- que, por seu tom, já é indicativo de uma séria preocupação. Aliás, a própria Leyla, em um livro mais antigo e mais famoso, já se perguntava sobre os limites da interpretação de uma obra, quando se trata de um objeto sui generis como os Cantos de Maldoror, de Lautréamont. O título deste livro também fala por si: A Falência da Crítica.
Enfim, não falta reflexão sobre o tema, sinal da existência de um certo mal-estar. E de onde vem a ‘malaise’ da crítica contemporânea? De várias fontes, segundo nossos autores. Em primeiro lugar, com o pós-modernismo, aboliram-se critérios e hierarquias; o cânone, conjunto exemplar de obras que serve de referência para as demais, foi posto em xeque. Com essa ‘desconstrução do centro’, a tarefa crítica tornou-se particularmente embaraçosa. Como julgar a qualidade de uma obra nova se não há mais parâmetros confiáveis para compará-la? Como diz Leyla Perrone-Moisés: ‘Não pode existir crítica literária se não houver um conjunto de valores estéticos reconhecidos e, por conseguinte, um cânone de referência.’ Onde ela diz crítica literária, leia-se crítica, em geral.
Em seguida, há a pressão do mercado, que sempre existiu, mas hoje é sentida com força inédita. Obras são mercadorias em busca de consumidores e nunca a indústria cultural esteve tão presente na vida das pessoas e mobilizou tanto interesse econômico. Para se ter idéia: o audiovisual é um dos principais itens de exportação dos Estados Unidos, ao lado da indústria aeroespacial e da informática. Interessa à rápida multiplicação de capital da indústria que os produtos circulem sem nenhuma chancela de qualidade ou hierarquia. Se em algum momento a homogeneização da alta e da baixa cultura, do pop e do erudito, do sofisticado e do grosseiro, tiveram algum sentido político, hoje essa desconstrução de valores apenas serve ao capital. Portanto, o vale-tudo pós-modernista cabe perfeitamente no figurino do vale-tudo do mercado. Daí a crítica mais exigente (isto é, valorativa) ser desqualificada como elitista ou impopular. Inútil dizer que já assistimos ao nascimento de uma corporação crítica perfeitamente adaptada a esse estado de coisas e para a qual essa discussão há de parecer museológica.
Em todo caso, os impasses estão aí, e a crítica, se quiser ser digna dela mesma, deve se instalar em sua crise e dela tirar alguma reflexão. Por isso o Cultura convidou alguns críticos para falar de sua atividade, em suas áreas de interesse específicas. Alguns são críticos militantes do Estado. Outros, colaboradores regulares do jornal."
MÍDIA & CIDADANIA
O Estado de S. Paulo
"Acordo amplia divulgação de boas práticas", copyright O Estado de S. Paulo, 8/12/00
"A Agência Estado fechou ontem parceria inédita para ampliar a cobertura sobre ações de responsabilidade social e estimular a mídia a abrir espaço a experiências na área da educação e cidadania. A parceria envolve o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) em torno da Rede Iniciativa, que reúne jornais de vários Estados no intercâmbio de reportagens sobre esses temas.
‘Com esses parceiros, vamos avançar muito em nosso trabalho de envolver veículos de todo o País num amplo debate sobre as novas funções da mídia’, disse Rodrigo Lara Mesquita, diretor da Agência Estado.
A Rede Iniciativa surgiu em maio de 1999 com o objetivo inicial de abrir espaço nos veículos de comunicação e oferecer, sem custos adicionais, reportagens sobre ações sociais no País. Doze jornais - Zero Hora (RS), Correio da Paraíba, O Popular (GO), Jornal do Commercio (PE), O Dia (RJ), O Estado de Minas, Meio Norte (PI), Gazeta do Povo (PR), O Estado do Maranhão, A Crítica (AM), Diário de Natal (RN) e Correio Popular (SP) - passaram a intercambiar seus textos por meio da Agência Estado.
Essa cooperação permite a cada um dos jornais ter disponíveis reportagens produzidas pelos parceiros em regiões distantes das suas, com exemplos de iniciativas bem-sucedidas e capazes de inspirar ações semelhantes em outras comunidades. Na Rede Iniciativa, o material produzido e publicado por um jornal pode ser republicado em todos os outros ou, pelo menos, pode dar origem a uma pauta semelhante.
Exemplos - ‘É fundamental a divulgação de bons exemplos de investimento em responsabilidade social, porque só eles podem permitir aos outros tomarem atitudes semelhantes de forma sustentável’, afirmou Oded Grajew, diretor-presidente do Instituto Ethos.
A Andi aposta na Rede Iniciativa como um canal para melhorar a qualidade da cobertura jornalística sobre educação. ‘A Agência Estado é uma referência e a Rede Iniciativa pode levar conteúdo qualificado a veículos e jornalistas de todo o Brasil, aprofundando e enriquecendo o trabalho em suas regiões’, afirmou Geraldo Vieira, diretor-executivo da Andi.
A superintendente da Fundação Abrinq, Ana Maria Wilheim, disse que a ação conjunta permitirá aos parceiros avançarem na própria análise dos projetos de responsabilidade social. ‘Um bom começo para a parceria na Rede Iniciativa é lançar um padrão de cobertura jornalística que aponta não apenas o exemplo das ações, mas que revela tecnologia que permitiu seu sucesso, demonstrando o que exatamente está dando certo.’
Ampliação - Com a entrada do Instituto Ethos, Andi e Fundação Abrinq, os jornais participantes da Rede Iniciativa terão, além das reportagens intercambiadas, relatos de ações sociais de empresas em todo o País e informações úteis para dar profundidade e qualidade ao trabalho dos jornalistas que tratam de educação e desenvolvimento da cidadania. Os quatro parceiros vão atuar juntos na ampliação da Rede Iniciativa, com a meta de abranger todos os Estados.
‘Esta parceria com a Agência Estado é mais do que uma soma de esforços, porque os meios de comunicação potencializam os resultados e impactos de qualquer esforço’, analisa Hélio Mattar, presidente da Fundação Abrinq. ‘Para nós, que atuamos em causas sociais, a possibilidade de pensar e agir em escala é multiplicada, levando a pontos remotos do País idéias de ações conjuntas pelo bem comum.’"
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