Telejornalismo também paga o preço da crise na imprensa
Postado por Carlos Castilho em
11/12/2009 às 12:23:55
Até agora os telejornais olhavam com um certo ar de superioridade em relação aos jornais impressos diante as dificuldades enfrentadas pelos profissionais do papel na luta para encontrar um novo modelo de negócios capaz de assegurar a sua sobrevivência diante da internet.
Mas o quadro parece estar mudando, e muito rapidamente. Nos últimos dois meses, algumas das mais importantes emissoras européias admitiram mudanças profundas em seus departamentos de jornalismo, ao mesmo tempo em que a NBC norte-americana anunciou um corte de 700 funcionários da área de telejornais, em conseqüência de uma redução de 800 milhões de dólares nas suas receitas publicitárias desde 2007.
Na Inglaterra, o executivo chefe da rede independente de televisão (ITV), Michael Grade, admitiu em depoimento ao parlamento britânico que sua rede não está mais interessada em notícias porque os gastos superam as receitas. Ele disse também que não pedirá mais ajuda pública para os programas jornalísticos regionais porque “eles são um saco sem fundo”. Grade foi ainda mais longe em seu pessimismo, trocando o cargo na principal emissora comercial inglesa por um emprego fora da TV.
Emissoras como a inglesa BBC e a alemã ARD (ambas controladas pelo governo) sempre colocaram os seus programas jornalísticos como os carros-chefes de uma programação que seus responsáveis definem como de interesse público e sem fins lucrativos. Os telejornais da BBC e da ARD, bem como de várias outras emissoras européias que recebem fundos estatais, não podem veicular publicidade comercial.
As emissoras públicas européias admitem, em privado, que também podem reduzir drasticamente os orçamentos de programas jornalísticos, segundo informações da newsletter Follow the Media. Mas a situação já se tornou dramática em países da Europa Central, o antigo bloco socialista do Leste europeu, onde pelo menos dez projetos de telejornalismo foram desativados por falta de dinheiro.
O projeto de televisão comunitária RE:TV, criado na Bulgária há dois anos com recursos de um multimilionário local, anunciou no início de dezembro que sairá do ar até o final do ano. O canal reunia uma equipe formada pelos melhores jornalistas búlgaros e produzia programas retransmitidos por quase todas as grandes emissoras européias.
A crise nos departamentos de jornalismo das televisões européias é mais séria do que se imagina, porque no Velho Mundo o telejornalismo é a âncora do resto da programação, ao contrário do que acontece com as emissoras comerciais. Emissoras como a BBC e a ARD usam o jornalismo independente como grande argumento para pedir fundos aos respectivos governos. Para elas, o jornalismo é uma espécie de ícone do interesse publico.
Mas não é só isto que está em jogo. Caso a perda de sustentabilidade financeira se agrave ainda mais, o jornalismo na televisão pode tornar-se ainda mais exposto aos interesses comerciais, como já é possível perceber na TV Globo, onde as chamadas "promoções da casa" ocupam cada vez mais espaço nas emissões noticiosas. O caso extremo é o noticiário esportivo, onde quase tudo o que sai no ar tem algum interesse comercial embutido.
A informação jornalística menos influenciada por interesses corporativos privados, até agora, estava marcada na televisão pela existência de canais públicos que funcionavam como inibidores da comercialização desenfreada do noticiário. No caso europeu, o fator predominante era a qualidade da informação gerada por uma BBC, por exemplo. Já em países como o Brasil, a simples existência de uma emissora pública, mesmo débil, já é suficiente para criar um parâmetro de comparação em matéria de noticiário.
Tudo isso indica que o público terá que se preocupar cada vez mais com o tipo de informação que receberá nos próximos anos, porque as emissoras privadas vão acabar sacrificando a qualidade em nome da sobrevivência financeira e as públicas terão cada vez mais dificuldade para arrancar verbas estatais capazes de manter a programação atual.
Caro Ibsen, os elogios são sinceros. Ah, e lógico que eu olho sempre com desconfiança qualquer notícia veiculada em UOL ( FSP), estadão, Globo, Correio Braziliense etc, etc, etc... se eles têm interesses escusos? Acho que não procuram outra coisa senão o que é escuso. Infelizmente. Um abraço.
