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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/12/2000
QUEIXAS
Painel do Leitor - FSP
"Preconceito", in Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, edições de 5, 6 e 8/12/00
"Dia 8/12 - "‘A expressão ‘...trabalhou como uma negra’, publicada na coluna de Mônica Bergamo (pág. E2, 7/12) deixa aflorar o preconceito e o racismo da colunista, bem como o descuido de um jornal que se vangloria por estar sempre atento às questões sociais, políticas e éticas. O que direi a meus alunos?’ Edwiges Pereira Rosa Camargo, docente da PUC-Campinas (Campinas, SP) Resposta da jornalista Mônica Bergamo - A legenda é apenas referência a frase dita por Carmen Mayrink Veiga em 1996: ‘Sempre trabalhei como uma negra, grátis, sem ter férias, nem salário’.
Dia 6 - Folhateen - ‘Achei muito estranha, para não dizer um absurdo, a última página do caderno Folhateen. Não costumo ler essas coisas, pois já sou bem grandinho (tenho 27 anos), mas ontem resolvi olhar todos os cadernos e me deparei com aquela história (?) esquisita. Não sei se aquilo é uma sequência de alguma novela, mas, mesmo que seja, achei que alguns termos não são muito apropriados para aparecer num jornal desse nível. Não vou dizer que nunca falei coisas do gênero, mas há hora e local para isso, e um jornal não é um local muito apropriado.’ José Francisco Ferreira Júnior (São Paulo, SP)"
Dia 5 - Édipo e pedofilia - ‘Causou-nos estranheza e profunda indignação o fato de esta Folha, que se tem pautado pela qualidade editorial, ter selecionado e aceito para publicação, na seção ‘Tendências/Debates’, em 14/11, artigo de tão baixo nível intelectual e ético intitulado ‘Complexo de Édipo e pedofilia’. Além dos erros grosseiros de informação, até sobre datas referentes a Freud, e de uma indisfarçada pretensão de provocar escândalo e chamar a atenção, o autor, que se intitula psicólogo formado pela Universidade Federal do Paraná, rebaixou um assunto científico ao nível de matéria policial, como fazem alguns programas de rádio e TV sensacionalistas. O pensamento foi substituído, nesse caso, por uma raivosa exibição de concreto mau gosto. Nem nos daríamos ao trabalho de tocar no assunto, não fosse a surpresa de vermos a Folha entrar no jogo fácil dos ‘showmen’ da sociedade do espetáculo. Respeitamos integralmente a liberdade de imprensa. A própria psicanálise não existiria sem a liberdade. Respeitamos também a crítica séria, fundada em argumentos científicos e epistemológicos. Não podemos respeitar, porém, os ataques veiculados, que ofendem a sensibilidade das pessoas e até mesmo a dignidade profissional de todos nós, formados em psicologia, medicina e em outras carreiras superiores. Somos clínicos, professores e doutores que nos dedicamos seriamente à prática, à produção e à socialização do saber psicanalítico. Atuamos em instituições brasileiras de respeitada reputação, como a PUC-SP, a USP, a Unicamp, as sociedades da ABP, filiadas à International Psychoanalytical Association, Escola Brasileira de Psicanálise, Instituto Sedes Sapientiae-SP. Tudo tentar compreender não significa tudo tolerar, dizia Freud, com a indignação que o caracterizava, diante dos ataques preconceituosos dos que nada compreendiam da psicanálise. Por isso mesmo, e justamente por respeitarmos a liberdade, exigimos da Folha o direito de resposta e espaço idêntico ao concedido àquele artigo publicado na página A3, que já abrigou inteligências notáveis e teve momentos melhores do que este.’ Márcio de Freitas Giovannetti (presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo) Alfredo Menotti Colucci (presidente do Conselho Profissional da ABP) Maria Lúcia Violante (diretora do Núcleo de Psicanálise do Programa de Pós-Graduação da PUC) Renato Mezan e Ana Maria Sigal (membros do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae) Mário Eduardo Costa Pereira (Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp - Laboratório de Psicopatologia Infantil) Márcio Peter de Souza Leite (Escola Brasileira de Psicanálise) Luis Cláudio Figueiredo (Instituto de Psicologia da USP)"
Nicolau - ‘Indignado, li a reportagem da jornalista Malu Gaspar intitulada ‘Foto dificulta acordo com Nicolau’, de 2/12. Como não há nem houve nenhum tipo de negociação sobre a apresentação do ex-juiz Nicolau, a jornalista inventou um impasse: ‘a foto’. Ora, mais fotografado do que o juiz já foi, é impossível. Portanto, nem na linha do absurdo isto seria um impasse. Além do mais, a jornalista insulta os membros do Ministério Público Federal, afirmando que se cogita do indiciamento da mulher do ex-juiz como cúmplice, pois avalia-se que a pressão sobre os familiares aumentaria. Primeiramente, os membros do MPF não indiciam ninguém, nem para pressionar quem quer que seja. Do contrário, praticariam o grave crime de denunciação caluniosa. Por fim, a jornalista deveria ler mais e melhor a Folha, já que a esposa do juiz já foi denunciada pelo MPF e o juiz Casem Masloum rejeitou a acusação. Jornalismo sério não se faz com invenções e desinformações.’ Alberto Zacharias Toron (São Paulo, SP) Resposta da jornalista Malu Gaspar - Sobre o impasse da foto, a Folha mantém as informações sobre a possível apresentação do juiz Nicolau à polícia, apuradas junto a fontes envolvidas na negociação. Sobre a possibilidade de indiciamento da mulher do ex-juiz, leia a seção Erramos."
