ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 576 - 9/2/2010
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O problema não está no diploma mas nas escolas de jornalismo
Postado por Carlos Castilho em 18/6/2009 às 17:14:46
 
 

O debate em torno da revogação da exigência de diploma de jornalista mais uma vez envereda pelo rumo equivocado e, se continuar assim, vai novamente chegar a um beco sem saída. Isto acontece porque os protagonistas não levam em conta que o problema não está num pedaço de papel mas em quem o assina.

 

O diploma é uma certificação da qualificação de um candidato ao exercício do ofício de jornalista. Quem emite o diploma é uma instituição de ensino superior, portanto é ela quem assume a responsabilidade pela qualificação de um jornalista.  Este é o diploma legal, pois os certificados emitidos por cursinhos criados por empresas jornalísticas servem apenas como referência curricular.

 

Agora vem a grande pergunta: As escolas de jornalismo no país dão aos seus alunos a capacitação necessária para ingressar num mercado de trabalho caracterizado por transformações radicais na área da comunicação e do processamento da informação?

 

Com raras exceções, a resposta será não. A maioria das escolas de jornalismo no país ainda não completou a sua transição da comunicação analógica para a digital. Ainda lidam com práticas superadas, sem levar em conta todas as mudanças ocorridas pela ampliação do uso da internet, pela desvalorização do produto notícia por causa da avalancha informativa, pela emergência do cidadão como produtor de informações, pelo surgimento de redes informativas baseadas na colaboração entre usuários, pela convergência de canais de comunicação e pelo desafio da multimídia como plataforma para a imersão informativa.

 

As escolas de jornalismo, em sua maioria, também falham num aspecto essencial ao não valorizar a experimentação já que a internet é sabidamente uma área em construção onde quase tudo precisa ser testado e avaliado. As empresas experimentaram quando o que estava em jogo eram produtos tecnológicos para o mercado consumidor.

 

Mas agora que a Web passa a ser um terreno predominado pela preocupação com a aplicação social da tecnologia, é que se vê como a falta de pesquisa começa a ser um fator limitador do desenvolvimento econômico. Só resta a universidade para preencher este espaço, mas ela se mostra lenta e vacilante neste aspecto por conta da necessidade de ter que rever estruturas e práticas de ensino vigentes há décadas.

 

Resultado, o recém formado em jornalismo vai para o mercado dominado pela internet e pela digitalização, tendo como principais ferramentas aquilo que ele aprendeu fora da escola. Assim, o diploma que ele ganhou não tem grande significado para as empresas e nem para o próprio jovem, porque o empreendedorismo jornalístico online não faz parte da maioria dos currículos.

 

Isto mostra que não adianta polemizar sobre a obrigatoriedade ou não do diploma, se não discutimos a qualificação do jornalista, ou seja, a capacidade das escolas de jornalismo produzir o profissional que a nova realidade informativa está exigindo.

 

Mais do que o manejo de softwares e equipamentos digitais, o que a informação contemporânea exige são profissionais capazes de interagir com o público, de orientar as pessoas na aplicação da ética na comunicação, de contar histórias usando a multimídia, de contextualizar notícias e por aí vai. Quase todas estas preocupações são vistas como algo extra-terrestre por boa parcela do corpo docente de nossas faculdades.

 

Por isto sou contra este bate-boca estéril em torno de um diploma, que mais do que um documento cartorial tem que ser um símbolo da certificação de qualidade validado pelas demandas sociais contemporâneas. Nem mesmo os nossos doutos magistrados do STF levaram estes argumentos em conta. Por isto, a decisão que tomaram é tão pouco consistente quanto o diploma que eles desqualificaram.

 

A indústria dos jornais já entrou em crise por conta das mudanças ocorridas na informação e na comunicação, depois da internet. A busca de alternativas para as empresas está sendo dificultada, também,  pela impossibilidade das universidades participarem deste esforço com contribuições atualizadas. Será que a gente vai ter que esperar pela crise nas universidades, para que alguma mudança aconteça?  

