ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 600 - 27/7/2010
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Disputa entre Microsoft e Google ameaça livre fluxo de informações na Web
Postado por Carlos Castilho em 26/11/2009 às 13:02:09
 
 

Por enquanto ainda é rumor, mas crescem os indícios de que há mesmo uma conversa em curso entre a Microsoft e o império jornalístico News Corporation, controlado pelo magnata Rupert Murdoch, para tentar obrigar o mecanismo de buscas Google a pagar pela indexação de notícias publicadas na imprensa.

 

Ao que tudo indica a Microsoft e a NewsCorp decidiram que é hora de encurralar a Google numa jogada de alto risco, cujas conseqüências para a internet vão muito além de uma mera guerra entre três das maiores empresas do mundo digital contemporâneo.

 

Para tentar defender posições estratégicas ameaçadas pelo crescimento constante da Google e pela queda do seu faturamento global, a Microsoft e a News parecem dispostas a criar muros virtuais e sacrificar o principio do livre fluxo de dados, informações e conhecimentos, mantido desde o surgimento da Web, há mais de uma década.

 

Murdoch, que controla um império jornalístico onde se destacam jornais como o The Wall Street Journal, New York Post (ambos norte-americanos), The Times e The Sun (ingleses), há muito vem insistindo na tese de que o acesso a jornais e revistas online deve ser pago. Ele acusa a Google de “roubar” conteúdos jornalísticos ao indexar notícias que depois são publicadas no site Google News.

 

Murdoch tem se mostrado cada vez mais irritado e agressivo na defesa de sua tese, ao mesmo tempo em que a Microsoft vê seus lucros caírem por conta do crescimento da Google e da perda de espaço de softwares residentes em computadores para programas disponíveis na Web, a chamada “computação em nuvem”.

 

As perspectivas sombrias tanto para a News como para a Microsoft criaram o ambiente adequado para uma aproximação onde a empresa criada por Bill Gates oferece à de Murdoch um pagamento para ter a exclusividade na indexação de todos os conteúdos online produzidos pelo império criado pelo milionário australiano naturalizado norte-americano. Hoje a Microsoft é dirigida por Steve Ballmer, depois da aposentadoria de Gates.

 

A exclusividade de acesso é considerada um pecado mortal pelos criadores da Web que a conceberam como um espaço sem muros para a troca de informações. A Google é no momento uma espécie de paradigma de modelo empresarial bem sucedido financeiramente num ambiente digital, onde os sistemas convencionais de negócios estão mostrando uma série de debilidades.

 

A possível guerra de gigantes na internet é por dinheiro, mas as conseqüências serão sentidas no âmbito dos princípios e valores. Por isto não é uma disputa qualquer. Dependendo do desenlace, o sonho da livre circulação de informações pela rede pode ser adiado por alguns anos.

 

Apesar do cacife financeiro da Microsoft e da News ser muito grande, a Google também tem um arsenal respeitável em matéria a conta bancária e de posição no mercado. O mecanismo de buscas controla 65% do mercado enquanto o Bing, da Microsoft tem modestos 9%. Nada menos que 100 mil acessos por minuto são desviados de buscas no Google para os sites de jornais, revistas, rádios e TVs em todo mundo.

 

Números como este levaram alguns especialistas em buscas, como Danny Sullivan, do site especializado Search Engine Land,  a afirmar que o risco de tentar isolar a Google é grande demais e que possivelmente a dupla Mudorch/Ballmer esteja apenas tentando assustá-la. Mas outros estão convencidos de que a perspectiva de lucros declinantes na Microsoft e na News é forte demais para eles estarem blefando.

 

Murdoch e Ballmer estão desafiando um processo deflagrado pela internet e que está alimentando o crescimento da nova economia digital, baseada na informação como matéria prima mais valorizada. Sem a livre circulação da informação, o ritmo das inovações tende a cair para uma velocidade típica da era industrial e mecânica, o que inviabiliza todo o sistema de produção baseado na automação e computação. 

 

É o chamado conservadorismo digital, que tenta frear o avanço das inovações para manter privilégios. É mais ou menos como se a Olivetti tentasse proibir a fabricação de computadores para manter a sua hegemonia na venda de máquinas de escrever.
Comentários (7)
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vinicius  dias, Tec. informação (rio de janeiro/RJ)
Enviado em 30/11/2009 às 20:12:44

90% das buscas por noticias e informações hoje é feita atraves do google, bloquear eles podem, mas so o que é novo, mas murdodoch é doido ms não maluco, barrar o robot do google é não ter visiblidade, alem do google existem muitas outras ferramentas de busca, mas quem faz busca hoje o google é a referencia, inclusive o proprio google já fez uma pesquisa e descobriu que hoje a grande maioria das pessoas não digita mais na barra de endereços para onde ela quer ir, já é padrao digitar direto na busca do google pelo que quer encontrar
Ibsen  Marques, Técnico em Eletrônica (Caçapava/SP)
Enviado em 30/11/2009 às 12:00:31