José Albino, Engo.
(São Paulo/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 18:30:40
Caro Ibsen, mais uma vez afirmo que admiro seus comentários. A realidade da zona rural é realmente distante da realidade dos grandes centros. Mas a distância irá se encurtar com o tempo, com certeza. Não somente na área educacional, como na área social como um todo, da qual a educacional é parte, são necessários muitos mais avanços dos que já se apresentam até o momento. Eu sou engenheiro agrônomo e engenheiro elétrico. Como agrônomo, e morador do interior, conheci muito a realidade da zona rural onde trabalhei, como por exemplo, Mato Grosso do Sul, Oeste de SP, Oeste da Bahia/Pernambuco, e outras, embora não conheça a sua região. Realmente, a inclusão social passa por outros aspectos que não somente a inclusão tecnológica, através do acesso à Internet. Mas com relação ao acesso à informações e às notícias, e em resumo, à imprensa, motivo do artigo do Castilho, eu acredito que estamos em fase de mudanças e adaptação, e em breve a realidade será outra, conforme tem se verificado nos últimos 20/25 anos. O que quis dizer é que o jornalismo já se dá hoje pela Internet, sem que nós percebamos, inclusive através do OI. E este jornalismo via Internet é mais isento, menos comprometido com linhas editoriais, já que se dá de forma livre. Há que se cobrar pelo conteúdo, lógico. Mas é a alternativa mais provável aos jornalistas isentos.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 18:25:54
José Albino, em tempo, concordo plenamente com você que o que lemos nos jornais e vemos na TV passa longe do termo confiabilidade. Sobre esse número que forneci, encontrei-o no site do UOL (leia-se FSP). Teria algum interesse escuso? Talvez vários, desde a manutenção dos atuais patrocinadores vinculados às publicações escritas à tentativa de presenvar uma canfiança do leitor a muito perdida. Infelizmente, as novas tecnologias se disponibilizam, mas sua implementação tem sempre esbarrado nas vontades políticas. Eu tenho sempre dito que esse Observatório e, pricipalmente este Código é imensamente democrático e que concordo sempre com o Castilho em sua proposta desse novo jornalismo onde eles (os jornalistas) e nós os leitores é quem fazemos das notícias, as boas informações. Cordiais abraços e grato pelo elogio.
Ibsen Marques, Técnico Em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 17:56:35
(continua) Isso quer dizer, que além da exclusão pela renda há a exclusão funcional, quer dizer, como fazer bom uso do que há de bom na Net que é, principalmente, a informação. O fato de o jovem ir à lan house, acessar orkut, msn, comunidades de jogos online e, às vezes, coisas piores, não significa inclusão digital. Acho que, como tudo, há um processo educacional de ensino envolvido. Clarificar aos jovens as reais possibilidades que a Internet oferece e suas aplicabilidades faz parte importante da inclusão digital. Em linguística Aplicada temos visto enormes dificuldades dos professores da velha e da nova guarda em adequar de forma inteligente todas as possibilidades da informática (não só da Internet) ao ensino e à troca e formação do conhecimento. A zona rural já está se adequando às novas tecnologias como a Internet e a informatização dos negócios, principalmente nas fazendas e usinas utilizando as caríssimas conexões por satélite. Já na "roça", os trabalhadores das usinas e fazendas estão muito longe das novas tecnologias, há um vácuo do Estado nessas regiões em todas as áreas de infra-estrutura; desde o transporte, passando pela educação, até a saúde. As prefeituras dos municípios não se sentem obrigadas a nos ajudar porque não pagamos impostos municipais. Não é à toa que o número de viciados em crack aumenta vertiginosamente nessas áreas.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 17:36:36
José Albino, a Internet via rede elétrica é uma possibilidade, não uma realidade. A Realidade na zona rural hoje é que você tem uma rede elétrica de péssima qualidade (é só chover para ficar sem energia) e uma telefonia, mesmo móvel, precaríssima. Os custos de acesso à Internet nessas áreas é impeditivo para nossa renda ( e olha que perto da maioria dos trabalhadores rurais da minha região, ganho muito bem). Sem contar o investimento inicial em um micro computador que hoje ainda é mais caro que uma máquina de lavar decente ou uma geladeira. Como a exploração da Net via rede elétrica se dará através de convênio entre operadoras, vamos ter um longo período entre sua implantação (sabe-se lá quando) e o barateamento de seus custos, mais ou menos nos moldes em que se deu a Internet via fio telefônico, talvez pior, porque envolverá operadoras de serviços totalmente diferentes. Mas a questão não é só a renda do cidadão. Há outros motivos para a exclusão. Na área da educação, ainda se debate como inserir adequadamente os alunos na área digital e como se dará o ensino a partir dela. Hoje o que tenho visto com meu filho é que, quando estudava em escolas estaduais (até ano passado) a informática era um sonho distante. Na escola particular vejo que eles utilizam a internet apenas para pesquisas escolares e muito mal, apenas para o copy/paste de trabalhos. (continua)
José Albino, Engo.