Comentários (30)
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Thiago  Vieira, Estudante Com.Social - Hab Jornalismo (Aracaju/SE)
Enviado em 20/6/2009 às 01:20:48

Nossa, pessoal. Por favor, arranjem um buraco para eu enfiar a cabeça por causa da asneira que disse no comentário anterior. Um breve diálogo com minha mãe me fez perceber o tamanho da burrada. Ingressei no curso de jornalismo não querendo fazer parte da imprensa, mas sim querendo me utilizar das ferramentas aprendidas no curso para projetos mesclando outras áreas de interesse (Ilustração, WebDesign e Divulgação Ciêntífica) e isso me abriu muitas boas portas. Sempre fui contra a mentalidade de obter um diploma para obter um empergo específico. Mas aí minha mãe perguntou:"Mas e a situação pra quem QUER SER JORNALISTA?". A ficha caiu e inumeras variáveis entraram em campo. Venho aqui unicamente pedir desculpas pela "burragem" e tentar me redimir com a classe trabalhadora mais importante do Brasil por uma atitude arrogante. Mais tarde volto pra um comentário melhor contextualizado.
Thiago  Vieira, Estudante Com. Social - Hab Jornalismo (Aracaju/SE)
Enviado em 20/6/2009 às 00:32:19

Uma rápida opinião sobre um tema que considero insoso: Diploma nunca deu emprego pra ninguém na área de humanas. As hordas de motoristas de taxi formados em direito, sociologia e administração são prova cabal da situação. PS: ô Castilho! Vê se bota uma foto no seu Twitter. Ou vc não é https://twitter.com/ccastilho ? Abraço.
Marcelo  Nantes, jornalista (Brasília/DF)
Enviado em 19/6/2009 às 18:05:08

a pessoa que utiliza a expressão "raras exceções" perde credibilidade para falar sobre diploma de nível superior.
Wendel Anastácio  Anastacio, Vendedor (Barbacena/MG)
Enviado em 19/6/2009 às 17:55:16

Senhores; Parabéns Prof. Carlos, pelo seu artigo, eivado de bom senso e realismo. Aos grandes profissionais da imprensa, tabém extendo meus respeitos. Aos outros, "os prostitutos/mercenários" da profissão, ficarão como sempre estiveram. Ficarão à procura de um bom salário junto aos oligopólios que pagam por suas "honras". Um abraço e continue o grande profissional que sempre foi.
pabblo  silva, pesquisador (fpolis/SC)
Enviado em 19/6/2009 às 17:54:14

Se antes era daquele jeito que acabou transbordando no que hj é não os culpo, os antepassados crentes ao discurso sem subversões viviam enclausurados em mentiras literárias de como viver dignamente e como seria o futuro e como foi o passado que qdo contestado sempre o era a duras custas. Agora vamos todos tornarmo-nos romanticos de uma hora pra outra? Antes a convivência só se dava num emprego, num laboratório qquer, num hospital, num canteiro de obras, mas qtos ainda vão insistir com a visão absurda do : " antes que era bom". Eu tendo a verificar que uma mistura de informação,teses e convivências é que traduzem o roteiro , e citando um poeta conhecido... " Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, Que nunca é o que se vê quando se abre a janela".
Carlos  Durães, Consultor (São Paulo/SP)
Enviado em 19/6/2009 às 16:53:46

Sou estudante de jornalismo e estudo numa faculdade que vou ter a delicadeza de não mencionar o nome, que ministra um curso de péssima qualidade. Considero que minha verdadeira faculdade está sendo a leitura desse blog e do Novo em Folha, que fazem refletir acerca da profissão, o que meu curso não faz. Somos insuflados e alimentados em ter um espírito crítico, mas não temos a menor noção de que é importante da mesma forma, desenvolver o espírito auto-crítico.
Luiz Henrique  Quemel, EX-tudante de jornalismo (Belém/PA)
Enviado em 19/6/2009 às 15:38:17

Caro prof Carlos, o problema é que muitas IES "analógicas" ainda formam para o emprego, coisa em processo de extinção. Poucas as que formam para o mercado de trabalho. Os alunos deveriam ser formados para o (des)emprego. Ainda há muito preconceito para com a disciplina de Assessoria de Imprensa e Empreendedorismo. É pecado conseguir o canudo e se tornar free-lancer?
Márcio  Ikuno, Jornalista (São Paulo/SP)
Enviado em 19/6/2009 às 15:20:23