INVASÃO SUECA
Elvira Lobato
"Grupo sueco lança jornal diário gratuito para o Rio", copyright Folha de S. Paulo, 6/12/00
"O grupo sueco MTG (Modern Times Group) prepara o lançamento de um jornal diário para distribuição gratuita no Metrô do Rio de Janeiro, com previsão de tiragem diária de 250 mil exemplares.
É a primeira investida concreta de estrangeiros sobre o mercado editorial brasileiro. Como a Constituição proíbe a participação estrangeira em jornais e revistas, a editora foi constituída em nome de dois brasileiros.
O jornal será propriedade da Editora II Ltda., registrada em nome do engenheiro aposentado Carlos Negreiros e de Marta Torres White. Esta última trabalha para a MTG em Londres.
Os suecos aparecem como sócios da Cadadia do Brasil Ltda., que funciona, junto com a editora, em dependências cedidas pelo Metrô do Rio. O contrato com o metrô foi fechado em outubro.
O jornal deve se chamar ‘Metro’ e ser impresso na gráfica do jornal carioca ‘O Dia’. As negociações entre as duas empresas ainda não estão concluídas, o que vem atrasando o lançamento do periódico. A previsão mais recente é para meados de dezembro.
Segundo o superintendente de Marketing e Circulação de ‘O Dia’, Fernando Pinheiro, as negociações são para impressão diária de até 300 mil exemplares, com um mínimo de 100 mil.
O grupo MTG é um conglomerado internacional de mídia. Atua em TV, rádio, telefonia celular e tem na distribuição gratuita de jornais um de seus principais segmentos. Seus jornais levam a marca ‘Metro’ e estão presentes em Roma (Itália), Amsterdã (Holanda), Zurique (Suíça), Filadélfia (EUA), Toronto (Canadá) e Newcastle (Reino Unido), entre outros. A empresa diz distribuir cerca de 3 milhões de jornais por dia.
O Brasil será o terceiro país ocupado pelo suecos na América Latina. Já estão no Chile, com o jornal ‘Metrodiario’, e em Buenos Aires, com o ‘Publimetro’, que completou 40 edições nesta segunda-feira, com tiragem de 300 mil exemplares.
O superintendente de Marketing e Circulação de ‘O Dia’, Fernando Pinheiro, diz que a proposta de impressão do ‘‘Metro’ representa riscos e oportunidades para o jornal carioca.
‘Independente de ‘O Dia’ querer ou não, os suecos já decidiram entrar no Brasil (...). É uma estratégia mundial deles, que não conseguiremos impedir’, diz.
A ocupação da gráfica é a principal motivação na negociação, mas a proposta prevê também o uso da agência de notícias e do sistema de distribuição de ‘‘O Dia’.
O grupo MTG tenta se instalar no Brasil há um ano e meio. Sua primeira investida foi em São Paulo, cujo metrô transporta 2,5 milhões de passageiros por dia.
O gerente de Comercialização e Novos Negócios do Metrô de São Paulo, José Nader, conta que a empresa ofereceu participação no faturamento publicitário e espaço para anúncio institucional.
O acordo não foi fechado porque, como estatal, o metrô só pode assinar contratos com licitação pública. Segundo Nader, a concorrência deve ser lançada nos próximos meses.
O Metrô do Rio foi privatizado e está sob administração do Opportunity, que assinou o contrato. O banco não dá detalhes do acordo, mas diz que o metrô terá participação na receita publicitária e espaço para anúncio institucional.