Acho essa, uma questão muito complicada. É mais ou menos claro que as grandes corporações estejam se degladiando por questões financeiras, mas não sei se é muito democrático uma única empresa, a Google, monopolizar o acesso à informação como tem feito. Quero dizer, quando esse acesso é aberto a todos os públicos, esse é um acesso democrático, mas quando uma única empresa monopoliza as consultas, aí a coisa complica. Por outro lado, é muito estranho que um determinado jornalista, utilizando-se da estrutura de um grande jornal, produza matéria e informação, para que seja simplesmente copiada por todos na Internet. É muito democrático para quem acessa, é verdade, mas como um empresa e um jornalista poderão se manter , sobreviver e continuar a produzir conteúdo dessa forma. E quando essas empresas e ou jornalistas, por uma questão financeira, já não fizerem mais parte do bloco produção, quem vai oferecer informação de forma consistente e confiável. A maioria dos blogs copia ou divulga notícias de outras fontes. Acho que, apesar de tudo, da questão da qualidade, manipulação etc, não podemos prescindir desses produtores de conteúdo.
Marcelo  Silvestre, Internauta (São Paulo/SP)
Enviado em 30/11/2009 às 02:29:27

Ah, esqueci de dizer: em relação à atitude da Microsoft, o melhor protesto é o Linux.
Marcelo  Silvestre, Internauta (São Paulo/SP)
Enviado em 30/11/2009 às 02:26:32

A Internet ajudou a eleger um negro de origem parcialmente muçulmana para a presidência dos EUA. Também deu vozes aos cidadãos, principalmente aos excluídos. No que depender da direita dos países desenvolvidos, a Internet está com os dias contados. Só vai servir para pedir uma pizza, receber propaganda ou ler o manual de um produto no site do fabricante. Lembremos que o Rupert Murdoch é o dono da FOX News, aquele canal histérico contra o Obama e o seu plano de saúde "socialista". Aqui no Brasil, já sentimos o efeito dessa tendência: o projeto de lei para a Internet do senador Eduardo Azeredo (PSDB, mensalão tucano) é só o começo do movimento que a direita brasileira está preparando para calar a Internet. Sem ela, podemos todos voltar a ser felizes telespectadores da Globo e leitores da Veja.
Arthur  Alencastro Puls, Jornalista (Criciúma/SC)
Enviado em 30/11/2009 às 01:39:00

Pergunta bem inocente: não seria o caso do Murdoch simplesmente ordenar a seus webmasters que desabilitem a leitura dos sites da News Corp pelo robô do Google?
Vinicius  dias, Tec,de informaçãp (rio de janeiro/RJ)
Enviado em 29/11/2009 às 11:47:57

Caro Carlos, esta questão esta muito alem do que simplesmente uma mera questão financeira, a intenet hoje é um meio democratico e confiavel de se obter informação, alem da media convencional, esta é aquestão do Sr. Murdochk o controle sobre a informação que circula na internet, não sejamos ingenuos, ja começa a surgir movimentos para barrar isso, exemplos: processos contra blogs por noticias ou informações postadas em blogs, jornalistas e colunistas responsaveis por blogs se entindo ameçados pelas opiniões e comentarios de leitores, começa a surgir um movimento de supressão a informação , opinião e veiculação por simples usuários de blogs ou leitores de jornias, ou seja é uma questão de controle de informação pela media
Jose  de Almeida Bispo, Publicitario e radialista (Itabaiana/SE)
Enviado em 28/11/2009 às 12:26:58

Tá cheio de gargalo. Quantos de nós sabemos que quem tem Banda Larga não precisa de provedor de acesso? Se for esperar que as raposas da ANATEL (as que tomam conta do galinheiro) esclareçam isso à população, vai morrer todo mundo velhinho sem o saber. Esse post do Nassif sobre o assunto é excelente: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/28/os-cartorios-da-midia/comment-page-1/#comment-840837
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Carlos Castilho
* Ex-repórter - revista Fatos & Fotos
* Ex-redator internacional - JB
* Ex-editor internacional - Opinião
* Ex-editor telejornais - TV Globo
* Ex-chefe do escritório da TV GLobo em Londres
* Ex-redator - Cadernos do Terceiro  do Terceiro Mundo;
* Ex-correspondente latino americano  do jornal Público/Lisboa
* Ex-editor internacional do JB;
* Ex-editor associado do The World Paper/ Boston;
* Ex-editor latino-americano da agência IPS - Costa Rica;
* Ex-consultor de advocacy na mídia para a União Européia;
* Professor de Jornalismo Online , Faculdades ASSESC (Florianópolis);
* Professor de Projetos Multimídia (pós-graduação latu senso) no CESUSC / Florianópolis;
* Professor de Jornalismo Online (curso a distância) no Knight Center, Universidade do Texas; 
* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco - Editora PUC/Rio -2005.
* Autor do prefácio e tradução do livro Jornalismo 2.0, de Mark Briggs, publicado pelo Centro Knight, da Universidade do Texas.
* Mestre em Mídia e Conhecimento pelo EGC/UFSC. 
-Reside em Florianópolis / SC
email ccastilho@gmail.com


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