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PRÊMIO DOM HÉLDER
CNBB homenageia jornalista
José Romildo de Oliveira Lima (*)
O jornalista Sérgio Dávila, da Folha de S. Paulo, acaba de ganhar o Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa pela cobertura da invasão do Iraque pelas forças militares americanas e britânicas. O prêmio foi instituído há um ano pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para incentivar a prática do jornalismo voltado para a justiça e a paz. A escolha dos jornalistas ou organizações premiadas foi feita por um júri independente, presidido pelo jornalista e professor da UnB Luis Martins. O júri é composto por profissionais da mídia, representantes do Ministério da Justiça e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Também foram homenageados com o prêmio o presidente da ONG União Planetária, Ulisses Riedel, e o Jornal de Opinião, pertencente à Arquidiocese de Belo Horizonte. A União Planetária realiza uma série de programas, exibidos por TVs comunitárias de todo o país, sobre questões relacionadas à paz, e prepara uma campanha em favor da desativação de minas, armas que põem populações civis em constante perigo. Já o Jornal de Opinião vem realizando há anos um trabalho de crítica ao papel da mídia na cobertura de guerras e conflitos étnicos.
"Busquei em meu trabalho apresentar a ótica do povo iraquiano sobre a invasão das tropas americanas e britânicas, já que o outro lado estava bem representado pela presença maciça de jornalistas de seus respectivos países", disse Dávila, ao receber o prêmio das mãos do secretário-geral da CNBB, Dom Odilo Pedro Scherer. O jornalista da Folha dedicou o prêmio ao fotógrafo Juca Varella, que o acompanhou no trabalho. Os dois eram os únicos representantes da imprensa brasileira em Bagdá no início da guerra.
Mídia e espetáculo
A entrega aconteceu na sexta-feira 30 de junho, no auditório do Centro Cultural de Brasília, no encerramento do Seminário de Comunicação de Brasília, que este ano debateu o tema "Mídia e cultura da paz".
O jornalista Bernardo Kucinski analisou, no seminário, as mudanças que ocorreram no perfil do profissional de imprensa em comparação ao papel do jornalista há 50 anos. Lembrou que o jornalista atualmente cobre a guerra dentro de um tanque militar, fato que introduz profundas mudanças no ethos da profissão. Exemplo pior ainda dessas mudanças, segundo ele, foi a descoberta de que alguns profissionais levaram para casa obras de arte e objetos de valor colhidos no país invadido, numa reprodução do comportamento de exércitos vitoriosos, que se acham no direito aos saques de guerra. Criticou especialmente a contribuição da mídia na divulgação das supostas descobertas de armas de destruição em massa. "A imprensa noticiava uma mentira por dia, que se destinava a ocupar o espaço da verdade: chamo isso de mentira tática", afirmou Kucinski.
O presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, também falou sobre ética, mídia e espetáculo, tendo sido um dos conferencistas mais aplaudidos. O Seminário de Comunicação de Brasília é realizado há três anos. Nos anos anteriores, contou com a presença dos professores Clifford Christians, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos; Claude-Jean Bertrand, da Universidade de Paris; e Peter Dalghren, da Universidade de Lund, na Suécia. O evento se inspira no tema da carta do papa João Paulo II, divulgada anualmente, sobre o Dia Mundial das Comunicações.
(*) Jornalista e professor do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB)
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