ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 600 - 27/7/2010
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Pesquisa mostra baixa credibilidade dos jornalistas nos três poderes da democracia
Postado por Carlos Castilho em 8/12/2009 às 13:35:00
 
 

A democracia vai mal no mundo inteiro, se depender da confiança dos jornalistas. Os partidos, políticos, parlamentos nacionais, bem como os poderes executivo e judiciário ocupam os piores lugares num ranking de credibilidade da imprensa, segundo revelou uma pesquisa com 1.800 jornalistas em 350 redações, distribuídas por 18 países.

 

Os partidos políticos são a instituição menos confiável entre as 12 estudadas, obtendo um índice médio de 2,19 numa escala onde 1 é o descrédito total e 5, a confiança absoluta. Os partidos brasileiros (índice de 1,96) só foram superados pelos da Indonésia, México, Romênia e Turquia.

 

Os nossos políticos também saíram muito mal na fotografia da credibilidade por parte da imprensa. A turma de Brasília obteve um magro índice de 1,98,  superados apenas pelos seus colegas de Uganda, Turquia, Indonésia, México e Romênia.

 

O mesmo aconteceu com os parlamentos: o nosso ficou entre os quatro piores no quesito confiabilidade pela imprensa, com um índice de 2,2 numa média mundial de 2,83.

 

Quase chegamos perto da média mundial (índice de 2,8) na avaliação da credibilidade jornalística dos chefes de governo. A administração Lula obteve 2,74 , e pode se vangloriar de ter ficado acima avaliação da Casa Branca [1] . Em compensação ficou longe da confiança de repórteres e editores nos governos da China, Alemanha, Espanha e Suíça.

 

A essas alturas, você já deve estar se perguntando: quem são, então, as instituições mais confiáveis para os jornalistas dos países incluídos na amostra da pesquisa? A resposta surpreende. São as organizações não-governamentais, as ONGs e instituições filantrópicas, com um índice médio de 3,28, seguidas da própria imprensa (3,23) e pelas Nações Unidas (3,20).

 


Os jornalistas brasileiros preferem confiar mais na ONU (3,55) e em si próprios (3,31) do que nas ONGs nacionais (3,17). Só os jornalistas de Uganda e da China confiam mais do que nossos profissionais nas informações fornecidas pelas Nações Unidas à imprensa.

 

A atual conferência de Copenhagen, sobre meio ambiente mundial, está mostrando de forma brutalmente clara a defasagem de confiança jornalística em fontes governamentais e não-governamentais. Os materiais distribuídos por organizações como a Greenpeace e Save the Earth conseguem facilmente mais audiência entre os jornalistas do que as declarações de presidentes e primeiros-ministros.

 

A baixa credibilidade dos representantes das instituições que simbolizam o regime democrático torna-se ainda mais impactante quando levamos em conta o fato de que os jornalistas têm acesso privilegiado às fontes de poder, ao contrário do resto da população, que é obrigada a basear-se nos relatos da imprensa.

 

Se os interlocutores diretos do poder não confiam nele, o que dirá o público que recebe informações que já passaram pelo menos por dois filtros, o da fonte e o do repórter. O resultado, que pode ser constatado em todo o mundo, é o de um ambiente informativo caracterizado por dúvidas e desconfiança cada vez maiores.

 

Aqui está, talvez, a principal explicação para o alto índice de influência exercida por organizações como o Observatório da Imprensa na produção de repórteres e editores brasileiros. A pesquisa mostrou que os jornalistas brasileiros atribuíram um índice de 2,07 na escala de 1 a 5 na avaliação das instituições cujo posicionamento tem mais peso na hora de preparar uma notícia. A média mundial foi de 2,09.

 

Este mesmo ambiente informativo está fazendo com que o público também assuma funções de vigilância da mídia como uma medida de auto-proteção. Se não dá mais para confiar nos representantes das instituições, pelo menos é necessário restabelecer o crédito da mídia, porque do contrário corremos o risco de roçarmos o caos informativo, o que é perigosíssimo em matéria de convivência democrática.