(São Paulo/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 16:35:54
Recentemente, ao questionar a exclusão de brasileiros da Internet e ao comentar a notícia de que 35 % do acesso de brasileiros na rede se dá por meio de lan-houses ( ocupa o segundo lugar) , o analista Carlos Sardenberg enfatizou que a estatística deveria levar em conta que cresceu o acesso por estas lan-houses, na periferia, enfatizando ainda o significado disto como alternativa de empreendimento para as classes mais pobres. Leia o artigo http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/12/11/lan+houses+ja+sao+o+segundo+lugar+de+onde+mais+se+acessa+a+internet+no+brasil++9230269.html O que esta sendo mostrado é que mesmo quem não tem computador em casa esta acessando a rede pelas lan-houses da vida.
Quanto a morar em Zona Rural e não ter acesso à Internet, informo que há alternativas, e recomendo ler o artigo http://tecnologia.uol.com.br/ultnot/2009/08/25/ult4213u841.jhtm . Com relação a este último artigo, informo que este sistema já foi usado no Rio Grande do Sul em diversas regiões, desde 10 anos atrás. Por que não vinga? Aí vem o problema: a quem interessa habilitar na rede elétrica o sinal da Internet? Como cobrar isso? A partir do momento que este modelo de transmissão for colocado em prática, posso te garantir que será a democratização total da Internet no Brasil, já que praticamente em todo o território há acesso a energia elétrica ( portadora do sinal de Internet).
José Albino, Engo.
(São Paulo/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 16:34:50
Caro Ibsen, declaro que tenho admiração pela qualidade de seus comentários, sempre que os leio. O que eu quis dizer com a Internet democratizando o acesso à informação não é uma afirmação minha apenas, mas sim uma constatação da realidade. Haja vista a quantidade de debates profundos sobre notícias e fatos veiculados de forma mentirosa ou tendenciosa na imprensa, e que são constantemente re-tratados aqui no OI, por jornalistas comprometidos com a verdade. Este espaço do OI se dá dentro do ambiente de Internet. Voce tem razão em incluir a estatística atual de que 105 milhões de brasileiros não tem acesso à Internet, porém é tão difícil que estes 105 milhões passem a ter acesso à Internet quanto se virem salvos da tendenciosa imprensa televisiva e escrita, já que um televisor esta sempre presente nas moradias das classes mais excluídas. Uma vez ligada a TV, as notícias e mentiras entram como que por osmose. Lembremos da China e de Cuba, de onde somente podemos saber das notícias importantes e verdadeiras pela Internet, dada a ousadia de internautas desses países. A Internet democratiza a informação, seja através do OI, dos blogs, dos e-mails, do twitters, etc. ( Continua no próximo) ---
Alexandre Pastre, contabilista
(Andradas/MG)
Enviado em 14/12/2009 às 15:49:43
A miséria dos outros, que costuma engrossar o conteúdo das novelas, sempre foi uma garantia de estabilidade e da migração "de espera" para o telejornal. A forma de abordá-la é que tem sido reformulada. A ampliação e o sadismo da cobertura do trágico é um sinal claro de tentativa de segurar o público.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 14:17:59
Castilho, a questão que você coloca é preocupante quando analisada com profundidade, pois dá conta de que podemos perder não só os informativos parcias como os jornalões, revistões e telejornalões, mas há um enorme risco de perdermos também a qualidade que temos encontrado em alguns sites e blogs na Internet, como esse mesmo código por exemplo.
