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ÚLTIMA HORA – Atualizado em 12/9/2000


BORIS CASOY
Desfile de mentiras

Brilhante o artigo de Carlos Knapp [ver remissão abaixo] a respeito dos comentários de Boris Casoy sobre o horário político. Com seu ar onisciente e suas ponderações intocáveis Casoy pratica um jornalismo lamentável muito semelhante ao populismo de Ratinho e assemelhados. Os brasileiros, creio eu, nunca passaram procuração a Boris Casoy para representá-los, como o demonstra o apresentador diariamente em seu telejornal.

Casoy é um dos casos mais emblemáticos da tendência da classe média brasileira a deificar certos formadores de opinião. Suas opiniões se confundem com os fatos; e para o telespectador médio tudo aquilo que o apresentador diz é o que realmente deve ser feito – seja uma medida econômica ou a escalação da Seleção Brasileira de futebol.

Pouco há para se acrescentar ao texto de Knapp. Gostaria apenas de registrar minha admiração pelo artigo e também que, em minha condição de futuro jornalista, o simplista Boris Casoy não espelha o jornalismo que pretendo praticar.

Muito se lutou para que nos livrássemos da famigerada Lei Falcão (lei com princípios coronelistas que limitava o horário político à exibição de foto e nome do candidato, impedindo a explanação de idéias). Muito se lutou pela democracia em nosso país e pelo direito básico de escolhermos nossos governantes. Se o horário político é um "desfile de mentiras" então compete a nós, eleitores, eliminarmos da vida pública – através do poder que o voto nos concede – as figuras que o fazem assim. E compete aos formadores de opinião esclarecer à população a importância do horário político. O Sr. Casoy vai portanto na contramão de sua função social, estimulando preconceitos e alienação política.

Envergonha-me saber que o Sr. Casoy, uma das figuras mais notórias da classe de profissionais à qual pretendo me integrar, emite impunemente ponderações autoritárias, chegando muitas vezes ao cúmulo do simplismo, sem medir o alcance que suas palavras têm em milhões de telespectadores influenciáveis. Formadores de opinião dessa estirpe apenas colaboram com o formação dos Médicis e Pinochets do futuro.

Rodrigo de Ferreira y Loyola, Guarulhos, SP


Declarações estúpidas

Um dos programas Roda Viva, no qual o entrevistado era Paulo Francis. Vésperas da eleição presidencial de 1994. Francis faz comentários sobre os candidatos. Todos os jornalistas ali presentes têm medo do entrevistado, e se regozijam quando o comentarista da Globo descasca seus desafetos. Alguém toca no nome de Lula. Francis pouco fala, apenas para caracterizar o quanto o petista, em sua opinião, não era qualificado para o cargo de presidente. No entanto, fala Francis, é possível que em algum momento Lula seja eleito presidente do Brasil. Boris Casoy intervém, não se sabe se para puxar o saco do entrevistado, ou simplesmente para ser grosseiramente elitista: "Mas será que o povo brasileiro seria tão burro assim?". Francis, constrangido, diz que "Não sei, não sei..."

Há anos temos de aturar alguém como Casoy vomitando sua verdade, todos os dias, em nossa televisão. Por isso estas declarações estúpidas sobre o horário eleitoral não me surpreendem. Mas valeu, muito, o registro.

Rodrigo de Aguiar Gomes, Porto Alegre




PESQUISAS

Influência no voto

As pesquisas influenciam, sim, o voto, principalmente o chamado voto útil.

Marco Antonio Raia Nigro, São Paulo

***

Por que há tanta resistência da mídia em ver impedida a divulgação de pesquisas durante um período de tempo anterior à eleição?

Denis Praça, RJ

***

Influencia e muito a opinião pública especialmente porque a maioria dos cidadãos brasileiros não é filiada a partidos políticos e tem grau de instrução inferior a 1º grau incompleto.

Supondo que a pesquisa de opinião na melhor das hipóteses não influencie os cidadãos em sua escolha de candidatos, então há de se supor que não tem serventia a não ser para, se for o caso, melhorar as vendas da mídia.