Silêncio cerca lançamento da publicação
"Os preparativos para lançar o ‘Metro’ estão cercados de sigilo. Desde quinta, a Folha tenta entrevistar os representantes do grupo MTG. O silêncio é justificado como estratégia de lançamento.
O vice-presidente do jornal ‘Correio Popular’, de Campinas (SP), e da Associação Internacional de Marketing Jornalístico, Sérgio Rêgo Monteiro, assessora a MTG no projeto. Por telefone, ele disse não estar autorizado a dar informações. Faz parte da equipe responsável pela implantação do ‘Metro’ o inglês James Alison, que participou do 53º Congresso Mundial de Jornais realizado em junho, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, disse que o ‘Metro’ não é um jornal, mas um veículo para fazer dinheiro por meio da venda de anúncios, com algum conteúdo editorial.
O diretor-geral da Infoglobo (empresa da família Marinho, que edita os jornais ‘O Globo’ e ‘Extra’), Luiz Eduardo Vasconcelos, diz que não há uma estratégia para enfrentar o ‘Metro’. Ele diz que não considera os jornais gratuitos capazes de competir com a imprensa tradicional e, em relação à participação estrangeira, que a questão deve ser examinada pela ANJ (Associação Nacional de Jornais)."
FOLHA & ESTADÃO
Luiz Antonio Magalhães
"A honestidade do Estadão e o cinismo da Folha", copyright Correio da Cidadania, 2 a 9/12/00
"Na coluna da semana passada, citei um editorial d'O Estado de S. Paulo para mostrar que há jornais com coragem de criticar e enfrentar a poderosa Rede Globo, maior grupo de comunicação do país. Alguns leitores estranharam, argumentando que o jornal paulistano, em termos ideológicos, se situa no mesmo campo ou ainda mais ‘à direita’ do que emissora da família Marinho.
Não há dúvida alguma que O Estado de S. Paulo é um jornal conservador. Isto não quer dizer, porém, que o seu projeto editorial expresse uma visão de mundo igual à da Globo, Abril, Folha e demais grandes grupos de comunicação. Na verdade, há algumas divergências entre eles. A maior diferença entre o Estadão e os demais é a sinceridade e a coragem do primeiro.
Enquanto seus congêneres escamoteiam o caráter elitista e engajado que possuem, o Estado chega a se orgulhar desses adjetivos. Dois exemplos recentes ilustram muito bem essa atitude.
No final da campanha eleitoral deste ano, já no segundo turno, o Estadão, em editorial, recomendou aos seus leitores paulistanos o voto em Marta Suplicy, candidata do PT. O anti-malufismo extremo da família Mesquita, naquele momento, falou mais alto do que o seu também extremo anti-petismo. No texto em que anunciava a recomendação, o jornal foi muito claro e salientou que se tratava de um voto no ‘menos pior’.
Enquanto o Estado deu uma demonstração de sinceridade - ao explicitar que não está afinado politicamente nem com Maluf, nem com o PT -, seu rival Folha de S. Paulo apresentou ao público um confuso editorial sobre o mesmo tema, em que defendia a idéia da perfeita isenção e imparcialidade dos órgãos de comunicação.
Como bem observou Gilberto de Mello Kujawski, existe uma grande contradição na posição da Folha: o ‘matutino faz praça ostensiva de moralismo, militando, com veemência, a favor da ética na política. Seus repórteres dedicam-se, com rara tenacidade e muita competência, ao chamado jornalismo investigativo, denunciando todo tipo de corrupção nos mais variados escalões do governo. (...) Ora, toda essa escrupulose, além de cheirar a hipocrisia, leva a situações contraditórias. Se na declaração de princípios do jornal e na sua prática habitual consta o imperativo de jamais admitir a dissociação ou a contradição entre a política e a ética, qual será a conduta adequada em relação a um candidato conhecido por sua total falta de escrúpulo e pelo sacrifício de qualquer princípio ético em troca do sucesso político?’
Em outras palavras, enquanto o Estadão dava a cara para bater, a Folha se fazia de desentendida. Para perceber a diferença, outro exemplo recente é revelador.
O líder petista Luiz Inácio Lula da Silva viajou para Cuba na semana passada. O Estadão enviou o repórter especial Daniel Piza para cobrir as andanças de Lula pela ilha de Fidel. A cobertura do jornal pode ser caracterizada como extremamente ‘editorializada’. O anticomunismo e a ironia deram o tom. No final da semana, o jornal publicou um editorial condenando a ‘aproximação’ entre Lula e Fidel. Ou seja, tudo muito claro, dentro dos padrões que se espera de um jornal conservador.
