ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 576 - 9/2/2010
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Modelo Google de negócios é apontado como alternativa para a indústria dos jornais
Postado por Carlos Castilho em 3/6/2009 às 22:14:58
 
 

A General Motors e a Local Motors são duas empresas automobilísticas norte-americanas, mas as semelhanças param aí. A GM é uma mega corporação que fabrica veículos em massa e que acaba de pedir concordata. A LM, é infinitamente menor, foi criada em 2006 por sete engenheiros e é a primeira do mundo a adotar o modelo Google de negócios no setor automobilístico.

 

Jeff Jarvis, um respeitado consultor de mídia, professor e blogueiro norte-americano, acha que os donos de jornais do mundo inteiro deveriam examinar com lupa a fórmula da Local Motors porque ela poderia ser servir de ponto de partida para uma nova estratégia corporativa para um segmento industrial que também está vivendo momentos críticos.

 

A LM está aplicando os oito princípios que fizeram da Google a maior empresa do mundo no ramo das novas tecnologias e que hoje começam a seduzir os executivos que há três anos eram unânimes em taxar de inviável o transplante do modelo para o mundo industrial.

 

Os princípios são:

a)     Produção colaborativa – os compradores de carros da LM participam da elaboração do design e das especificações técnicas junto com os engenheiros. O resultado é a personalização do veículo. Os clientes acabam fazendo um remix de componentes de veículos de outras marcas;

b)     Propriedade comunitária – os clientes tornam-se membros da cooperativa que dirige montadora e com isto logram reduzir o preço do veiculo encomendado.

c)     Micro-empresa – a produção de veículos, na conjuntura atual, só é lucrativa se for feita em fábricas enxutas com burocracia interna reduzida ao mínimo, sistema operacional descentralizado e funcionários polivalentes. A falência da mastodôntica GM, com mais de 90 mil funcionários (1/3 dos quais em funções burocráticas) passou a ser um exemplo da falência do velho modelo de linha de montagem, numa estrutura hierarquizada e centralizada;

d)     Produção para nichos de consumidores – A LM vai produzir carros diferentes para públicos segmentados. Atualmente a empresa desenvolve um veiculo para o estado do Arizona e outro totalmente diferente para Nova Iorque. Ume rústico para terrenos ruins e outro é pequeno e super econômico para ser usado num trânsito complicado;

e)     Montagem – Os veículos são montados usando quase 90% de componentes de outros carros e os modelos podem ser montados por outras empresas. Não há franquia. É o carro no sistema do código aberto, sem pagamento de royalties;

f)       Negócio público – As informações de usuários são essenciais para o futuro do negócio, porque os clientes e compradores sentem-se participantes no processo de montagem de veículos;

g)     Produção local – Por enquanto a empresa está instalada numa única cidade,  mas o modelo pode ser replicado noutras regiões mantendo a regra da identificação  com o publico e com a realidade local;

h)     Venda direta – O modelo elimina intermediários,  no caso concessionárias e revendas, substituídos pela internet nas vendas e atendimento aos compradores.

 

Jarvis acha que todos estes itens podem ser facilmente adaptados para a realidade da indústria dos jornais, levando em conta que muitos sites independentes de noticias já os aplicam total ou parcialmente.

 

Um dos exemplos mais badalados desta nova tendência é o projeto ChicagoNow, ChicagoNow que está sendo desenvolvido por um grupo de jornalistas do jornal Chicago Tribune, um dos principais atingidos pela queda de leitores e de anúncios. O ChicagoNow aplica pelo menos seis itens do modelo Google adaptados para o ambiente jornalístico.

 

O projeto está apoiado em notícias publicadas em blogs criados por leitores dentro da página do ChicagoNow. Em média 30% deste material vai para a edição impressa depois de ser avaliado por leitores e por editores do jornal. Mais ou menos o mesmo processo está sendo implantado no Philadelphia Inquirer que acaba de jogar a toalha em sua edição em papel para ser publicado apenas na Web.

 

Ainda é muito cedo para dizer se o modelo Google terá na indústria dos jornais, os mesmos resultados obtidos pela Local Motors. Mas se depender do pessoal do ChicagoNow, a aposta vale a pena porque a outra opção é o desemprego.
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Flavio  Salles, Filosofo (Belém/PA)
Enviado em 8/6/2009 às 02:47:38

É hora de reler o "A Terceira Onda" do Alvin Tofler. O seu conceito de "prossumidor" está chegando à realidade.
Marco  Chaga, Professor (Florianópolis/SC)
Enviado em 6/6/2009 às 18:58:30

Bem que a universidade podia ser como a LM, assim cada um faria seu mix sem ter que ficar submetido às grades curriculares.
Ibsen  Marques, Técnico em Eletrônica (Caçapava/SP)
Enviado em 5/6/2009 às 17:57:15

Tudo que se´propõe como a"A solução" me provoca arrepios. Estou lembrando dos esquemas TQC da vida e da Reengenharia que demitiu milhares e pessoas e se mostrou um retumbante fracasso. Acho que esse tipo de solução vai mais para o lado daqueles grupos do tipo Yamaguishi que dão certo enquanto minoria. Veja o caso do Linux, um software aberto, mas faça uma cotaçãozinha do sistema corporativo da versão Red hat.
Ivan  Moraes, sem profissao (Newark, NJ/MG)
Enviado em 5/6/2009 às 11:24:39

Em Minas, Aecio fundou a LF, a Local Ferro. Eh uma gracinha tambem. O cliente especifica que tipo de ferro quer e como o quer cortado e ele eh entregue na porta do cliente em qualquer parte do mundo. (A LF ainda nao faz entregas em Minas... nao foi implementado... problema na logistica de exportacao de dinheiro...)
Marcos Vinicius  Gomes, professor de Inglês (Taboão da Serra/SP)
Enviado em 4/6/2009 às 17:05:41

Texto interessante, pode ser que vingue como novo modelo de negócios para o jornalismo. O aspecto descentralizador e democrático é o que mais deve ser ressalto nesta estratégia.
sergio  ribeiro, bancário (São paulo/SP)
Enviado em 4/6/2009 às 12:01:36

Genial. Vale para qualquer ramo. Parece uma aplicação melhorada dos conceitos que vi no livro A Empresa Holística, do prof. Carlos Reinaldo Mendes Ribeiro. Quem diria, li isso há quase dez anos e as empresas brasileiras parecem seguir mais o modelo da GM.
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Carlos Castilho
* Ex-repórter - revista Fatos & Fotos
* Ex-redator internacional - JB
* Ex-editor internacional - Opinião
* Ex-editor telejornais - TV Globo
* Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Ex-redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo;
* Ex-correspondente latino americano  do jornal Público/Lisboa
* Ex-editor internacional do JB;
* Ex-editor associado do The World Paper/ Boston;
* Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica;
* Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia;
* Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis);
* Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis;
* Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; 
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


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