[1] A pesquisa foi feita nos últimos meses do governo Bush.

Comentários (5)
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Carol  Majewski, advogado (Porto Alegre/RS)
Enviado em 11/12/2009 às 10:32:42

Parabéns, este (Média e Democracia), para mim, foi um dos mais importantes informes que já li porque mostra que a democracia corre risco em todo o mundo diante da elevada falta de credibilidade dos meios de informação. Viva, pois, o OBSERVATÓRIOS DE IMPRENSA. É preciso repassar esse assunto a todos, mas principalmente, aos políticos e governantes do momento, como um alerta, para não se criar um "caos informativo" e a consequente volta à barbárie.
Ibsen  Marques, Técnico em Eletrônica (Caçapava/SP)
Enviado em 11/12/2009 às 09:44:16

Castilho, achei que iria ser original, mas pelo que vi nos comentários se a população fosse entrevistada a nota da imprensa estaria no mesmo nível das instituições, por outro lado, é interessante que os jornalistas tenham tanta confiança nas ONG´s, principalmente aqui no Brasil onde pesam graves denúncias sobre muitas delas. Outro fato inusitado é que uma classe teoricamente bem informada como a jornalística tenha delegado mais confiança ao governo Chinês do que o dos EUA; prá mim não há diferença alguma, ambos são totalitários em suas políticas externas, a China ainda tem o agravante de o ser também nas relações internas e acobertar uma destriução sistemática da fauna e flora, além dos péssimos tratos que dedicam aos animais, ainda nos dias de hoje, sem considerar a manutenção de mão de obra escrava, mais ou menos oficializada. Prefiro dar mais credibilidade às Leis da Natureza, que são implacáveis e, logo logo, nos colocarão para fora do Planeta!!!
Comentário do Autor

Ibsen,
Tua observação sobre os dados relativos à China são procedentes. eu também anotei que em todas as estatísticas e quadros da pesquisa, o caso chinês apresenta um diferencial marcado em relação aos demais países na América Latina, Ásia e África. Não sei em que condições a pesquisa foi conduzida na China e nem conheço em detalhes o que pensam os jornalistas chineses. Mas que os dados são meio estranhos, isto são.
Abraço Castilho

zanuja  castelo branco, aposentada (recife/PE)
Enviado em 11/12/2009 às 04:43:29

Pois eu não acredito e não confio é na imprensa, especialmente a nossa.
Artur  Wagner Jr., Estudante (Novo Hamburgo/RS)
Enviado em 10/12/2009 às 16:25:45

Agora só falta ouvir a opinião da população sobre a credibilidade dos jornalistas... Surpreende colocarem a opção imprensa quando quem vota são os próprio profissionais da mesma...
Cristiana  Castro, Advogada (Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 10/12/2009 às 13:59:07

Ih Castilho, entre ONGs e ONU e nossos 3 poderes, fico, sem sombra de dúvida , com os nossos 3 poderes, em matéria de credibilidade. Se Heráclito Fortes ( ! ) disser A e o Greenpeace, por exemplo, disser B, nem pisco, fecho com o Heráclito Fortes na hora. O mesmo vale para qq informação/estatística/orientação/denúncia, etc... vinda da ONU. ONGs/ONU/ Imprensa são setores de um mesmo sistema. Tudo uma coisa só. Não que os 3 poderes estejam, de fora, mas são mais vulneráveis às chantagens midiáticas e, portanto, sempre saem de bandidos nos enredos. Castilho, quem do OI vai pra Confecom?
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Carlos Castilho
* Ex-repórter - revista Fatos & Fotos
* Ex-redator internacional - JB
* Ex-editor internacional - Opinião
* Ex-editor telejornais - TV Globo
* Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Ex-redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo;
* Ex-correspondente latino americano  do jornal Público/Lisboa
* Ex-editor internacional do JB;
* Ex-editor associado do The World Paper/ Boston;
* Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica;
* Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia;
* Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis);
* Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis;
* Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; 
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


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