Caro Sr. Carlos Castilho, não sei há quanto tempo tenha concluído a faculdade de jornalismo, mas suponho que seja há muito. Seu argumento foi um tanto ignorante (no sentido literal, não pejorativo), porque toda afirmação está incorreta. Por acaso, o senhor já entrou em alguma universidade privada? Já presenciou se existe alguma falta de equipamento ou falta de instruções sobre ferramentas de internet? Será que o senhor aprendeu a usar o Twitter agora? Não gostaria de crer nisso. Bem, a questão é que o diploma é tão importante quanto saber redigir um bom texto. Estamos falando sobre credibilidade. O que será de um profissional jornalista cuja sociedade brasileira não o terá mais como um profissional respeitado, mas somente mais um que "se diz ser alguém profissional?". Pense nisso, meu caro.
Comentário do Autor
Marcio,
Eu conclui o meu curso de gradução em 2006 e o meu mestrado em mídia e conhecimento em 2008. Sou professor em duas faculdades privadas e uso o Twitter desde 2007, quando ele foi lançado. Inclusive dou aulas sobre texto para Twitter na disciplina de redação jornalística. Entendo a sua posição mas gostaria de acrescentar que a respeitabilidade e credibilidade de um jornalista não são dados pelo seu diploma e sim pela conduta no exercício da atividade. Já deixamos para trás os tempos em que o status definia uma pessoa, como acontece no regime de castas na India (tão em moda na TV hoje). Quero deixar claro que não sou contra o diploma, pois ele sempre será uma referência. Só acho que ele perdeu valor, não pela decisão inconsequente do STF, mas pelo fato de que não garante que o profissional esteja à altura das necessidades da informação jornalística na era digital. Um abraço Castilho
Antônio  Augusto, jornalista (Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 19/6/2009 às 14:29:08

Quanta bobagem e pretensão neste artigo! O problema central da comunicação no Brasil é sua quase total ausência de democratização. Controlada por "famiglias", das quais a mais mafiosa é a Marinho, mantém-se assim o povo brasileiro diuturna e sistematicamente desinformado. E justamente pelo "lobby" desse baronato midiático o STF extinguiu a exigência do diploma de jornalista. O que tornará ainda mais aviltante uma profissão já exercida em condições da mais precária submissão ao patronato. Com o desprestígio das faculdades de jornalismo, advindo da decisão do STF, haverá ainda menos questionamento do lixo oferecido pela mídia, menos questionamento aos interessados em sufocar a liberdade de imprensa em nome da liberdade de empresa. O que é necessário é lutar pela democratização da informação. A luta pelo restabelecimento do diploma ajuda nessa direção. Triste do país cujo presidente da sua mais alta corte de Justiça é um rábula como Gilmar Dantas Mendes.
José Alfredo  Rodrigues, jornalista (Ubatuba/SP)
Enviado em 19/6/2009 às 14:10:16

Muito bem colocado. Este "bate-boca" é muito salutar para o desenvolvimento da profissão, uma vez que foi necessário o STF se manifestar para que a sociedade abrisse os olhos. Diplomado ou não, o jornalista profissional, ou seja, aquele que busca o seu sustento e o de sua família, deve estar preparado para atuar no mercado de trabalho, antecipar os fatos e produzir notícias, compreendendo a dinâmica do mercado de trabalho. Atuo como jornalista na região do Vale do Paraíba paulista há mais de 32 anos, diplomado há 30 anos. Observo que a categoria só se organiza nos grandes centros. Sindicato, Fenaj e centrais sindicais só atuam na defesa corporativa de seus interesses próprios, sem se preocupar com a profissão ou com o profissional que atua no mercado. Há muito o que se fazer até se encontrar o ponto de convergência para tantos interesses díspares.
Raquel  Gurgel, estudante de jornalismo (Niterói/RJ)
Enviado em 19/6/2009 às 13:42:42

Concordo que o problema esteja nas escolas de jornalismo, mas discordo que esse problema seja a falta de intimidade entre os cursos e os novos meios. O que eu sinto - pelo menos na Universidade Federal Fluminense, onde estudo - é um grande descaso com o embasamento teórico que a faculdade deveria proporcionar, não apenas em relação às novas tecnologias, mas de forma mais ampla. Temos UM semestre para estudar as teorias de comunicação, para se ter uma idéia. Além disso, o que aprendemos de filosofia, antropologia, sociologia, economia e história está muito longe do suficiente. A sensação é a de que, na maior parte do tempo, estamos voltados apenas ao conhecimento técnico, o que não me parece que deveria ser o objetivo de um curso universitário.
Thales  Rafael, Estudante de Jornalismo (Niterói/RJ)
Enviado em 19/6/2009 às 13:06:55

Corrigindo: grande parte da sociedade NÃO está a par das discurssões em torno da mídia.
Thales  Rafael, Estudante de Jornalismo (Niterói/RJ)
Enviado em 19/6/2009 às 13:05:22