Arnaldo Costa, analista de sistemas
(Belo Horizonte/MG)
Enviado em 14/12/2009 às 12:01:31
A imprensa está desacreditada e não reflete mais os anseios e vontades da sociedade, mas de uma minoria. Grupos como o do Estadão,da Folha,a Globo,a editora Abril e outros,editam os fatos conforme seus interesses e são omissos e coniventes com seus afetos. Nesse momento,temos SP debaixo de água,onde a responsabilidade é evidente do Zé Serra,do menino maluquinho (prefeito),e de suas administrações,e eles se escondem atrás dessa imprensa hipócrita.A falta de investimento e o não funcionamento em uma das bombas de irrigação da Sabesp provocaram esse caos. Dessa forma, fica fácil para esses sujeitos governarem.Fazem o que querem e são acobertados e estimulados por essa imprensa marrom.Essa manipulação da notícia sempre existiu, mas se intensificou de sete anos para cá, justamente quando, pela primeira vez,a oposição assumiu o país.É um absurdo o que vem acontecendo na mídia e nos meios de comunicação.São completamente tendenciosos e passaram a governar e fazer politicagem para seus afetos.Essa imprensa vem prestando um desserviço para o país,insistindo em manter essas forças políticas que estão há mais de 30 anos no poder, e contribuindo para o atraso da nossa sociedade. Se sentem melhor com a pobreza e o atraso, e querem manter o “status quo” do poder. Isso sim é uma vergonha.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 11:45:49
No aprofundamento dessa discussão temos que considerar as comunicações e a informação como sendo parte de um todo imensamente maior, parte de um universo bem mais amplo e que envolve questões de ordem política, social, econômica, além das muitas opções e prioridades que o homem e a sociedade têm feito ao longo de sua curta história. Só para dar um exêmplo da incoerência humana, posso citar a relutância da China em definir metas para conter o aquecimento global sob a alegação de que isso poderia acarretar dificuldades ao seu crescimento econômico, como se houvesse aplicabilidade e coerência em crescer em um mundo inexistente. Ou é isso ou muitos ainda não acreditam que a ação humana está, a alrgos passos, destruindo o planeta.
Ibsen Marques, Técnico em Eletrônica
(Caçapava/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 11:38:33
Eu tenho uma grande preocupação em creditar a desmoralização da mídia impressa e televisiva às novas tecnologias. Elas escancararam mais rapidamente problemas já existentes. A questão é que não compartilho com a idéia de que a internet democratizou a informação, primeiro porque recentes pesquisas dão conta de que 105 milhões de brasileiros estão excluídos da rede (eu mesmo, que moro na roça, só posso acessar a Internet do trabalho e, meu filho, limitadamente, em sua escola que é particular e fica na cidade). A segunda questão é que, como não se definiu uma forma de remuneração para quem informa na internet, temo que os bons jornalistas e blogs de informação acabem sucumbindo às necessidades de sobrevivência num mundo capitalista neo-liberal como o nosso e percamos qualquer referência de qualidade e a própria qualidade da informação (aqui na Internet, visto que na TV, rádio e papel ela já está perdida faz tempo). Concordo também com o comentário do Jaime Collier sobre a endemia da corrupção e, obviamente ela afeta todas as classes profissionais, inclusive os jornalistas, e esses, mesmo com as aulas de ética profissional já que o ser ético é parte de uma formação bem anterior ao curso de nível superior que se faça. (continua por falta de toque)
Rosildo Brito, Professor e jornalista
(Campina Grande/PB)
Enviado em 14/12/2009 às 11:00:15
Muito interessante a discussão aqui levantada. Concordo com alguns comentaristas para quem a crise na verdade não está só no meio jornalístico mas sim em todos os demais segmentos profissionais da sociedade. Não podemos perder de vista o fato de que, como alertam diversos estudos sociológicos, a crise deve ser entendidade como um fenômeno de mudança porque passa todo o mundo movido, sobretudo, pelo incapacidade de autogestão do sistema capitalista que vem se revelando incapaz de dar conta do modelo de mercado vigente e que dá vida a chamada pós-modernidade. Neste contexto, a imprensa é apenas um dos reflexos desta crise que, bem entendida epistemologicamente, em sítense significa esforço de acomodação às transformações em andamento.
