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ELEIÇÕES 2002
A barra está pesando
Chico Bruno (*)
A Copa do Mundo acabou. Brasil penta. A partir de agora, a pauta da mídia são as eleições de outubro. Na semana passada a campanha endureceu. Houve muito bate-boca entre os candidatos e seus periféricos. A mídia se desdobrou, afinal eram duas coberturas de peso ao mesmo tempo, a Copa e as eleições.
No quesito eleições, a mídia se deu conta de que a cobertura será uma parada dura. Em uma semana, os quatro principais candidatos se envolveram em muitas escaramuças, trocaram acusações e proferiram baboseiras.
A mídia paulista deu ênfase às investigações sobre um suposto propinoduto instalado na Prefeitura de Santo André. Já a carioca destacou a busca e a apreensão de centrais telefônicas na penitenciária de segurança máxima Bangu 1 e o metralhamento do prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro.
O que preocupa, nessa eleição, é o aproveitamento pela mídia de tricas e futricas, mexericos e fofocas. Nos últimos dias o "ouvi dizer" prevaleceu. Seus personagens são: em Brasília, Firmino Neto, que denunciou o desvio de recursos de uma associação para campanhas políticas; em São Paulo, o oftalmologista João Francisco Daniel, que denunciou o propinoduto da Prefeitura de Santo André, envolvendo o deputado federal José Dirceu, presidente do PT; e o senhor Fernando Tenório Cavalcanti, que, intitulando-se prefeito de São Bernardo do Campo, envolveu Lula numa acusação sem pé nem cabeça. Os três têm em comum a falta de provas do que denunciam. Mas a mídia os tem sob seus holofotes, embora tudo pareça com tricas e futricas.
A cobertura das eleições exige grande dose de bom senso. A mídia não pode ser instrumento da política, coisa que já aconteceu e valeu a severa reprovação da população. Seria muito triste uma nova ocorrência do que aconteceu nas eleições de 1989.
A mídia brasileira evoluiu tecnologicamente e amadureceu com as sucessivas eleições, de dois em dois anos. Precisa ficar atenta para não se deixar envolver por mexericos e fofocas. Infelizmente, nos últimos dias não conseguiu separar o joio do trigo, e está misturando alhos com bugalhos. Para ter credibilidade, terá que ser imparcial.
(*) Jornalista
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