Uma das minhas grandes preocupações com o fim do diploma é de alguma forma as faculdades de jornalismo entrem em um processo duplo de esvaziamento. Por um lado através de uma baixa na procura do curso e, por outro, formando uma lacuna na discurssão do currículo das escolas. Como você bem citou, as pesquisas na área da comunicação ainda são muito poucas. O estudo da comunicação em geral é relativamente novo (uma disciplina que só veio a se consolidar no século XX é praticamente embrionária). Sem contar que, especificamente no caso da UFF, estamos passando por um processo de instrumentalização do curso. Separar o jornalismo do grande nicho de estudos que é a comunicação é errône. É a perpetuação de velhos erros que insitiam em analisar somente o emissor da mensagem ou o receptor. Não que os estudos culturais e todas as formas interdisciplinares de entender a comunicação não sejam bem-vindas. A questão é que passaremos a deixar de ver o processo comunicacional como um todo. Como uma dialética entre público e empresas. Entre a cultura, a economia e a política. Tudo o que se debate acerca da mídia é feito de modo muito superficial. Essa lógica só é suspensa em sites e blogs destinados especificamente a isso. De um modo geral, toda a sociedade mantem-se a par das questões do jornalismo, da publicidade e mais amplamente da comunicação. Onde está a democracia proposta por Gilmar?
Ivan  Moraes, sem profissao (Newark, NJ/MG)
Enviado em 19/6/2009 às 13:04:26

"Mas felizmente sabemos que o diploma sempre vai contar na hora da avaliação. Quem o possuí tem grandes chances de estar melhor preparado de quem não o possui": media brasileira esta cheia de analistas economicos que nao entendem patavinas de economia, analistas politicos que nao entendem patavinas de politica, e "jornalistas" sociais que nao entendem patavinas de sociedade. Sinto muito pelos que colocaram fe no diploma, mas sob essas circumstancias sou contra ele de toda e qualquer maneira exatamente porque o estado da media nao reflete diploma algum, reflete o analfabetismo funcional dos donos.
Valéria  Vianna, jornalista (Niterói/RJ)
Enviado em 19/6/2009 às 12:42:45

Saí da Universidade Gama Filho muito bem preparada para enfrentar o mercado de trabalho, mesmo com práticas superadas - na época, laboratórios de rádio e TV ultrapassados, em que poucas vezes entrei. Mas, quando, no meu primeiro estágio, chegando naquele mesmo dia à redação de uma rádio, o chefe me pediu uma nota para ser lida em exatamente um minuto, ah, meu caro Carlos Castilho, ela estava na frente do locutor a tempo de lê-la. Logo depois, os elogios. Eu estava preparada, sim. E acredito que todo aluno de jornalismo hoje está. Porque a faculdade de jornalismo nos prepara para enfrentar os desafios que a profissão apresenta com jogo de cintura e rapidez. Somos formados jornalistas - formatados - assim como o historiador sai formado em sua visão de mundo e agir, o advogado, o engenheiro... enfim. A classe perdeu muito com isso. E o próprio jornalismo também. Desvalorizado, empobrecido. Liberdade de expressão, afinal, nada tem a ver com o exercício da profissão de jornalismo, que precisa de uma faculdade, sim, e seu devido diploma. Colaboradores, os jornais sempre tiveram. A exigência do diploma nunca foi porta fechada para eles. Os empresários dos veículos de comunicação conseguiram o que queriam. Vamos ver até quando essa decisão será realmente favorável para eles. O tempo dirá.
Thanius  Sarchis, Estudante de jornalismo (Juiz de Fora/MG)
Enviado em 19/6/2009 às 12:19:40

A qualidade das faculdades é relativa. As privadas, não só de comunicação, sempre deixam as pessoas com um pé atrás. Com poucas exceções, você pode não aprender nada e ganhar o diploma assim mesmo. As federais são casos a serem estudados individualmente. Estudo na Universidade Federal de Juiz de Fora e o curso de comunicação é considerado um dos melhores do país, e realmente aprendemos muita coisa. A estrutura é boa para os padrões brasileiros e os professores, em sua maioria, são ótimos. Pode-se ganhar o diploma sem se esforçar, mas quem corre atrás, aprende muito e se torna capacitado. Isso significa que mesmo com o diploma de uma das melhores faculdades de comunicação do país, pode- se encontrar maus profissionais. Por falar nele, o problema com a não obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista é apenas um: a desmoralização de quem o tem. Você ter um diploma que oficialmente não vale nada, é ruim. Mas felizmente sabemos que o diploma sempre vai contar na hora da avaliação. Quem o possuí tem grandes chances de estar melhor preparado de quem não o possui.
samuel  barbosa, estudante (salvador/BA)
Enviado em 19/6/2009 às 11:19:17

cabe a isso uma grande avaliação do conteúdo que essas instituições trabalham, não é simplesmente vetar a obrigatoriedade do diploma.
Rafael  Sousa, Jornalista (Brasília/DF)
Enviado em 19/6/2009 às 11:03:04