José Albino, Engo.
(São Paulo/SP)
Enviado em 14/12/2009 às 10:59:34
Pois é, as coisas mudam. Em 1986, durante os cursos que fiz de sensoriamento remoto e imagens por satélite, fiquei sabendo que dos 3000 satélites em órbita na época, apenas 80 não eram militares. Significa que a transmissão de informações de um lado a outro do planeta dependiam da autorização de uso destes parcos satélites. Com o fim da guerra fria, o aluguel de “banda” dos satélites já não mais militares passou a ser altamente lucrativo para os detentores dos aparelhos. As emissoras de sinais de TV repassaram os custos da transmissão aos anunciantes. Era muito , mas muito caro. O anuncio então tinha que estar vinculado a um programa de audiência, senão o preço pago não se justificaria. Hoje, a situação mudou, embora o preço do anúncio continue caro. Creio que o avanço das possibilidades de broadcasting via Internet vão pouco a pouco democratizando o acesso à informação, e com isso vai se modificando a relação de forças das emissoras e seus jornais televisivos. Hoje em dia, poucas pessoas assistem a TV para se informar, pois buscam mais informação via Internet, já sabendo da falta de isenção dos editoriais das emissoras. Assim sendo, creio que o futuro da informação está atrelado à Internet. Quanto aos jornais escritos, espalhadores de mentiras escritas, nem Gutemberg aprovaria. Estão fadados a sumir! Quem vai pagar ( anunciantes) por jornais descomprometidos com a verdade?
Jaime Collier Coeli, Aposentado
(Itanhaem/SP)
Enviado em 13/12/2009 às 05:38:05
Suponho que uma análise economica, seja tendo por base o beneficio-custo, seja o menor custo social, levrá inevitavelmente a um levantamento dos investientos feitos naquilo que antigamente se denominava "faits divers" e que na atualidade se transformou em objetivo fundamental do jornalismo. Investimentos em assuntos policiais, desde a construção de presidios até o s horarios dedicados a esse tema no radio, tv e jornais, precisam ser explicitados, porque aparentemente geram um tipo de ideologia supostamente moralizante mas, de fato, criadores de uma sociedade policialesca. A bandidagem e os profissionais da informação policial acabam por estabelecer uma parceria totalitaria. Basta observar as milicias. Qual é a percentagem do PIB invetida no que se denomina "segurança" publica? E mais: deseja-se combater a criminalidade ou estabelecer um sistema de exploração economica de sua ação?
Coitada da internet, acaba pagando opato por tudo. Acho importante observar que a crise da imprensa, principalmente no exterior, está muitíssimo ligada à crise financeira internacional, o que nem sempre é relevado pelos nossos comentaristas. A crise financeira capitalista afugenta os anunciantes e quem acaba se estrepando são os veículos de comunicação. Aliás, até mesmo a publicidade na internet sofreu um abalo. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela vem despencando.
Márcia Pimentel, Jornalista
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 13/12/2009 às 00:26:34
Concordo com o Mauro Augusto. Seria muito melhor que aqui fosse Observatório das Mídias.
Agora, em relação ao telejornalismo, bem, eu acho que a questão carece muito de pesquisa para
que se chegue a alguma conclusão mais palpável. Meu feeling é que o problema não é só das
novas tecnologias, é também da corrosão moral e dos aradigmas de que tudo é construído, de
forma que o real é um mero detalhe sobre o qual modelamos os nossos próprios interesses.
Uma das consequências disso é a falta de credibilidade do jornalismo e dos jornalistas.