As pesquisas de opinião interessam e muito a candidatos e partidos políticos e deveriam ser utilizadas tão somente por eles para gerenciamento de suas campanhas. Por isso deveria ser proibida a divulgação por qualquer meio ou forma.

As empresas de comunicação (jornais, televisões etc.) deveriam assumir o dever cívico e institucional de divulgar a biografia (uma autobiografia e outra sob o olhar de seus críticos) dos candidatos, inclusive, no caso de já terem exercido mandato, o histórico de sua atuação política.

Fernando Ayres Correia, Curitiba




TV GLOBO

Ainda No limite

Irretocável o artigo do Dines. Mas creio haver outros aspectos no mínimo curiosos. Gostaria de conhecer o plano de marketing deste programa, o verdadeiro, provavelmente guardado a sete chaves. Quem garante que todos assistiram a No limite, quando a imprensa de um modo geral noticiava tudo? Eu nunca vi um capítulo, no entanto sei de "tudo". E mais; a grande sacada foi a aplicar a antiga técnica do boato. Sempre algum conhecido conhecia alguém que era da Globo e dizia isso e aquilo. O jornal carioca O Dia abre páginas e manchetes. Quanto à exposição ela foi transformada na convicção de que "rolou" alguma entre jovens linguarudos e mulheres bem vistosas – uma delas vai sair da praia e cair nas páginas da Playboy. E todas elas apresentavam as axilas rapadas. Quem vive no limite tem esse "luxo"?

Orlando Lemos

***

Vivemos todos os dias o limite entre verdades e mentiras. Sofremos ataques deliberados de emissoras que falseiam informações ao seu interesse próprio. Alguns acreditam e se iludem entre os sorrisos das mocinhas e os beijos de família. Entretanto, sendo governados com critérios FMIstas, passamos diversas contrariedades tanto na tributação quanto na forja da inflação. Chega ser um acinte, observamos programas como No limite, quando para se irrigar o Nordeste ou construir centros da AACD precisamos todos, mais uma vez, colocar a mão no bolso.

S. Neiva

***

Quero parabenizar Alberto Dines pelos comentários sobre No Limite e por expor que pouco se cria e muito se copia. Continue "giving them hell".

Rubens Vaz da Costa




MÍDIA & MST

Manipulação

Meu nome é Amanda e sou estudante universitária. Ontem tive contato, pela primeira vez, com militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Confesso que me espantei com a diferença que é a ideologia do movimento e o que a mídia nos mostra. Espero que vocês possam analisar este fato melhor, já que estão mais ligados aos deslizes da mídia. E ainda mais agora em que ela está em evidência com o caso do jornalista do Estado. Espero que comentem esta minha dúvida sobre a manipulação da mídia num movimento tão sério e com uma ideologia tão bonita como o MST, deixando o povo totalmente alienado.

Amanda Mesquita Campina




CARLA PEREZ

Domingo pornô

Assisto ao Observatório da Imprensa e considero um programa importantíssimo para a televisão brasileira, informando e nos fazendo pensar sobre as constantes aberrações e escândalos que vemos na TV. Domingo, trocando de canal, assisti à Sra. Carla Perez em seu programa, moças praticamente nuas, apenas com desenhos minúsculos nos seios. Fiquei perplexo, parece que crianças, jovens, etc. não precisam de controle em relação à pornografia infantil, que toma nossa casa, em pleno domingo ao meio-dia. Isso me assustou. Será que não precisamos de algo que regulamente estas coisas? As emissoras de TV somente se interessam por ibope. Os fins estão justificando os meios.

Mauro Kaliski




TELESPECTADOR

Excesso de informação

Qual a capacidade do telespectador de absorver esse tanto de informações e notícias que nos chegam durante todo o dia? Se uma pessoa assiste a uma hora de televisão, com seu controle remoto, e fica mudando de canal, chega no final da hora e não se lembra do conteúdo do que assistiu. Este fato, acho, é verdadeiro também para a mídia impressa. Como devemos nos comportar para absorver o conteúdo que achamos importante e eliminar as tagarelices? Se o programa ainda não abordou tal tema, acho que pode ser uma idéia interessante.

Heber Pereira Neves


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Desfile de mentiras – Carlos Knapp



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