Deve ser por isso que no Brasil temos melhores médicos, excelentes advogados e juízes, afinal a qualidade do ensino das escolas que ensinam tais disciplinas beiram a primazia. Acredito que esse argumento é prosaico e que somente serve para demandar a melhoria da qualidade do ensino e das instituições superiores. Por mais precário que o seja o papel (diploma) ele é o marco mínimo para aquele que postula o exercício de uma profissão regulamentada. Temos que QUESTIONAR os VEDADEIROS interesses vinculados ao fim do diploma? Alberto Dines deixou claro que o diploma nunca impediu o não-jornalista de alcançar as redações.
Geraldo  Silva, ** (Belo Horizonte/MG)
Enviado em 19/6/2009 às 10:50:41

Se os jornalistas com diploma são realmente melhores do que os outros, não há que temer. Eles serão os vencedores na disputa por uma vaga no mercado de trabalho. Assim, não que falar em reserva de mercado.
Luiz  Prisco, Jornalista (Brasília/DF)
Enviado em 19/6/2009 às 10:14:32

Caro, observador. Este é, sem dúvida, o artigo mais interessante sobre o tema. Concordo do primeiro parágrafo até o último. É preciso que a categora (termo em desuso) reflita que as novas mídias mudaram o rumo do jornalismo.
Luciano  Garrido, Psicólogo (Brasília/DF)
Enviado em 19/6/2009 às 09:47:34

Mais uma vez o Castilho martela o bom senso na cabeça dos recalcitrantes. Só discordo em uma coisa: essa poêmica em torno do diploma foi importante, sim. A abolição do diploma foi uma conquista da sociedade (isto é, e como ele mesmo diz, "do cidadão produtor de informação") e mesmo que tudo isso possa ser seguido pela discussão em torno da qualidade da escolas de jornalismo; mesmo que elas se alcem ao nível da excelência, mesmo assim o exercício desse ofício deverá ser livre, Todo aquele que pretanda exercê-lo, diplomado ou não, deverá mostrar sua excelência na prática, que é o árbitro nesses casos.
GEORGE  JÚNIOR, SERVIDOR PÚBLICO (NATAL/RN)
Enviado em 19/6/2009 às 07:58:42

Será que também a profissão de advogado não dispensaria o diploma? Afinal, muitos rábulas se tornaram famosos: Evaristo de Morais, por exemplo, bacharelou-se aos 45 anos. Jà era um famoso criminalista. O estudo do direito, portanto não poderia ser feito em casa, deitado numa rede, lendo e estudando por livros?
Ivan  Moraes, sem profissao (Newark, NJ/MG)
Enviado em 19/6/2009 às 02:22:02

"O diploma, verdadeiro foco da discussão, é sim um indicativo da formação do futuro profissional de jornalismo e comprova uma base teórica e técnica imprescindível ao exercício da profissão": nao, eh indicativo da formacao do futuro *trabalhista* do jornalista. No Brasil, diploma eh mesmo irrelevante pois ser de direita eh qualificacao suficiente pra emprego como "jornalista", "juiz", e "espiao". Eh uma legiao deles em uma centena de medias, documentadas nominalmente no Eduardo Guimaraes.
Ligia  Catão, jornalista (com diploma) (Rio de janeiro/RJ)
Enviado em 19/6/2009 às 01:25:36

O caro colega misturou alhos com bugalhos e perdeu o rumo. A discussão não foi sobre a qualidade do ensino nas faculdades de jornalismo, que, concordo, deixa muito a desejar. O diploma, verdadeiro foco da discussão, é sim um indicativo da formação do futuro profissional de jornalismo e comprova uma base teórica e técnica imprescindível ao exercício da profissão . Boas faculdades tampouco são garantia de um bons profissionais.
Julio  Ottoboni, jornalista (São José dos Campos/SP)
Enviado em 19/6/2009 às 00:39:30