Werner Piana, MD RAD
(Belo Horizonte/MG)
Enviado em 12/12/2009 às 21:10:41
bom... a continuar como está, será um favor social o fim dos Jornais na Globo, na Band, SBT... só salva na tábua da beirada o jornalismo da Record.
Boris Nazi-Kasoy parar de latir m* comentando sempre com seu autoritarismo de direita-falsária será uma grande alegria. Nunca mais ver o casalsinho de M* na bancada do amaldiçoado JN da globo sonegando e distorcendo informações, outro alívio.
A mim basta assistir ao Jornal da Record/Record News, da NBR, da Tv Brasil... o resto que seja varrido do mapa.
mauro augusto balensifer, prof. filosofia
(Estrela/RS)
Enviado em 12/12/2009 às 16:23:14
Sugiro uma modificação ao Observatório da Imprensa. Poderiam mudar de denominação para Observatório de Imprensa e Mídias ou somente Observatório das Mídias.
Vivemos o estertor de um modo de realizar o jornalismo. Agora os jornalistas podem se transformar em super-homens virtuais. Tirar a máscara de Clark Kent para serem autênticos.
Jedson Batista, Estudante de Jornailismo
(Fortaleza/CE)
Enviado em 12/12/2009 às 15:03:07
Crise? Existe mesmo? Creio que quando surgem, revelam os verdadeiros intentos. Resta-se saber se há ou se é apenas outro meio de difundir implicitamente o interesse da minoria que manda.
Kleber Katrino, Um sobrevivente
(São Paulo/SP)
Enviado em 12/12/2009 às 13:02:53
Estou um pouco enjoado com algumas colocações meio desesperadoras, do tipo: Cuidado, lá vem a gripe suína, mais da metade da população mundial será dizimada! Ou ainda. O Brasil não vai sair dessa crise, vamos todos virar mendigos! Ou há mais tempo. De 2000 o mundo não passa, ele vai acabar! (vamos esperar 2001) Por favor...
Nem todo palhaço pintado faz sorrir. É óbio que determindas coisas que ocorrem no mundo, que está mais interligado do que nunca, afetam demais países, no entanto, o mundo é muito grande a realidade de uns não se aplica a outros. Vamos deixar o impresso morrer de verdade, se é que vai, pois eu duvido, pra poder fazer colocações mais seguras. Não vamos acelerar a morte de algo que ainda sobvrevive muito bem. O telejornalismo europeu vive uma realidade, o nosso, outra. Pelo que consta, a Europa continua numa tentativa contínua de sair de uma crise da qual o Brasil não provou como se cogitou.
O mal de tudo é a especulação irresponsável.
www.plantaoreporter.com
RILDO Ferreira dos Santos, Ag de Saúde
(Nova Iguaçu/RJ)
Enviado em 12/12/2009 às 12:20:38
Os telejornais, assim como uma grande parte da mídia impressa, são
panfletos ideologizados. Talvez essa opção seja pela diminuição das
receitas e acabam se submetendo aos viés da sujeição, como no
caso da Veja que vendeu revistas para o Estado de São Paulo e para
o Distrito Federal. A Veja chegou a publicar um longa entrevista com
Arruda nas páginas amarelas, com altos elogios. Isso depois que
assinou contrato para fornecer revistas para as escolas distritais.
Deu no que deu. Eles não fazem jornalismo, mas "porcalismo" como
disse alguém da blogosfera. Perdem credibilidade e receita. Se
fizerem pesquisa de opinião sobre audiência de rádio, tv e leitura de
jornais e revistas, que não seja do Ibope (pelo mau caratismo),
veremos que todos perderam muito de seus seguidores. O povo não é
bobo e está filtrando melhor as informações.