Já a ‘crítica, plural e apartidária’ Folha de S. Paulo foi igualmente irônica e anticomunista, fato apontado até pela Ombudsman do jornal em sua crítica interna diária. Na cobertura da viagem de Lula, a Folha só não se igualou ao Estadão porque não publicou editorial a respeito. É que falta coragem na Barão de Limeira..."
HISTÓRIA DO FUTEBOL
Paulo Nassar
"Esqueceram os 90 anos do Timão", copyright Gazeta Esportiva, 6/12/2000
"Prezado leitor, uma boa comunicação também faz gols. E time, jogador de futebol e dirigentes que não se comunicam bem, vivem fazendo gols contra. Dá para encher um titanic com jogadores, técnicos e dirigentes que, literalmente, comprometem as percepções que a sociedade tem da atividade do futebol pelas suas posturas no mundo e pelo que falam em entrevistas.
O técnico Wanderley Luxemburgo perdeu o seu emprego na Seleção Brasileira basicamente porque, além de suas atividades parafutebolísticas, não soube utilizar as táticas e estratégias de substantivos, adjetivos e verbos. Muitos jogadores se transformam em ‘animais’ mal falados porque só assimilam, alavancados pelo poder do dinheiro e da fama, o que de pior têm os ricos brasileiros. É aquele pensamento que pode ser resumido em uma frase: ‘Rico, aqui no Brasil, não vai para cadeia’.
Mas a boa e má comunicação acaba fazendo com que os públicos percebam o Mundo da Bola S.A. não só pela língua e pelo rebolado dos seus personagens, mas por diversas maneiras. A história ligada ao futebol, quando transformada em comunicação eficiente, pode se transformar em um motor de boa percepção por parte dos torcedores e da sociedade. Nos casos em que a história não é cuidada, em que os acervos são descartados ou dilapidados, o feitiço se volta contra os maus administradores.
Um exemplo disso é a maior parte dos estádios brasileiros, que mal conservados se transformaram em monumentais ‘outdoors’ que denunciam o descaso com o patrimônio dos clubes e das municipalidades. Pelo estado dos monumentais da bola, ninguém precisa dizer que são mal administrados.
Em São Paulo, o Estádio do Pacaembu, um marco do futebol brasileiro, que está mais para as ruínas de Coliseu romano do que para a arena onde foram celebrados jogos imortais, é um exemplo de má gestão. O lugar memorável está pedindo a Deus que a cidade e os seus cidadãos olhem por ele. O caos administrativo, de décadas, é de tal tamanho que praticamente o Pacaembu não tem um acervo preservando a sua história.
Alguém tem dúvida de que se ali tivesse um museu com fotos, depoimentos e objetos de craques, como Leônidas, Pelé, Sócrates, Rivelino e outros, haveria filas de gente de todo o mundo pagando para entrar?
No Brasil, o Museu do São Paulo Futebol Clube é um bom exemplo de gestão da história de um clube. A nova prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, poderia visitá-lo para conhecer uma boa idéia para melhorar o Estádio do Pacaembu.
Internacionalmente, a referência é o Museu do Barcelona, que é o segundo museu mais visitado da Espanha. A excelente localização do Pacaembu torna viável no local também a implantação de lojas e cafés temáticos ligados ao mundo da bola.
No Rio de Janeiro, o Flamengo e a ISL estão trabalhando no Museu do Manto Sagrado, local onde ficará todo o acervo de terra e mar do Flamengo. Não tenha dúvidas de que o local vai se transformar em uma fonte de faturamento e prestígio para a cidade de São Sebastião e para aquele que tem a maior torcida no Brasil.
Lamentavelmente, o Corinthians fez da comemoração dos seus 90 anos um verdadeiro fiasco. Em termos da história do clube, até agora, a Hicks e a diretoria do alvinegro nada fizeram de relevante. Acredito que a vice-lanterna que o clube segurou na Copa João Havelange tenha feito com que os patrocinadores norte-americanos e os cartolas das praias do Tietê queiram esquecer o ano 2000. No entanto, a História não esquecerá os átilas de Parque São Jorge. Quem viver escreverá."
No. impresso
Blue Bus
"NO. terá versao impressa", copyright Blue Bus, 6/12/00
"Segundo nota na ediçao de hoje do Jornalistas & Cia, publicação distribuída por fax a assinantes jornalistas e assessores, o site NO ponto, de noticia e opinião, segue caminho inverso ao habitual na imprensa de Internet. Passará a ter versão impressa a partir de 2001, com venda em bancas e assinaturas."
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