Caro Castilho, concordo que dos 400 cursos de jornalismo existentes no Brasil, a grande maioria - se houvesse uma fiscalização séria do ministério e não movimentação pela propina descarada - seria fechada imediatamente. Fui professor universitário numa universidade particular e vi aberrações desde o processo de seleção do futuro estudante até adulteração em notas dadas por professores, que eram proibidos de reprovar alunos ´ que pagam em dia as mensalidades´. Esse modelo é que deveria ser julgado e nasce, exatamente, na relação prostituída entre governo federal e empresários do ensino. Abs
Jairo  Sanguiné, professor - jornalista (Pelotas/RS)
Enviado em 19/6/2009 às 00:22:51

Por favor.....vamos ser mais responsáveis nesse debate. Os cursos estão investindo pesado para se manter no mercado, em busca de novos alunos diante da crescente onda de cursinhos de esquina. As universidades sérias deste país tem compromisso com a formação profissional, ao contrário dos magistrados, que julgam coisas sem nenhuma base de sustentação. Leiam meu blog: http://blogsempalavras.zip.net
Ivan  Moraes, sem profissao (Newark, NJ/MG)
Enviado em 18/6/2009 às 22:28:51

"Castilho, me desculpa, mas o debate sobre o diploma é um e o debate sobre a qualidade das faculdades é outro": eh, exato. Esse "debate" foi decidido por ***juizes***. Por serem analfabetos eles nao sabem o significado da palavra "ironia" ainda.
Ivan  Moraes, sem profissao (Newark, NJ/MG)
Enviado em 18/6/2009 às 22:27:12

"Por isto sou contra este bate-boca estéril em torno de um diploma, que mais do que um documento cartorial tem que ser um símbolo da certificação de qualidade validado pelas demandas sociais contemporâneas": entao eh dois. Alias, se nem jornais com diplomados nem jornais sem diplomados oferecem sequer sombra de qualidade jornalistica, o ponto eh academico. "Nem mesmo os nossos doutos magistrados do STF levaram estes argumentos em conta": nem juiz diplomado nem juiz nao diplomado garante sombra de justica no Brasil. RIP, jornalistas. Morram mais rapido, juizes ja estao na fila.
Fernando  Albuquerque, Jornalista (Brasília/DF)
Enviado em 18/6/2009 às 21:25:03

Castilho, me desculpa, mas o debate sobre o diploma é um e o debate sobre a qualidade das faculdades é outro. E ambos resultam em consequências distintas. A falta de qualidade na formação universitária, que, infelizmente, não é privilégio de jornalistas, é resultado de uma Fenaj inoperante e irresponsável, que nunca se preocupou em realizar um trabalho eficiente em relação a isso. Já a ausência da exigência devolve a profissão a condição de ´bico´, porque, obviamente, economistas, cientistas políticos, historiadores vão querer - e poder -, assim como foi no passado (vide anos 40 - 50), fazer um extra nos jornais. E quem disser que isso não é possível, é porque não conhece a realidade do jornalismo no País. É fácil falar analisando a realidade de São Paulo ou Brasília, mas o Brasil não é apenas isso.
Comentário do Autor

Oi Fernando,
É importante entender que a separação dos debates sobre o diploma e sobre o ensino do jornalismo só favorece aqueles que estão interessados em manter o estado atual da imprensa brasileira. Para melhorá-lo, um dos elementos é a qualificação dos profissionais e isto só se faz nas faculdades, principalmente agora que o ofício de jornalista passou a exigir novas habilidades técnicas e da relacionamento com o público. O diploma tem que estar vinculado à certificação de qualidade profissional. Fora disto, ele é apenas um instrumento corporativista.
Fernando, um abraço e volte sempre. Castilho

Vinicius  Krause, Arquiteto de Informação (Curitiba/PR)
Enviado em 18/6/2009 às 17:41:29

A universidade brasileira precisa é de mais gente como o senhor ! E não este bando de encostado que finge que ensina outro bando de encostados. Só não concordo em uma coisa. A ética deve ser um princípio comum a todas as pessoas, independente de posição social ou profissão. Não se aprende ética em faculdade. Principalmente com o foco das faculdades se direcionando cada vez mais para o aspecto técnico das ciências. Ética se aprende em casa, na rua e com o próximo. Obrigado pelo post ! abraço !
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Carlos Castilho
* Ex-repórter - revista Fatos & Fotos
* Ex-redator internacional - JB
* Ex-editor internacional - Opinião
* Ex-editor telejornais - TV Globo
* Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Ex-redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo;
* Ex-correspondente latino americano  do jornal Público/Lisboa
* Ex-editor internacional do JB;
* Ex-editor associado do The World Paper/ Boston;
* Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica;
* Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia;
* Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis);
* Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis;
* Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; 
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


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