Jaime Collier Coeli, Aposentado
(Itanhaem/SP)
Enviado em 12/12/2009 às 10:40:38
Enfatizo que as inovações tecnologicas pouco ou nada tem contribuido para ampliar o unierso de informação da maior parcela da população. Com certeza faltam dados estatisticos sobre esse fenomeno, mas épossivel observar empiricamente que a penetração, desde os primordios do radio de pilha, ficou restrita às transmissões de futebol e as novelas, tanto as radiofonicas quanto as da TV. Numa cachaçada ou num rancho, o que se observa são referencias ao futebol e aos dramas das novelas, raramente aos escandalos politicos ou wxonomixoa. Exceção para os locais, onde os vereadores, por exemplo, recebem baixa nota etica, mas são procurados para pequenos favores ligados aos poderes publicos. Essa observação leva-me a considerar o que se denomina "corrupção" como endemica. Imaginar que um procedimento jornalistico possa obter profundidade nas atuais circunstâncias parece ser um julgamento ingenuo. Falar em "pequena imprensa" é desconhecer a realidade dos procedimentos jornalisticos nas pequenas comunidades. De fato, é totalmente subsidiada pela politica e restrita as epocas pre-eleitorais. A imprensa não está acabando. Ela nunca existiu.
Jaime Collier Coeli, Aposentado
(Itanhaem/SP)
Enviado em 12/12/2009 às 09:57:56
Parcela consideravel da população nunca dependeu do jornalismo para informar-se, pela simples razão que só pratica o boca-a-boca. Reune-se para a cachaça ou para o "rancho", onde troca figurinhas sobre o que ocorre em seu dia-a-dia. Essa banalização da informação cai-lhe bem. Fecha seu conhecimento do mundo a seu povoado, a suas atividades, a seu proprio umbigo. O jornalismo jamais conseguiu superar essa barreira e, na medida em que transformou sua propria atividade em um sistema de banalização automatica, alimentada principalmente pelo noticiario das tvs, nada apresenta de novo. Antes, consolida informes, emoções, o material mais banal possivel. Desse ponto de vista, as inovações tecnologicas têm valor infimo. Apenas passam o recibo de sua inutilidade.
EDER VIEIRA DA ROCHA, VENDEDOR
(BELO HORIZONTE/MG)
Enviado em 12/12/2009 às 02:58:42
O financiamento público é a forma mais eficiente de fazer frente ao porcalhismo de certa mídia comercial.
eder vieira da rocha, vendedor
(BELO HORIZONTE/MG)
Enviado em 12/12/2009 às 02:45:20
O financiamento publico é a unica arma pode fazer frente ao porcalhismo dos grandes certas empresas de comunicação.
Tiago Costa Silva, Estudante universitário
(Araraquara/SP)
Enviado em 12/12/2009 às 01:23:39
Sinto um clima de incoerência no ar, cheira também a tal imparcialidade jurídica. Em suma, ao ver a folha se debater e, ainda mais, o Estadão, percebo o contraste dos muitos artigos que seus algozes jornalistas escreveram sobre o Golpe de Honduras. Alguns reiteraram o cumprimento da constituição de acordo com suas claúsulas pétreas. Agora, sentem esse gosto amargo e afirmam que a decisão naõ deveria ser pautada por uma análise tecnica. Ironia, Não?
Para legitimar o golpe, o coro foi quase uníssono em defender o que estava escrito na constituição. Nesse momento, boa parte da imprensa faz aquilo que melhor lhe cabe, puro corporativismo. Se esses grandes jornalões discutissem, introduzissem o debate da COFECOM, eu acreditaria talvez numa preocupação com a liberdade de imprensa e a sociedade. Do contrário, manterei a minha opinião. Eles estão preocupados consigo mesmos, depois o resto.
Cristiana Castro, Advogada
(Rio de Janeiro/RJ)
Enviado em 12/12/2009 às 00:31:23
Demorou, muito. Nossos telejornais são infinitamente mais nocivos que os jornais impressos. Faço votos para que a audiência caia para os 5% da população para quem essa turma trabalha.
* Ex-redator internacional - JB * Ex-editor internacional - Opinião * Ex-editor telejornais - TV Globo * Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres * Ex-redator - Cadernos do Terceiro do Terceiro Mundo; * Ex-correspondente latino americano do jornal Público/Lisboa * Ex-editor internacional do JB; * Ex-editor associado do The World Paper/ Boston; * Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica; * Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia; * Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis); * Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis; * Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; * Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005. * Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas. * Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. -Reside em Florianópolis / SC email ccastilho@gmail.com
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